domingo, janeiro 24, 2016

Vonnegut GE Alex Bernard


quinta-feira, outubro 22, 2015

Índigo blue, Índigo blusão...


Ringo Starr passou na Indigo Bookstore de Toronto, para o lançamento do seu livro Phothograph. Aproveitando que o baterista teria um show na cidade, ou vice-versa, sei lá, a livraria promoveu um evento que eu qualifico como uma oportunidade lifetime. Pelo menos pra mim. Quando qualquer um de nós terá outra chance de estar tao perto de um Beatle?

Então foi assim. Soube pelo Twitter que estavam vendendo ingressos para o evento. Pela módica quantida de CAD83, a gente teria direito ao livro propriamente dito e acesso à platéia. A livraria foi fechada por aproximadamente meia hora, tempo que tivemos para tirar todas as fotos possíveis.

Portanto no dia 20 de outubro, cheguei cedo e para minha surpresa, eu era o primeiro da fila. Ok, Ringo não e exatamente Jesus Cristo, mas poxa, dividiu um cortiço na Cananéia com o Nazareno. Pra mim ta ótimo. Como havia pouco espaço e poucas vagas, o evento foi meio que secreto. Foi muita sorte eu estar antenado com o Starr (sorry).

Consegui um lugar bem perto, e antecipadamente, elaborei um plano. Eu iria fazer uma caricatura do Ringo ao vivo, e entregar pra ele. Mas mudei de ideia, pois a entrevista com o músico teria apenas 15 minutos e seria complicado fazer o desenho, prestar atenção, tirar fotos e entregar o papel pra ele. Assim resolvi fazer logo a caricatura e esperarar a sorte sorrir pra entregar pra ele. Detalhe: o Ringo nao dá autografos, nem abraça malucos. Ele nao dá mole. O que é bem justificavel. E veja, não que ele seja sovina ou geste o deus da soberba em sua barba, mas cá pra nos: Ringo e Paul McCartney podem quase que literalmente fazer dinheiro em guardanapos. Fãs FDP vendem os autógrafos a preços absurdos na Internet. O que era pra ser uma recordação pessoal, virou uma industria, e os dois ficaram putos, com razao.

Então deixa eu contar: ele cobra caro por autógrafo, foto, abracinho com fã, etc. Parte do dinheiro vai pra caridade. Mas outra oarte, come on, ele merece. Houve umas quatro ou cinco pessoas - conheci uma delas - que lá no evento compraram essa "sessão íntima" com o Ringo, pela bela bagatela de CAD3.000. Em dólar de verdade da uns US$4,500. Em Reais dá uns R$800.000. Puxa, com CAD3.000 eu compraria toda a Província de Nunavut. Se bem que eu acho que valeu cada centavo. Dinheiro é pra isso, senão, qual o sentido?

Então resolvi fazer o desenho lá na hora, em pé mesmo, do jeito que pude - antes do Ringo chegar. Fiquei com o papelzinho na mão e...


...ele passa do meu lado!

Ele aceitou o desenho! Falei, - Ringo, a little gift for you! E ele aceitou! Rapidamente passou o papel pra assessora dele - essa loura da foto - e eu fiquei inenarravelmente contente. Disse THANK YOU pra ela depois. Ah, e toquei a jaqueta do Ringo. Portanto, virei santo. Posso interceder por vocês. Mandem oraçōes e grana, vou ver o que posso fazer.

Não publico o desenho aqui porque esta meio feinho, mas coloquei na minha conta do Twitter (@Hemeterio). Foi feito de coração, no calor do momento, e tem mais: todo mundo só quer TIRAR algo do Ringo, fui lá e OFERECI algo. Acho que isso contou pontos. Obviamente deixei no verso e-mail e tal. Vai que...

O cara é muito alto astral e gente fina. Na mesma semana fui ao show do Paul, então essa foi a semana Bealtles. Aliás, isso tudo foi um efeito colateral do Canada. Eu não contava que Toronto estaria na rota de eventos, show e exposiçōes. Achava que aqui era muito interiorzão pra isso. Mas já vi uma exposicao do Michelangelo, Rodin e Francis Bacon na AGO - Art Gallery of Ontario. O que dizer? Thanks, Canada. E obrigado Ringo, pela oportunidade.


Link de uma nota com algumas fotos.

http://www.newswire.ca/news-releases/ringo-starr-thrills-fans-at-indigo-in-toronto-534775281.html

E o videozinho que fiz la:

https://youtu.be/oNKJJlhSZLk

Se quiserem procurar mais no Google, usem please RINGO INDIGO TORONTO 2015 que vem muita coisa. Talvez eu ate apareca nas fotos.












terça-feira, maio 26, 2015

Young Jedi named Darth Vader...


quinta-feira, abril 16, 2015

Danny Collins, um relato

Nelson, resolvi fazer um relato em formato de carta, pra ficar fiel ao espirito do filme. Se estiver muito longo ou chato corta ai, please.

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Toronto, 17abril2015

Nelson, amigos e ouvintes do Frequencia Beatles da Universitaria FM.

Quando se é velho o bastante, decisões e acontecimentos que a gente enfrenta passam a ter um imenso efeito acumulativo. Por exemplo: estudar ou não num tal colégio determinou toda uma sequência de fatores que culmina no que você é hoje. Ter escolhido uma outra escola geraria uma cadeia de eventos diferentes, que criaria outras oportunidades, amigos, experiências e que em suma, moldariam um outro você... que nunca existiu.

Pois o que aconteceria se tivéssemos aceito aquele emprego, se aquela menina topasse se mudar contigo pra Porto Alegre, se aquela viagem pra Europa não tivesse sido cancelada... e se aquela carta que o John Lennon escrevera pra ti, tivesse chegado?

Essa é premissa do sensacional filme Danny Collins, estrelado pelo Al Pacino, em cartaz nos cinemas daqui. O filme é inspirado numa história real. Em 1971, o jovem cantor britânico Steve Tilston dera uma entrevista para uma obscura revista underground chamada ZigZag. Tratava-se da promoção do seu primeiro disco, e o reporter perguntou se a eventual fama e fortuna não mudaria a capacidade dele de criar músicas contundentes. Tilston disse que com certeza mudaria. Acontece que John Lennon, ao contrário de todas as probabilidades, leu a entrevista. Ele mesmo já havia passado por tudo, da pobreza a riqueza, e escreveu uma carta/bilhete onde dizia que não era bem assim, o dinheiro te deixa menos preocupado com coisas como comida e aluguel, mas os sentimentos que te inspiram são como os de qualquer outro ser humano, escreveu. Ao final, ele coloca seu proprio número de telefone (!), e convida o cara pra continuar o papo.

A carta nunca chegou. Provavelmente foi extraviada. Alguem sacou o potencial de um manuscrito do John Lennon e sumiu com ela. Apenas em 2005 Tilston soube da sua existência, quando um colecionador ligou perguntando se ele poderia atestar a veracidade e autenticidade da carta. Que carta? - deve ter pensado um estupefato Steve Tilston.

O filme segue mais ou menos a mesma história. Al Pacino 'e Danny Collins, um velho rock star de sucesso mas um tanto cafona. Na sua festa de aniversario, seu empresario, interpretado pelo Christopher Plummer, lhe entrega a tal carta perdida havia quarenta anos. Como qualquer um de nos faria, Danny Collins entra numa crise existencial, ao perceber que toda sua vida poderia ter sido diferente se ele fosse amigo... do John Lennon! A partir disso, Collins parte numa jornada de redescoberta, hilaria e tocante ao mesmo tempo. Como nao poderia deixar de ser, o filme 'e entrecortado com obras-primas do Lennon, entre elas, Instant Karma, Nobody Told Me e Working Class Hero - que se encaixam sempre com precisao no momento certo da vida do cantor Collins. A interpretacao do Al Pacino 'e elogiada como a melhor em anos, e num certo momento, ele nos lembra como seria Scarface se alem do amor pelas metralhadoras, gostasse de tocar piano. Outra coisa impagavel 'e ouvir o personagem do Christopher Plummer chamar o Al Pacino de "Kid". Quanta moral tem um sujeito pra tratar um dos maiores atores do seculo XX como um menino? Outro dos maiores atores do cinema.

Curioso que hoje em dia, nessa era tecnologica, uma historia dessas teria pouca chance de ocorrer. Basta a curtida na tua pagina do Facebook ou um Retweet, para que em uma hora, o mundo todo saiba que o Paul MacCartney te segue, ja penssou? Seria coisa de colocar no Curriculo.

Pra terminar, quero ainda divagar um pouco sobre essa Teoria das Imponderabilidades: que consequencias teria pra vida de um sujeito ser amigo do John Lennon? E vice-versa: o que essa amizade traria pra vida do John? Pode ser, digamos, que no gelido dezembro de 1980, Lennon nao estivesse em Nova York, mas sim, em Londres. E junto da Yoko e do Sean, ele poderia estar compondo novas musicas pro proximo LP na casa do seu grande chapa e parceiro... Steve Tilston.

Hemeterio

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Aqui a reportagem sobre a Carta Perdida e o filme:
http://www.historyvshollywood.com/reelfaces/danny-collins/

Aqui o trailer do filme:
https://m.youtube.com/watch?v=AndERTFMYd4

E aqui a carta original, a transcricao e minha traducao:


"Being rich doesn't change your experience in the way you think.

The only difference, basically, is that you don't have you worry about money - food - roof etc. But all other experiences - emotions - relationships - are the same as anybodies.

"I know, I have been rich and poor and so has Yoko, (rich - poor - rich). So, whadya think of that. Love John and Yoko."
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Ser rico nao afeta sua experiencia de vida, do jeito que voce acha.

A unica diferenca, basicamente, 'e que voce nao tem que se preocupar com dinheiro-comida-moradia, etc. Mas todas as outras experiencias-emocoes-relacionamentos, sao os mesmos pra todo mundo.

Eu sei, eu tenho sido rico e pobre, assim como Yoko (rica-pobre-rica). Entao, isso faz voce pensar em todas essas coisas. Amor, John e Yoko.






domingo, março 01, 2015

Concurso de pintura BP London


Pintura da minha vo para o concurso da BP London Portrait Gallery 2015. Infelizmente nao entrou. Paciencia, eles perderam a chance de expor essa perfeita lady inglesa, ta ate com a xicara de cha na mao. Fica pro ano que vem, sem duvida.


domingo, janeiro 25, 2015

Marte atraca!

The Martian
Andy Weir

First book I've ever read in english, btw.

Mark Watney 'e o astronauta que acidentalmente, foi abandonado em Marte numa das ja corriqueiras missoes ao nosso planeta vizinho. A partir dai, vemos uma luta pela sobrevivencia digna de Bear Grylls, Tom Hanks de Cast Away e 'e claro, Angus MacGyver. Personagem, alias, citado varias vezes pelo autor em entrevistas como inspiracao tecnica, nerdistica e motivacional para o livro.

A historia praticamente poderia ser um documentario romanceado. Impecavel do ponto de vista tecnico, as descricoes dos veiculos e procedimentos numa viagem espacial sao acurados e precisos. Nao so isso, mas detalhes como a geo(what?)logia de Marte, suas caracteristicas topograficas, relevo, atmosfera... bem, esta tudo la. Nesse sentido, o livro 'e um produto da nossa epoca, pois de fato, 'e possivel acessar fotografias minunciosas de Marte num clique. Nao chega a ser uma surpresa como foi a visao das paisagens da Lua no filme 2001 - quando sequer havia mapas precisos das crateras em 1967 -, mas mostra uma bem documentada imersao do autor.

Essas sao as boas novas. O que nao gostei foi bem pouco. O que nao deve tirar o sono de ninguem.

Primeira coisa que achei estranha foi a redundancia de um cliche. Todos nos ja vimos a cena em filmes-catastrofes (Aeroporto, Apollo 13, Deep Impact, Transformers I, a lista 'e longa). A situacao parece sem esperancas, todo mundo na sala de controle esgotou as ideias quando de subito, um subalterno e obscuro funcionario de penultimo escalao chega com a solucao "magica" anotada num guardanapo. A principio ceticos, os genios que sao pagos para bolar exatamente essas solucoes rapidamente adotam a ideia do garoto e ele salva o dia. Isso acontece duas vezes no livro. Parece sinceramente que o autor esqueceu que havia proposto essa saida e a colocou de novo.

Segunda coisa que achei estranha foi a falta de mencao as empresas espaciais privadas. O livro se passa nos dias de hoje ou num futuro proximo. Tanto que ja houve pelo menos tres pousos em Marte - o heroi Watney 'e a 70a pessoa a pisar la. Assim, quando falei que o livro seria um produto da nossa epoca, nao 'e bem o que ocorre no computo geral. Atualmente, existem ao menos tres empresas privadas que em menos de 10 anos, ja conseguiram mais que as NASAs da vida na mesma idade. Seria de se especular que numa situacao assim, as empresas (muitissimo mais evoluidas que hoje) poderiam ajudar no resgate ao astronauta, mas so as agencias espacias oficiais se metem nisso. Muito estranho, 'e como um livro definitivo sobre dinossauros ignorar que os mamiferos ja davam as caras no Jurassico.

No mais, o livro foi importante pra mim pois, como supracitado, foi meu primeiro livro em ingles, mas tambem, porque... eu sou Mark Watney. Estou abandonado num planeta frio e distante, tendo que me virar com pouquissimos recursos, e tudo o que eu quero 'e voltar pra casa. Mentira, to gostando de Toronto. Mas 'e so uma analogia, nao tem que ser perfeita, eh?

Recomendo muito. Mais ainda que os direitos sobre a obra foram comprados por Hollywood, e se fizerem um filme, tem tudo pra ser uma grande obra. Se o roteiro for tao primoroso quanto o livro em questoes tecnicas, acho que a producao deve limitar ao maximo o CGI e colocar os atores pra trabalhar no Atacama - onde alias a NASA testa seus rovers. Seria uma prova de fidedignidade ao ambiente inospito de Marte em si, e ao cinema de raiz que tanto a  gente gosta. Mal posso esperar, estarei la na premiere.


sexta-feira, janeiro 16, 2015

Canada 150



Em 2017 o Canada fará 150 anos de sua "fundação", digamos assim. Para comemorar a data, o governo promove um concurso para que estudantes criem o logo do evento e possam, dessa forma, "fazer parte da História do Canada". Palavras deles.

O fato de que não sou um jovem estudante é irrelevante para mim. Mandei minha ideia do mesmo jeito, vamos ver o que eles acham.

Aproveito pra despejar aqui meu Memorial Descritivo. Acreditem ou não, achei minha solução deveras esperta. Vamos lá.

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O Canada tem seis fusos horários, e a palavra CANADA tem seis letras. Autoevidente, então. Assim, as seis faixas representam o mapa do país de
Costa a Costa. Obviamente, também simbolizam as cores das várias nacionalidades e etnias que compõem o Canada - da mesma forma e substância das cores e significados da Bandeira Olímpica.

Além disso, as cores têm significados culturais, geográficos e econômicos.

Amerelo refere-se ao por do sol, já que mostra a Costa Oeste do Canada. Também referencia-se com o ouro da província de Yukon. Sim, aquela mesma das histórias do Tio Patinhas.

Preto seria o petróleo das Oil Sands, importante riqueza do Canada, e principal pauta da província de Alberta - na mesma posição relativa, inclusive.

Verde é a floresta boreal e as fazendas do meio-oeste, importante referência ao cinturão agrícola do país.

Vermelho simboliza Ontario, umas das províncias fundadoras do Canada. ...e que até pouco tempo atras, sua bandeira era a própria bandeira do país, substituída em 1967 pela bela e neutra Maple Leaf. Neutra porque até então, o Canada ostentava a Union Jack no seu pavilhão, assim como até hoje o fazem as submissas Austrália e Nova Zelândia. O vermelho, no caso, era a cor da Inglaterra.

Azul simboliza Quebec e a França. A província rebelde também foi uma das co autoras da carta de fundação do Canada, e por causa da maioria francesa, até hoje o país é oficialmente bilíngue - o que eu acho deveras chique.

Laranja simboliza o nascer do sol na Costa Leste e as províncias oceânicas.

"A land between the suns", como eu escrevi pra eles.

Mais sobre os tons: é possível achar as cores de 99% dos países do mundo nesse arranjo de matizes. Faca o teste. Da pra achar a India, Nepal, Bielo-Russia, Brasil, Tanga e Atlantida.

Mas o pulo do gato vem a seguir.

O arranjo monolitico e quadradao na verdade... 'e um INUKSHUK.

Inuksuit sao os monumentos simbolos do Canada. Sao como bonecos de pedra gigantes. O maior deles, com 11m de altura. Foram construidos ha uns
mil anos pelos inuits, e sao de uma profunda reverencia para os canadenses. Faz sentido. Numa terra onde tudo 'e muito novo, esses tijolos arqueologicos sao como as piramides deles. No caso, o meu 'e um Inukshuk deitado.

Imagino que seria possivel fazer uma animacao mostrando um inuksut se transformando no Canada150, ficaria bem legal.

Pois ca esta minha contribuicao. Veremos o que os proximos 150 anos nos aguardam.