sexta-feira, setembro 30, 2005




Um pequeno detratado sobre arquitetura

Mérida e Boston são cidades irmãs, cujas afinidades saltam aos narizes. Pior que elas só a cidade de Cuenca. Se a Calçada da Fama é um lugar chique, o mesmo não se pode dizer da Coxia da Infâmia, lugar onde vão parar as mãos decepadas daqueles que roubam as cenas dos outros. Já a cidade de Granada é uma bomba, nem é bom comentar.

Os cientistas dizem que a gente vive num espaço quadrimensional. Pode ser verdade, mas custa muito caro viver nele. O Brasil, sempre na vanguarda, inventou um lugar baratinho pra viver que só tem duas dimensões: debaixo de um tapume de feira livre. O mundo tem com certeza quatro cantos, mas um desses cantos tá ocupado pelo lixo e é melhor não ir lá.

O problema fundamental da arquitetura de interiores é que tudo vem do exterior. Os arquitetos adoram discorrer sobre sua arte, mas não tão nem aí se a pia começa a escorrer - logo culpam os engenheiros, claro. Um espaço bem projetado tem que ter luz, conforto térmico e uns almofadinhas dando xiliques de contentamento. Engraçado que tudo que os arquitetos aprenderam sobre noções de espaço, proporções e ergonometria eles esquecem na hora de fazer o quartinho da empregada. Vai chegar uma hora que eles vão projetar um cabide pra pendurar a pobre lá, e isso vai ser chamado pelos folhetos de imobiliárias como: espaço otimizado e funcional para a mão de obra terceirizada. Aposto.

A arquitetura brasileira é meio caiada e caidinha. Tudo se resolve passando uma mão de tinta. Se o favelado não colabora, a gente passa ele numa pá de cal que fica tudo certo. As cidades brasileiras são divididas entre os que tudo têm e os que tudo devem. Planejar e construir moradias dignas na cidade é o dever do urbanismo, mas ele nunca faz o dever de casa. O Déficit de moradias no Brasil é tão grande que das casas geminadas, só se constrói a clara, a gema fica pra depois.

O poder público no Brasil, que deveria zelar por um código de posturas e obras, só se interssa por uma postura: de quatro e de bico calado. Um arquiteto sozinho não faz verão, mas pode projetar o jardim de inverno. A defesa e o tombamento do nossso patrimônio arquitetônico é dever de todos, menos do dono da imóvel, que manda derrubar rapidinho. Esse assunto todo é vasto e complexo, e, se quase nenhuma cidade brasileira tem esgoto, longe de mim esgotar o assunto. Finalizando minha palestra, quero dizem aos apalestrados que pimenta no cu de sac dos outros dá processo por sujar a rua.

3 Comments:

Anonymous ollie said...

Corbusier, canalha salafrário, de que me adiantou pagar-te milhões de francos e patacos? Se do teto arqueado e tijolos aparentes, só o que me resta são infiltrações e buracos!

---

Amigo, por que faz isso? Encher-me o saco com esse imbrólio. Querias viver em arte, fiz teu serviço. Agora que estás no quadro, não reclame do cheiro de óleo.

4:06 AM  
Anonymous Anônimo said...

Hemeterio, boa noite!
Por falar em moradias, como vão as discussões para a elaboração do Plano Diretor de Fortaleza?
Fabiana

5:49 PM  
Anonymous Marcos said...

Caro conterrâneo, tomei a liberdade de roubar-lhe uma imagem. Se reprovar, não exite em me proibir.

10:40 AM  

Postar um comentário

<< Home