segunda-feira, janeiro 16, 2006

Trecho de cartilha da SEMACE sobre o uso racional da água,
janeiro de 2006.



Verdes mares azuis de minha terra

Transcrição da carta de Felipe Reba para sua mãe, que mora no interior. O jovem Felipe nunca havia visto o mar e na primeira viagem que fez à capital, escreveu para sua mãe contando suas impressões. A ortografia e o falar peculiar de Felipe foram mantidos, na medida do possível.

Alguns dos nomes de locais e de terceiros, citados na carta, foram omitidos ou substituídos propositadamente.

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Cudomundópolis, janeiro de 2006

Bença, mãinha!

Cheguei onti e assim que desci do pau-de-arara corremo pra ver o mar. Eita marzão sem fim, mãe! Fiquei imaginando o tamanho da barragem pra segurar aquela água toda. Eu e o Chico Frieira fomo ficando só de cueca e assim que a gente tirô a rôpa um hômi bem véi disse que num podia ir na praia nu. Aí eu disse que nóis num tava nu não, nóis tava de speedo, intendeu? Pois é, nem o hômi, que fez foi bater muito na gente.

Aí nóis fugimo e entremo no mar. A água é salgada, mãe! Só que eu não sabia e bebi um monte dágua, sorte que o Chico bateu nas minhas costa. Quem foi o abestado que derrubou um navio de sal no mar? Disperdíço! O capitão devia era tá bêbo! Se eu pego o vagabundo eu dô uma mãozada nele bem no mêi dos chifre.

Mãinha, aqui na praia tem muita mulé nua. Fiquei foi com vergonha. Elas tudo usa um cordãozinho no mêi da bunda que dá pra vê tudin. Se fosse aí em casa a gente ia chamar elas de rampeira, mas aqui na praia o povo chama é de tópi model. Deve ser purque elas topa tudo, só pode. O Chico ficava o tempo todo de barraca armada. Mas é que ele é matuto, num é involuído como nóis.

Na praia tinha uns tal de sofistas. Esses sofistas tinham o cabelão e falava esquisito. Eles só dizia é... aí... ô... só... parecia a classe do primário da tia Socorro. Num gostei deles não, mãe. E a fumaça? Eles fumava um fumo fedorento que nem o preto Bento fumava na feira. Lembra daquele véi que bateu na gente? Ele também num gostava dos sofistas não e correu pra bater neles. Aí os sofistas gritava: Sujou! Sujô o quê? Será que eles se cagaram de mêdo? Esses sofistas são muito frôxos, mãe.


Mãinha, tenho que imbora, pois o Chico tá vermêi que nem o cu dum gato. Amenhã o motorista do pau-de-arara vai levá nóis pra praia do Coliforme. Esse deve de sê um cara muito rico, o sinhô Coliforme, pois a praia toda só fala nele.

Um xêro, Filipi.

4 Comments:

Blogger Unknown said...

e essa dupla ai hein?
uma mistura de mineiro de 3-coracoes com vocabulario ceares :)

9:37 PM  
Blogger Hemeterio said...

...eu daria mais vexames que esses dois quando visse a neve. Cada um tem a matutice que merece, né?

5:22 AM  
Anonymous Anônimo said...

Toda vez que escuto falar de um matuto conhecendo o mar me lembro de outros dois matutos que vendem leite.

Um olha pro mar e diz:
- Eita cumpadi, já pensou se isso tudo fosse leite?
- Tu é doido cumpadi?
- Por que?
- Onde diabo a gente ia achar agua pra por nesse leite todo?

6:19 AM  
Blogger Zarastruta said...

Hemé,

Texto com muito lugar comum. Não gostei.

12:42 AM  

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