terça-feira, maio 02, 2006

Outro trechinho daquela HQ que estamos fazendo. No detalhe, a professora malvada ralha com o jovem Grande Otelo porque o garoto não se ligava nas aulas chatas e só queria brincar de Chaplin. Ei! taí uma boa idéia! Editor, me liga ok?



Sketch

É chegada a época do meu check up anual. Sei que está na hora pois sempre coincide com a bienal de arquitetura, então, é moleza lembrar. Fui ao consultório do Dr. Bechar Latão, renomado psicoproctologista para uma consulta. O consultório do notável esculápio fica ao lado do desmanche de carros da cidade, o que facilita deveras o hobby do bom doutor: a taxidermia.

Cheguei ao consultório e a fila andava relativamente rápida, tanto que o primeiro paciente a ser atendido recebera sua senha em caracteres cuneiformes e a minha já era em binário. Enquanto esperava, folheei umas revistas e fiquei pasmo com as novidades: houvera um atentado contra o Anwar Sadat, presidente do Egito, e o estado do Mato-Grosso fora desmenbrado em dois. Puxa, as notícias correm. Finalmente, chegou minha vez e entrei logo depois que o sarcófago com o último paciente deixou a clínica.

O bom doutor recebeu-me de ceroulas vermelhas e amarrara um lençol azul ao pescoço. Estou experimentando minha fantasia de Superpateta para o baile do Conselho de Medicina, disse ele. Que tal? - completou. Falei que a fantasia estava muito bem feita, mas que pelo amor de Deus fechasse os fundilhos da roupa pois eu estava vendo o superamendoim dele. O sábio asclépio dos trópicos convidou-me a sentar e a contar o que eu sentia.

Disse-lhe que sentia minha cabeça pesada. O bom doutor então amarrou dois balões de hélio em minhas orelhas. E agora, como se sente? - disse o médico. Maravilhoso, doutor. O senhor é de fato um especialista, falei. Passamos então à fase dos exames clínicos. Antes, o doutor Latão oferecera-me um drinque para relaxar. Qual não foi nossa surpresa ao perceber que o médico trocara as coisas e colocara na coqueteleira meu potinho com urina. Mas isso só fomos notar depois da quinta dose. Em compensação, meu hemograma dera cem por cento de álcool no sangue, um recorde até então e ganhei até uma medalha.

Passamos então ao famigerado exame de toque. Quando ia começar o procedimento, o bom doutor notara que meu plano de saúde não cobria tal cláusula. A solução foi fazer o exame com o
Dr. E.T. que além de cobrar quase nada, ainda se divertia muito com o processo. Sem falar na lâmpada na ponta do dedo. Depois de verificarmos que estava tudo ok, voltei a falar com o Dr. Latão. Para finalizar a consulta, ele receitou-me algumas pílulas de goma. Goma arábica. O impacto imediato foi que os dentes e as duas arcadas ficaram coladas umas às outras. Agora eu falo igualzinho a Hebe Camargo.

Estou estudando se processo o nobre doutor por erro médico. Provavelmente não vai dar em nada, pois no ano passado o mesmo doutor trocara metade do hemisfério direito do meu cérebro por um patinho de borracha. A região que controlava meu senso crítico, valores éticos, senso de autruísmo e justiça foi destruída para sempre. Agora não resta outra opção a não ser voltar para meu gabinete em Brasília.

5 Comments:

Anonymous Nanael Soubaim. said...

"Fantasia de Super Pateta"! Tu viajaste no amendoim! Se tivesses ido de preto e boné azul, poderia ter dito que era uma fantasia de Super Pato, talvez ele aliviasse para o teu lado.
O que vais fazer em Brasília? E a tua campanha?

5:20 AM  
Blogger Hemeterio said...

Nanael, o Superpato era demais! O carro dele era cheio de traquitanas tecnologicas do Prof. Pardal. Muito bom, muito bom.

E o maior vilão de todos os tempos, obviamente era o Mancha Negra, claro.

5:37 AM  
Anonymous Michel said...

"Gracccccciiiinha"

HC

:D

6:01 AM  
Anonymous Selph said...

puxa, eu suportaria tudo até ir pra Brasilia, mas ter a voz da Hebe é demais. Benza Odin!

6:59 AM  
Anonymous Nanael Soubaim. said...

Quer dizer que ela tem voz!? Então por que ela solta aqueles grunhidos na tevê?

3:20 AM  

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