segunda-feira, novembro 20, 2006

Vai uma mãozinha aí?



Reminigráficas autobiocências

Meu objetivo com esse blog sempre foi facilitar a vida da minha biógrafa. Resolvi escancarar algumas coisas para evitar que ela deduza tudo por si mesma e descubra, afinal, o idiota que sou. Mas vamos aos fatos.

Minha bisavó, que morreu nos anos 60, achava estranhíssimo que se vendessem ovos num supermercado. Isso porque muita gente mantinha galinhas em quintais, e delas recolhiam os ovos frescos. Comprar ovos soava algo tão estranho quanto pagar pedágio para atravessar a calçada. Ou cobrarem impostos pela paisagem. Eu mesmo tive meu instante de: oh!-como-as-coisas-mudam. Foi quando vi cajus pra vender num supermercado - provavelmente o mesmo que a Bisa freqüentava. Como passei minha infância num sítio, a gente pegava toneladas de cajus no pé, de graça. Mundo estranho, esse.

Falando em sítio, morei num de 1982 a 1985. Puxa, parece que foram décadas. Nossa casa ficava nos contrafortes da serra de Maranguape, numa localidade chamada Mucunã. Lembro que o pôr-do-sol lá em casa ocorria às quatro da tarde, pois o sol se escondia por trás das serranias e só depois, descambava na Borda do Mundo. Bons tempos. Pois bem, uma vez o gato entrou em casa carregando um calango na boca. Fiquei assustadíssimo, e enxotei o pobre bichano da sala. Eu costumava assistir TV deitado no tapete. Imagine o susto quando o gato chega e joga no seu peito um lagarto morto.

Só depois, muito tempo depois, entendi que é assim que os gatos expressam seu amor. Nada é mais sagrado para um gato que sua comida. Quando, literalmente, o gato o convida para jantar, é sinal que ele nos considera um amigo, e um igual. Se eu soubesse disso antes, não teria afogado o pobre gatinho numa tina. Brincadeirinha!!!!

Há pouco, passamos pelo Dia das Bruxas. No sítio, a gente também comemorava, por assim dizer, o dia das bruxas. Aqui no Ceará chamamos abóbora de gerimum. Mas sempre achei o gerimum muito complicado para fazer aquela careta esculpida, e então, desenvolvemos uma técnica alternativa: caveiras esculpidas em mamões.

Mamoeiros no Brasil são como mato. Pegamos então um mamão verde - só presta se for verde - e descascamos o bicho com cuidado. Note que ele nu, vai ficar branco, como um rosto descarnado. Abra um buraco em cima, em formato de tampinha, e retire a polpa e as sementes. Depois que a fruta estiver oca, faça os buracos dos olhos, da boca e do nariz e acenda uma vela dentro. A luz da vela fará com que a caveira fique transparente, e genuinamente assustadora.

De nada pela dica.

2 Comments:

Blogger Zarastruta said...

Hemé,

Eu fico aqui imaginando a linda cena em que o amoroso gato lhe entrega o calango. Amor de gato eu dispenso.

Adorei a idéia do mamão. Você deveria tirar uma foto para que eu mostrasse à americanada com quantos mamões se fazem wu halloween.

4:04 PM  
Blogger Hemeterio said...

Z, se eu arranjar um mamão verde eu faço e posto aqui, blz?

4:15 PM  

Postar um comentário

<< Home