quarta-feira, dezembro 27, 2006

Outro desenho da cartilha sobre segurança e ética nas operações bancárias. O mote é: cuidado com negociatas por debaixo dos panos, que isso dá cana, menino!



O nome da rosa II

Tenho duas assinaturas que uso regularmente, não sei se já contei aqui. E isso não é o rascunho da confissão prum prontuário da PF, mas apenas a constatação óbvia, pelo menos pra mim, que tenho uma vida oficial e uma outra profissional, correndo paralelas.

Minha assinatura oficial, aquela registrada na carteira de identidade e nas papeladas de cartório não tem nada a ver com a rubrica com que assino meus desenhos, inclusive o exemplo aí de cima. Quando mais novo, eu preenchia meus cheques assinando Hemeterio 1989, por exemplo, o que acarretava certos transtornos com o banco. Parece que o Picasso e o Ziraldo tinham problemas parecidos, mas não sei como cada um resolveu o dilema. O Picasso sem dúvida se divertia, fazendo o cheque valer 100 vezes mais com sua assinatura e um desenho.

Minha solução, como já disse, foi criar uma espécie de Mr. Hyde e Dr. Jekill, sendo que considero o monstro como minha melhor personalidade. Me sinto um embusteiro quando tenho que assinar algo usando a assinatura oficial, a do Dr. Jekill. Seria legal se enquanto manuseio a caneta, o monstro assumisse o controle e ao lado da assinatura verdadeira, no livro de casamentos do cartório, ele desenhasse uma carinha de um enforcado com a língua pra fora, mas o Dr. Jekill ainda está no controle. E o tabelião não tem senso de humor, aposto.

Certa vez, ambos os egos se chocaram de verdade. Eu estava na salinha de troféus do Grêmio, em Porto Alegre. Salinha é modo de dizer. Era uma enorme vitrine com todos os títulos que um clube de futebol pode conquistar. Fui registar minha assinatura no livro de visitas e desenhei uma carinha toda contente ao lado do meu nome. A moça que estava na recepção, uma alemã meio nazistona ficou fula. Mandou que eu apagasse o desenho, pois ali só era lugar de assinaturas. Para minha defesa (?), disse que usei o espaço que me era devido, não invadindo nem a linha de cima, já ocupada, nem a de baixo, ainda vaga. Realmente não entendi o motivo de tanta zanga. Com o rabo entre as pernas, apaguei meu desenho com o liquid paper que ela prontamente arremessou na minha cara e logo em seguida, fui dar queixa na sala da diretoria. Tudo deu em nada, ora bolas, mas desejo que minha alemãzona esteja hoje viva e bem, e que não tenha tido um ataque de bílis tentando contolar toda essa fúria. Paz.

Talvez tenha sido esse trauma o estopim para a separação das duas personalidades, a do artista e a do miserável pagador de impostos, cidadão otário e eleitor - o que vem dar na mesma. Hoje, ambos convivem numa boa. Guardo minhas gracinhas para este blog e meus desenhos, enquanto o idiota do Dr. Jekill vai ao Detran resolver a pendenga com a multa, ou comprar pão na padaria. Compreendi que meu senso de humor peculiar não é compreendido por muita gente, um contingente digamos assim, do tamanho de boa parte do mundo ocidental. E que ninguém, nem mesmo o mulá de Kabul, compreende uma ironia.

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Hoje também estréia a coluna de um amigo meu, alcunhado de Bagman. Resolvi dar essa força pois até no Blogger ele foi recusado, e ninguém mais publicaria isso em sã consciência.

Assim, divirtam-se com esse meu amigo e grande chapa, cuja regularidade da coluna vai depender de fatores metafísicos e aleatórios, ou seja: mais ou menos quando ele tiver vontade.