quarta-feira, maio 31, 2006



Cano fumegante

Acima, um trechinho da HQ secreta que eu e o Olinto estamos fazendo. Ele está escrevendo a história e eu, fazendo os desenhos. Se tivermos sorte, a previsão é que tudo esteja pronto no fim deste ano do Nosso Senhor de 2006. Como podem observar, a HQ terá violência! Sexo! Romance! Agricultura irrigada! Pigmalianismo! Enfim, aguardem, pois. Acho que vocês vão gostar. Pisc!

...E vocês vão gostar muito mais do novo site do Olinto, agora voltado basicamente para arte, tecnologia e cultura pop. Aliás, é difícil comprimir o site dele num mero batiscafo de assuntos. Tal como o Aleph de Borges, o Olinto parece concentar em si tantos interesses - e sobre eles falar tão bem -, que é injusto colocar o site e o autor num escafandro. A vida pode ser contida? Pois o site dele, com a desculpa de mirar num tema só, acaba falando sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais.

Sujeito do Renascimento, seu forte é a curiosidade quase enciclopédica para manejar um assunto. Qualquer assunto. Fico tonto com isso. Tal qual um Leonardo dos trópicos, ele é escritor, gravurista, músico, editor de livros, apresentador de um programa de rádio, professor, programador de computadores, gourmet, tradutor, editor de vídeo, filósofo e um bom copo.

Desses títulos todos eu faço é pouco caso, pois respeito apenas um: meu velho amigo.

Curiosos? Pois taqui o site dele:

http://www.ollie.com.br/blog/

terça-feira, maio 30, 2006

Outro dos dioramas!



Real politik

Atualmente o mundo se divide entre os que nada têm e os que tudo devem. Tirando a fome, as guerras, as epidemias e os cataclismas naturais, até que o mundo não vai mal. De fato, é possível que o planeta não caminhe para sua autoaniquilação antes do segundo semestre desse ano, se tivermos sorte.

Nossos líderes políticos são quase todos educados na fina tradição de mastins de caça, e é pouco provável que se estranhem mutuamente. Em geral, tratam seu povo de maneira educada e sensata, e as execuções sumárias pouco a pouco estão ficando fora de moda. Linchamentos à hora do almoço já não acontecem desde semana passada, e a última rebelião de presidiários foi abafada sem maiores conseqüências, salvo a criação de um ou outro cemitério clandestino.

A Tecnologia está aí mesmo para aproximar as pessoas, e não há nada que iguale mais um ser humano a outro que uma bomba de hidrogênio lançada a baixa altitude: afinal, qual a diferença entre meus átomos dispersos na atmosfera e os do meu vizinho? Até mesmo nações que só mês passado descobriram a água encanada já possuem armamento suficiente para aniquilar
toda uma tribo neolítica. A democratização dos saberes tecnológicos propiciou que mais e mais pessoas possam ser vigiadas, escrutinadas, bisbilhotadas, auscutadas, inquiridas, observadas e achincalhadas com mais eficiência, fato esse que melhorou as relações humanas em escala planetária.

A educação também deu um pulo comparável em distância e qualidade a um acrobata russo saltitando numa anã marrom. Em todo o mundo as crianças são alfabetizembotadas em velocidades impressionantes, e as universidades também não ficam atrás: o número de PhD´s e de ThC´s crescem em igual proporção. Em breve, cada instituição de pesquisa terá em seus quadros um genuíno ganhador de prêmio Nobel cuidando da faxina.

Porém, nem tudo são flores: o calcanhar de Aquiles da humanidade é o Aquecimento Global, que promete transformar a Antártida em Copacabana e Copacabana em Atacama. No entanto, tenho boas, ótimas, excelentes notícias. Nossos diligentes cientistas estão reconfigurando a Lua para que possa receber a vida humana em breve. Evidentemente esse gigantesco plano B nunca será utilizado, claro, a inteligência humana provou estar acima das falhas mundanas. Mas se algo der errado, convido a todos para a maior quebra de piñata da História: a própria Terra. Camarotes com vista para o planeta fumegante podem ser adquiridos comigo mesmo, aqui do meu escritório no Mar da Tranquilidade. Cuidado com os destroços e divirta-se.

Onde vamos parar?

O custo da segurança pública está pela hora da morte.

Esquentaram os argumentos que provam o Aquecimento Global.

Sinal verde para a febre-amarela.

Projeto de modernização do portos morre na praia.

Há sinais de vida inteligente em Marte:
o planeta se afasta da Terra cada vez mais.

Brasil ganha o hexa sem octo adversário à altura.

Mau presságio no setor aéreo: os preços foram os primeiros a despencar.

True love

segunda-feira, maio 29, 2006

Mais um dos dioramas pro livro infantil. Cortarei minha orelha direita se ninguém gostar desse desenho!



Erudição de Ornato II

Papo-furado inspirado no texto do misterioso Zarastruta. Não fique fulo de raiva, Z. Até o Bono, artista menor, ousou fazer uma continuação não autorizada pra God, do Lennon. Nada mais faço que seguir o precedente. E no mais, eventuais direitos de filmagem a gente racha salomonicamente, falei?



- Sabia que Pirelli foi o inventor da roda? Embora alguns eruditos digam que a roda foi inventada na pré-história por Fred Firestone, o fato é que o italiano e o americano Henry Ford criaram o primeiro autômato digno desse nome. Pena não terem ambos conhecido os irmãos Wrong: poderia daí ter nascido o primeiro aeromodelo da história.

- Sim, ouvi falar desses fatos semana passada, mas estava ocupado lendo Ricardo III, de Macbeth, o bardo de L´Oreal, e não pude me aprofundar no assunto. Aliás, comentei contigo que também estou estudando sobre a hípica asteca, a vida dos pingüins do ártico, as receitas judaicas de chucrute e a infalibilidade da justiça no Brasil? Tenciono tornar-me, quem sabe, um medalhão.

- Louvo seus estudos, mas procure achar uma aplicabilidade prática para seus conhecimentos. Não seja como o famoso espeleologista Platão, que diziam, morava numa caverna. Falando nisso, já leu Umberto Eco?

- Não, não ligo muito pra acústica, prefiro ótica. E você, já leu algo do Saramago?

- Não me diga que anda lendo essas bobagens esotéricas. Esse mago deve ser um charlatão de grande monta, vai por mim.

- Tem razão, vou deixar disso. E o que sugere para leitura? Soube que sua erudição é tamanha que faria par à famosa biblioteca de Alexandre Pires.

- As pessoas são gentis comigo, tão somente. Bom, já que me perguntou, sugeriria para seu tipo físico o excelente Reinações de Macunaíma, de Mário Lobato e o não menos importante Dom Giovanni, de Machado de Assis. O não menos prolixo A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Guide de Michelin, também é um bom prato, mas só está disponível na língua pátria do autor.

- Ah, que pena, não sei falar francês, só belga.

- Que é isso, ninguém é obrigado a saber tudo.

sexta-feira, maio 26, 2006

Outro dos dioramas pro livro. Alguns dias atrás postei o rascunho e algumas fases de feitura dessa ilustração. Agora, aqui está a coisa pronta.



Essa semana recebi a visita do meu irmão gêmeo. O cara estava numa viagem de estudos pela Jamaica e ao que parece, voltou e vai morar comigo, o pulha.

quinta-feira, maio 25, 2006

Mais um dos doze dioramas. Chato mostrar o desenho assim sem a historinha equivalente, mas acho que dá pra tentar fazer o caminho inverso: pensar sobre o que diabos trata-se o texto a partir da ilustração. Mais ou menos como tentar adivinhar que música a orquestra sinfônica toca com o mute da tv ligado.

Ao longo dessa semana e da outra vou mostrar procês os outros dez desenhos. Aguardai, pois.



Os ents

Sim, e ainda existe a questão das árvores. Nós, macacos nus e sem rabo, descendemos de criaturas que desceram das árvores e ganharam as savanas. Isso faz muito sentido. Passamos a caminhar porque não dava mais para ficar balançando de galho em galho. Somos talhados, portanto, para o espaço aberto e os campos sem fim. Nos prados de capim alto desenvolvemos a agricultura e as primeiras cidades. E justamente nas cidades se dá o fechamento do ciclo: o ódio às árvores.

Parece até que a humanidade desenvolveu um ódio atávico pela floresta. No princípio, a floresta escura e densa era palco de ínúmeros perigos. Até hoje, a humanidade convive com três medos básicos: o medo de cair, o medo do escuro e o medo dos répteis. O medo de cair é facilmente entendido se nos imaginarmos dormindo num galho de cajueiro e de repente, ao virarmos de lado, encontramos o vazio e a morte certa, seja pela queda ou pelos dentes do jaguar que nos espera lá embaixo. Outra faceta é observar como macaquinhos se agarram ao pelo da mãe, enquanto ambos saracoteiam de galho em galho. A capacidade de se agarrar firmemente e não cair é vital pro macaquinho. Nos humanos, esse instinto sobrevive no bebê que fecha a mãozinha assim que algo toca nela.

Para evitar que as feras e os agressores chegassem muito perto, a primeira coisa que o aldeião fazia era limpar o terreno. Limpar o terreno. Lembro de uma história da faculdade. Um professor meu, arquiteto famoso, instruíra a peãozada na preparação do terreno. No local havia umas árvores grandes que o arquiteto tencionava aproveitar no projeto, mas o capim alto ao redor teria que ser arrancado. Ele disse para a equipe de luminares que limpassem o terreno. Quando voltou, no fim do dia, o local estava tão liso quando uma placa de granito.

As proto-cidades ficavam em geral em clareiras artificiais, isoladas da floresta. Os mitos medievais imputavam aos bosques sombrios o lar de bruxas e demônios. O Drácula vivia no meio de uma floresta. O Lobo Mau também. Em geral os animais atacam por emboscada. É difícil preparar uma armadilha em campo aberto, com as visuais vigiadas. Até hoje se vê a floresta apenas como o lar do ébola, da malária e de tigres devoradores de homens. George W. Bush chegou a dizer que para acabar com os incêndios na Califórnia, bastaria cortar aquelas árvores todas. Faz sentido, sem lenha não há fogueira. Da mesma forma, para acabar com as más notícias sobre aquecimento global, basta enforcar os jornalistas.

E esse papo todo é pra dizer que aqui perto de casa devastaram um terreno em que havia umas árvores de grande porte, e pelo menos duas delas não atrapalhavam em nada, de jeito algum, a implantação do projeto seja lá qual fosse para aquele local. Derrubaram tudo e vão fazer um prédio, sei lá. Não sou contra a verticalização, pelo contrário, queria que isso aqui virasse Gotham City. Mas puxa, dava pra terem poupado pelo menos aquelas duas árvores.

Minha frase predileta é Que Deus te dê em dobro tudo o que me desejares. Concordo. Mas é possível anular a maldição ao citar a frase antes. E no mais, há essa excessão aplicada a quem corta árvores sem justificativa nenhuma. Pois bem, aqui vai minha maldição aos novos donos do terreno:

Desgraçados filhos de Eva, vós que cortais os pilares da criação, essas árvores indefesas e belas, mais velhas e veneráveis que mil gerações de vossa raça maldita de insetos; sofram para sempre os tormentos descritos no livro mais tenebroso do Inferno. Que esse peso n´alma vos acompanhem desde já até o Juízo, e que enquanto viverem, sua miserável existência seja sulcada por dores, azares e angústias tais; que desejarão a morte por alívio, mas sem o conseguir. Desejo ainda que vossos paus murchem para sempre e que suas filhas engravidem de piauienses.

Com todo o carinho.

quarta-feira, maio 24, 2006

Dioramas

Um dos doze desenhos para o tal livro infantil. Tentei fazer o palhaço o mais horripilante possível, espero ter conseguido.

O solzinho foi inspirado - mas nem tanto -, no Ronaldinho Gaúcho. Gostei dos dentões e deixei assim. Reparem que o desenho funciona como se fosse um diorama, montado com cartolina, cola, lápis de cor e aquarelas. A bossa é que todos os doze desenhos têm a mesma perspectiva, como se fossem, repito, montados numa caixinha e decorados por uma criança.

Recebi um e-mail do misterioso contratante - digamos que tenha sido, a hã... Madonna atrás de outro ilustrador pros livros infantis dela. Bom, então soube que o projeto englobaria 25 desenhistas que ilustrariam cada um, um livro de um autor diferente. Cada livro tem doze historinhas de uma página, e ao todo, o livro vai ter 24 páginas entre desenhos e texto. É um projeto bem bacana.

Por enquanto é o que posso dizer, mas com o tempo vou dar mais detalhes.

Té, Hemeterio.


terça-feira, maio 23, 2006

Desenho para o tal livro infantil. Sem querer advogar em causa própria, mas... que coisinha fofa, não? Abaixo seguem também o rascunho da ilustração e o cenário pronto, onde tudo vai ser encaixado depois. Procês verem como a coisa flui e tal.

Semana que vem vou postar alguns dos desenhos concluídos, ok?







O quinze

Quantas cervejas eu poderia tomar antes da inconsciência completa? A pergunta surgiu inocentemente durante uma engradada na casa de Mané Bofão. Nunca ia longe demais na bebida, o suficiente apenas para não confundir o acelerador com o pedal que bombeia o airbag, mas a dúvida martelava minha cachola. Tal qual um carro que se enche o tanque para calcular o consumo médio, até eu onde eu poderia ir com a caveira cheia de goró, antes de parar finalmente na sarjeta, capotado e sem uma gota? Naturalmente, a pergunta requeria acompanhamento científico. Requisitei a ajuda de um especialista, meu amigo Chalaça, que prontamente se ofereceu para ajudar-me nessa busca à nascente do Nilo da cachaça.

No fim de semana seguinte, eu e o Chalaça requistamos uma mesa no boteco do Plínio, o velho, e explicamos a ele nossa intenção. O Plínio era dado a ares de cientista, parece até que certa vez concluíra o MOBRAL em tempo recorde. Prontamente cedeu-nos sua mesa mais nobre: em frente ao banheiro e ao lado da galeteria. Colocou ainda seu filho, Plínio, o moço, para nos atender pessoalmente. Esse rapaz era um verdadeiro prodígio, pois passara apenas três anos na quarta série. Nosso experimento já podia começar.

Estipulamos as seguintes regras: à medida que eu bebia, o Chalaça anotava minhas reações e quantidade de cascos de cerveja entornados no seu anotebook, que era como ele chamava um caderninho encardido que sempre levava consigo. O Chalaça podia beber também, mas teria que fazer uma conta à parte e mais importante; não perder as contas. De vez em quando, eu deveria fazer alguns testes e responder algumas perguntas, para que ficasse atestado ou não que eu ainda estava no controle. Caso ficasse constatado que eu não tinha mais condições de saber se estávamos em 2006 ou em pleno reinado do magnânimo Sardanapalo II, rei da Abissínia; nesse ponto seria estipulado meu Everest etílico.

Comecei com a cerveja tradicional daqui, apelidada de Velho Barbeiro, pois quem a bebia ficava incapacitado de dirigir. As primeiras cinco garrafas desceram como as águas de um ribeirão grota adentro. O Chalaça perguntou-me então quem era o presidente do Brasil. Eu respondi prontamente que eu o Lhula, porra! e passei por pouco. Lá pelas tantas, depois de mais duas garrafas, o Chalaça disse para que eu ficasse de pé. Consegui me equlibrar em cima de meus dois gâmbitos e perguntei se o Chalaça queria ver meu saco também. Obviamente era um gracejo, o que comprovava meu bom humor - e ainda um certo autocontrole. Na décima garrafa, eu mandei o Chalaça, os Plínios e o papa Leão XIII à merda porque eles não estava bebendo comigo também, que o Chalaça ele era meu amigo, que o teste que se fodesse, o importante era encher a lata e coisa e tal.

Depois o Chalaça me contou que o meu recorde foram quinze cervejas. A décima sexta não valeu porque eu a despejei na cabeça como se fora na final de um GP. Depois da volta da vitória, estacionei meu F1 ao lado dos sacos de carvão e vomitei como se fosse Henrique VIII. O Plínio deixou que eu passasse a noite capotado no bar, e quando acordei, tinham tatuado o número 15 na minha bunda. Acho que o Guinnesss Book não vai me ligar tão cedo.

segunda-feira, maio 22, 2006

Povo, novidades:

O texto de hoje mudou de lugar. Saiu dessa favela de taipa infecta e está hospedado num local chique e limpinho, para meu grande orgulho e felicidade. Participando de uma promoção do site das queridas Garotas Que Dizem Ni, tive um texto escolhido para publicação. Se vocês quiserem dar uma passadinha por lá, vão nos deixar ambos muito contentes.

Contexto: era pra bolar um texto sobre o tema subúrbio.
O meu foi essa patifaria aqui:

http://www.garotasquedizemni.com/archives/001780.php#more

Besos, e Garotas; obrigado por brincarmos juntos mais uma vez:-)



Mais um desenho daquele projeto das histórias infantis. Que aliás, está nos finalmentes.

sexta-feira, maio 19, 2006

Um trechinho do novo trabalho que estou fazendo. Sabe aquele papo de cuidado com o que deseja? Pois bem, sempre quis ilustrar um livro infantil e semana passada apareceu um convite. Com o tempo, vou publicar aqui alguns trechinhos dos outros desenhos: são 12 ao todo.

Besos, H.

quinta-feira, maio 18, 2006

Tela para os caixas eletrônicos do Banco do Nordeste. Taí uma sugestão que vale para a vida toda.



Ainda estou no meu recesso branco. Mas como não posso deixar de emitir opiniões, principalmente sobre assuntos que não me dizem respeito, e justamente quando ninguém perguntou se queria ouvir; quero dizer que:

Prefiro a lua ao sol, o frio ao quente, o doce ao amargo, o distante ao perto, a oriental à ocidental, o fundo ao raso, o Monet ao Manet, o livro ao disco, o silêncio ao ruído, o sussurro ao gemido, o vinho à água, o mutismo à cegueira, a solidão ao tumulto, o pensamento à voz, os picos aos vales, a flor ao fruto, o coma à morte, o revólver à espada, a esquerda à direita, a bunda aos peitos, a serra à praia, os astrônomos aos astronautas, o Ceará aos cearenses, o mijo à merda, a Coca à Pepsi, o muito ao pouco, o tudo ao nada, a raspadinha à peluda, o Ter ao Ser, os Beatles aos Stones, o João Paulo I ao João Paulo II, o horror ao tédio, a árvore ao arbusto, o penhasco ao declive, a neve à névoa, São Paulo ao Rio, Nova York a Los Angeles, King Kong de 1933 ao King Kong de 2006, o límpido ao turvo, a carne ao peixe, Genésio a Jesus, a trilha à highway, a caneta ao lápis, a guitarra ao violão, o Batman ao Superman, o certo ao duvidoso, o até logo ao nunca mais, o dá ao desce, a viagem ao destino, o namorar ao casar, o sujar ao limpar, o rascunhar ao desenhar, o desenhar ao pintar, o pintar ao corrigir, o velho ao novo, o mar ao rio, o Espaço à Terra, o Patinhas McPato ao Bill Gates, o maracujá ao RedBull, o Emir Saad ao Malvadão, o dia D ao conde D´eu, a Xingu à Guinness, o Suassuna ao Cervantes, a partida à chegada, a chuva ao estio, a punheta à culpa, a vela ao motor, o paganismo ao catolicismo, os pássaros voando àquele preso pela mão, o Indiana Jones ao Allan Quatermain, o Francisco de Assis ao Jesus de Nazaré, a Lilith à Eva, o inverno nuclear ao aquecimento global, as bonitinhas às ordinárias, o tricolor ao alvinegro, O Peter ao Homer, o Homer ao Peter, o moicano ao careca, a fantasia à realidade, a anarquia ao engajamento, o Niva ao Defender 90, a liberdade à libertinagem, o Scott Adams ao Douglas Adams, o Didi Mocó ao Carlitus, o sono à vigília, o dia da criança ao aniversário, a mãe ao pai, o Gênesis 9 : 21 ao I Livro dos Coríntios 6 : 10, os Íncubos aos Súcubos, a cor à palidez, a horta ao horto, a lembrança ao memorial, o drible ao salto-alto, a frase à citação, os coveiros aos lixeiros, a catedral à capela, o Nescau ao Toddy, a Caloi à Monark, o IRAS ao Hubble, o Buran à Colúmbia, o Czar ao Füher, a morte na fogueira aos bailes funk, os Andes aos Alpes, a impotência à castração, a desonra à morte, o cu às calças, o D. Pedro II ao Getúlio Vargas, os urugaios aos argentinos, o Caos ao Cosmos, o Zênite ao Nadir, os Pólos ao Equador, o roto ao nu, as magras às gordas, O Floco ao Gato, a retratação à fogueira, a fuga ao ataque, o Noel Rosa ao Adoniram Barbosa, o BB ao BBB, o consórcio ao financiamento, o bar ao restaurante, o bêbado à equilibrista, o Barney Gumble ao Barney Rubble, a sombra à escuridão e finalmente; prefiro ter minhas amídalas extraídas pelo reto a votar de novo nessa cambada!

quarta-feira, maio 17, 2006

Outro boneco para aquele projeto. Curioso olhar o desenho assim sem contexto, não? Ele poderia servir para qualquer situação, dependendo da escolha da legenda correta: - Tem seguro que cubra sinistro por apocalipse?




As hostes

Os bárbaros estão chegando. Como estamos acossados entre a serrania e o mar, nossas alternativas são de uma simplicidade binária: ou nos deixamos massacrar ou reagimos. Esconder-se poderia ser uma opção mais em conta, mas os bárbaros têm por hábito vasculhar debaixo de cada cama. Se escolhermos a imolação, tudo bem. O além morte tem lá suas vantagens, como o fim de toda a dor e a anulação dos casamentos. E há um certo charme estético na empalação. Mas se a escolha recair sobre o contra-ataque, bem; já fomos expulsos mesmo do Paraíso, então, o que mais há para perder?

Poderíamos cercar as cidades com estacas e colocar sentinelas em volta do fosso. Esquece, os bárbaros subornariam os vigias e entrariam pela porta de frente, assobiando Ronda. Também não adiantaria explorar o lado superticioso dos bárbaros, criando leis mais tenebrosas que demonizassem o rapto, o assassínio e o achaque, pois os bárbaros já não têm medo dos demônios. Os demônios, inclusive, servem cafezinho e fazem outros servicinhos básicos, como limpar o covil e servirem de escravos sexuais para os chefões bárbaros.

Outra alternativa para barrar o avanço das hostes seria tratá-los com educação. Acostumados a só levarem patadas, talvez os bárbaros ficassem confusos se chegassem às portas da cidade e se deparassem com um cortejo de vestais e virgens portando flores e cartazes de boas-vindas. Mas duvido que isso desse certo, talvez só os atrasasse um pouco. Quanto tempo dura uma orgia com decaptações e enventramentos?

Estamos ficando sem alternativas rapidamente. Enquanto deliberamos, os bárbaros estão a poucas centenas de metros da cidade. Não sei se o barulho que estamos ouvindo são os cascos dos cavalos dos bárbaros ou nossos dentes batendo de medo, mas o fato é que eles estão perto.

No desespero, alguém sugeriu uma idéia oudada, que se assemelha morbidamente à camuflagem. Se não dá pra detê-los, que tal se nos tornássemos bárbaros também? Já que estamos com a cidade sitiada mesmo, por que não nos entregarmos antes aos estupros, mortes, espancamentos e declamações de poemas com fúria assassina? Pelo menos vai ser com gente conhecida e não com os bárbaros sujos. Quando as hostes chegassem, só encontrariam ruínas e nossos últimos estertores de gozo e prazer. E os eventuais sobreviventes ainda poderiam excursionar com os bárbaros no ataque a outras cidades, ora vejam que maravilha.

O que me assusta é que a idéia está sendo considerada seriamente, inclusive pelos velhos sábios da aldeia. Decretando o caos antes, a gente impede que o caos chegue. Não deixa de ter lógica.

Enquanto escrevo, posso ouvir os gritos dos bárbaros e o som de suas catapultas lançando pedras fumegantes. Algo me diz que as coisas jamais serão as mesmas novamente, depois disso. Olhaí, o preço do colete à prova de balas já aumentou, droga.

terça-feira, maio 16, 2006

Um gato sambista? Não é bem o que parece. Depois eu mostro pronto. Pisc!

Estou em recesso branco, enquanto não termino esse trabalho. Sorry, povo, e obrigado pela visita. Durante essa semana continuarei postando uns desenhos só para bater ponto e cumprir tabela, ok?

segunda-feira, maio 15, 2006

Diseños

Povo, estou meio enrolado com um trabalho que pintou, então, tá difícil postar alguma coisa. Enquanto isso, fiquem hoje com um dos desenhos que estão sendo feitos. Hasta luego, H.

sexta-feira, maio 12, 2006

Capa de uma cartilha para a SEMACE sobre... adivinhem: a vida sexual de Pio LXIX!




E o Oscar vai para...

Políticos e empresários sempre contaram com redatores para elaborar seus discursos. Escolher o texto correto pode fazer toda a diferença do mundo. Um bom discurso pode motivar a população para ganhar uma guerra, provocar um linchamento, esquecer aquele boato sobre corrupção no governo e se durar mais de quatro horas, pode ser estimulante para um boa noite de sono. O problema é que o cidadão comum às vezes não tem a verve nem um redator à tiracolo para ajudá-lo a se safar de um problema. Como sou um profundo benemérito, elaborei alguns discursos para situações comuns do dia-a-dia, quando tudo o que a gente precisa é de um bom álibi, uma boa tirada ou uma frase para uma retirada digna.

Não é isso que você está pensando:

Querida, confesso, sou um fraco. Mas a razão da minha fraqueza é a insegurança, pois mesmo hoje, depois de tantos anos de casados, ainda não sei como uma mulher tão maravilhosa foi querer algo com um sujeito como eu. Assim, motivado por indizíveis complexos de inferioridade, cheguei a duvidar do seu amor. Louco de ciúmes, resolvi armar esse ardil, e contratei essa adorável jovem que está agora, semi-nua, em cima dessa cama. Meu plano era saber suas reais motivações, meu amor, e o quanto você se importava comigo. Essas lágrimas copiosas que vertem de sua face angelical provam que nosso amor tem laços estreitos e que ambos, de fato, nos importamos e nos respeitamos um ao outro. Se agora estou de cuecas de couro e chicote, isso deve-se apenas a um detalhe técnico para dar mais realismo à cena e para ajudar a atriz contratada a entrar no clima. Você sabe como eu sou detalhista, amoreco.

Meta esse emprego no...

Sim, a rua é o melhor lugar para mim, pois lá pelo menos existe o sol e a liberdade, coisas inexistentes nesse calabouço que você chama de escritório. Navios negreiros são mais confortáveis que o busão da empresa. Josef Mengele é um médico melhor que os picaretas que atendem o plano se saúde de vocês. Vlad, o empalador, é mais gentil que o gerente de RH desse picadeiro e sem dúvida, um jumento cego puxando uma carroça entende mais de administração que você: ele pelo menos assume as próprias cagadas enquanto trabalha!

Parece, mas não é.

Senhor policial, primeiramente me desculpe. Esse carro é meu. Acabei de me separar de minha esposa e estamos na fase de partilha dos bens. Ela exigiu-me que eu devolvese o som do carro, que de fato foi comprado com o dinheiro dela. Estou de cabeça quente, e não me importei em me autoaplicar um prejuízo, quebrando o vidro do carro, contanto que me livrasse desse som o mais rápido possível. Estava agora mesmo indo entregar o som a ela, para nunca mais vê-la. O senhor entende não é? Essas mulheres...

quinta-feira, maio 11, 2006

Desenho para um projeto novo que pintou. Aos poucos vou mostrar como está ficando tudo, com cores e tudo o mais, ok?





O tolo não toma prazer no entendimento, mas tão somente,
em revelar a sua opinião.
Provérbios; 18 - 2



Crítica de Cinema
Missão: Impossível - III


Som e fúria significando nada

Bons filmes de ação nos envolvem como numa montanha russa. A analogia não quer dizer que esses filmes tenham altos e baixos agudos ao longo da trama, não, não é isso. Significa que estamos o tempo todo sob a ameaça de fortes emoções, que vêm na forma de acelerações e desacelerações constantes, presos ao efeito dessa força G aplicada ao cinema. Justamente por isso, nos sentimos grudados na cadeira, à espera da próxima reviravolta, que pode vir na forma de um loop ou de um aclive desconcertante. Exemplo fácil? O primeiro Velocidade Máxima.

Já a terceira seqüência da franquia de sucesso Missão: Impossível é como um gráfico de arritmia cardíaca, que pode variar do desesperadamente exaltado, como num sismógrafo, ao longo traço reto na torcida que o coração volte a bater. Como dando razão à minha queixa, o filme tem exatamente três missões impossíveis que acontecem em seguida, entremeadas cada uma por uma longa seqüência de vazio. É como um pedido de S.O.S. em código Morse, em que se alternam os Traços - ação! e Pontos - tédio constrangedor: em ambos os casos, o objetivo é um patético pedido de socorro.

Pra começar, há um problema de identidade: aquele cara não se parece com o Ethan Hunt. Ok, o ator é o mesmo, mas o personagem não parece se lembrar sequer dos seus amigos, companheiros de diversas paradas juntos, nem mantém os trejeitos que o tornaram famoso. Parece o Tom Cruise correndo de um lado para o outro.

Existem cenas de aparente dramaticidade psicológica, quando o agente pede que a jovem esposa confie nele, pois não pode revelar sua identidade secreta - sem tirar o disfarce de uma vida dupla. Esse clichezão até poderia funcionar, se o próprio cinema já não tivesse avacalhado com o tema em True Lies - um ótimo filme de ação que aliás, tem uma cena igualzinha copiada descaradamente em M:I:3.

Em certo momento, os mocinhos têm que realizar uma operação secreta no Vaticano. Para tanto, os idiotas têm que explodir uma parede de uma catacumba, cujas laterais ostentam afrescos riquíssimos. Quem não nos garante que aqueles desenhos não seriam os esboços do próprio Michelângelo, para a Capela Sistina? Pois bem, eles explodem a parede e destroem o desenho como quem arranca um tapume de obra com um cartaz do Garotinho. Façam-me o favor!

O desfecho é bobo como as atitude recentes do ator principal, e nem a presença do JJ Abrams na direção - badalado produtor de Lost; salva o projeto. Preferiria ter assistido três horas de um documentário sobre Cientologia. Pensando bem, isso seria mesmo uma boa: talvez isso me ajudasse a entender como um astro de grande porte se transforma em estrela cadente.

quarta-feira, maio 10, 2006

Desenho para o amigo Tino Freitas, músico cearense que mora em Brasília já há alguns anos. Você pode conhecer mais dos Roedores de Livros na comunidade do mesmo nome no Orkut. Pisc!



Dúvidas cruéis

Se eu rezasse três terços, teria um inteiro ao terminar?
Quem desenha em 2D acha tudo chato?
Dá pra achar o ponto G na hora H?
Um orgasmo múltiplo pode ser divisível por 2?
Como casais culpados geram crianças inocentes?
Quem dá no pé é um podólatra?
Já que tempo é dinheiro, posso lhe pagar com o tempo?
O paciente na UTI está por um fio?
O sentido da vida é pra direita ou pra esquerda?
Aquele diabético é um doce de pessoa?
Aquele hipertenso é legal, mas é muito insosso?
Se a verdade está lá fora, por que não a deixam entrar?
Tá rindo de quê?
O animal de estimação do faquir é o porco-espinho?
Se sexo é um lance de cabeça, pra quê o resto do pau?
Por onde andará Stephen Fry?
Por que a eutanásia é ilegal mas a pena de morte não?
Quem dá a bunda só recebe gozação?
Os capixabas vivem num santo estado de espírito?
Você gosta de mim pelo que eu soul?
Se é doce morrer no mar, então é salgado viver no Rio?
Qual o número do sapato desse pé-de-vento?
Existe camisinha para um pau d´água?
Cacimbão tem fundo. E buceta?
Se o lesbianismo é uma doença, então não tem curra?
Se a morte é uma passagem, posso parcelar no cartão?

terça-feira, maio 09, 2006

Desenho para a Essência, uma das boas agências daqui.




10.000 maniacs

Eu e a linhagem ocidental do australopithecus temos uma predileção por números grandes e redondos. Tecnicamente, cada dia sobre a Terra deveria ser comemorado com oferendas, orgias e sacrifícios de bezerros, pois cada momento em que passamos a perna na morte ou no marasmo - e adiamos nosso inevitável fim - já é uma vitória. No entanto, deixamos tudo acumular e escolhemos datas e números significativos para celebrar ou contar as coisas. E tome a ver nos noticiários 1 ano disso, 10 anos daquilo, 1.000 vítimas da peste priápica, e assim por diante.

Eis que esse tosco e malamanhado blog completou 10.000 visitas ontem!

Adoro esses números adimensionais que pouco ou nada revelam sem um contexto adequado. É como olhar para o marcador de quilometragem do próprio carro e verificar que o número marcado, 300.000 Km; seria suficiente para ir à Lua. Mas eu nunca saí de Sertãozinho, uai! Desse meu número grande e redondo tirei algumas conclusões por conta própria, e gostaria de testar minha teoria com vocês.

Se o blog fosse um ônibus de 50 lugares, ele poderia ter feito 100 confortáveis viagens de ida-e-volta entre, digamos, Lugar Nenhum e Descerebrânia com lotação esgotada. Nem o manicômio de Fortaleza tem contabilizadas, 10.000 visitas em menos de 9 meses, e olha que no manicômio é tudo em live action. Muitos clubes respeitáveis não têm cinco dígitos disponíveis em suas roletas. Muitas colunas de jornal não têm 10.000 leitores, mesmo que o jornal, eventualmente, tenha milhões de exemplares vendidos - no bom sentido, é claro.

As visitas diárias somam coisa de 80 acessos. Puxa, 80! Se eu saísse pela rua distribuindo um impresso xerocado, tentando fazer com que pessoas decentes aceitassem de graça meu periódico - sem levar em conta minha aparência tresloucada; quantos será que aceitariam? 20? Quantos leriam, antes de jogar na rua? 2?

Fico espantado e orgulhoso com a freqüência das visitas de todos vocês. Obviamente eu me divirto muito escrevendo essas sandices, mas... que vocês também achem que elas são no mínimo; curiosas e atraentes para que se deêm o trabalho de voltar no dia seguinte, puxa: o que posso dizer?

Brigado, povo! Obrigado a todos que me linkaram em seus próprios sites, às pessoas que retornam as visitas, àquelas que me divulgaram via e-mail ou pessoalmente, viu?



Rumo aos 100.000!

segunda-feira, maio 08, 2006

Desenho feito não sei mais pra quem, mas gosto do piá.



A guerra do fim do mundo

O Mário Vargas Lhosa escreveu um livro muito bom com o título acima. A guerra a que ele se referia era a de Canudos. O fim do mundo, bom, era aqui mesmo ou muito perto. Agora que o Brasil e a Bolívia podem entrar em estado de guerra, nossos conceitos de guerra chinfrinha têm que ser revistos. Estaríamos no mesmo nível de um conflito como Somália X Quênia, ou um pouco abaixo de Botsuana X Zimbábue? Mais uma vez que inveja dos argentinos: quando eles entram numa guerra, pelo menos o adversário tem mais classe.

Então, vamos considerar que a guerra é inevitável. A Bolívia deu o primeiro movimento. Cabe ao Brasil aceitar o convite para dançar ou abandonar o salão. Acho que aceitaremos o convite, mas iremos tropeçando nas cadeiras e derrubando os canapés até chegarmos à pista de dança.

Vai ser assim: o Brasil confiscará os bens de cidadãos e empresas bolivianas no país. Esses vinte mil reais serão transpostados numa parati oficial para a sede do BC em Brasília. Em represália, a Bolívia vai querer retomar o Acre, alegando que o negócio não fora vantajoso na época e vão querer o território de volta. A venda do Acre para o Brasil foi tão pouco vantajosa para a Bolívia quanto a venda de Manhattan aos holandeses, feita pelos índios por apenas vinte dólares. Mas no caso brasileiro, foi um bom negócio: por isso que o Brasil, tendo o Acre na proa, parece sempre sorrir - provavelmente da cara de otário dos bolivianos.

A Invasão do Acre não ficará barato. Trataremos de anexar áreas de chaco, o que motivará, literalmente, uma facada pelas costas: a Venezuela entrará no conflito. Sim, inegavelmente Caracas quer ser reconhecida internacionalmente como a capital da América do Sul, desbancando de uma vez por todas Acapulco. Se para tal intento eles precisarem invadir o Brasil apenas por pirraça, não irão titubear. E duvido mesmo que dê tempo mandar um destacamento pra salvar Roraima.

Imagino que uma guerra tão sem sentido, acontecendo numa das várias cloacas do planeta, chame tanto a atenção internacional como digamos; a greve de fome do Garotinho chamaria para um casal de lua-de-mel em Gramado. Portanto, contanto que a poeira da batalha não encubra o sol e atrapalhe as férias do hemisfério norte, nossa pendenga aqui vai durar até a última lhama. Ou o último jegue.

sexta-feira, maio 05, 2006

Cartaz pro Congresso de Esperanto que houve aqui por essas plagas. Ainda não sei se desenhei um camarão ou uma lagosta.



INDEX

Um dos meus sonhos é ter um livro no Índex de Livros Proibidos da Igreja. Além de chatear o papa, o outro motivo para ter um livro com tal pecha é que as vendas sempre sobem em casos como esses. No entanto, o outro motivo bem que pode ser a vaidade: Nicolau Copérnico e seu Das Revoluções, Giordano Bruno e toda sua obra, José Saramago com seu Evangelho Segundo Jesus Cristo também figuraram na lista negra da Igreja. Como diria Giordano Bruno, quando foi condenado pela Inquisição à morte na fogueira em 1600, por heresia: "Talvez vocês, meus juízes, pronunciem esta sentença contra mim com maior medo que o meu em recebe-la."

Digamos que eu quisesse fazer um livro apenas para chocar. O que poderia, nos dias de hoje, deixar a Igreja tão fula a ponto de incluir o livro em sua lista negra e de quebra, me excomungar? Quase tudo que eventualmente poderia abalar os cardeais já foi feito no campo das artes plásticas e literatura, passando pelo cinema e teatro. E quase tudo dessa produção ou foi proibido, ou censurado, ou adulterado, ou coagido, ou rasurado, ou suprimido, ou cortado, ou renegado, ou substituído, ou mutilado, ou apagado, ou escondido, ou desmentido, ou prejudicado em sua lógica e contexto pela Igreja.

É claro que a Igreja não é a única vilã. Mas no mínimo, ela sempre foi conivente com o déspota de plantão. Ou omissa. Ou indiferente. Quando, em raros momentos, ela resolveu agir, ficou sempre no ar um quê de advogar em benefício próprio. Eu até entendo a posição deles. A instituição tem milhares de anos e herdou toda a burocracia e a agressividade do Império Romano. O que somos nós, tolos e efêmeros pavios de vela, comparados com a Gang da Cidade Eterna?

O que poderia chocar uma instituição como essa, poderosa e aparentemente imune às ondas da História? História essa que em muitos casos, ela mesma conduziu pelo focinho. Acho que nesse caso, vale aquela máxima da política: siga o dinheiro. O que poderia constranger a Igreja seria mostrar o que ela tem no cofre.

E não deve ser pouco. Milênios de saques, apropriações, confiscos, doações, heranças, tomadas na marra ou simplesmente, comprar na baixa para lucrar na alta devem ter abarrotado os cofres. Sem falar na riqueza imensurável que é saber da vida de todo mundo. É claro que muito desse poder se esvaiu com a Reforma. Mas a Reforma só tem 500 anos - um mero trimestre no balanço anual da empresa. Pra efeitos de contabilidade, vai todo mundo num mesmo livro caixa.

Mas nunca escreverei esse livro, pois meu barato é ilustrar com desenhinhos. E nem desenhos serviriam para esse projeto. A gente sabe que nada tem mais impacto que a foto de um purrilhão de notas de dólar amontoadas numa mesa. No entanto, quem quiser levar adiante o projeto, pode contar comigo. Se formos capturados pela Inquisição, pelo menos um vai assoprar a fogueira do outro. Olhaí! O fogo chegou nas cuecas!



Texto inspirado no poema/manifesto Uní-vos pela Arte, da poeta Priscila Andrade. Você pode ler o poema na íntegra aqui, no Dedo de Moça.

quinta-feira, maio 04, 2006

As velas do Mucuripe vão sair para pescar. Encerrou-se o período de defeso da lagosta e os barcos lagosteiros saem da praia do Mucuripe - em plena zona hoteleira da cidade -; para capturar meu próximo almoço. Isso é que é prestígio, hein? Porém, essas porras ainda têm um preço relativamente alto. O contrário acontece com o camarão, que de fato é muito barato aqui no Ceará.

Quem vier me visitar aqui na Fortaleza vai ganhar um tour pelos botecos que vendem camarão baratinho, à beira mar. Hum.... fome!

O desenho abaixo foi feito para uma cartilha sobre financiamento para insumos na aqüicultura, piscicultura e o escambau.



Vagaba´s TV

Finalmente, depois de anos de bajulação e indas e vindas a Brasília, consegui a concessão do meu canal de TV. O embrião dessa nova rede irá operar em UHF, VHS e HSBC. Como parte do plano de divulgação da nova emissora, vou distribuir Bom-Bril para as antenas dos televisores de quem quiser uma melhor recepção do canal, além de financiar telas de vidro nas cores vermelho, azul e verde para quem quiser instalá-las na frente do televisor.

Por enquanto, nossa emissora irá operar com baixa potência, cujo alcance do sinal estará restrito ao pátio do condomínio. Mas está nos planos da diretoria - eu e o China, pra falar a verdade -; ampliar o sinal para ruas e bairros vizinhos. Já iniciamos a compra de duas baterias de Scania no Desmanche´s do Zé para aumentarmos a potência e quando mamãe liberar a mesada, vamos comprar uma antena de segunda mão, que no governo passado servia de palco para enforcamentos.

Falando em linchamentos, nossa rede será pautada pelo bom gosto e pela sofisticação da programação. Nada de programas no estilo Mundo Cão. Só as chacinas plasticamente atrativas terão vez. Adaptando ( roubando, mesmo ) uma idéia do Rubem Fonseca, teremos nossa Miss Chacininha, que posará ao lado dos despojos dos traficantes, de biquininho e AR-15 à tiracolo. Prevejo estrondoso sucesso junto aos setores C, D, E, F e G do cemitério do Caju.

Aproveitando a moda em que garotas de programa contam tudo em blogs, faremos um talk show intitulado Cala a Boca e Chupa, cujas gravações, por falta de estúdio apropriado, terão que ser feitas no meu ap. As putanhescas entrevistarão personalidades do submundinho fashion como os travecos Burra Preta, Zé Tatá e Ai da Base; além das primas de profissão Maria Sem Fundo, Vera Varize e Débora Hard-Core. Os detalhes da produção desse programa estão à cargo do China, que aliás, faz quatro dias que foi á Zona recrutar gente e não voltou ainda.

Primeiramente restrita a apenas duas horas de programação diária, com o tempo estaremos 24h no ar, nem que seja para mostrar oito horas do meu sono. Evidentemente abriremos espaço para a programação educativa, que ficará a cargo do meu cunhado. O foco do programa será o público formado por jovens púberes, aos quais Vadão, meu cunhado esquisitão, irá ensinar técnicas de bronha e um método eficiente de depilar os pelos que eventualmente cresçam na palma das mãos.

Como nem tudo são rosas, existe uma cláusula na concessão do canal que me obriga a veicular o papo furado dos burocratas de Brasília. Como se não bastasse nosso canal ter noventa por cento da programação voltada às putas, ainda tenho que contratar seus parentes? Assim não dá.



Enseada do Mucuripe, Fortaleza. Dá pra ver no canto inferior da foto um estaleiro informal e a estrutura de um barco em construção. Ao lado, uma clássica jangada cearense. No mar, uma escuna de turismo, outras jangadas com as velas arriadas e um barco lagosteiro, ainda sem sua carga característica de armadilhas para lagosta.

quarta-feira, maio 03, 2006

Capa de uma cartilha sobre a prevenção da Dengue em Fortaleza. Apesar dos nossos esforços, o mosquito ainda hoje tá ganhando de goleada. Isso foi em 2002.



Simbora, o marujo
e o Vaso de Guerra de Gdansk

Simbora e sua tripulação de travestis aposentados haviam sumido do mapa, mas por uma boa razão. O Galeota dos Mares, o navio que simbora ganhara numa aposta, afundara em sua última aventura. Agora, eles estavam na constrangedora situação de serem marinheiros sem navio. Mais ou menos como a Marinha da Bolívia, que seria muito mais eficiente do que é hoje se contasse com um pequeno detalhe técnico: um oceano para navegar.

Pois então Simbora e sua turma resolveram afanar o navio de um incauto qualquer. Montaram tocaia no estaleiro de Gdansk e esperaram até que se efetuasse a troca da guarda - momento crítico em que os guardas enchiam seus cantis com vodka e entoavam as horríveis canções polonesas. Essas canções eram famosas por afastar qualquer intruso com o mínimo apuro musical, o que obviamente não era o caso da turma de Simbora. O barulho era tanto que quem passasse por lá acharia que os zurros partiam de um pobre asno que estivesse sendo executado por uma furadeira elétrica.

Facilmente, Simbora e sua turma escalaram as cercas e entravam no estaleiro. Estar naquele local, com tantas embarcações à disposição, era para um marinheiro o mesmo que a Rua Augusta seria para Jack, o estripador: um paraíso cheio de oportunidades. Simbora passou os olhos em vários tipos de navio. Havia corvetas, destróiers, veleiros, encouraçados, lança-minas, quebra-gelos ( Por este Simbora nutriu especial afeto, principalmente se achasse uma garrafa de uísque de vinte metros de altura. ), contra-torpedeiros, porta-aviões e até mesmo um catamarã. Foi quando Simbora percebeu por entre as amarras da embarcação, a torre emersa e inconfundível de um U-boat!

Foi amor à primeira vista, e Simbora encasquetou que iriam levar o submarino. Os marujos tantaram demovê-lo da idéia, com o plausível argumento que ninguém ali sabia pilotar um submarino e muito menos ler em alemão. Acontece que o velho U-boat era um resquício da Segunda Guerra que estava sendo restaurado para um museu. Antes que os marujos terminassem sua argumentação, simbora já estava a bordo conclamando todos a seguí-lo. O charme irresistível de Simbora, aliado a uma Luger automática; facilmente convenceram os marujos a acompanhá-lo. Simbora tinha seu próprio submarino!

Mas o choro dos travestis alertara os guardas do esteleiro. Agora tinha que ser travada uma verdadeira batalha contra o tempo e contra a lógica naval para que Simbora surrupiasse o submarino e desse no pé ligeirinho. Com muita sorte, os marinheiros conseguiram submergir o U-boat. Afinal, pra baixo é mais fácil. Os guardas correram para tentar fechar as eclusas do estaleiro e impedir a fuga do submarino, mas outro golpe de sorte resolvera tudo. Um dos travestis correu para ver os torpedos ( por que essa fixação fálica? ) e enquanto afagava o artefato, acidentalmente o disparara, atingido em cheio os portões de Gdansk.

Agora Simbora singrava os mares a bordo de um legítimo U-boat alemão, batizado às pressas como Helmut Kohl, por causa da cabeça dura. Novas aventuras esperam Simbora e sua turma, principalmente quando eles souberem como levar à tona a embarcação. Oxigênio não dá em árvores, vocês sabem!



O U-boat de Simbora se parecia com esse aqui. Talvez até seja esse mesmo, não duvido nada que Simbora conseguisse encalhar um submarino como esse: incompetência parecida a capotar um Landau numa reta.

terça-feira, maio 02, 2006

Outro trechinho daquela HQ que estamos fazendo. No detalhe, a professora malvada ralha com o jovem Grande Otelo porque o garoto não se ligava nas aulas chatas e só queria brincar de Chaplin. Ei! taí uma boa idéia! Editor, me liga ok?



Sketch

É chegada a época do meu check up anual. Sei que está na hora pois sempre coincide com a bienal de arquitetura, então, é moleza lembrar. Fui ao consultório do Dr. Bechar Latão, renomado psicoproctologista para uma consulta. O consultório do notável esculápio fica ao lado do desmanche de carros da cidade, o que facilita deveras o hobby do bom doutor: a taxidermia.

Cheguei ao consultório e a fila andava relativamente rápida, tanto que o primeiro paciente a ser atendido recebera sua senha em caracteres cuneiformes e a minha já era em binário. Enquanto esperava, folheei umas revistas e fiquei pasmo com as novidades: houvera um atentado contra o Anwar Sadat, presidente do Egito, e o estado do Mato-Grosso fora desmenbrado em dois. Puxa, as notícias correm. Finalmente, chegou minha vez e entrei logo depois que o sarcófago com o último paciente deixou a clínica.

O bom doutor recebeu-me de ceroulas vermelhas e amarrara um lençol azul ao pescoço. Estou experimentando minha fantasia de Superpateta para o baile do Conselho de Medicina, disse ele. Que tal? - completou. Falei que a fantasia estava muito bem feita, mas que pelo amor de Deus fechasse os fundilhos da roupa pois eu estava vendo o superamendoim dele. O sábio asclépio dos trópicos convidou-me a sentar e a contar o que eu sentia.

Disse-lhe que sentia minha cabeça pesada. O bom doutor então amarrou dois balões de hélio em minhas orelhas. E agora, como se sente? - disse o médico. Maravilhoso, doutor. O senhor é de fato um especialista, falei. Passamos então à fase dos exames clínicos. Antes, o doutor Latão oferecera-me um drinque para relaxar. Qual não foi nossa surpresa ao perceber que o médico trocara as coisas e colocara na coqueteleira meu potinho com urina. Mas isso só fomos notar depois da quinta dose. Em compensação, meu hemograma dera cem por cento de álcool no sangue, um recorde até então e ganhei até uma medalha.

Passamos então ao famigerado exame de toque. Quando ia começar o procedimento, o bom doutor notara que meu plano de saúde não cobria tal cláusula. A solução foi fazer o exame com o
Dr. E.T. que além de cobrar quase nada, ainda se divertia muito com o processo. Sem falar na lâmpada na ponta do dedo. Depois de verificarmos que estava tudo ok, voltei a falar com o Dr. Latão. Para finalizar a consulta, ele receitou-me algumas pílulas de goma. Goma arábica. O impacto imediato foi que os dentes e as duas arcadas ficaram coladas umas às outras. Agora eu falo igualzinho a Hebe Camargo.

Estou estudando se processo o nobre doutor por erro médico. Provavelmente não vai dar em nada, pois no ano passado o mesmo doutor trocara metade do hemisfério direito do meu cérebro por um patinho de borracha. A região que controlava meu senso crítico, valores éticos, senso de autruísmo e justiça foi destruída para sempre. Agora não resta outra opção a não ser voltar para meu gabinete em Brasília.