sexta-feira, junho 30, 2006

Mais um trecho daquele projeto super secreto que eu e o Olinto estamos desenvolvendo. Curiosos, não? Hua rá rá rá! Aguardai, povo, que dezembro chega já.



A Sala da Injustiça

Enquanto isso, na Sala da Injustiça, o Super-Chapado tenta entabular uma conversa com o Homem-Sem-Noção. Num canto da sala, através de uma vídeo-conferência, a Mulher-M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a combina um encontro com o Flash, que está no outro lado do mundo. Quando finalmente ela cai na conversa mole dele e diz sim, o sujeito já está batendo na porta com um ramalhete de flores e uma caixa de bombons Garoto. Chegando da rua e lendo o Clarín Diario, estava o Hombre-Araña, entretido agora com a página de esportes enquanto traça uma traça.

Eis que a paz é interrompida e nossos heróis são chamados pro trampo, através da hot-line que pisca insistentemente. O Flash é o primeiro a se mandar, por questões de preguiça e royalties. A líder da tropa, a Mulher-M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a atende o telefone. É o delegado Bastião, o contato do grupo. A chefatura recebera há pouco uma ligação do CCCP - Comando de Caça aos Canas e Policiais - desafiando os guardas a tentar prendê-los. Deram até um endereço, se não tivessem medo, que fossem lá. O delegado Bastião ganhava uma ponta por passar essas dicas, decorrente da grana da venda de camisetas com os heróis. Quanto mais o grupo prendesse bandidos, mas famoso ficava e mais camisetas vendia.

Partiram em desabalada carreira no Corcel II do Super-Chapado. Antigamente o grupo tinha uma blazer blindada, mas o S-C a vendera para poder alimentar seus poderes. Chegaram ao local do encontro, uma joalheria no centro da cidade, mas não havia ninguém. A vidraça estava quebrada e algumas jóias sumiram. Dentro da vitrine, no que parecia ser uma etiqueta de preço, havia um bilhete. No bilhete estava escrito: Je je je. Nisso, uma batida policial! Era uma cilada! Todo mundo em cana! O delegado Bastião aparentemente traíra o grupo.

Pegos com a mão na massa, nossos heróis foram acusados de fomentar a onda de crimes que assolava a cidade, agindo impunemente sob o disfarce de protetores da lei. O golpe perfeito. No xadrez, tentavam entender o que se passara. O Homem-Sem-Noção era rábula e já havia perambulado por alguns fóruns como advogado free-lancer. Elaborou a seguinte teoria: incas venusianos tomaram o corpo do delegado, que agiu contra a sua vontade. Depois de darem uma sova no H-S-N, o grupo se concentrou na única pista que havia, o tal bilhetinho.

Entrementes, chega um advogado de verdade - de terno e tudo - e manda soltar o Hombre-Araña, pois os pais dele eram ricos e tinham até um haras. O H-A dá o fora e deixa seus amigos mortos de inveja por serem duros. Aí a Mulher-M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a se tocou e a ficha caiu: o Hombre-Araña bolou tudo!

As coisas se encaixavam agora. o H-A ligou pro delegado dando a dica, provavelmente enquanto arrombava a joalheria. Voltou ao QG na maior cara de pau e esperou a engrenagem girar. Ainda teve tempo de deixar um bilhetinho no local do crime, escrito onomatopeicamente em espanhol, já que J tem som de R. O desgraçado se ria dos heróis!

O Hombre-Araña queria uma carreira solo, e procurou destruir a carreira dos amigos para poder se tornar o único herói em ação na cidade. Mas os outros não iam deixar barato! Será que eles vão conseguir fugir da cadeia e limpar o bom nome do grupo? Será que o Super-Chapado vai virar a segunda mulherzinha da cadeia? O Homem-Sem-Noção irá se mancar e deixará de chamar os outros companheiros de cela de moçada? Será que a Mulher-M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a resistirá ao convite da Sexy? Veremos no próximo episódio!

quinta-feira, junho 29, 2006

Algumas das muitas tirinhas feitas pra GE do Brasil. Curioso como essa mídia, os quadrinhos, se adequam a quase tudo: do lúdico ao didático.

Will Eisner desenhava quadrinhos para as tropas, quando servia na Segunda Guerra Mundial. Ele mostrava o procedimento de limpeza de rifles, cuidados com seu jipe, e por aí vai. O soldado Eisner era mais útil com a pena que com a espada!

Como se vê, existem várias formas de lutar, sem que seja preciso meter uma bala entre os cornos de outro garoto.






Bartales I

Olha a gatinha que eu e o Olinto descolamos no Pé Sujo:





quarta-feira, junho 28, 2006

Cartão de aniversário pra Casa do Chocolate. Eles me pagaram com caramelos, hum....



Editorial

O objetivo desse Veículo é macaquear a verdade, dando-lhe ares de farsa e tragédia. Se por incompetência do editor a comédia é que for atingida, melhor para todos. Tudo o que está escrito aqui é igual a um cardápio do KFC: não tem pé nem cabeça. Não adianta levar os textos a sério, pois eles são a compilação do material escrito por mil macacos que bateram em mil teclados durante mil anos e morreram de fome. Sendo balizado por tal redatores, não espere outra coisa daqui que não sandices, incongruências, contradições e receitas de peixe à delícia. Depois não digam que não avisei.

Toda a opinião exposta aqui é irrelevante. 97,66% de toda a estatística mostrada nas postagens não são confiáveis e o restante, 3,22% delas nunca batem os números. O corpo funcional ou está de porre ou drogado, pois ninguém sóbrio trabalharia aqui. A empresa é tão execrável, que temos um departamento cuja única função é dar fim nas levas de gatos mortos que deixam na soleira da porta.

Seria muito bom dizer que nossa equipe de advogados topa qualquer parada, então, nem pense em nos processar. Mas a verdade é que nem um estagiário de direito da UNICU aceitaria nos defender. Nosso nome está mais sujo que um orelhão da Praça da Sé. Nosso crédito nos bancos está mais escasso que o fair play na Copa. Nossa credibilidade é tão baixa quanto o Mar Morto e nossa safadeza é tão sem paralelo que se encontra com a desonestidade logo aqui no quintal da vizinha.

De tanto receber ameaça dos leitores, resolvemos abolir todo e qualquer assunto relacionado a sexo, religião, política, jardinagem, decoração de interiores, futebol, música, pintura, aqüicultura, cinema, literatura, civismo, clonagem, arquitetura, paisagismo, ikebana, culinária baiana, geologia, alpinismo, doenças venéreas, paganismo, construção naval e vidraçaria. O que sobrar a gente vai empacotar e vender acompanhado de uma colherada de açucar e de um litro de óleo de peroba, tá bom assim?

E pour se muove.

terça-feira, junho 27, 2006

Página de uma cartilha sobre meio-ambiente. O cara de bocó com atitude simiesca é como eu imagino quem gasta água.



O Novo Testamento
politicamente correto

Furo de reportagem! Soube das minhas fontes termais instaladas no Vaticano que eles planejam lançar uma Bíblia light que acompanhe esses novos tempos de hipocrisia social. Todos sabem que a Bíblia é o maior best-seller da História, pois tem aventura, sexo, drogas, orgias, assassinatos, traições, bebedeiras, sodomia, milagres que mudam o curso da História, cataclismas, brigas entre pai e filho e lá pelas tantas, um final apocalíptico! Mesmo assim, tendo leitura para todos os gostos, muitos acham que se deve maneirar na linguagem. Concordo. Aqui vai um resumo do que consegui vazar para vocês.

Agora Jesus não vai mais expulsar os vendilhões do templo. Ele vai entoar um discurso sobre os males da informalidade e distribuir flyers sobre sua ONG que prega um reino e um imposto únicos. Aliás, vendilhões o cacete: doravante serão chamados de empresários do turismo religioso para assuntos judaicos e proto-cristãos.

Durante as Bodas de Canaã, ocorre o primeiro milagre de Jesus: transformar a água em vinho. Muitos consideram que isso incentiva o alcoolismo e que tal passagem é de péssima influência para as crianças. Pois agora Jesus vai transformar a água em Q-suco de uva, e assim, contentar a todos. Ah, Jesus aparece na festa sem ser convidado, na maior cara-dura. Na vova versão, vão acrescentar um motoboy que levará um pergaminho com o convite para o acampamento onde Jesus descansa com seus discípulos. Parece que exigirão passeio completo dessa vez.

Jesus não tem profissão nenhuma, pois sempre foi um carpinteiro medíocre. Também não estuda nem tem ocupação fixa, pois prefere vagabundear por aí. No Novo Testamento 2.0, Jesus será um estudante de intercâmbio com visto da Palestina. Seu mal exemplo anterior estimulava os jovens a abandonar tudo e seguir sua consciência, coisa que atrapalhava a indústria e as finanças. E nem é preciso dizer dos males causados por dasavisados que queriam andar sobre as águas também.

Jesus anda por aí com um bando de homens de uma mesma religião. Isso pega mal, pois fere o principio de diversidade e representação igualitária das minorias. Dessa versão em diante, Jesus andará com um etíope, um árabe, um budista, um zoroastrista, um viking, um grego-cipriota, uma cigana, um turco, uma egípcia e ainda vários representantes de diversas castas hindus. O total de discípulos subiu para mais de mil e trezentos, mas é só fazerem a Santa Ceia num anfiteatro que tudo tá resolvido.

A Paixão é violenta demais. Jesus agora não vai ser crucificado, mas sim, ficará de castigo num canto do Templo, e só sairá de lá quando engolir o choro. Estão abolidas também a coroa de espinhos - por ser antiecológica - e a eucaristia, a não ser que troquem o pão ázimo por uma versão diet. Maria Madalena não mais será vista como a adúltera arrependida, e sim, como uma mulher emancipada dos grilhões patriarcais da sociedade de então. Também não mais limpará os pés de Jesus com os cabelos - erótico demais - e sim, passará a usar um Perfex.

Pra terminar, a frase: -Vinde a mim as criancinhas - é intolerável nesses dias. Jesus continuará a afgagar os petizes, mas vai ter uma assistente do juizado do lado e uma câmera gravará tudo para evitar processos. Nunca se sabe.

segunda-feira, junho 26, 2006

Cartelinhas

Olha só o que eu achei: são três cartelas com poemeus feitos em 1998. O primeiro deles fala justamente da derrota do Brasil na Copa da França. Originalmente eles foram feitos assim, miudinhos. Deculpem a letra pequena.



quinta-feira, junho 22, 2006

Desenho para o jornal de gabinete do senador Luís Pontes, em 2000. Sem o texto, o desenho fica meio sem contexto. Mas deve ser algo sobre avistamentos de OVNIs no Ceará, na certa.



They call me the apologize

Povo, ainda tô enrolado com o desenho daquela HQ secreta - que de fato consome muito tempo -, e ainda por cima estou rouco do jogo de ontem. Minhas desculpas por não ter muito papo hoje.

Fiquem por ora com o célebre pensamento do filósofo H R Grandson, que disse mais ou menos assim:

"Pior seria se pior fosse,
se a vida fosse amarga,
ao invés de doce.
Se não suporta a carga,
devolva pra quem trouxe.
Que a vida de novo o traga,
a esse humilde site gauche".
Mapa para um parque aquático daqui. Esse desenho foi feito lá pelos idos de 1999. Tive que scanear a planta do local e desenhar por cima, respeitando o traçado. Deu um trabalho miserável e rendeu relativamente pouco. Ah, os jovens...



Auriverde flâmula

O prêmio da copa do mundo na verdade é uma honraria, já que ninguém detêm a posse definitiva de troféu nenhum. Na base do atual troféu dourado estão escritos todos os campeões mundiais desde 1974, quando a Alemanha inaugurou essa nova série, iniciada depois que o Brasil tomou posse em definitivo do troféu anterior, a taça Jules Rimet. Por muito tempo me questionei se não seria melhor criar um troféu para cada copa, assim como já existem a bola, o mascote e o logo exclusivos. Mas depois me toquei que não. Melhor deixar assim. Os jogadores que literalmente dão seu sangue, suor e lágrimas defendendo as cores de seu país não podem ser vistos como mercenários - nem como carrascos, tampouco. O que se está em disputa não é o ouro do troféu, mas a honra de ter o nome de seu país escrito nele.

O que me lembra a bandeira do Brasil. Não teria sentido se cada administração federal inventasse sua própria bandeira. A bandeira está além do tirano de plantão, ela simboliza nossos valores como nação e povo. Nosso caráter, talvez. Nossas esperanças, com certeza.

Mas quero fazer um update nesse papo. Nossa bandeira é uma das poucas no mundo que têm uma legenda. Esse slogan nacional, vamos chamar assim, pode ter sido adequado para os vetustos velhotes republicanos que o tomaram do positivismo, mas hoje não tem nada a ver. O que eu proponho é que cada nova administração federal coloque a frase que quiser, a que mais se adeque aos humores da ocasião e dessa forma, atualizar e contextualizar o momento. Existem bandeiras que têm saudações a Alá bordadas. Apoio, pois uma oração é suficientemente verdadeira e genérica para ser eterna. Mas Ordem e Progresso? Nunca houve, nunca vi.

Como seria o bordado na bandeira sob a administração Médici? Moleza: Brasil, ame-o ou deixe-o. Como minhas memórias só começam pra valer a partir de 1978, por aí, vou listar os slogans para a bandeira desde o general Figueiredo até o Lula. Minha intenção é ajudar principalmente os historiadores e arqueólogos, que antigamente só podiam determinar de que época seria tal bandeira pelo desbotado ou pelo número de estrelas. Ainda vou receber a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul pelos meus serviços, vocês vão ver.

General Figueiredo ( 1978-1984 ) : A cavalo dado não se olham os dentes.

Tancredo Neves ( 1984-1985 ) : O Brasil é uma terr...

José Sarney ( 1985-1989 ) : O bigode dos marimbondos cruzados.

Fernando Collor ( 1989-1992) : Imexível só ficou o Brasil

Itamar Franco ( 1992-1994 ) : Saí da história pra cair na vida.

Fernando Henrique ( 1994-1998 ) : Não têm pão? Comam brioches!

Fernando Henrique ( 1998-2002) : Vende-se, entrega-se, doa-se.

Lula ( 2002-2006 ) : Cinco anos em cinqüenta!

quarta-feira, junho 21, 2006

Alguém cuja minha pessoa muito Preza

Ora vejam, entrei pra política!

Não, ainda não estou me referindo ao malévolo projeto que irá colocar a mim e meus capangas no Senado Federal. Isso é pra 2014. O que houve é que eu e outros desenhistas ganhamos uma importante licitação. Vamos fazer o material da campanha que irá eleger o Capitão Presença presidente dessa carroça malamanhada a que chamamos de país.

Graças a São Duda, padroeiro dos marqueteiros, conseguimos essa graça que não irá sair nada de graça, pois ninguém é trouxa. Aliás, aqui só tem trouxinha. Como bom boqueiro, digo, blogueiro, já abri minha conta no Sativa Bank de Suisse, para os depósitos milionários. Uma amiga minha peruana que contou como se faz. Aposto a mafora, digo, a farofa minha de todos os dias e meus patuás como essa parada vai dar certo!

O Capitão Presença é o personagem criado pelo desenhista e editor Arnaldo Branco. Através de uma divertida brincadeira em seu site, foram escolhidas peças da campanha do Preza Presidente, que os leitores enviavam por e-mail. Ainda não conhece o Arnaldo e o Preza? Ficou curioso para ver o trabalho do Arnaldo e de quebra, o meu desenho que participou do concurso? Vai lá, bicho, e contribua você também para a campanha do velho Capitão Preza!

Clica aqui e como diria o diretor do Zoológico de Pequim, ex-panda sua mente.

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Olha o que sobra do desenho depois de scaneado: vai pra minha parede.

terça-feira, junho 20, 2006

Mapa de trecho do litoral baiano, para um folder de turismo. O desenho é de 2000, acho.



Pressa

Hoje meu dia vai ser mais complicado que o do Jack Bauer, então, sorry, periferia. Amanhã eu volto ao papo.

segunda-feira, junho 19, 2006

Convite para a inauguração do meu ap, no distante ano de 2000. Observem que na época eu era gordo.



Notas

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Conheci um sujeito chamado Leonardo Dali, que era um artista conceitual. Aliás, muito mal conceituado por seus pares. Pra começar, Leonardo nunca fez nenhuma exposição na vida. Ele achava que exposições de pintura eram um mero veículo para o narcisismo do artista, então, preferia fazer gigantescas introspecções em praça pública. A coisa funcionava assim: Leonardo ficava sentado num banco de praça tendo idéias geniais. Depois de duas horas imóvel, levantava-se e gritava para quem estivesse perto - geralmente um mendigo maltrapilho - ; que a arte era um conceito abstrato cuja chave para seu entendimento só existia na cabeça do artista. Assim, qualquer conceito artístico estaria sempre inacessível ao público comum. Dizia ainda que o extravasamento da obra, contida que estava pelo invólucro da cabeça do artista, seria falso e perderia o valor. Etérea, a arte não deveria ser maculada pela tosca realidade. Em geral o mendigo concordava e depois pedia uns trocados.

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Essa é verdadeira: um artista aí que não sei o nome, trabalhava em algo que ele chamava de simplificação objetiva da pintura, ou a representação do essencial artístico, sei lá. Aí ele pintava telas brancas recheadas de quadrados coloridos, símbolos da racionalização. Pra que a coisa ficasse ainda mais objetiva, ele passou a pintar telas brancas com quadrados brancos, e deu-se a mágica: atingiu seu ideal artístico. Para um observador de fora, a coisa toda não passava de um quadro lambuzado de branco, mas o pintor chegou lá depois de anos de técnica!

Segundo suas próprias normas, portanto, ele havia atingido o máximo da pureza estética e parou de pintar. Esse mesmo pintor teve que queimar suas obras-primas para poder se aquecer, num inverno particularmente rigoroso em Paris. Que perda para a humanidade.

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Sempre achei estranho que os pintores médiuns só incorporassem os Matisses, Degas e Picassos da vida. Por que eles não fazem um download do Paulo Hamílton, meu pintor de paredes favorito, para que venha repintar o rodapé da minha sala?

sexta-feira, junho 16, 2006

Minha atual tela do desktop...



Balança a pança

A polêmica envolvendo o Ronalducho e sua pança me lembrou aquela história da roupa do rei.

Vocês sabem como é a fábula: um rei vaidoso e cercado de puxa-sacos compra, de um espertalhão, uma roupa invisível. Invisível, vírgula. A roupa só se mostra pra quem é inteligente, segundo o papo do vendedor. O rei, é claro, pra não ficar com fama de bocó, disse que estava vendo a roupa perfeitamente. Vejam que lindos brocados, quantos paetês! Esse rei era meio mariquinhas, e não tem nada a ver com o Ronaldão, que não deixa ninguém escapar. Bom, aí toda a corte de lambe-botas também disse que a roupa do rei era belíssima, e outra não havia igual. O rei, cada vez mais convencido de que sim, sua roupa era divina e maravilhosa e que ele, ao mesmo tempo, era um lumiar de inteligência; que resolveu promover um desfile para mostrar a roupa ao povo! O vendedor, é claro, se mandou antes com uma arca cheia de ouro, na primeira carruagem.

Decidido o cortejo, os secretários do palácio espalharam que quem caçoasse (Confesse! Há quanto tempo não vê essa palavra por aí?) do rei enfrentaria a morte na forca. E acontecesse o que acontecesse, todos deveriam apenas sorrir e acenar.

Eis que lá está o rei, absolutamente nu e peladão, no meio da rua, sorrindo para a multidão. Protegido pela conivência de seus súditos e pela redoma de irrealidade que ele próprio criou, o rei está crente que ninguém tem uma roupa como a dele. E todo mundo segurando o riso.

Aí uma criança, que é sábia o suficiente para só mentir quando lhe convêm, decide abrir a bocarra e dizer o óbvio: o rei está nu!!

Todos caem na gargalhada e as vaias alcançam o sol. A redoma do rei se rompe e ele fica mais vermelho que um holandês. Corre para o palácio com uma mão na frente e outra atrás e jura que de agora em diante só vai fazer compras pela Internet.

Moral da história: cada um tem o moleque que merece.

E pra cumprir tabela, como diria o Paraguai; aqui vai meu palpite pro jogo de domingo:


Beijos pra todo mundo e bom jogo!

quarta-feira, junho 14, 2006

Capa para a Agenda do Portador de Eficiência, de Daniel Cordeiro. Desde 2002 faço os desenhos da agenda do Daniel. O personagem em cadeira de rodas, o Rampinha, foi bolado por ele e psicografado por mim. Como se vê, sou um desenhista de nível médium.



Porque me enfado de meu país.

Agora o Brasil é auto-insolente em petróleo, o que significa que pode ser malcriado com a OPEP e colocar os cotovelos na mesa de negociação. O Brasil também é um país singular, pois ninguém sabe usar os plurais direito - e tome nóis vai, a gente somos, dois reau e por aí vãos. E só porque o Brasil é uma República Federativa, a gente não precisava viver em permanentes Estados de caos, não?

No Brasil não há racismo. O que existe é o preconceito de crase, que vitima mortos-de-fome pés-rapados que não sabem se expressar direito. A discriminação de cor também não vigora nessas praias, pois aqui todo mundo se diz branco ou moreno, o que faz com que sejamos uma curiosa nação duotone. Alguém poderia dizer que definitivamente temos problemas entre ricos e pobres, e que um dia ambos acertarão suas contas. Duvido muito. Como aqui tudo só se faz em 12 prestações, esse acerto de contas nunca virá, pois mal se livram de um carnê, os pobres pagam outro.

Sobre a saúde pública: não sei porque reclamam tanto. Os pobres dizem que não têm onde cair mortos, mas nas filas do SUS podem morrer um escorado no outro, ou no conforto de uma bela maca. Também muito se critica a má gestão dos recursos naturais, que no Brasil é mato. Ora, se o problema é esse, cortem logo essa madeirama toda e empilhem num local onde se possa vigiá-las bem. O descampado resultante, do tamanho da Europa Central, a gente usa pra plantar batatas ou então para ver crescerem jaqueiras em cujos frutos possamos enfiar o pé.

Dizem por aí que o Brasil tem um povo cordial, ou seja, que age pelo coração. Pois sim, somos na verdade um povo umbilical, pois nunca nos livramos dessa ânsia de querer mamar nas tetas do governo. Teve até um doido que disse que somos uma nação de sodomitas e jogadores, vejam que injúria! Aposto sua bunda que isso não é verdade! O Brasil de fato é uma imensa incógnita, daí essa aparência de estar sempre curvado sobre a América do Sul, com ares de ponto de interrogação. Vejam o desenho e digam se não estou certo:



Só um golzinho na Croácia. Pra variar, essa Copa vai ser outro sufoco! Ufa, minha safena...



terça-feira, junho 13, 2006



Abaixo, uma página inteira da HQ secreta que eu e o Olinto estamos bolando. Bom, pelas imagens dá pra deduzir fácil, fácil sobre o que se trata: a vida sexual dos tropeiros d´antanho. Vai ser levemente inspirado no Brokeback, e até já temos um título provisório, roubado não sei se do Zé Simão: Chapada dos Veadeiros!

Povo, justamente por causa dessa HQ tô sem tempo pra escrever minhas bobagens, mas manterei o site atualizado todo dia, nem que seja com uma foto minha tomando banho, ok?

Obrigado pela audiência!

segunda-feira, junho 12, 2006

O último do dioramas.

Vejam como são as coisas. A postagem dos desenhos não obedeceu a nenhum critério específico, fui colocando de acordo com o que deu na telha. Eis que desenho de hoje é sobre uma história que se passa no dia dos namorados, e lá está a data escrita na lousa da professora. Vai entender essas coisas.

O texto em latim não traduzo não. Quem quiser vá atrás.



Aqui vão duas fotos da minha namorada, que não está agora comigo pois teve que viajar a negócios para a Europa. Saudades, Benhê!

sexta-feira, junho 09, 2006

O penúltimo dos dioramas...



Moto perpétuo, moto contínuo.

Depois de muito hesitar, resolvi comprar uma moto. Já que evoluímos das quatro patas para a postura bípede, da mesma forma encaro que a mudança de quatro rodas para duas foi um salto evolucionário. Pena não ter desenvolvido também uma testa de titânio, pois agora ela será meu para-choque.

Uma moto baseia-se no equilíbrio cinético, ou seja: enquanto ela se move, tudo bem. Parada, torna-se tão estável e segura quanto equilibrar-se sobre uma bola de boliche. Sempre fui um cara prudente, por isso, não acho que a moto irá me causar maiores percalços, salvo em caso de colisão com um caminhão betoneira - mas aí, ninguém estaria mesmo seguro, nem protegido pelo invólucro de um carro-forte.

Comprei minha moto com um air-bag tamanho G, que pode ser facilmente convertido em saco para recolher corpos, mas não vem com zíper. Outro opcional da motoca é um duplo farol extensível, para ser acionado à noite. Funciona assim: numa estrada escura, os dois faróis podem ficar separados um do outro por uma distância de até 1,5 m, fazendo-se passar pelos faróis de um carro numa boa. O objetivo dessa marmota é impor respeito, já que motociclistas têm tanta moral no trânsito quanto o Lúcio Alcântara tem no PSDB.

A moto é bastante econômica e devo economizar um bom dinheiro. Esse dinheiro, dizem meus amigos, será útil quando eu for comprar uma cadeira de rodas, mas não entendi o que é que uma coisa tem a ver com a outra. E essa minha moto nova também é total flex: no caso de sinistro, ela se flexiona como uma sanfona, absorvendo a energia do impacto. O que acontece com o piloto o vendedor não me disse. Bah, quem se importa com detalhes?

Minha família anda muito preocupada, mas já avisei para todos que não há motivo para anseios. Em todo caso, fiz um seguro de vida no valor de meio milhão de reais, e coloquei minha amantíssima esposa como única beneficiária. Ela ficou tão contente ao saber disso, que comprou um pote de KY e lambuzou todo o assento da moto. Disse que assim ele vai ficar mais brilhante e visível aos outros motoristas, e portanto, mais seguro. Não sei onde eu estaria sem ela.

quinta-feira, junho 08, 2006

Outro dos dioramas para o livro infantil. Estão quase acabando, pena, acho que só faltam três.

A imagem flutuante e fantasmagórica do Comendador não está no desenho original. Não sou assim tão perverso com os guris. O fato é que gostei da cara do Comendador, que tá bem clássica na função de velho militar, maridão falecido da simpática e fiel vovó. Como o desenho ficaria bastante perspectivado para ser encaixado na moldura, resolvi dispô-lo aqui pra que vocês vissem mais detalhes.



Hoje não tem muito papo pois o Blogspot passou o dia me fazendo raiva. Aí bati uma foto da porta da minha sala de desenho - ou estúdio, como dizem no Rio - ; pra que vocês também possam vasculhar os detalhes. A imagem está bem pesada, deve demorar pra baixar, ok?

Colei os desenhos na porta e pelas paredes do corredor, pois depois de scaneados e pintados, teoricamente os originais iriam pro lixo. Ainda não estou com a moral do Picasso, cujos rascunhos em guardanapos pagavam a conta do jantar. Então, o melhor uso que achei pra eles foi emporcalhar as paredes. Já deu pra sacar que sou solteiro, né?

quarta-feira, junho 07, 2006

Outro quadrinho daquela HQ secreta que estamos fazendo.

Será que dá pra descobrir sobre o que é, apenas por um quadrinho ou um punhado deles? Será que a partir de um mero tijolo, dá pra deduzir se ele pertenceu a uma miserável choupana de palafitas ou a uma imponente catedral? Aguardemos, pois. Novidades no fim do ano.

Ok, ok, a história é sobre uma invasão de vampiros! Olha a cara de susto do coitado...



Dada perde é feio

Fui mandado ao degredo em segredo, por artes e glória de um arremedo de magistrado. Deitado no estrado da cama, compus minha ária árida como se árabe fosse. O fosso, falando nisso, estava fossilizado desde épocas rotas e remotas. Comendo uma bergamota, arrotei perdigotos por todo o campus, sob a jurisdição de um magnífico reitor feitor de escravos. Quem iria desconfiar?

Uma caçarola foi feita para ser ariada, assim como um prado para ser arado. Celerado, tornei-me senhor de mim mesmo e despejei-me desse corpo alugado. Fundei uma Igreja. Fundeei um porto. Fundi uns prótons. Nada consegui. Na amazônia legal, trafiquei begônias para meus contatos em Gramado. Gamado que estava no vício, tolheu-me sevícias sob os auspícios de uma pena capital. Condenado, fiquei no corredor da morte, esperando que ela passasse, me visse, e nem ligasse.

Aprendi a solfejar enquanto arfava por mais sobejos. Seus beijos é que foram minha cura, minha curra, minha cultura, minha altura infame, lavada de tristes letras e piores rimas. As rumas esculpidas em pedra são meras ruínas, cercadas de ruminantes que fazem mu. As mulheres, entretanto, entretem a todos enquanto trepam, topando qualquer treta. Mutretas, muchachos, não as levem tão a sério. O que me lembra o mistério do castelo de Soluto, dissoluto nas brumas do passado. Esqueceu-me agora mesmo o que era...

Ah, eras antigas, heras e urtigas, coladas aos calabouços pelos quais tu calas a boca, cheia de húmus, úmida da terra nua sob teus cascos! Os cossacos estavam com cócegas no sapato, daí andarem a passo de ganso. Não me canso, contudo, de espreitar as ervas, as sarnas e as saúvas, com ares de graúdas cólicas! Ah, católicas meninas, tão chãs, tão cheias de retórica! Quem dera eu fosse a óstia corrupta que causasse a moléstia que transformasse todas em puras ninfômanas. Mas não é pro meu bico.

Messalina é que estava certa: meça suas palavras, e não profira patavinas. Sovina que sou, sonego agora o resto do texto, sob o pretexto de deixá-los a sós. Matraqueio nesse bosque, verdadeiro quiosque, aberto para bobagens ofertadas ao viajante e à gente que passa. Podeis recusar, podeis dar-me o bolo, mas o dolo é todo teu, pois quem desse tolo prova as palavras, lavra uma estrada de duplo vão, que leva ao coração.

terça-feira, junho 06, 2006

Olhaí, detesto estar sempre certo. Não parece levemente com a proposta visual dos dioramas? Esses gringos! Copiar as idéias de um pobre ilustrador! Sei que a grana tá curta pra contratar, mas queria pelo menos os créditos, pô! :-)

Peguei a foto do cartaz aqui no fantástico site da Apple/Quicktime.

Outro dos dioramas pro tal livro infantil. O livro deve sair em agosto, longe o suficiente para que eu esqueça de sequer ter participado do projeto.



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Hitler Médici Pinochet Franco Átila da Silva, mais conhecido como Him, um lindo garotinho de belos chifres dourados, nasceu no dia 6 de junho de 1998, aqui mesmo no Brasil. Filho de Pedro Vargas Fidel Bush e de Imelda Stroessner Pol Pot, a infância do pequeno Him foi típica como a de outros garotos de sua geração, e recheada de atividades lúdicas: empalamento de gatos, crucificação de sapos, esquartejamento de cachorros, desmembramento de pintos e quando os pais deixavam; vivissecção dos coleguinhas de escola.

Agora em 2006, o jovem capetinha, como é carinhosamente chamado por seus familiares; completa 8 aninhos no dia de hoje. Seus pais, prestimoniosos como todos os pais, prepararam várias atividades para o dia, e ao final da festinha - logo após a lapidação de um coreano contratado para servir as bebidas, creio - o pai do garoto vai anunciar a boa nova. É a seguinte: uma tradição da família impõe que os jovenzinhos nascidos em certas datas múltiplas, ao completarem 8 anos, saiam pelo mundo para corrompê-lo, digo, para compreendê-lo a fundo. Foi assim com o primeiro pimpolho da famíla, nascido na Moldávia em 666. Foi assim com o segundo, que nasceu em Portugal em 1332. Vai ser assim com o terceiro, que nasceu no Brasil em 1998.

O jovem Him foi então preparado para ganhar o mundo, e foi expulso de casa. Não sem antes tocar fogo na mobília da família e incendiar a casa, além de previamente, ter raspado as contas secretas de seu papai. Que orgulho para qualquer pai, um garoto tão esperto! Agora livre de tudo e de todos, o garoto pode cair na vida. Dos outros.

A partir desse ponto, minhas informações são contraditórias e tenho poucos dados com que trabalhar. Tudo o que posso fazer é especular sobre seu futuro, pois pelo que pude colher, esses garotos postos para correr o mundo agem assim mesmo, incógnitos, e ainda usam vários nomes para se misturarem na multidão. Provavelmente, o garoto vai procurar uma atividade onde possa estar o maior tempo possível com outros seres humanos, e tirar o máximo possível deles. Bom, no Brasil, a melhor atividade conhecida para se estripar, achincalhar, corromper, deturpar, furtar e destruir as pessoas, suas almas e suas posses é mesmo a política. Será que o jovem Him almeja o Planalto?

Tudo o que podemos fazer é esperar. Se tudo caminhar nos conformes, o garoto estará com a idade legal para concorrer à presidência lá por 2026 ou 2030, por aí. Daqui, para o mundo. Portanto, fiquem atentos, caros amigos: não votem no candidato que estiver usando chapéu!

segunda-feira, junho 05, 2006

Diorama pro livro infantil. A aranha no canto parece familiar?



No Ceará não tem disso não

Luiz Gonzaga

Tenho visto tanta coisa
Nesse mundo de meu Deus
Coisas que prum cearense
Não existe explicação

Qualquer pinguinho de chuva
Fazer uma inundação
Moça se vestir de cobra
E dizer que é distração
Vocês cá da capital
Me adesculpe esta expressão:

No Ceará não tem disso não
Não tem disso não, não tem disso não
No Ceará não tem disso não
Não tem disso não, não tem disso não
Não, não, não,
No Ceará não tem disso não
Não, não, não
No Ceará não tem disso não

Nem que eu fique aqui dez anos
Eu não me acostumo não
Tudo aqui é diferente
Dos costumes do sertão
Num se pode comprar nada
Sem topar com tubarão

Vou voltar pra minha terra
No primeiro caminhão
Vocês vão me adesculpar
Mas arrepito essa expressão:

No Ceará não tem disso não
Não tem disso não, não tem disso não
No Ceará não tem disso não
Não tem disso não, não tem disso não
Não, não, não,
No Ceará não tem disso não
Não, não, não
No Ceará não tem disso não.


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Sou eu que tenho que pedir desculpas, por desmentir o Gonzagão, mas o Ceará nunca foi imune às coisas do mundo: apenas elas demoram pra chegar. E uma dessas doenças do mundo apareceu na minha frente com a força de um bofetão: sábado vi um nazistóide numa mesa ao lado da minha, todo contentão exibindo sua suástica recém tatuada.

Essa visão do inferno - um gordalhão morbidamente obeso, deformado e insolentemente orgulhoso em exibir sua tatuagem pros amigos dele -; tem o potencial para um post enorme, vários artigos e litros de tinta ou milhares de Terabytes de papo sobre os limites da liberdade de expressão, até onde vai o mau-gosto, a ingenuidade política e histórica das pessoas, ou a mera safadeza desses sem-noção; mas vou me concentrar no aspecto contraditório da questão, que vem a ser: como diabos pode existir um brasileiro - ou pior, um cearense - neo-nazista?

Se esses imbecis soubessem um pouquinho de história, veriam que se os nazistas tivessem ganho a II Guerra Mundial, o próximo alvo deles seriam os africanos e depois, os latinos. Talvez nós, latinos, fôssemos aproveitados como bichos de estimação pelos alemães, pois somos muito simpáticos e sorridentes, e dessa forma, poupados num primeiro instante. Mais ou menos como os humanos são tratados em Planeta dos Macacos. Acho até que hoje a América Latina seria coalhada de cidades devastadas pelos testes com as bombas nucleares alemãs, só por farra. lembram-se de Guernica?

No Brasil existe um movimento neo-nazista conhecido como Carecas ou Skinheads, sei lá, pouco me importa. O curioso é que eles pregam o ódio a negros - muitos deles são mulatos - e a nordestinos - muitos dos pais deles vieram do Nordeste, aposto. Para que esse neo-nazista cearense fosse coerente, ele deveria se auto-imolar em plena Praça do Ferreira, ateando fogo em si mesmo e professando seu ódio a tudo que ele representa, ou seja: a si próprio. Dou a maior força e ainda levo a gasolina.

Sabe aqueles malucos presidiários que são tão malucos, mas tão malucos, que ninguém chega perto, mesmo os outros detentos tão ou mais barra pesada? Foi a imagem que fiz desse idiota, que convenhamos, é muito burro e não merece ser levado a sério, além de estar procurando briga. O que não deve demorar pra acontecer. Manja o Bruce Willis com aquele cartaz I hate niggers em pleno Bronx, no filme Duro de Matar III? É por aí...

As suásticas são variações da cruz. Na verdade, ela é uma de suas primeiras estilizações, presentes nas catacumbas dos cristãos até o século IV. Mas hoje não tem papo: a suástica é identificada com o nazismo, o mais próximo do Mal Absoluto sobre a Terra que esse planeta calejado já viu.

Abaixo está um desenho que fiz de memória do doidão. Não duvido nada que ainda veremos um abajour forrado com a pele dele pra ser vendido no e-bay, re re re.



É muita falta de noção!

sexta-feira, junho 02, 2006

Capa para uma cartilha da Rádio Nordeste, de 2002 acho.



Ginecodicas

Eufrasino Puxabriga da Silva é um conhecido meu, que acabou de escrever um livro de auto-ajuda sobre o universo feminino, mas voltado para o macharal. Esse discípulo de Chauvin é um machista empendermido cujas opiniões não deveriam ser sequer consideradas, quanto mais publicadas em livro. No entanto, compilei algumas de suas idéias para que vocês julguem por si sós. Meu suborno é que parece que vou ilustrar o livro, sei lá.


Amigas mulheres
Você também pode ter uma
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Uma mulher só se torna sua amiga numa dessas duas condições: ou você quer comê-la ou você não pode mais comê-la. A amizade com as mulheres é efêmera e vive na fronteira entre dois mundos, como a espuma do chopp. Se você consegue traçar a criatura, ela não é mais sua amiga, subindo de patamar e virando sua amante. Se você ainda não conseguiu arrastá-la para seu covil, vale a pena mantê-la por perto: vai que ela cede pela sua insistência ou por falta de outra alternativa. Enquanto isso, enrole a figurinha fingindo que está interessado nos papos dela. Fique de olho.
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Se apesar da sua inhaca e de seus modos grosseiros, alguma mulher parece gostar de conversar com você por algo tão insubstancial quanto a amizade pura, desista de dar em cima dela. Renda-se, meu chapa. Ser amigo de uma mulher é como ter um amigo gay: é exótico, moderno, parece que você não é o troglodita que aparenta, conta pontos com as outras mulheres e ainda serve para pegar dicas de como funciona a mecânica feminina, dadas de primeira mão por essa agente dupla involuntária. Aproveite a chance.
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Diferente da amizade entre os machos da espécie, a amizade com mulheres é e deve ser interesseira. É possível você ser amigo do Gordo, aquele cara meio seboso mas que é um bom papo e sabe de cor todos os quadros dos Trapalhões, pois os valores masculinos são outros. É impossível que um homem de verdade escolha seus amigos pela cor do cabelo ou pelo tórax saradão, mas com as mulheres, você tem que ser canalha.

Não tem sentido nenhum andar com mulher feia, seja sua amiga, namorada ou irmã. Isso queima seu filme, e não se esqueça que seu único objetivo, andando por aí com uma mulher que você não pode sexuar; é usá-la como chamariz e desafio para conquistar outras mulheres. Se você só tiver mulher feia como amiga, desista e ande por aí com um cachorrinho, que o efeito é melhor e mais garantido.
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Existe o mito que amigas mulheres podem servir para te apresentar a amigas delas, e essas sim, seriam passíveis de se levar para sua alcova decorada com motivos das mil e uma noites. Ledo engano. Como já demonstrei, para esse fim, a mulher deve ser usada, sem que se perceba isso. Sacou? Eu tenho que dizer tudo, pô?

Se essa mulher for sua amiga mesmo, há muito que ela já percebeu que você é um sem-futuro machista que não quer compromisso com ninguém, e a última coisa que ela faria é apresentá-lo para alguma amiga dela. Veja que essa mulher é sua amiga, e amigo é aquele que, mesmo sabendo de todos os nossos podres, ainda gosta da gente.

Se seu objetivo é ser apresentado para outras gatinhas, aí saia com sua irmã e as amigas dela. Em geral, os irmãos e irmãs não são seus melhores amigos e confidentes, portanto, não sabem nem a metade do canalha que você é. Vai fundo e pode dar em cima da colega de escritório da sua irmã, que tá te dando a maior bola.

quinta-feira, junho 01, 2006

O diorama da chuva. Cearenses gostam de chuva. Bom, pelo menos eu gosto.



X-Dudes

Ninguém sabe, mas sou um mutante classe 1. Dito assim na xincha, parece que faço pouco caso de meus poderes, mas não é o caso. É que ainda não sei que uso dar para minhas habilidades. O fato é que sou capaz de ganhar peso com uma facilidade impressionante, basta roçar meus lábios na calda de chocolate que goteja de um bolo de três andares e presto! O estrago está feito. O resto do bolo, devorado em dois minutos, nem faz mais tanto efeito assim, acredito.

Foi por causa dessse problema que procurei ajuda no Spa do professor Xaveco, conhecido nutricionista de fama internacional. Seu anúncio estava estampado na revista Gulag da Gula, da qual por mero acaso sou assinante. Enquanto lia e traçava uma vaca-preta ( o ruminante, não o sorvete ); decidi procurar ajuda profissional. Liguei e marquei uma hora com o renomado esculápio.

Cheguei à clínica do professor e logo saquei o plano do velhote: o genial cientista estava arregimentando um exército de gordalhões mutantes para tomar o poder na Terra! O tal Spa era um mero despiste para conseguir um financiamento no BNDES. O truque era assumir que de fato o Spa era uma clínica de emagrecimento, quando na verdade era um laboratório de engorda produtor de confeitos e doces que faria Willy Wonka rodar nas sapatilhas e morrer de inveja. Os gordalhões, coniventes com o truque, chegavam às carradas para se consultarem com o prof. Xaveco. A sociedade de nada desconfiava.

O plano era simples: devoraríamos as colheitas da Terra, forçando os preços dos alimentos nas alturas. O professor Xaveco, previamente, comprara a preço de uma chinela toneladas de ações das principais empresas de alimentos do mundo, e sua jogada forçaria uma alta violenta dos ativos. O plano era tão perfeito que nosso lobby tinha implicações até no campo gravitacional da Terra: bastaria que nós nos reuníssemos na Flórida, para uma convenscote de degustadores de melancias, que nossa massa impediria as pessoas de se movimentarem. Imagine, então, lançar foguetes do cabo Kennedy. Negociaríamos uma retirada em troca de muita grana. Teríamos o mundo nas nossas mãos rechonchudas!

Nosso exército estava quase pronto, e em breve tomaríamos de assalto as lavouras e self-services do todo o planeta. Mas como em todas as guerras, há revezes, e não contávamos com a aparição repentina de Anorexic Finnegan, o sujeito mais fastioso da Terra!

Sua simples proximidade causava vômitos em todos nós, além de náuseas e enjôos. Como pensar em comer na presença de influência tão nefasta? Onde o esquelético ser aparecia, o nosso apetite sumia, e olha que costumávamos comer como singelo aperitivo vários gnus assados. Pra piorar, Finnegan era o mais execrável tipo de magricela: o-come-e-não-engorda! Era triste ver a crise de choro que o mandrião provocava em nossas companheiras gordinhas, que não agüentavam vê-lo traçar meio rinoceronte e ainda pedir um sundae numa bacia, sem a menor culpa. O tempo todo o idiota falava que usava o mesmo manequim desde os doze anos, e que mandava sua tia Mirtes dar ponto em todas as suas calças, senão elas lhes escorregariam canelas abaixo. Muito de nós escolheram o suicídio, de puro desgosto, e nossa tropa foi definitivamente abalada.

O professor Xaveco sumiu do mapa. O Spa foi fechado. Eu mesmo escrevo essas memórias num porão secreto dentro da fábrica da Ferrer Rocher. Não vou mentir: ainda aguardo as ordens do professor, e quero que ele saiba que assim que houver outra convocação, estarei a postos. Bem, tenho que parar agora. É na hora da troca de turno que saio na surdina para roubar os estoques de doces. Ah, os bons tempos...