segunda-feira, julho 31, 2006

Uma das paredes daqui do ap. A porta ainda não está totalmente concluída, como podem ver. Esses espaços vazios serão preenchidos à medida que pinte trabalho e conseqüentemente, mais desenhos aparecerão para serem colados. Não é só a natureza que abomina o vácuo: minha parede e a conta no Real também.

Quem achar o mapa do Ceará ganha um doce!

sexta-feira, julho 28, 2006

Mare Humoris

Mais um quadrinho daquela HQ secreta. Pelo andar da carruagem, vai dar certo terminar tudo lá por dezembro. Ufa, não vejo a hora. Apesar de ser muito divertido fazer os desenhos e coisa e tal, tenho outros projetos que gostaria de tocar e quero tangê-los em breve.

Mas uma coisa de cada vez. Afinal, nunca contei com o ovo na cloaca da galinha. Quando essa HQ estiver pronta, iniciarei imediatamente um outro projeto de livro, que já está esboçado. A HQ deve demorar um pouco para ser impressa - revisão, projeto gráfico, fila da editora etc -; e justamente quando um estiver saindo do grelo, digo, do prelo, terei outro livro pronto como que por mágica.

E dessa vez, um livro de humor - de volta às origens, baby!

Ah... como a juventude nos faz confiantes...

quinta-feira, julho 27, 2006

Há 5 edições que faço os desenhos da Agenda do Portador de Eficiência, de autoria de Daniel Melo. A agenda 2007, portanto, completará as bodas de madeira dessa iniciativa pioneira no Brasil. A agenda é um sucesso e conta com várias premiações nacionais e internacionais.

O desenho abaixo, novinho, foi entregue ontem para a editoração, e mostra o Daniel e a turma de personagens da agenda comemorando os 5 anos da publicação. Uêba!

Quando estiver mais próximo do lançamento da agenda nova, lá por setembro, vou postar outros desenhos aqui. Enquanto isso, vejam uma reportagem sobre o lançamento da agenda de 2004 e conheçam um pouco mais sobre o trabalho do Daniel, ok?

http://www.iab-rs.org.br/colunas/artigo.php?art=60



O grande desenhista

Era mais um dia comum na redação. As mesmas pessoas e as mesmas notícias, ambas velhas e sem graça. Estava fuçando no Google por dead pornstars quando meu chefe chegou com um trabalho de última hora: eu deveria entrevistar o grande desenhista Hemeterio, que faria uma exposição naquela semana na cidade.

Grande desenhista, sei. Peguei minha mochila com os trastes de sempre, gravador, bloco de papel, lápis e a velha Sony digital, obsoleta de duas gerações. No caminho para sua casa, rememorei alguma coisa que sabia sobre ele: uma ilustração feita para nosso jornal, sobre a matéria das praças antigas e nada mais. Era até melhor assim, no decorrer da conversa a coisa fluiria, pensei. No caminho, comprei um sixpack de cerveja e rumei pela Antônio Sales, rumo leste.

Cheguei no endereço indicado e tomei um susto. A casa do grande desenhista não tinha o portão da frente e de dentro da propriedade, uma bola de algodão-doce me observava. Só aí reparei que na verdade tratava-se de um poodle gordo que parecia não ser tosado há anos. Aliás, se Abraão tivesse um poodle, com certeza seria parecido com aquele. Como também não havia campainha, bati palmas. Ninguém respondeu, mas o poodle gordo veio em minha direção com desagradáveis rosnados. Deve estar louco de raiva, pensei, mas de súbito o animal dirigiu-se para um mendigo que passava portando duas garrafas de coca-cola, e demonstrava grande felicidade. O mendigo, não o cachorro.

Era o grande desenhista que tinha ido comprar mantimentos, e deixara o cão como vigia da casa. Reconhecendo seu amo, o poodle começou a lhe morder os chinelos. A cena não era muito digna de nota, mas tentarei resumí-la como puder: gordo como uma pipa, o grande desenhista estava descabelado e nu da cintura pra cima. Vestia algo parecido com um sarongue de praia e nos pés, chinelos cada um de uma cor. Enquanto me cumprimentava, tentava desvencilhar-se do cachorro e ao mesmo tempo, equilibrar as compras numa mão e as chaves da casa em outra. Uma apresentação solo do balé dos retardados seria uma comparação possível, então finalmente, conseguimos entrar na casa.

Casa não era bem o termo. Parecia um galinheiro redecorado por um Pé-Grande. Havia pilhas de papel e livros pelo chão, louça suja na pia e nas paredes, rabiscos de todas as eras. Jurei ter reconhecido o desenho de uma caça ao bisão gigante, numa parede lateral. O grande desenhista ofereceu-me o sofá para que eu sentasse, mas eu não achava o sofá. Me acomodei como pude num amontoado de Playboys e começamos a entrevista, não sem antes o grande desenhista já ter drenado, sem convite, uma garrafa da cerveja que eu levei.

Pra começo de conversa, não fui com a sua cara, mas o mesmo não poderia ser dito dele: o patético ser ria o tempo todo e falava como se sua vida dependesse disso. Por um certo momento parecia até que me ignorava, só existindo o espaço ao seu redor como interlocutor. De pronto percebi que não adiantava lhe fazer perguntas, pois ele respondia o que queria, fizesse eu ou não alguma intervenção. Houve um momento em que saí da sala para pegar outra cerveja e o grande desenhista ainda estava lá, voltado para o microfone sem sequer saber que eu saíra por instantes.

Por milagre, consegui interrrompê-lo, e pedi que me mostrasse alguns desenhos seus, afinal. Ele ficou sério de repente e levantou-se. Depois de uma procura detalhada, tirou com muito cuidado um livro de sua estante e me deu. Fiquei impressionado, e demonstrei isso com o olhar. Os desenhos eram belíssimos, pena que pertencessem a outro desenhista, o russo Marc Chagall. Na confusão em que se encontrava, não adiantava ser racional com ele e resolvi fazer seu jogo.

O que de menos se falou foi da exposição. Não sei se o grande desenhista me confundira com alguém do CVV, mas o fato é sentou a pua a falar mal de todos e de si mesmo, ignorando o fato que a entrevista eventualmente seria publicada. O momento mais bizarro da entrevista foi quando ele se levantou e foi ao banheiro, mijando de porta aberta e sem se importar com minha presença ou de quem quer que fosse. Nesse ínterim, continuou a falar como se nada estivesse acontecendo. Depois, no gravador, sua voz parecia ter sido subitamente envolvida pelo som de bicas e trovoadas, e após sons de alívio, um ruído pode ser ouvido parecido com o blap dos lábios, só que repetido vinte vezes. Poderia dormir sem essa.

Para terminar a entrevista, tirei uma foto que, por insistência dele, foi posada em trajes greco-romanos. Com alívio me despedi do grande desenhista e agradeci a atenção, não sem antes que ele me pedisse 20 reais emprestado. A próxima, só com adicional por insalubridade. E na saída chutei o poodle.



Ah, e a exposição foi um fracasso.

quarta-feira, julho 26, 2006

Aqui está uma autêntica velharia que achei enquanto revirava meu próprio lixo: um cartão de natal de 1999, feito sob encomenda para uma turma de amigos.



A revista para o feudossexual medieval

Havia uma reclamação constante por parte dos nobres que as revistas de arquitetura e decoração eram demasiado femininas, pois não dedicavam nenhuma página para falar sobres as belas masmorras da região. Todas essas revistas só queriam saber da adega, do salão de bailes e da torre principal dos castelos, onde estava é claro, o quarto da princesa. Até mesmo o fosso, outrora tão desprezado, já rendia algumas notas sobre a criação de crocodilos - levando em conta nosso clima -; e outras dicas valiosas sobre a manutenção de plantas aquáticas venenosas.

Felizmente, tudo isso mudou com a chegada no mercado editorial da revista Mediever, a revista para o moderno homem medieval.

A Mediever é escrita, literalmente, num padrão superior de qualidade. Usando tintas da Pérsia e da distante China, monges copistas conseguem a proeza de suprir o mercado com uma tiragem de mais de sete exemplares por mês, um recorde. Mas não é só: as iluminuras serão assinadas por famosos artistas e ourives, e nossos repórteres irão aos confins do mundo por uma boa matéria. Um deles, inclusive, acabou de voltar da beira do mundo com notícias fantásticas sobre dragões e serpentes marinhas, mas não vamos estragar a surpresa.

Porém, a revista será francamente bipolar. Um dos aspectos a serem explorados serão os estilos de vida de cada jovem senhor feudal, enfocando seu apuro na aparelhagem das masmorras, além da sala de jogos e do calabouço das torturas. Cada um deles se esforça numa saudável competição para ver quem tem as traquitanas de suplício e morte mais atuais. Ainda sobre esse tema, a revista abordará a manutenção das armaduras e clavas e cuidados com seu corcel de guerra.

Como não poderia deixar de ser, a revista também terá uma seção de humor entregue aos melhores e mais engraçados cômicos e bobos. Com uma novidade: os leitores poderão votar pela execução do bobo se este não estiver agradando, não é fantástico?

E o outro polo da revista será entregue ao famoso playboy e bon vivan Marco Polo, que cuidará da editoria erótica. Viajado como só ele, Marco é o sujeito perfeito para saber cultivar todas as nuances das formas femininas, e escolhê-las para o gáudio de nossos leitores. Sim, nossa revista terá ensaios com as mais belas musas do nosso tempo, todas desenhadas por finos artistas. Serão contempladas as modelos mais famosas da Circássia, do Cáucaso, do Ceilão, da Germânia e até mesmo as exóticas belezas da Eritréia e da Arábia.

A Mediever chega com uma proposta diferente, sem paralelo com nada que você já viu. Você é do tipo que só se interessa por bulas papais? Leia a Mediever e saiba das mais recentes fofocas do Vaticano. Não sabe ler? Não tem problema, a Mediever investe pesado nas ilustrações, que adornam toda reportagem e cada página, do início aos rodapés. Curioso sobre novidades tecnológicas? A Mediever trará em primeira mão uma resenha sobre a invenção do momento, as latrinas. E mais, a Mediever vem em duas versões: na sua língua regional e em latim, para as edições internacionais.

O que está esperando, o próximo milênio? Não deixe para o ano 1000 e faça sua assinatura da Mediever ainda essa década, e conte com o melhor que a cultura medieval pode lhe proporcionar, no conforto de seu castelo.

Em algumas edições vamos inaugurar uma página política à guisa de teste. Experiências passadas em outros periódicos, com críticas sobre a controversa liderança de Átila não foram muito bem aceitas por parte do entrevistado, que mandou para a redação a cabeça do repórter numa bandeja. Mas os tempos são outros, e com certeza, a tolerância será a tônica desse milênio. Na próxima edição, uma entrevista com o bispo Torquemada, aguardem!

terça-feira, julho 25, 2006

Toda arte é perfeitamente inútil.
Oscar Wilde, ( 1856 - 1900 ).
Prefácio do Retrato de Dorian Gray.


Mais um trecho daquela HQ secreta que eu e o Olinto estamos fazendo. Agora vocês podem notar que de uma inocente história sobre uma lenda grega, a coisa evoluiu para um princípio de suruba. Onde isso irá parar? Huá rá rá!

segunda-feira, julho 24, 2006

Fiz esse desenho para a capa do primeiro cd da banda 3DC, do amigo Daniel Boyadjian. A idéia para o desenho veio do próprio Daniel, inspirada, é claro, num capa do Led. Só que a plantação daqui não é um trigal mas sim, um canavial, pois o nome 3DC na verdade significa... bem, deduzam aí :-)



O cd da banda foi lançado ontem no FORCAOS, evento de pop/rock/metal alternativo que bombou. É assim que os jovens falam?

Olhaí o press release da banda:

Na ocasião do FORCAOS a banda 3DC estará fazendo o lançamento de seu 1º CD demo oficial, o qual conta com 10 músicas entre composições próprias e releituras no estilo da banda de artistas nacionais como Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Cassia Eller. A proposta da 3DC é o rock pesado sem estilo ou rótulos predominantes. Diversidade musical e sentimentos universais são as maiores influências, numa constante busca da identidade musical verdadeira.

Mais detalhes sobre o 3DC aqui na Trama Virtual.

sexta-feira, julho 21, 2006

They call me the apologize

Povo, desculpa se não tem texto inédito. Como sabem, tô enrolado naquele projeto secreto de uma HQ. Enquanto isso, aqui vai mais um desenho para a cartilha sobre o manuseio das máquinas picotadoras de papel.



Coisas que ainda não fiz no campo das artes gráficas e que gostaria de fazer: um selo e uma tatuagem. Fazer um selo é complicado, tem que ser um medalhão com conexões afiadas, o que não é em absoluto o meu caso. Porém, uma tatuagem pode até ser mais difícil de realizar, pois meu desenho é deveras fofinho para interessar, sei lá eu. Mas quem quiser uma caveira engraçadinha pra tatuar me mande um e-mail que eu faço, ok?



Olhaí, ontem houve o primeiro encontro do blog e seus queridos leitores, o I BLOQUEIO. Na foto acima, iluminados pelo sol amarelo da Terra, estão o Tarso, de azul e o Michel, de amarelo-queimado ( é o novo! ). Já combinamos que no próximo encontro virão quatro pessoas, no encontro seguinte oito, depois dezesseis, trinta e duas e assim por diante, até que lá pelo quadragésimo encontro haja mais gente que átomos no Universo. Minhas metas sempre foram modestas para esse blog.

quinta-feira, julho 20, 2006

In talk shows, confessions...

Uma das coisas boas de desenhar para o tema informática é que os desenhos se parecem muito. Vejam esse exemplo abaixo. Foi feito para uma cartilha sobre o uso das máquinas picotadoras de papel. Mas a ilustração caberia muito bem num texto sobre análise de currículos, ou sobre a organização no ambiente de trabalho, ou em mais outro sobre a substituição da pepelada do escritório por formulários digitais, não?

Digo que é uma coisa boa porque no calor da batalha, no frisson das redações de jornal e da apertada hora do fechamento das edições, a gente tem que hã... reaproveitar muita coisa - como um mágico que repete os truques para platéias diferentes. Cof, cof!

quarta-feira, julho 19, 2006

In the name of love



About a boy

Esse negócio de paternidade me assusta. Estou tão adaptado à minha condição de ermitão da montanha que a possibilidade de me tornar pai soa tão estranha, como descobrir que São Francisco fora visto num churrasco. Não que eu esteja pensando em ter filhos, ou pior, que eu os já tenha tido sem saber. Tampouco me preocupo com a responsabilidade financeira. O que me deixa assustado sobre ser pai é meu desisteresse em impor limites.

Se eu fosse pai, eu não teria a menor vontade ou o interesse em vender uma religião para meu filho. O mundo é um vasto leque de crendices. Escolha seu amigo imaginário e seja feliz. Viu? Isso não é atitude de um pai. Tá mais pra um tio sem noção.

Outra: é impossível me irritar tentando ser meu oposto, pois esse truque não funciona. Se é verdade que os filhos tentam chatear os pais se tornando tudo o que eles temem, vai ser difícil achar algo para me chocar. A menina chega em casa com os cabelos tingidos de azul e brincos de caveira. Minha reação: vai ficar massa com uma tiara laranja. Se o problema é chamar minha atenção, compre uma lata de leite condensado ou comece a falar sânscrito.

Acredito no viver e deixar viver. Indiferença? Tem uma pitada disso sim, mas também acho que respeitar o individualismo de cada um é necessário. O menino quer rabiscar o quarto dele todo com o batom da mãe? Quem sou eu para ralhar com o guri, se eu mesmo tenho as paredes de casa rabiscadas?

Também acredito que a função dos pais é não atrapalhar, e no mínimo, entregar a pobre criatura à idade adulta sem muitos traumas. O objetivo dos pais, na verdade, é segurar as pontas. Ou pagar as contas, melhor dizendo. O menino se cria na rua, palco de todas as aventuras e cabeçadas. Mas no refúgio do lar é quando o superherói despe-se da capa borrada de lama e dorme protegido do mundo real. Muito parecido com comercial de sabão em pó? Eu sou um manancial de lugares-comuns!

Pensando bem, agora a paternidade não me parece tão assustadora.

Depois dessa catarse na forma de texto, começo a achar atraente a idéia, vejam só. Agora falta achar alguém disposta a abrigar meus genes. Vejam que curioso: estou resolvendo problemas inexistentes de trás pra frente. Primeiro quero ser pai, mas preciso de uma mulher. Para arranjar uma mulher, preciso sair de casa. Para sair de casa, tenho que arranjar tempo livre. Eu teria tempo livre se abandonasse o blog, mas aí... ai, que preguiça!

terça-feira, julho 18, 2006

Último dos desenhos para o livro de causos do BNB. Dessa vez, o desenho se refere a um tal de Zacarias ( daí a caricatura ), um chefe obcecado com o cumprimento dos horários. A todo momento, segundo o texto, ele implicava com seus comandados dizendo que estavam comendo uns minutos do expediente.



Superman, o restolho

O grande erro de todo apaixonado é idolatrar a amada ao invés de possuí-la. Ou conquistá-la, vá lá. O diretor Brian Singer comete o mesmo erro com essa nova versão do Superman. As referências ao filme clássico de 1978, Superman - the movie chegam a ser constrangedoras. De tanto render homenagens ao filme dos outros, o diretor se perde em fazer o seu. E vocês sabem: na linguagem do amor, render homenagem a alguém é um eufemismo pra... ah, deixa pra lá.

Tal qual o personagem título do livro Os sofrimentos do jovem Wether, o diretor e o personagem principal, o Superman, sofrem por um amor impossível. Tanto o Super não desenrola uma relação complicadíssima - e perdida, diga-se de passagem -, com a Lois Lane, como o diretor não consegue exorcisar o fantasma do Christopher Reeve e do diretor Richard Donner - que apesar de vivo, é tratado como um espírito de luz detentor de todas as respostas, vide a quantidade absurda de referências ao seu filme.

Não que o filme seja ruim, pelo contrário. Apenas não me empolgou. Reconheço que a expectativa de vinte anos pela espera da volta das aventuras do Super possa ter influenciado minha opinião, mas se assim fosse, as novas gerações deveriam afluir em massa aos cinemas, coisa que não está acontecendo. E esse atenuante não vale: um filme com esse orçamento, essa equipe e essa carga histórica tem a obrigação de fazer bonito - e aqui não vai nenhuma crítica velada à nossa seleção de futebol.

O filme funciona muito bem até o salvamento do ônibus espacial e do avião que o carrega nas costas, aos 20 minutos de filme. Essa tomada dá vertigens e é impressionante o realismo que o vento na capa e nos cabelos dão. Parece mesmo que colocaram o Brandon Routh em cima da fuselagem de um avião e soltaram os dois na mesosfera. Também é quase impossível não segurar um arrepio de emoção quando os letreiros azuis começam a voar pela tela e o S aparece aos acordes do tema do Superman, logo no começo do filme. Para as platéias mais espertas do século XXI, a destruição de Krypton vem na forma da explosão do seu sol vermelho, em violenta supernova - já que obviamente, planetas não explodem, dã ( preparem os ouvidos, a sala treme ). Perfeita, essa cena poderia ser incluída no filme original.

A coisa prossegue muito bem: os flashbacks, o golpe do baú do Luthor, a volta do Super à Terra, o retorno ao emprego no PD, o sensacional salvamento da nave que me referi acima. Aí...

Aí a coisa desanda. Bom, sabe o que me entristeceu realmente? A sala de cinema quase vazia e a ausência de aplausos no final. Vou contar mais uma historinha sobre isso, pra terminar, ok?

Num dos episódios dos Simpsons, O Bart e a Liza ficam na maior expectativa para assistir o filme do Comichão e Coçadinha. Mas aí o Bart faz uma traquinagem de proporções bíblicas e o Homer o proíbe de ver o filme. A Liza intevêm e diz assim: pai, o Bart merece ser castigado. Mas o filme Comichão e Coçadinha é o evento máximo da nossa geração. Irredutível, o Homer finca o pé e o Bart não vê o filme.

Voltando ao papo, me entristeceu a sala de cinema quase vazia, quando eu lembro que a estréia do Super em 1978 foi de fato, o evento máximo da minha geração - que até então só tinha sete anos de idade. Isso e flagar as Playboys do meu tio aos seis.

Entendo que hoje as crianças são mais espertas - e provavelmente estavam na sala do filme dublado - , mas mesmo assim bateu uma nostalgia. Eu não mudei nada, mas o mundo sim. Sou de uma época em que compartilhava o orgulho dos produtotes do filme de 1978, que estampavam no cartaz: você vai acreditar que um homem pode voar. As crianças perderam a capacidade de se deslumbrar? Acho nem sim nem não, visto que elas adoram os cartapácios do Harry Potter.

O que faltou ao novo filme do Super foi o mais prosaico e essencial: uma boa história.

segunda-feira, julho 17, 2006

Desenho para o livro de causos do BNB. O contexto do desenho fala de uma viagem de negócios rotineira, pelo interior do Rio Grande do Norte. E que se transformou numa verdadeira road trip muito louca, onde aconteceu de tudo.

Adoro fazer esse tipo de ilustração, quer dizer: dai-me qualquer texto e dele tirarei leite, mel e o santo daime!



O que é que tá acontecendo?

A semana começa com mais uma guerra em gestação. Pra variar, o conflito parecerá envolver a Síria, o Irã, Israel, o Líbano e a Palestina, numa disputa por... nem eles sabem mais o porquê de estarem se matando. Um amigo meu sugeriu que fosse construída uma redoma geodésica impenetrável sobre toda a região, trancando os brigões por pelo menos, 100 anos. Depois desse período, a gente abriria a redoma pra ver o que aconteceu. Ah, deixando saídas e entradas de ar, senão vai ser fácil prever o desfecho.

Povos irmãos, a solução dessa pendenga mortal parece vir mesmo da tradicional forma de resolver problemas entre irmãos brigões: traquem os dois pirralhos num quarto para só abrir a porta quando os dois fizerem as pazes - ou um arrancar a orelha do outro. Enquanto isso, os pais podem desfrutar de uma boa soneca numa casa tranquila.

E onde está o inverno? Naturalmente não me refiro ao Ceará, pois aqui estamos na tradicional estação das chuvas de lava, mas sim, ao sul e sudeste do Brasil. Será mais um efeito do famigerado aquecimento global? Acho que sim. A acorrência de dois verões por ano é demais pra qualquer um, sem falar que atrapalha o turismo em Gramado e Campos do Jordão.

Nós cearenses poderíamos vender know-how sobre como conviver com quatro verões e ficarmos ricos, mas sinceramente, espero que nunca precisem dos nossos serviços. Por via das dúvidas, a primeira dica amostra grátis é essa: vão pela sombra.

Alguém aí ainda recebe em Reais? Não sei quanto a vocês, mas o dinheiro sumiu. Fiz o orçamento de um desenho e o sujeito quis me pagar com dois cestos de tilápias, e eu aceitei! Desde 2002, coincidentemente após as eleições estaduais, uma das minhas fontes secou. Agora tenho que ir buscar água num poço mais distante e andar com uma lata d´água na cabeça até aqui em casa.

E olha que não estou parado não, só vendo a boiada morrer. Tô me virando como posso - como estão fazendo também todos os brasileiros. Se a coisa não melhorar ano que vem, sei não: canibalismo ainda é crime?

sexta-feira, julho 14, 2006

Um pedaço de página daquela HQ secreta que eu ( desenho ) e o Olinto ( roteiro ) estamos fazendo. Hein? Hein? Que tal?

Já temos 106 ( ! ) páginas desenhadas, de um total presumido de 160. A idéia é terminar em dezembro desse ano ( pá! ). Vai dar certo!

Como percebo que vocês estão curiosos pra saber sobre o que é e pra quem é a história, e de minha parte, tô doido pra contar, vou resolver os dois problemas revelando pequenos detalhes do enredo. Satisfeitos assim?



Como podem perceber, a história se passa na Idade Antiga, quando deuses e homens conviviam lado a lado. Essa proximidade não melhorou a vida dos homens, pois todos continuavam a cagar em penicos de barro e a limpar suas bundas com cascas de árvore ou sabugos de milho - que além de limpar, penteia. Os deuses ainda faziam a proeza de piorar o que já era catastrófico, seja emprenhando camponesas ou sacaneando os heróis por simples capricho. Prometeu e Páris que o digam.

O momento retrata quando o herói Pudicus Maloqueirus pede à deusa Vagínia Calipígia, pelo amor de Zeus, que pare de perturbá-lo. A deusa queria porque queria engravidar de um mortal, mas o orgasmo da deusa era infinito e Pudicus tinha medo de ser sugado pela vácuo criado pelo gozo dela. E vocês sabem: se o cara não tá concentrado no serviço, a coisa não vinga.

Vejam os presentes que Pudicus oferendara à deusa: uma harpa caríssima, roubada do Mercador de Veneza, e mais mil rosas colhidas do Jardim de Alá. A deusa parece insensível, fria e dura como uma estátua, e nem liga para as súplicas de Pudicus. Obviamente isso não vai acabar bem.

Depois eu conto mais. Pisc!

quinta-feira, julho 13, 2006

Mais um desenho para o livro de causos do BNB. Agora, o desenho retrata uma cena que só poderia acontecer no Nordeste. Ou no Senegal, tanto faz. O fato é que uma agência do banco, no interior da Paraíba, instalou orgulhosa uma porta de vidro na entrada principal. Um bode que passava por ali, ao ver seu reflexo na porta de vidro, deu uma violenta cabeçada contra o que ele supunha ser um seu rival. Isso ou tratava-se de um reacionário bode da esquerda depredatória!

O curioso é que o incidente foi registrado em papel timbrado do banco, para dar ares oficiais, e fixado na parede da agência, comunicando o fato e avisando que em breve nova porta seria instalada.

Se bem que agora me toquei que problemas com animais no meio da rua não é privilégio da gente daqui. O governo do Canadá vez por outra tem que coibir alces e ursos que insistem em passear pelas ruas das cidades mais ao norte. O que muda, no caso, é o calibre do bicho.



Voltei a ficar enrolado com aquele projeto secreto da HQ, então, hoje necas de texto. Sorry, povo, vai ser uma peia atrás da outra até dezembro, quando entregaremos tudo, se Santa Afra assim o permitir.

Besos a todos!

quarta-feira, julho 12, 2006

Outro desenho para o livro de causos do BNB.

O contexto desse desenho envolve um capiau e seu amigo pipoqueiro. Ele chega e pede uma grana emprestada. O pipoqueiro, rápido no gatilho, aproveita a proximidade de uma agência do BNB e tasca ligeiro: amigo, adoraria emprestar uma grana pra você e pra todo mundo que for da sua famíla, mas tenho um acordo com o gerente do banco ali ao lado. Que acordo? Pergunta o matuto. Bom, responde o sagaz empresário do ramo de fast-food: nem eu empresto dinheiro e nem o banco vende pipocas!



Notinhas safardazes ou:
o Nietzsche dos pobres

O instante da cobrança do pênalti é o futebol na sua essência. Tudo fica resumido a dois jogadores, uma bola, a trave e o gramado, além de uma torcida em suspense. Todas as outras frescuras atreladas ao jogo são anuladas, tais como: impedimentos, faltas, ceras, retrancas, corpo-mole, salto-alto e por aí vai. Assistir a um jogo decisivo, cujo resultado termina em zero a zero - para depois ser decidido nos pênaltis, é como aturar duas horas de bolo ruim só pela deliciosa cobertura de chocolate. A cereja do bolo é o gol, é claro.

Da mesma forma o sexo. O sexo é o romance em sua essência. O problema é que para desfrutar de duas horinhas de sexo satisfatório - com direito a beijo na boca -, homem e mulher têm que passar pelo ritual do namoro, que é pura enrolação. E tome tédio para aturar troca de flores, jantares, carro limpo e lavado, visitas aos respectivos pais, fingimentos, arrotos contidos, gula cerceada, roupas caras e perfume em promoção; quando tudo poderia ser mais simples e eficaz. Tipo: topas? Ah, e a cereja do sexo eu não digo o que é não, mas intua por si.

terça-feira, julho 11, 2006

Um perfeito Chef

Tal qual um desejo de grávida, inventei de fazer doce de leite. Para tanto, comprei uma lata de leite condensado e como vira milhares de vezes minha mãe fazer, coloquei a lata numa panela com água e deixei tudo em banho maria. Pelos meus cálculos, deixei a coisa lá até a água ferver e depois de um tempo, abri a lata para ver se estava tudo ok.

Não estava. O leite condensado ainda continuava branco e apenas ligeiramente pastoso. Depois me lembrei que a mamãe colocava a lata de Leite Moça numa panela de pressão, mas eu estava acima dessas conveniências burguesas. Aí tive uma idéia genial: ora, vou colocar diretamente a lata no bocal do fogão. Vai cozinhar tudo mais rápido e logo logo poderei saborear essa delícia enquanto assisto desenhos animados. O plano perfeito!

Deixei a coisa no fogo e fui pro computador. Baixei Ben-Hur, depois conversei com meu irmão que está em Marte, atualizei o blog, tentei entrar no site da Receita Federal e por fim, lembrei que havia um delicioso doce de leite me esperando. Hum!!!!

Eis que me deparo com essa marmota:





Desnecessário dizer que o menino vai nascer com cara de lata queimada, bem feito. Tem doce de leite pronto pra vender e à prova de idiotas?

------------------------------------------------

E já temos um vencedor da promoção relâmpago!

A proposta era legendar o desenho publicado ontem, sem saber ou ligar para o contexto em que fora feito o desenho. O Michel, o misterioso Z e o Clever mandaram bem, mas o vencedor é mesmo o Fischer!

Fischer - que espero seja um parente da Vera -; please me mande um e-mail com seu endereço para que eu possa te enviar o livro. Aqui ó: hemeterio@gmail.com

Saquem só o texto que ele mandou. Obrigado por participarem e até a próxima promoção!

segunda-feira, julho 10, 2006

Desenho pro Banco do Nordeste, para ilustrar um livro sobre causos pitorescos vividos pelos funcionários e clientes, nesses 54 anos de existência do banco. Ganha um livro meu de presente, o Garatujas, quem bolar a melhor legenda para o desenho.

Respostas postadas nos comentários, falei?



..E eles eram os invencíveis gauleses? Nã! Tomaram no Asterix!

sexta-feira, julho 07, 2006

Desenho para uma cartilha sobre pesca, feita para o Banco do Nordeste. O Brasil tem 8.000Km de litoral. Realmente, é estranho que não sejamos uma nação predominantemente de pescadores, mas sim, de catadores de banana. Vai entender esse pedaço de mundo...



Céu de brigadeiro

Cheguei ao aeroporto uma hora antes do vôo, como aconselham as companhias aéreas. Pelo autofalante, soube que haviam começado o check in e me dirigi ao guichê onde daria início aos procedimentos. Estava de férias, e não via a hora de embarcar.

Consultei o número da reserva que fizera poucas horas antes pela Internet. A empresa era nova no mercado e por isso, o preço foi bem convidativo. Estratégia para ganhar mercado, na certa. Apoiado: o empreendedorismo é uma das marcas desse país. O guichê da companhia, achei curioso, ocupava o último lugar no balcão de check in, ao lado da salinha do zelador. Atribuí esse certo desprestígio à extrema juventude da empresa. Com o tempo, eles hão de galgar posições de destaque na hierarquia aérea, e eu, orgulhoso, poderei dizer que participei ativamente desse processo.

A moça que me atendeu foi apenas relativamente cortês. Atribuí sua pressa ao tapa-olho que ela usava e na certa, queria parecer mais rápida aos seus superiores, apesar da deficiência. É verdade que o cigarro em uma das mãos também atrapalhava sua destreza, mas como eu disse, são coisas de jovens. A moça me fitou com o olho bom e depois conferiu o número da reserva num fichário empoeirado, que ela pesadamente colocou com violência no balcão. Achou meu nome e perfurou o cartão de embarque, com um aparelho semelhante a uma máquina de descaroçar azeitonas. Que pitoresco, achava que não existiam mais dessas mesuras antigas.

O embarque seria pelo portão 13, que coincidentemente, era a mesma salinha do zelador. Cheguei à pista e pude ver o possante bimotor da empresa, cujas hélices ainda repousavam da fadiga de viagens anteriores, supus. Gostei do contraste entre o venerável avião e os novos e sem personalidade jatos das outras companhias. Imediatamente simpatizei com o charme retrô do aperelho. De fato, parecia com o avião do filme Casablanca. Havia até mesmo umas marcas de tiros em sua fuselagem, certamente falsas, colocadas pelo inteligente departamento de marketing. Talvez a idéia fosse passar uma aura de desbravamento e pionerismo, e minha simpatia aumentava cada vez mais por eles. Até feno no assoalho do avião tinha, para terem uma idéia.

Havia poucos passageiros. Sentados, só eu e um rapaz bem pálido. Dentro de uma jaula, seis brutamontes calados e com olhares esquivos. Seria aquela a classe econômica, brinquei com meu companheiro de viagem, mas o jovem não respondeu. O comandante, certamente um ás da aviação, afastou a cortina que separava sua cabine do setor das poltronas e disse que iria começar o procedimento de decolagem. Para tanto, pediu uma colaboração para o rapaz que iria impulsionar as hélices para que dessem a partida. Vasculhei os bolsos e entreguei algumas moedas, que o comandante aceitou e em seguida atirou-as pela janela do cockpit, berrando algo semelhante a: aqui está sua paga e não me interrompa com detalhes, filho desprovido de inteligência entre um asno e uma meretriz. Isso em linguagem culta. Acho que o comandante foi bem mais sarcástico.

O ronco dos morores se fez ouvir. Ronco não é uma palavra adequada, perdoem meu entusiasmo. Parecia mais com uma forte tosse tuberculosa, como que vinda do peito de um fumante de 90 anos de idade. Mesmo assim, os motores estavam em plena carga e corremos pela pista.

A decolagem foi tranqüila, salvo uma peça que se desprendeu do avião, que era muito parecida com o trem de pouso. Mas deve ter sido ilusão minha. Alcançamos altitude de cruzeiro, pouco acima do pico da montanhas, quando o comandante falou através do rádio. Senhores passageiros, em breve chegaremos a paradisíaca ilha de Tanganica. Podem afrouxar seus cintos e boa viagem. Na verdade, o comandante dizia essas palavras com um cone de papel próximo à boca, simulando a estática de um rádio, e se aproximou de mim achando que eu não estava vendo. Obviamente o comandante era um brincalhão, e fiquei deveras curioso em saber como ele arranjava tempo para descontrair seus passageiros e ao mesmo tempo, pilotar o avião. Que sujeito fantástico.

Nisso, o rapaz pálido e magricela levanta-se a anuncia um seqüestro. Eu e o comandante nos entreolhamos assutados, mas o oficial rapidamente recuperou a espirituosidade e desafiou o magricela com um sorriso de canto do seu bigodinho: Ah é? E como acha que vai tomar esse avião, pivete? Com isso, disse o rapaz. De súbito, abriu seu sobretudo e fez-se a descoberto um verdadeiro arsenal de todo tipo de explosivo e armas automáticas. O comandante pulou no meu colo de puro medo e quando nos demos conta, o magricela havia se dirigido à jaula com os carrancudos caladões. Ele abriu a gaiola e libertou a todos. Depois fiquei sabendo que a empresa aérea fazia charter entre as penitenciárias para o transporte dos piores fascínoras. Aquilo era mais barato que contratar uma escolta e quem sabe, o Estado ainda poderia se livrar de elementos periculosos sem custo adicional nenhum. Acidentes acontecem todo dia, não é?

Os bandidos e seu odioso cúmplice nos obrigaram a pilotar o avião, e fui feito de co-piloto. Foi quando percebi um ponto no céu que crescia a cada instante. Perguntei ao comandante o que poderia ser aquilo, e depois de parar de chorar, o comandante disse que deveria ser uma barata no parabrisa. Mas baratas têm asas fletidas e mísseis? Falei. Era um caça que vinha nos abater!

Nossa única chance era despistar os mísseis, mas a agilidade do avião, comparável a de um gato morto, não ajudava muito. Por puro reflexo, o comandante se agachou para vomitar e nisso, empurra o mache fazendo com que o bimotor mergulhe aceleradamente. A manobra confundiu o caça, que desperdiçou um de seus mísseis, varando o ar e não achando nada. Àquela altura estávamos sobrevoando o oceano, e a placa de água tomava todo o parabrisa como um muro de titânio. Se não fizéssemos nada, nem ia ser preciso o disparo de outro míssil.

Todos nós ajudamos o comandante a puxar novamente o manche, mas a alavanca estava escorregadia pela mistura de bílis e café-da-manhã. O máximo que conseguimos foi establizar razoavelmente o avião, que no entanto, chocou-se de barriga na água e deslizou como um pranchão de alumínio. Estávamos vivos, mas o avião afundaria dali a minutos. Pensei comigo mesmo que na próxima, se houvesse, viria por uma companhia aérea sem tantas emoções no pacote. Finalmente, a sorte pareceu nos favorecer: encalháramos num banco de areia no meio de um atol, o que nos permitiu sair do avião andando com água pela cintura. Pelo menos o avião que o governo enviara para nos abater sumira.

O nosso avião, entretando, começou a escorregar e cada vez mais afundava nas partes menos rasas do atol. Isso não seria um problema de todo, se aquele atol não estivesse cheio de tubarões famintos. Estávamos os nove com água pela cintura, em cima de um banco de areia, com tubarões em volta, e com um avião prestes a afundar de todo. Eis que lembrei de um detalhe que poderia livrar nossa cara: a jaula dos fascínoras!

Conseguimos resgatar a gaiola do avião nos metemos embaixo dela, ficando assim, livres dos tubarões. O avião afundara de vez agora.

Nossa situação era a seguinte: perdidos no meio do oceano, semi protegidos dos tubarões por uma gaiola de ferro e como se não bastasse, sob o olhar furioso e faminto de sete bandidos dispostos a tudo. Escrevo essas memórias num caderno que consegui salvar junto dos destroços, e estou prestes a celar meu depoimento e pedido de socorro numa garrafa de gin que o comandante levava consigo. Só espero que essa história sirva de lição a outros viajantes, que como eu, se sintam engabelados por promoções fáceis. Ah, procurem um bom advogado, se não estiverem presos numa ilhota cheia de malucos.

Droga, vou perder a novela.

quinta-feira, julho 06, 2006

Desenhinho hemeterial básico ( obrigado, Chiquinha ), pra garantir a xingu de todo dia.



10 coisas que você não gostaria de ouvir ao embarcar num avião...

10.
Essa é a empresa cujo logotipo é um lemingue?

09.
Pilotei um desses nas Guerras Púnicas.

08.
Hi, Jack!

07.
É impressão minha ou o pilotou acabou de buzinar?

06.
Essa não, o comandante Paranhos de novo!

05.
Senhores passageiros, alguém aqui sabe falar árabe?

04.
Relax, turbulência é normal.
Sim, mas na pista?

03.
Como é mesmo o Pai Nosso?

02.
Senhores passageiros, aqui é a comissária Marluce. Alguém viu o comandante Paranhos?

01.
Portadores de cartões Smiles, dirijam-se à sala R.I.P.


... e 10 coisas que você não gostaria de ouvir ao desembarcar de um avião.

10.
O Caronte tem o mesmo sistema de milhagens.

09.
Ora vejam, esses assentos flutuantes funcionam mesmo!

08.
Senhores passageiros, tenho certeza que li Pádua.

07.
Pare de reclamar. Você está andando, não está?

06.
Tem um negócio vermelho saindo do seu nariz.

05.
Não servem tapioca num vôo da JAL. Você comeu uma toalhinha.

04.
Sabia que agora há uma taxa de desembarque?

03.
É todo seu, delegado.

02.
Eu acho que vi um urso polar.

01.
Desde quando São Pedro trabalha no aeroporto?

quarta-feira, julho 05, 2006


Boa sorte, Portugal!
Cartão convite para o aniversário de uma amiga. Curioso que eu também desenhava as capas dos trabalhos escolares dos colegas de colégio. Como se vê, nada mudou :-)

Naquela época eu desenhava e pintava tudo com tocos de gravetos com pontas coloridas. A gente chamava aquilo de lápis de cor. Esquece, não é do tempo de alguns de vocês. ( suspiro )



As pedras que pavimentarão a calçada cujo palmilhar me levará ao Nobel de Economia

Eu tive um Ford Ka. Depois vendi e agora tenho um Gol. Apesar de ter usado uma parte da grana do Ka para completar o Gol, juntando tudo, no frigir dos ovos, eu paguei por dois carros mas só tenho um. Esse carro excedente, vamos dizer assim, poderia já ter sido usado para comprar meu tão sonhado sítio na Serra. Injusto, não?

O que eu proponho é que a venda de carros seja na base de uma concessão pelo usufruto das estradas e transporte. Mais ou menos como atualmente o governo vende concessões de rádio e TV, que a gente sabe que nada mais são que vento empacotado.

Doravante, o usuário compraria não um carro (objeto físico) mas sim seu usufruto. A coisa funcionaria assim: eu compro uma licença A, que me dá direito a possuir um modelo básico entre tal e tal faixa de preço. O preço dessa licença seria o valor de um carro, atualmente. Aí eu vou à concessionária de minha escolha e retiro um carro cuja faixa de preço pertença à minha concessão.

Atrelado ao valor do carro, existe o seguro e uma porrada de impostos. O que eu quero é que toda essa patifaria seja convertida numa mera taxa de manutenção da concessão ( anotação mental: ver com o Marketing um nome melhor pra isso ), que seria vitalícia. Mas nada de muito caro, senão não compensa. Atualmente, paga-se em média R$1.400,00 de seguro e mais uns R$500 de IPVA e emplacamento por ano. Arredondando, daria uns R$2.000,00 por ano só para manter o carro rodando dentro da lei. Obviamente esse preço decai com a depreciação do carro, mas deu pra sacar, né?

Minha proposta é que tudo isso seja substituído por uma taxa de digamos, R$100,00 por mês por toda a vida. A graça acontece agora. Depois de uns 3 anos de uso do seu carro, você poderia simplesmente deixá-lo na mesma concessionária onde o comprara antes e pegar outro novo. Sem taxas a mais, sem completar com mais grana, sem burocracia. Pra sempre, pelo tempo que for preciso para fazer novas trocas. O que você pagou foi a concessão do carro e não o objeto físico, repito. Assim, eu teria sempre um carro novo, zeradinho, por direito.

Se por um acaso eu quisesse sair dos modelos básicos e pular para um modelo mais caro, não haveria problema. Digamos que eu tenha pago R$30.000,00 pela minha concessão antiga, e agora quero passar para uma de R$50.000,00, o valor de um Golf 2006. Moleza: acrescento mais R$20.000 à minha concessão, paga na concessionária mesmo, e aumentaria um pouco o pagamento mensal da licença para R$200,00. Agora passaria a ter uma licença tipo B e por aí vai. Lembre-se que seguro e impostos já estariam inclusos.

Ah! TODO carro sairia da loja com seguro, e esse seguro seria lifetime. Quantos carros hoje são segurados? 10% da frota nacional?

Veja que um carro é uma mera manufatura. É ridículo que se tenha que comprar um carro, nos dias de hoje. Carros deveriam ser tão comuns e baratos quanto Bics. Essa minha medida provocaria uma absurda e imediata renovação da frota nacional. Todo mundo passaria a ter um carro novo, instantâneamente. A indústria agradece.

O que acontece hoje é que o consumidor médio compra um carro zero e usa o carro até o roer dos ossos. Quando vai vender, este não vale nada. O sujeito não tem outra alternativa a não ser contribuir com o envelhecimento da frota ou viver pulando de carro usado em carro usado. Nisso, a indústria não vende e o preço não baixa. Em jargão técnico, tudo vira uma bosta.

Bom, era isso. Perguntas?

Vou logo avisando à Academia Sueca que prepare meu medalhão e que não repare na minha casaca, quando eu for receber a honraria. É velha mas acabou de ser escovada, como diria herr Einstein.

terça-feira, julho 04, 2006

Convite para uma festa junina em 2004, feito sob encomenda. Repare onde está o dedão de São Toim...



Curtinhas

O ser humano é a maior diversão do ser humano. Algo como o homem é o lobo do homem aplicado à indústria do entretenimento. Basta ver o sucesso que uma Copa do Mundo faz, ao montar um aparato fantástico para observar marmanjos correndo atrás de uma bola. O sexo, então, nem se fala: garantia de diversão de pai pra filho desde Adão e Lilith. Mesmo assim, com esse sucesso garantido, gostaria de tornar o sexo mais interessante? Acrescente uma platéia e veja o resultado.

O ato de brechar - ou espiar através de uma brecha - é a mais evoluída forma de oração. O voyeur fica em estado de silêncio contrito e nem mesmo a posição desconfortável o demove de seu intuito. Note o olhar concentrado e a mente livre de noções de tempo, fome ou orgulho. Veja o controle da respiração e a espera paciente, para no fim ser recompensado por décimos de segundo de êxtase, simbolizado pela passagem da ninfeta de calcinha. No dia seguinte lá está ele de novo em seu posto, adestrado pelos horários coincidentes. Intocada, inatingível, a ninfeta é tal qual uma sílfide da floresta, arisca, que ao menor farfalhar das folhas desaparece num raio de luar ou chama o pai delegado. Se isso não for devoção, quero que Deus leve embora minha visão de raios-x.

Melhor que ver humanos brincando com bolas e copulando, só mesmo tentando escapar de feras famintas. Aqueles romanos entendiam mesmo de pão e circo. Na próxima vez que sair à rua, faça um teste para provar a atração humana pelo outro: bote um palanque numa praça e suba. Alguém certamente vai parar pra lhe ouvir. E se estiver com preguiça de sair, monte um blog que dá no mesmo.

segunda-feira, julho 03, 2006

Cartaz que colei no elevador do prédio, propondo a troca da minha vaga. Ninguém respondeu. Será porque minha vaga é no subsolo, apertada e fica ao lado das caldeiras?



Pau na máquina!

Os anjos são criados pelas erucções de Deus. Como se sabe, Deus existe há um tempão - antes do Tempo, pra ser preciso - então Ele está por aí há uma pá de eternidade criando anjos.

Existem trilhões de anjos sendo criados a cada instante. Anjos são criaturas chatas e vaidosas, então, Deus tinha que bolar um jeito de manter essa tropa entretida. A solução foi criar uma máquina de Realidade Virtual parecida com uma Matrix turbinada. Os anjos colocam os plugues e capacetes e viajam na simulação de joguinhos por uns minutos. A coisa fez tanto sucesso que toda a angelicada quer brincar também e a demanda por novos terminais é enorme.

O problema é que depois que um anjo termina de usar o simulador, esse se funde e é destruído para sempre. Não me pergunte por que, não sou teólogo, pô! O fato é que Deus tem que ficar construindo novos terminais o tempo todo. Atualmente estão operacionais na LAN House de Deus umas sete bilhões de máquinas.

Cada um de nós, vermes humanos, somos o avatar dos anjos brincalhões. Eles usam o equipamento e simulam nossa vida. Só que pra eles a brincadeira dura alguns minutos, mas pra gente, a coisa pode durar décadas.

Como eu disse, depois que um anjo mexe no simulador a máquina fica imprestável e tem que ser jogada fora. Quem já teve um HD derretido sabe do que estou falando. Os dados que estavam nele somem para sempre e vão para lugar nenhum, doravante conhecido como o Reino do Beleléu. Assim, toda a nossa vida - nascimento, faculdade, prestação da casa, casamento, aborrecimento e morte - são destruídas depois que o anjo enjoa e para de jogar. Puff. Acabou-se.

O que não impede, porém, que um mesmo anjo volte a jogar usando outro terminal. Esses anjos doentios e vagabundos - que entram de novo na fila - são meio sádicos, podem reparar. Os terminais estão todos interligados em rede. Assim, um anjo pode brincar de tomar o castelo do seu vizinho com a ajuda de outros jogadores, e a coisa fica muito divertida.

A lata de lixo de Deus tem uma pilha formada por essas máquinas, desde que Ele construiu os primeiros protótipos camados de Australopithecus 1.0. Hoje, Deus melhorou um pouco na programação, mas o Sapiens 2.o ainda vem com um monte de bugs. O que não impede que os anjos se divirtam a valer.

Bom, essa é a minha teologia básica. Daí deriva toda uma gama de interpretações. Vamos falar sobre três delas:

Porque existem tantos porralocas no mundo?

Simples. Uma vez, enquanto eu brincava naqueles simuladores de corrida de Shopping, resolvi colocar meu carro pra correr na contramão. Bati um monte de vezes e a máquina - a consciência? - me dizia através de letreiros piscantes que eu estava errado; até que bati violentamente e game over. Saí ileso e fui tomar um sorvete. Assim, esses malucos que se explodem, derrubam aviões e chacinam bebês só estão testando o limte das simulações. É tudo brincadeirinha, gente! Quando o jogo acaba o anjo sai do terminal e vai tocar cítara.

Me sinto uma drag de 1,80m, isso é normal?

Claro que sim, tolinha. Os simuladores permitem que cada anjo assuma ( epa!) a personalidade que quiser. Porém, não é possível mudar de avatar durante a partida. Se o anjo escolheu vir de travecão, vai ser um travecão durante toda a brincadeira, a não ser que abrevie o jogo e caia fora. Isso acontece com muita freqüência, curioso.

Reencanações acontecem?

Claro que não, bocó! O que há é que quando um anjo comete uma bobagem, como por exemplo saltar com o carro de uma ponte, ele se sente frustrado pela barbeiragem e quer voltar pra terminar o jogo. Aí ele entra na fila de anjos, pega um novo terminal e tenta refazer os mesmos passos para não ser pego de surpresa na próxima vez. Como é o mesmo jogador, mas usando uma máquina diferente, a gente aqui de dentro do computador acha que já viu aquele sujeito antes, pois seus modos lembram o deletado.

O que acontece com mais freqüência é o anjo dar de ombros.

Usar o simulador de Deus uma só vez é suficiente. Os anjos voltam pra sua vidinha de antes mais sossegados, pois pensam: é, podia ser bem pior. E vão brincar de bola que isso sim é jogo de verdade.