quinta-feira, agosto 31, 2006

Recebi de um amigo a imagem abaixo, acompanhada da singela legenda:

Primeiro sinal de viadagem!



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Vai daí, isso me lembra um causo.

Foi a vez em que eu fiquei mais envergonhado, ever. Aconteceu há um par de anos, como diriam, mal traduzido, nossos dubladores.

Estava na casa de um sujeito que era levemente conhecido meu. Tinha ido lá pela manhã para que a esposa dele, que era habilidosa em fazer capas de cadernos artesanais, pudesse me dar uma ajuda. Precisava de uma capa para meu portfolio, que eu enviaria dali a poucas horas para um concurso. Estavam na casa, além de mim e dela, o filhote do casal, um pivete grande de uns 7 anos.

Eu já estava mais ou menos desconfortável com a situação, pois não conhecia direito o casal e estava só com a mulher. Pra piorar, a bicha(1) era extremamente atraente: branquinha, pequena, cabelos pretos e um ar de doida que me excita deveras. Estávamos sentados à mesa da sala, enquanto ela caprichava na capa.

Lá pelas tantas, o tal pivete chega e balbucia algo pra ela, que não entendi direito. Imediatamente, ela bota um seio pra fora e o moleque sortudo começa a mamar ali mesmo, de pé, na minha frente!

Fiquei ruborizado de vergonha, pois naquele momento eu só tinha duas alternativas: torcer pra isso acabar logo e eu poder me mandar ou possuí-la ali mesmo, na frente do pivete. Optei em ficar quieto, achando a cena tão normal como se lá em casa mamássemos uns nos outros até o ano passado.

Finalmente acabou-se tudo, peguei minha capa e caí fora. Nunca mais os vi. Depois soube que a doida deixou o marido e se mandou com um estrangeiro. Isso é que é mulher!

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(1) Bicha, no Ceará, tem duas conotações distintas e antagônicas entre si. No texto acima, bicha assume o sentido de criatura. O feminino do bicho, portanto.

No Ceará é comum ouvir a locução: -eita que bicha boa! quando um operário da construção civil delicadamente externa todo seu amor enquanto observa uma mulher atraente passar por perto do andaime onde ele está.

Da mesma forma, existe a expressão bichinha, que é de uma ternura sem par, quando aplicada a crianças pequenas ou às mulheres amadas, como na frase: - eu amo essa bichinha cheirosa! Bichinha reveste-se do sentido de pet, em inglês, de coisinha fofa para se acarinhar. O termo também é muito usado no masculino bichinho, com o mesmo sentido. Obviamente ambos só são usados em pessoas que compartilham extrema intimidade. Não fica bem chamar seu pároco de: - oi, bichinho, como vai?

Evidentemente, a televisão popularizou o sentido nefasto do termo, que o Brasil todo conhece como um apelido para um engolidor de espadas. Ainda no caso do Ceará, usamos sim a expressão bicha para designar pejorativamente um homossexual masculino, mas nunca a expressão bichinha é usada para tal fim. Pra isso existem outros sinônimos alternativos, como viadinho, cervídeo emasculado, qualira sem noção, copinho, trolhão, invertido, pacosa ou o popular baitolinha.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Outro trechinho da HQ secreta...



Vou contar sobre o que é a história!

Trata-se de uma versão punk de o Médico e o Monstro, como se a original não fosse barra-pesada o suficiente. Nessa cena, o paciente reclama de dores de cabeça. O médico põe sua valise no tampo da mesa e ao invés de lhe receitar aspirinas, tira de dentro da maleta uma machadinha dos índios Xavantes e com ela, racha o crânio do desavisado otário. Reparem no sorrisinho sádico do médico...

terça-feira, agosto 29, 2006

Uma página inteira daquela HQ secreta que estamos fazendo. Falta pouco. Dai-me saúde, São Sansão, protetor dos cabeleireiros!

Um detalhe sobre essa HQ: decidimos abolir todo esse papo de onomatopéias, então, não tem nada de Soc! Bonc! Plec! Tchibum! Silenciosa e solene como 2001, uma odisséia no espaço. Mas nem de longe tão chata!

segunda-feira, agosto 28, 2006

Desenho de 2000, feito para o HAP, Hospital Antônio Prudente. Não lembro bem qual o contexto, acho que uma cartilha sobre como proceder no caso de emergências. Fica o registro.



Isso não vai dar certo

O primeiro e único cearense a conquistar a presidência da república foi o marechal Castelo Branco, que assumiu o cargo sob condições adversas: praticamente ele foi o único a aceitar a macaxeira quente. O que eu gostaria de ver era um cearense legítimo, por suas próprias loas, chegar à presidência do Brasil nos braços do povo. E cujo governo eu suponho que fosse mais ou menos assim...

Cleomar Araripe de Alencar, natural de Irauçuba, toma posse em Brasília no dia primeiro de janeiro de 2011. No almoço de posse já mostra a que veio, servindo tejo ao molho de pequi acompanhado de cachaçinha da serra. De sobremesa, evidentemente, puxa-puxa e balas de pitomba pros digníssimos chefes de Estado convidados para a festa. Solenemente, o presidente Cleomar aposenta o velho Rolls-Royce que já andava quengando desde a época do Figueiredo e troca todo o aparato e pompa estrangeira por um humilde carro de boi, que imediatamente foi apelidado por seus conterrâneos de Rola-Bosta. E assim desfila pelo Eixão.

Como primeiro ato de seu governo, o presidente Cleomar lança concurso público para eregir uma estátua em homenagem ao povo cearense, que será fincada em plena Avenida Paulista. Ganhou o projeto de um outro cearense - marmelada! - que bolou uma enorme estrutura na forma de um sertanejo com os dois braços esticados, tipo o Cristo Redentor, mas uma das palmas das mãos voltada para baixo e a outra, voltada para cima. Perguntado sobre o porquê dessa atitude, o escultor, Gumercindo de Ipu, disse tratar-se de um poderoso simbolismo: numa mão o sertanejo pedia esmolas e noutra, verificava se estava chovendo. Ganhou o primeiro prêmio e de quebra, a Ordem do Cruzeiro do Sul pela perspicácia.

Criticado pelos meios de imprensa por causa do nepotismo, o presidente Cleomar disse que na terra dele esse negócio de pote era coisa de matuto. Agora todo mundo já tinha um filtro da Superzon e às favas com a água de pote! O presidente também era sensível ao povo menos favorecido do Brasil, e partindo de sua experiência como menino pobre do interior, destinou aos favelados do Rio Grande do Sul uma cota extra de protetor solar na cesta básica. Também criou uma linha de crédito especial para que qualquer cidadão mineiro possa comprar sua própria jangada e tirar do mar o seu sustento. Como se não bastasse, o presidente ainda ofereceu incentivos fiscais para quem quiser fundar sua banda de forró ou rodar um filme sobre cangaço. Melhor que isso só caju no pé.

Partindo de uma promessa da campanha, o presidente Cleomar autorizou o reboque de um iceberg para a costa cearense, para que o povo do Estado pudesse sentir a fresca no fim de tarde. O imenso bloco de gelo foi explorado por alguns meses como parte de uma campanha para incrementar o turismo no Ceará: já temos o gelo e a cahaça, só falta você, era o slogan da propaganda que passou no Brasil inteiro e foi um sucesso.

Merecem destaque o corpo ministerial do presidente, formado por ícones e heróis cearenses, como jangadeiros, mulheres-rendeiras, vaqueiros e sanfoneiros. Simbolicamente o presidente escolhera artífices que representavam as várias vertentes produtivas e criativas de seu Estado natal, mas cedo percebeu que as reuniões ministeriais eram motivos de chacota da oposição e abandonou a idéia. Principalmente depois que o vaqueiro embuchara a tapioqueira. Demitiu todo mundo e botou o Assum Preto como primeiro ministro, que pelo menos era um cara de visão.

Mas nem tudo foram flores do mandacaru no mandato do presidente cearense. Os invejosos gaúchos armaram um Golpe de Estado e depuseram o presidente Cleomar, botando em seu lugar o Gaúcho da Fronteira como presidente tampão. Exilado em Guaramiranga, o presidente deposto sonha em dar a volta por cima, e para isso já transformou a região serrana do Estado num principado autônomo, tipo uma Mônaco sem iates. Cercado de seus correligionários fiéis, Cleomar Araripe de Alencar, ou Cleomar I, o Invocado, arma a resistência para iniciar seu contra-golpe. O problema vai ser tirar o presidente exilado de sua rede.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Olhaí, a colaboração com os Roedores de Livros vai de vento em popa. Dessa vez eles encomendaram um Jogo das Sete Diferenças, que será publicado no jornalzinho do grupo.

Contem comigo, Roedores! Roc! Roc! Roc!



A Bienal bianual

Ontem aconteceu um momento bem legal na Bienal do Livro do Ceará, que foi a noite de autógrafos. A coisa funciona assim: os desenhistas ficam sentadões numas cadeiras fazendo desenhos pra quem pede. Graças ao convite do Weaver, também pude participar, fazendo uns autógrafos ilustrados e é claro, aproveitando para pedir autógrafos também.



O Weaver foi muito gentil ao me chamar para a palestra sobre cartuns e para a noite de autógrafos. Gostei de ambas as participações, pois dei poucas gafes em uma e ganhei um monte de livros e desenhos na outra. Obrigado, bicho, conta comigo!



Esse aí é o Klévisson, escritor, desenhista e um velho amigo. Ele tem vários livros publicados e é chefão da todo-poderosa Tupinanquim, a editora de quadrinhos e literatura de cordel com o nome mais foda que eu já vi.

A Bienal também foi a chance de conhecer gente nova e quem sabe, fazer novos amigos. Aí embaixo está o José Carlos Fernandes, escritor e desenhista português, autor de vários livros de sucesso.

Ele é um cara super gente fina. Assistimos a palestra um do outro e na noite de autógrafos, até ganhei um desenho/autógrafo exclusivo na minha agenda. Demais, não?



Olhaí o desenho do José! Retribui a gentileza dando de presente meu famigerado livro de desenhos, o Garatujas.



Ganhei um outro autógrafo do Fábio Zimbres, desenhista e editor gaúcho. Também assisti a palestra dele e retribui o autógrafo com o Garatujas.



Olha o Fábio aí! Minha câmera deve estar com defeito, em todas as fotos eu pareço estar gordo como uma porca.



Mas a grande surpresa da noite foi ter conhecido a Camila. Com apenas 16 anos (!) ela desenha muito bem e é dona de um bom-humor admirável. Ficamos lado a lado na mesma mesa de autógrafos, e foi divertido e estimulante participar do evento ao lado de alguém tão jovem. Façam as contas, tenho mais que o dobro da idade dela.



Ela parece estar assustadíssima com a minha presença, mas me comportei direito. Dei um autógrafo para ela e o mais importante, ganhei de presente essa caricatura/autógrafo super fofo.



Obrigado, Camila. Tudo de bom e felicidades!

quinta-feira, agosto 24, 2006

Desenho para os Roedores de Livros, que neste sábado, dia 26 de agosto, vão ajudar a ABRACE - Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias -, com um trabalho voluntário numa loja do McDonald's.

Quem puder comparecer ao evento vai poder ajudar a iniciativa de ambos e de quebra, conhecer meu amigo Tino Freitas, músico e artífice dos Roedores de Livros. E comer um Big Mac também não é de todo ruim.





My world

Era um sujeito insubmisso. Regras, hierarquia, ditames e padrões estabelecidos não diziam nada para ele. Tanto que vestias as roupas fora de seqüência. Primeiro calçava os sapatos, depois as meias, aí em seguida o cinto para só depois botar a calça e a camisa. E como num toque de chef, a cueca por cima de tudo. Dessa forma, vestido como um manifesto ao inconformismo, saía pra rua. Classe.

Pior aconteceu com o Antunes, um conhecido meu. Elaborou a teoria que as mulheres bonitas deveriam compartilhar sua beleza com a humanidade, na impossibilidade física e consensual de partilharem seus corpos perfeitos com a plebe ignara - no caso, o Antunes seria um representante perfeito da classe. Passou então a perseguir celebridades munido de uma câmera e de um graveto, com o qual levantava as saias das modelos, na esperança de captar um flagrante. Sua investida teve vida curta, pois os seguranças da primeira beldade que abordara o obrigaram a engolir a câmera. Agora dedica-se a paixões platônicas, como recortar as fotos da Sandy que saem na Caras e colar tudo na porta do seu banheiro.

Odiava que lhe dissessem obviedades. Esse era o Pafúncio. Certa vez, durante um tiroteio entre duas facções rivais, atravessara o campo de tiro ereto como um suíço, só porque alguém o advertira para se abaixar. Ele fingia que não estava acontecendo nada e continuava a andar, lendo distraidamente seu jornal. Afugentava as balas como se tratassem de mosquitos e só faltava um monóculo para ser confundido com um lord inglês. Aliás, não faltava nada, pois uma das balas lhe dessepara a orelha e seus óculos tornaram-se inúteis.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Achei essa no rolador de notícias do Gmail. Poderia até virar uma série só com notícias dúbias, colhidas aos quatro ventos, algo como uma doubtnews!




Dr. Livingstone dos pobres

Ontem, finalmente, terminei de baixar o Google Body. A interface do programa é muito parecida com o popular Google Earth. A grande diferença é que no GE a gente só tem um planeta para explorar. Já no GB, além dos corpos digitalizados dos dois gêneros humanos, podemos escolher várias etnias e configurações diversas para iniciar o passeio. Setei a opção female + gaúcha + estudante da PUCRS + bunda grande e estava pronta minha modelo. Aí comecei a testar a navegabilidade do programa.

Na caixa de procura, escrevi Montes Claros e o programa girou a modelo até se posicionar mais ou menos no terço superior do corpo. Como no seu similar GE, foi iniciada uma aproximação vertiginosa até o ponto marcado, enquanto as imagens ainda borradas eram baixadas e compostas mais claramente. A imagem estabilizou a mais ou menos a 1mm de altura, e tudo o que pude ver foi uma pequena colina rosa, cercada de outras estruturas em forma de montículos ao redor da primeira colina. Não era bem isso que eu lembrava de Montes Claros. Pensei até que o programa se enganara. Então resolvi aumentar a altura da câmera para poder obter uma vista aérea mais ampla.

Subi a aproximadamente 1cm da região e notei que a colina rosa ficava na verdade no topo de outra estrutura maior, parecida com uma planície muito branca. Subi um pouco mais, até uns 10cm de altura e as coisas ficaram mais familiares. Pude perceber um morro muito branco em forma de semi-esfera, coberto por uma vegetação rala e clarinha, tal qual uma penugem. Aquela colina rosa da qual eu falara há pouco ocupava agora o topo da mega-estrutura, e apontava diretamente na direção do observador. Recuei um pouco mais e agora sim, pude ver que na verdade, tratavam-se de duas gigantescas estruturas gêmeas, como grandes dunas de areia, encimadas por uma capelinha cor-de-rosa: os tais Montes Claros!

Continuei minha investigação na direção sul, através de uma monótona planície quase da mesma cor dos montes, que deixei mais ao norte. Finalmente, cheguei no que parecia ser uma grande cratera de impacto enrugada. Aproximei mais ainda e notei a ausência de vegetação, o que me sugeriria uma paisagem árida e sem vida. No entanto, olhei com curiosidade para outro detalhe no conjunto da cratera: uma espécie de anel de aço tal qual um brinco que perfurava a cratera. Que estranha civilização montaria tal arquitetura? Regulei a altura para uns 20cm e pude ver, realmente, que a tal craterinha ocupava um lugar de destaque no meio de uma imensa planíce branca, cujo destaque era o tal brinco de aço. Obviamente deve ser um sinal para que os deuses possam ver do céu, sei lá, que os arqueoastrônomos o investiguem. Reduzi a altura novamente e continuei rumo ao sul.

Atravessei outra pequena planície até que comecei a entrar em áreas de relva clara. Depois essas áreas viravam um cerrado, com sua vegetação rala, mas que pouco a pouco, tomavam volume até se transformarem em densa floresta tropical. As fotos devem ter sido tiradas no outono, pois a mata estava toda em tons alourados e aqui e acolá podiam ser distingidas árvores de copa laranja e vermelha. Aumentei a altura da câmera e pude perceber que se tratava de um grande delta, quase um oásis de mata viçosa no meio de uma planície que se bifurcava entre duas enormes penínsulas, que corriam paralelas na direção sul. Gostei do aspecto simpático do bosque e aumentei o zoom para investigar melhor.

Usando a ferramente de cálculo de altura, percebi que a floresta se situava no alto de outro monte, em cujo centro, meio que escondida pela vegetação, ostentava uma fenda delicada tal qual uma ravina. Então era isso que a floresta protegia, um corte no terreno? Deve ser dali que emanava a umidade que fizera crescer toda a floresta, pensei. Minha hipótese de um oásis tinha mesmo razão de ser.

Desci um pouco mais para investigar a estrutura e bem no início da fenda, como que feito de propósito, havia outro daqueles montículos cor-de-rosa, como que um guardião da entrada da ravina. Fiquei extremamente excitado com a descoberta: como é possível que estruturas tão similares fossem construídas tão distantes umas das outras? Será que era o indício de uma mesma mega-civilização que dominou, outrora, todo o continente?

Marquei o bosquinho como favorito e fui dormir, pois estava ficando tarde. Amanhã vou investigar o dorso da modelo, e pelo que ouvi falar, o relevo do outro lado é mais abundante e as colinas tão altas e os vales tão profundos, que provavelmente vou passar algumas horas enfiado lá dentro. Até logo a todos!

terça-feira, agosto 22, 2006

Meu projeto para a construção de um terraço aqui no topo do prédio. Obviamente ninguém vai topar, pois envolve uma cota extra meio salgada. Bah, só vai dar certo quando eu mesmo tiver minha cobertura, aí sim.

Em todo caso, a vista lá do alto é bem legal. Dá até pra ver uma réstia de mar.



Projeto desenhado no Photoshop mesmo, já que sou um arquiteto de merda que não sabe mexer nos Autocads da vida.



Vista noroeste da Cobertura. Láááá na frente dá pra ver uma ponta de mar. As fotos foram mexidas em seus contrastes de luz pois ficaram meio escuras. Mal, aí. Todas as fotos foram tiradas na semana passada.



Vista norte. Essa rua que vai dar no mar é a Nunes Valente. Indo direto no rumo que o nariz aponta chegaríamos no Cabo Farvel, na Groenlândia, sem bater em ilha nenhuma.



Vista leste do topo do prédio. Meu fetiche é esse terreno arborizado logo abaixo, que eu transformaria num belo bosquinho se tivesse uns 2 milhões de reais. Bah.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Taí uma coisa nova: um jogo das sete diferenças. Esse desenho vai entrar numa cartilha sobre conservação do meio ambiente, que ainda está sendo finalizada. Postei afoitamente aqui porque achei bem legal.

O desenho vai ficar assim mesmo, em p&b, que é pras crianças colorirem. E o contraste vai ficar bom com os outros desenhos da cartilha, bem coloridões.



It´s the newest!

Acordei atrasado e só tive tempo de calçar meu conga e engolir o café-da-manhã, composto de pão com margarina Milla e um copo de Quick morango. Minha mochla da O.P. estava abarrotada de livros de OSPB e somado à pressa em sair, escorreguei nos tacos da sala e quase esbarro na nossa tv Telefunken - a tv que mostra tudo - recém comprada.

Já na rua, pude respirar um pouco enquanto esperava o Conjunto Ceará-Aldeota da Cialtra passar, com sua discretíssima cor laranja-esbodegada. Botei o K-7 do Joshua Tree no meu walk-man Aiwa e fiquei contando os Monzas, os Spazios e as Caravans que passavam. Finalmente, o ônibus chegou e reconheci de longe sua familiar falha crônica nos freios, que o fazia apitar já há seis quarteirões de distância. Paguei a passagem de dezoito cruzados com duas notas de 10 mas o trocador não tinha troco, e deixei pra lá.

Cheguei no colégio e que maravilha! Greve! Aproveitei e fui vagabundear na rua com meus amigos Bozo, Beato Salu e Rolo Neto. Passamos na banca do Bodinho e compramos cada um uma revista: o Bozo a última do Sandman, o Salu o álbum de Bernardo & Bianca, o Rolo um gibi do Cebolinha que tinha uma história do Louco, do Capitão Feio e é claro, do Rolo; e eu, o Almanaque Disney Especial. Compramos ainda um Grapette, um guaraná Wilson, um Teen e uma Mirinda e ficamos na coxia da calçada, falado sobre o último comercial da Ellus na tv.

Foi aí que a Maria Paula passou e eu cutuquei o pessoal. Todos me olharam incrédulos, pô, justo você, o mais vacilão ia ser o primeiro a arranjar uma namorada? Fizeram a maior onda comigo e fiquei vermelho como a jarra do comercial da Q-Suco. Ficaram me chamando de ganhão e coisa e tal, e estava até me achando o próprio Lauro Corona da novela.

Mas aí a Maria Paula entrou no Del Rey do Guto, que mesmo na oitava série já dirigia o carro do pai, o pulha. A vaia que eu levei durou setenta e oito minutos, mas depois já estávamos rindo e comentando a última da Armação Ilimitada.

Olhei no G-Shock do Bozo e vi que estava quase na hora do almoço, e eu tive que ir embora. Mas antes, combinamos de ir ver naquela mesma tarde o jogo da seleção no Paulo Sarasate, onde quem sabe, o Willian daria seu saque Viagem - que secretamente eu estava tentando copiar. Aliás, seria o momento perfeito para matar de inveja meus amigos, estreando a nova camisa azul-marinho da seleção, que eu acabara de comprar na Mesbla. Nos despedimos e nunca mais os vi.

Acordei novamente vinte anos depois. Estava gordo, cansado e com o condomínio atrasado não sei quantos meses. O que é que passa hoje na tv?

sexta-feira, agosto 18, 2006



Segunda-feira que vem, dia 21, estarei fazendo uma apresentação sobre charges e quadrinhos na Bienal do Livro do Ceará. Vai ser um evento muito legal, que também contará com palestras de vários outros amigos desenhistas, tais como o Weaver Lima, o Klévisson, o Guabiras e o Fábio Zimbres.

No meu caso, vou falar sobre os trabalhos e projetos que estou desenvolvendo, e para isso, irei enfrentar a platéia de 200 assentos - duvido que lote! - com o apoio emocional de meio galão de cachaça! Brincadeira, quando fico nervoso aí é que fico careta e alerta. Quando estou relaxado, aí sim, gosto de umas e outras. Mas como eu ia falando, vou contar com o apoio de 74 slides que preparei nos quais pretendo fazer um apanhadão dos meus trabalhos mais recentes e de quebra, dar uma canja do que virá: aquela HQ secreta que vocês tanto têm ouvido falar.

Ao final do falatório, vou sortear 5 Garatujas entre a platéia.

Preparei até mesmo um pequeno texto introdutório, que vou decorar para espantar o nervosismo e organizar a cabeça. Quando começarem a passar os slides eu relaxo e aí sim a coisa flui numa boa. Olha o texto aí embaixo:

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Obrigado ao Weaver pelas palavras gentis e a todos da organização da Bienal pelo convite. Sempre que aparece a chance de falar sobre meu trabalho e sobre quadrinhos, charges e artes gráficas em geral, fico muito contente, pois é uma boa oportunidade de botar as idéias em ordem e sobretudo; obter uma resposta de vocês, que afinal, são o público e a razão de todo esse trabalho. Venho aqui, na verdade, para ouvir e para conversar.

Dessa forma, gostaria desde já de abrir espaço para perguntas e questionamentos, e por favor, sintam-se à vontade para se manifestar, sempre que uma dúvida ou uma curiosidade ocorrer sobre os desenhos que vamos ver essa noite, ok? Mesmo porque, a gente vai ficar junto por pelo menos duas horas e eu tenho certeza que não tenho tanto assunto assim (rs). Conto com vocês.

Bom, sou arquiteto formado pela UFC em 1999, mas trabalho profissionalmente com desenhos e ilustrações desde que me lembro. Aliás, só um detalhe: entrei na faculdade em 1989, tendo ficado lá, portanto, por 10 anos. Fiquei muito triste com esse fato, pois se eu tivesse esperado pra me formar em 2000, eu teria ficado na faculdade por três décadas! (rs) Sério, um amigo e contemporâneo meu entrou em 1979 e se formou em 1990, passando assim, pelas décadas de 70, 80 e 90. Ele é o meu herói! (rs) Quem sabe na próxima.

Como ia dizendo, trabalho com desenhos desde que me lembro. Costumo dizer que a única vantagem que eu tinha com relação aos outros meninos da minha idade é que eu já sabia o que ia ser quando crecesse - não que eu já saiba, atualmente. Na verdade, ainda tenho uma curiosidade danada em saber o que eu vou ser quando crescer. Tenho interesses também por música e astronomia. Quem sabe eu não serei o mais velho colono em Marte, que tal? (rs)

Assim, transformei em profissão o que para mim, sempre foi um divertimento. E que graças aos céus ainda continuo me divertindo muito com o que faço. Acho que simplesmente tive sorte. Se sou relativamente adestrado nessa parte de desenhos, sou um completo fiasco em todas as outras formas de atividade humana, sobretudo em esportes e culinária [ citar o salto de paraquedas ( bola ) e o epispódio da fervura da água ] (rs, espero).

Bom, o Weaver pediu para mostrar como é meu processo de trabalho, especificamente no que se refere às charges. Trouxe alguns slides para gente comentar juntos, e espero que se divirtam, tanto quando eu - que apesar de um pouco ansioso, estou me divertindo muito também.

Vamos lá.

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Notas:

- Van Gogh
- A tinta não acaba não?
- Uni-Pin,
- O cliente se metendo.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Desenho para um projeto infanto-juvenil da FUNCEME, a autarquia que monitora as condições climáticas e a meteorologia no Ceará. Em breve, mais novidades sobre o tema.



The Big Wow!

Povo, hoje não tem muito papo em virtude daquele projeto secreto de HQ, mas quero compartilhar com vocês um pequeno pecado capital meu: a soberba. O blog atingiu a média de mais de 100 acessos dia, o que vem a ser uma marca muito além das minhas prerogativas iniciais. Evidentemente ainda sonho com a dominação global, mas no reino-do-pé-no-chão, essa marca modesta me faz corar de orgulho.

Tirando tecnicidades chatas, 100 acessos por dia são 100 leitores feios, digo, fiéis; que perdem seu tempo vindo a esse covil achando que eu tenho algo a dizer.

Obrigado, povo, de coração!

Olha a prova aí:

quarta-feira, agosto 16, 2006

Um dos trabalhos que mais gostei de fazer: um calendário pra SEMACE. Foram 12 fichas que compreendiam os 12 meses do ano - lógico -, e que mostravam numa face os dias do mês e na outra, um desenho sobre uma questão ambiental que nos interessava. Aos poucos vou postar tudo por aqui. Fiquem por enquanto, com o mês de agosto de 2003.





Uma vela na escuridão
Carl Sagan

Recebi o seguinte spam, dia desses:

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O planeta Marte será o mais brilhante no céu noturno a partir de agosto. Ele poderá ser observado a olho nu, tão grande quanto uma lua cheia, especialmente no dia 27, quando vai estar mais próximo da Terra. Não deixe de observar o céu na noite de 27 de agosto, a meia-noite e meia, você verá duas luas!!! Não perca. A próxima vez que Marte vai aparecer assim será em 2287.

NOTA: Compartilhe isso com seus amigos, pois ninguém, vivo hoje, terá oportunidade de observar o fato novamente.

Um abraço astral.

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Fico impressionado com a falta de cultura científica das pessoas. Não que a gente tenha que discutir a teoria das supercordas com o zelador do prédio, mas acho que há uma óbvia deficiência na forma como a informação científica chega às pessoas. Não deveria me espantar, afinal, somos o país no qual eclodiu a Revolta da Vacina, onde ainda hoje no interior as pessoas dizem que aparecem verrugas no dedo se a gente apontar pra uma estrela e que há poucos anos, espalharam que a vacinação contra a gripe, aplicada nos velhinhos, seria um plano do governo para uma forma de extermínio seletivo.

Não sei o que é mais estranho: a redação do texto ou que alguém lhe dê crédito, ao ponto de repassá-lo indefinidamente.

Acho que é uma questão de prioridades, afinal. Eu me interesso pelo assunto. Você, talvez não. Mas acho que conhecimentos básicos de astronomia seriam tão essenciais como a já enraizada profilaxia de saúde pública, que prega coisas tão óbvias como lavar as mãos antes das refeições e antes de operar um paciente. Mas mesmo esses preceitos eram vistos como superstição há menos de 150 anos. Assustador, não?

Bom, o assunto é vasto como o Universo visível. Vou me concentar no spam que recebi, ok?

Pra começo de conversa, no dia 27 de agosto Marte nem será visto no céu noturno. Atualmente, o planeta vermelho está atrás do Sol, numa posição oposta à nossa. Assim, Marte só seria visível de dia, mas aí o Sol ofusca tudo e não dá pra ver nada. Aliás, nem tente olhar na direção do Sol. O desenho vai ajudar a entender.



A distância da Terra ao Sol é de 150 milhões de quilômetros. A distância de Marte ao Sol é de 220 milhões de quilômetros. Logo, estamos sempre em torno de 70 milhões de quilômetros um do outro. Evidentemente que essas distâncias se referem à elipse de suas órbitas. Pelo desenho, nota-se que nessa época do ano, as distâncias verdadeiras são bem maiores.

Marte leva dois anos para dar a volta no Sol. A Terra, é claro, leva um ano. Em algum momento, a gente pode chegar nessa configuração:



Nesse ponto, nós temos a mínima distância possível, em torno de 70 milhões de quilômetros.

Agora vamos abordar outro fator, o tamanho relativo entre a Terra, Marte e a Lua. Mais uma vez um desenho vai nos ajudar:



A distância da Terra à Lua é de apenas 300.000Km, muito menos que a quilometragem de muito Corcel II que eu conheço. Por simples regra de três, para que Marte ficasse com o tamanho aparente da nossa Lua Cheia, ele teria que estar a míseros 600.000Km de distância, e não nos confortáveis 70 milhões.

As conseqüências de se ter um planeta grande como Marte a uma distância tão pequena seria catastrófica para todo o sistema solar, e creia-me, você não ficaria sabendo através de um spam, mas sim por milhares de trombetas capitaneadas pela CNN ou quem sabe, via aparições de anjos do apocalipse, pois seria o fim dos tempos pra nós.

As órbitas dos planetas obedecem a um equlíbrio dinâmico, mais ou menos como os elétrons ocupam tal e tal posição na eletrosfera. Para retirar um elétron de sua órbita é necessária uma quantidade enorme de energia - relativamente ao elétron, claro, que é minúsculo. Agora imagine a força necessária para arrancar um planeta de sua órbita. E se tal coisa fosse possível, a reação seria um rearanjo das outras órbitas, fazendo com que os planetas caíssem um degrau em direção ao Sol. A Terra, Marte, Vênus e Mercúrio seriam assados como pipocas, empurrados pelos outros planetas como Júpiter e Saturno, em direção à nossa estrela, isso se não fôssemos engolidos por ela.

Mas antes dessa formidável queda, a aproximação de Marte geraria uma maré gravitacional tão forte que literalmente, racharia ambos os planetas. No caso da Terra, as placas tectônicas seriam rompidas, fazendo com que o magma escapasse com a força de um vulção do tamanho de um continente. A boa notícia é que já estaríamos mortos quando a Terra se fracionasse em mil pedaços, para formar um anel em espiral em torno do Sol, parecido com o atual cinturão de asteróides que orbita entre Marte e Júpiter.

Ufa, estou sendo muito chato?

Desculpem a mudança de foco do blog, mas fico tonto quando vejo uma bobagem como aquela ganhar o mundo. Coloquei o título de um livro do querido Dr. Sagan no início do papo pois foi ele um dos mais ardorosos defensores da correta divulgação da ciência. Fico realmente assustado com o nível em que a coisa anda: criacionismo ensinado nas escolas americanas, demonização das pesquisas com células tronco e intolerância religiosa e racial.

Sabem onde isso vai levar, se a gente não abrir o olho?

OBSCURANTISMO.

Pra terminar, vou citar outro livro do Carl Sagan, Bilhões e bilhões, sobre os mais variados temas, sobretudo, para quem quiser saber mais sobre como a ciência, a razão e o bom senso vêm aos poucos, muito devagar, bem lentamente; conseguindo desbaratar o medo, a superstição e a ignorância.

E o que mais me revolta é que em pleno século XXI, eles usem a Internet para divulgar essas bobagens. Todo mundo sabe que a Internet foi criada para divulgar pornografia! Olha o respeito, pô!

terça-feira, agosto 15, 2006

Desenhinho para um seminário motivacional, feito não sei mais pra quem. Aliás, desconfio.



Hemet's Twist ou: the naked chef

Decidido a fazer eu mesmo meu jantar, fui ao supermercado e comprei batatas, uma cenoura, uma cebola, atum, um tomate, queijo ralado, uma lata de leite em pó e um pacote de miojo. Arranjei também uma caixa de suco de laranja e depois de passar pela registradora, coloquei tudo num mesmo saco plástico. Aqui interrompo ligeiramente a narrativa para revelar um item do meu manual de funcionamento: detesto que me digam obviedades ou pior, que tentem compreender meu autismo.

A mocinha do caixa disse para separar as compras, colocando os legumes num invólucro e os envasados noutro. Compreendo a atenção dela com a estética da coisa, mas meu objetivo era simplesmente carregar um único volume, para ter uma mão livre caso quisesse coçar a virilha no trajeto do supermercado para o ap. A mocinha foi mais rápida que eu e quando percebi, os dois pacotes já estavam prontos e - horror! - fechados com um nó. Também não gosto do saco fechado, prefiro as alças livres pois assim, posso distribuir o peso entre os dedos, mas como iria demorar mais tempo desfazendo o saco e explicando minha opção de vida, simplesmente agradeci e fui pra casa carregando os dois sacos, um de cada lado, cambaleando como um balão de ar com dois lastros.

Cheguei em casa e o porteiro: seu Arimatéia, seu cadarço está desamarrado. Obviamente que percebi isso três quarteirões atrás, quando caí de boca no asfalto, quem ele pensa que eu sou, um excêntrico sem noção? Resmunguei outro agradecimento e fui em direção ao elevador, e dali para meu apartamento, contente por saber que o próximo ser humano com quem travaria contato seria só na manhã seguinte.

Descarreguei as compras e fui cozinhar os legumes. Enchi uma panela com água e despejei tudo. Enquanto a coisa fervia, abri a lata de atum e fui cortar o tomate. Depois que os legumes estavam amolecidos, coloquei-os em outra panela com o atum e o tomate e fiz uma pasta razoavelmente uniforme, que assumiu a coloração rosa-amarelada. Coloquei o miojo na mesma água que fervera os legumes, acrescentei leite em pó e depois de uns minutos, havia uma pasta de macarrão borbulhante e com um cheiro muito bom. Como de hábito, despejei tudo na mesma panela da pasta de legumes e presto! Um delicado e refinado manjar monocromático, cujo toque de classe foi o polvilhar do queijo ralado por cima de tudo.

Aqui vai outra dica do meu manual de mecãnica, e essa é importante. Como se diz no Ceará, tenho gastura do contato com o garfo e o fundo da panela. O roçar do aço com o alumínio me eriça os pelos da nuca e me faz trincar os dentes. Como o volume da minha pasta de carbohidratos não caberia num prato, despejei tudo novamente numa embalagem plástica de sorvete, já que guardo algumas vazias justamente para essas ocasiões.

A aparência geral do meu jantar poderia ser comparada à aveia comprimida num coche para cavalos, e confesso que se eu tivesse um focinho um pouquinho maior comeria direto na vasilha, sem o desagradável acompanhamento de um garfo. Aliás, seria ótimo se a gente pudesse andar por aí que nem os felizes muares, com um saco de comida atado ao pescoço. Mas enfim, entre arrotos e onomatópéias de prazer, botei tudo pra dentro como se fosse a última refeição da Terra. Comi que suei, e depois de ficar com a pança inchada como a de um carmelita, bebi um golão de suco de laranja e fui dormir, saciado e feliz como um potro chucro.

Indispensável dizer que as panelas continuam sujas, pois metade do prazer de um jantar assim é não ver em que estado ficou a cozinha. Depois eu vejo isso, pensei. Obviamente a embalagem de sorvete foi pro lixo sem remorso nenhum e como desencargo de consciência, só lavei o garfo. Semana que vem tentarei outra receita de minha autoria: sardinhas, creme de leite e sopa Vono. Hum!!!

segunda-feira, agosto 14, 2006

Capa e trecho de um poster feito pra Semace, Superintendência Estadual de Meio Ambiente do Ceará, em 2002.

Gosto muito de fazer esse tipo de trabalho, ou seja, receber um texto qualquer e ilustrá-lo. Os que mais dão prazer de desenhar são justamente textos técnicos e cheios de exemplos, pois metade do trabalho de criação já está feito. Além disso, posso sempre apelar pro humor e o nonsense pra suavizar o papo sério. No caso dessa cartilha, foi um prato cheio que degustei como um Godo.





Superman

Falando em poster, olha só o cartaz do Super que ganhei do Gadelha. Coloquei na moldura e preguei no teto, transformando assim, o Super numa espécie de Íncubo que chega pela janela. Eu, hein? Ainda se fosse um Súcubo...

sábado, agosto 12, 2006

A história deles é envolta em lendas, uísque barato e inferninhos à beira das BRs. Amigos de longa data, se conheceram num fã clube de Traci Lords, que funcionava no porão da casa de um deles. Admiradores do estilo de vida inconseqüente dos astros de rock, resolveram fundar a banda TudocorE, e a primeira coisa que o vocalista fez para comemorar o fato foi afundar seu Corcel II na piscina do clube, e tirar uma foto.

A maior emoção da banda foi quando receberam uma carta de Jimmy Page, na qual dizia que mantivessem distância de pelo menos 900m do guitarrista ou seriam processados e presos por assédio. Outro fato memorável dos amigos foi quando participaram da formação clássica da banda de Bartô Galeno, antes de fundarem sua própria super banda. Mas nenhum desses eventos se compara ao lançamento da sofisticadíssima One Zillion Dollars Home Page, da qual tive a honra de comprar uma caríssima cota.

Agora nos shows, pelo menos poderemos compartilhar a mesma cela, digo, camarim.



Conheça mais sobre o trabalho da banda, veja meu anúncio e dos demais amigos e aproveite para deixar seu recado.

www.tudocore.mus.br/zillion/zillion.htm

Franco, pessoal da TudocorE, obrigado pelo convite.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Mais um pedacinho da HQ misteriosa, mas com uma novidade: trata-se do trecho de um trecho. A cena completa acontece numa certa praça, e tal. Num canto da praça, há esse simpático velhinho que lê um jornal. O velhinho é o grande vate Quintino Cunha, patrono dos humoristas, repentistas, tiradores de sarro, livres-pensadores e do jeito irreverente de ser do cearense.

O Quintino nasceu nas serranias de Itapajé, Ceará, em 1875 e morreu aqui na Fortaleza, em 1942.

É de quem tenho mais saudades, mesmo sem nem sequer termos sido contemporâneos.

É muito fácil achar pela Internet as anedotas do Quintino. Ao invés de contar uma delas, achei esse interessante site sobre literatura e poesia cearenses, que faz referência ao poeta. Merece uma visitinha, quando puderem.

http://literaturacearense.blogspot.com



Curtas

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Curioso como nos Quadrinhos, vale o ditado: Deus dá o frio conforme o cobertor. Os perigos que o Batman enfrenta podem ser resolvidos com um pouco de inteligência, músculos e se tudo der errado, um cheque para o bandido sumir de Gotham. Já as paradinhas do Aranha envolvem derrotar mutantes super fortes, evitar um descarrilamento de trem e desviar-se de balas por conta de reflexos ultra rápidos. Mas se o problema for um cometa indo de encontro à Terra, aí é pro Super. Os roteiristas nunca criam um problema grande o suficiente que o herói não possa resolver. Já imaginou? Ligam pra Liga da Justiça pedindo ajuda, pois o ditador do Iraque acabou de invadir o Kwait. A secretária diz que só quem pode atender no momento é o Aquaman. Aí o sujeito desliga na cara da telefonista.

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Todo primogênito ou primogênita nasce com a cara do pai. Deve ser um mecanismo evolutivo para que a fêmea fisgue um macho provedor, pois numa época sem testes de DNA e sem o cinto de castidade, a única forma do sujeito saber se aquele bebê era seu é se ele fosse a sua cara. Assim, a família ficava junta e o pai podia ir tranquilo caçar seu mamute sabendo que não estava trabalhando pra alimentar o filho do Og.

Existem exceções, é claro. Veja o príncipe William da Inglaterra, que é a cara da mãe. Pensando bem, ele também não se parece com o Charles. Epa, então...

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Esse negócio de amizade de Internet é um troço bacana. A gente gosta das pessoas só pelo que elas pensam, sem ligar se o sujeito é preto, coxo, careca, albino, caolho, feio como a peste bubônica ou velho como o Páteo do Colégio. E não deveria ser sempre assim? O diabo é que as relações humanas não são só de natureza intelectual, a interação física e a linguagem corporal contam bastante. Dá pra antipatizar imediatamente com alguém por causa do cabelo, das roupas e do mau hálito. É por isso que não saio de casa.

quinta-feira, agosto 10, 2006

- Te gusta flores?
- Si, si, como no?
- Te mandarei mutchas!

Los Três Amigos

Não sei o que é mais divertido: fazer os desenhos da HQ secretona ou publicá-los assim na doida, para deixá-los tontos, dear readers. Pergunto de novo: e essas rosas? Qual será a delas?



Notinha despojada

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Como diria Kent Brockman: obviamente, a democracia não funciona.

Sendo assim, qual a alternativa?

Pra começo de conversa, a democracia parte de uma premissa falsa, embora o conceito esteja correto: vence o candidato com o maior número de votos, escolhido livremente pelo povo. A premissa é falsa pois mesmo nas mais evoluídas democracias, os candidatos são escolhidos previamente por suas agremiações, e o sujeito precisa querer ser candidato. A parte que nos cabe, enquanto povo, é validar ou não uma escolha que já foi feita, entre três ou quatro opções de cardápio.

Tal qual um self-service macabro, nossas opções são chuchu insosso, fruto do mar tentacular ao molho de corrupião e pimenta alagoana braba. Eles não podem perder, percebem? O próprio meio político seleciona seus representantes, misturando num mesmo caldeirão gente de índole muito parecida. Parecida demais para que mesmo o degustador mais experiente perceba diferenças de sabor. Como não incorrer na comparação? Todos se assemelham a bolos diferentes assados com a farinha que veio de um mesmo saco!

Convenhamos, tem que ser meio tergiversador da realidade para ser meter na política. Não entraria num clube que me aceitasse como sócio? Não nesse clube.

Outro fator negativo é que pelo menos no Brasil, a política é um meio de ascenção social. O cara se elege e entra no maravilhoso mundo do Brasil Oficial, que não tem nada a ver com o Brasil Real. Assim, a política vira uma espécie de degrau para a minha tão sonhada casa com piscina e um Audi na garagem.

Entrar para o meio político, via voto, se assemelha a ter seu currículo endossado pelo eleitor. Ser eleito vira um mérito. Ser eleito dá prazer. O poder é o maior afrodisíaco.

Minha proposta ( não, outra não! ) é que o sistema democrático seja abolido, e em seu lugar, implantemos a ALEATOCRACIA, em que todos os governantes seriam escolhidos por sorteio.

Vejamos o caso da eleição para presidente. O cargo tinha que ser uma maldição, e não, como parece ser, um portal dourado para o jardim dos prazeres. A política existe para servir. O cara se elege para ser um servo, quem sabe até mesmo, um escravo do povo. O cargo deveria ser tão odioso, e as responsabilidades tão insanas, que só um louco desejaria de livre e espontânea vontade arranjar um abacaxi desses. Mais ou menos como topar ser síndico de prédio.

Se a administração for honesta, não há vantagem alguma em ser síndico, e a eventual isenção da cota do condomínio não paga a dor de cabeça. Quando ninguém topa ser síndico, faz-se um sorteio maligno e quem ficar com a bola preta tá fudido: 1 ano de aporrinhações!

Usando a base de dados do eleitorado brasileiro, faríamos um sorteio entre aqueles com idade constitucional para ser presidente. Simples assim. Um sorteio entre pelo menos 50 milhões de eleitores, sem distinção de cor, estado, gênero, renda e capacidade.

Digamos que Ariovaldo Silva, pacato cidadão da cidade de Palmas, receba a bela notícia que vai ser presidente do Brasil. Se ele for honesto, a primeira coisa que vai fazer será fugir pro mato, mas as tropas federais no Tocantins irão à caça de nosso querido presidente e o empossarão na marra, em Brasília, sob vivas e o alívio dos demais, preteridos no sorteio. O cargo seria irrenunciável. Se o sujeito não quiser ser presidente, cana, cadeia, xilindró sem apelação no pior presídio que existir no Brasil, onde mofará pelos quatro anos em que duraria seu mandato. Obviamente que ser presidente não trará vantagem nenhuma: nada de carros oficiais, nada de mordomias, nada de indicar parentes para os ministérios. O salário será baixo, o suficiente apenas para o presidente alugar uma casaca por mês. Só pepino, trabalho e desolação.

Tal qual um sujeito acorrentado ao barco que rema, ou rema direito ou afunda junto com o barco.

E por aí vai.

Será que o congresso e os políticos aprovariam sua própria eutanásia? Duvido muito. Esquece.

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Texto ligeiramente inspirado num post e comentários do Arnaldo Branco, aqui ó:

quarta-feira, agosto 09, 2006

Mais um trechinho da HQ...

terça-feira, agosto 08, 2006

Duck fucks



Imagine ler uma HQ cujos quadrinhos foram cobertos com plástico preto, deixando a descoberto apenas uns poucos deles. Imagine ainda que dos quadrinhos sobreviventes, foram surpimidos os diálogos e o contexto. Enervante, não? Pois é exatamente isso que eu estou fazendo, ao publicar trechos a esmo da HQ secreta. Esse pato, por exemplo, qual é a dele?

Isso me lembra uma história. Quase um causo. Na verdade, costumo citar esse exemplo nas raras vezes em que sou convidado a falar sobre HQs e meu trabalho em geral. Bom, tem a ver com o desenrolar da criação e modus operandi da coisa, e o quão perigoso é que o cliente - ou o contratante -, se meta na frente do trem.

E também é uma alegoria sobre a vida e como as coisas são feitas, sem que a gente se dê conta do processo. Afinal, pouca gente comeria um kibe se visitasse um matadouro antes.

Aconteceu que eu e uma equipe estávamos fazendo uma animação. Acho que para alguma campanha de saúde, ou algo assim. Isso foi numa época pré-histórica, quando a animação era feira com acetatos e tinta. Terminamos uma cena que era um zoom de uma bola de futebol até chegar no personagem, que estava num campinho de pelada. Os acetatos, várias dezenas deles, estavam pendurados num varal para secar, e mostravam toda a sequência dos desenhos que seria filmada posteriormente. Usávamos uma truka!

Nosso chefe teve a brilhante idéia de chamar o secretário para ver como ia a animação, já que era ele que estava pagando. Quando o cara viu vários desenhos de uma bola, que iam progressivamente ficando menores e menores, até fechar numa chuteira, o sujeito deu um escândalo.

Que não era possível mostrar o personagem só pelos pés, como as crianças iriam reconhecê-lo, ninguém ia entender nada, e coisa e tal. Nosso chefe perdeu horas valiosas tentando explicar que aquelas dezenas de desenhos só representavam 4 segundos de animação, e que o personagem - e o campinho de futebol, a cidade dele, a sala de aula, o escambau; seriam desenhados em seguida.

Por isso que o Peter Jackson se mandou pra Nova Zelândia, para fazer seus filmes em paz: os executivos e seus eventuais pitacos geniais que fiquem sob o doce sol da Califórnia.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Será que um dia a gente vai parar de briga?
Karnak



Cada um paga uma

E ainda temos o episódio do rapto das sabinas. Resumidamente, a coisa foi assim.

No início, Roma tinha pouca mulher. Se fosse em Atenas isso não seria problema ( ui. ), mas o homem romano, orgiástico por natureza, queria uma mulher pra chamar de nossa. Eis que Rômulo - aquele que matou o irmão, gente finíssima, portanto - teve uma idéia genial. Chamou seus vizinhos, os sabinos, para um banquete. No convite, em letras garrafais, tragam suas esposas e filhas, re re re, mas os sabinos, bobinhos, não desconfiaram de nada.

Enquanto rolava o banquete, Rômulo fez um sinal e os jovens romanos cada um pegou uma sabina e se mandou pra detrás de uma sebe. Daí o termo sebento de amor, mas isso não vem ao caso. Pegos de surpresa e sem poder reagir, os sabinos voltaram pra casa sem suas esposas e filhas.

Depois, o mais velho da tribo dos sabinos ponderou que de agora em diante, homem quando for sair pra beber sai sozinho, e até hoje isso é um sábio conselho. Bom, então o rei dos sabinos, Fernando, conclamou todos a lutarem ferrenhamente contra os romanos por culpa do ultraje a rigor.

A peleja durava meses, sem aparente vitória para nenhum lado. Então, lá pelas tantas, aconteceu um fato inusitado. As sabinas raptadas ( eufemismo bobo para estupro! ) e agora grávidas dos romanos, se interpuseram entre eles e os sabinos, alegando para estes que agora estariam brigando com seus genros e cunhados!

O espírito do deixa disso baixou e fez-se a paz entre romanos e sabinos, posto que o que não tem solução, solucionado está.

Essa lenda, que você pode ler aqui na Wiki em galego (!), mostra como os vários povos do Lácio aos poucos foram se raptando entre si para formarem o que hoje é a Itália.

A moral da minha história é que só o amor e a Halliburton constroem. Ou seja, para acabar com metade das pendengas e rixas do mundo, os mexicanos deveriam se casar com as americanas, os recifenses com as fortalezenses, as cariocas com os paulistanos, os brasileiros com as argentinas, as chinesas com os japoneses, os poloneses com as alemãs, os iraquianos com as iranianas, os xiitas com as sunitas, os libaneses com as israelenses, os Souzas com as Silvas, os colorados com as gremistas, os pretos com as amarelas, os azuis com as laranjas; até que o diabo desse mundo confuso seja um só, sem bandeiras pelas quais matar ou morrer.

sexta-feira, agosto 04, 2006


The U.S. vs John Lennon

Historia Quadratvm Sigilvs

Como venho apregoando há meses, eu e o Olinto estamos fazendo uma HQ secreta.

Depois que ele me entrega o roteiro do capítulo - estamos no capítulo 5, faltam só mais quatro -, a bola fica comigo e tenho que desenhar todas as viagens propostas. Tô fazendo uma página por dia, mais ou menos. É muita coisa, é muito trabalho. Pra se ter uma idéia, os desenhos são feitos numa folha de tamanho A3, que mede 29cm de largura por 42cm de altura. Depois, eles serão scaneados com 600dpi, para depois serem reduzidos no formato de um livro.

Ou seja, mesmo que o desenho não valesse o papel em que ele é impresso, e eu fosse o pior desenhista a respirar o ar da Terra desde Gustave Doré; forçosamente o traço deve sair de boa qualidade em virtude dos processos de redução/resolução envolvidos.

E por causa disso, e dos trabalhos que pintam eventualmente - que não posso recusar, pois morro de medo da sarjeta -; o blog tá meio que devendo os textos de humor.

Pra não entregar o site às traças me comprometi a postar todo dia, nem que seja um pedido de desculpas.

Desculpa.

E aqui vai um pequeno quadrinho de uma das páginas, pra vocês verem como está caminhando o trem.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Guia Michelin dos pobres

Quem mora numa grande cidade turística sabe como é. Existem locais ainda à salvo das hostes de italianos e portugueses mal educados, onde os preços são justos, o visual é pitoresco e a comida é boa e a cerveja gelada. Resta a nós, os autóctones nativos, garimpar e prestigiar. É justamente o caso desse boteco, que por não ter nome, batizei como o Bar do Cajueiro.

Todo dia eu passava em frente a essa imponente copa e ficava curioso. O local é o mais despretencioso possível: um amontoado de cadeiras de plástico debaixo de um frondoso cajueiro, servido por um misto de bar/cozinha de apoio. E convenhamos, precisa de mais?

A oportunidade surgiu e fui almoçar lá, junto com amigos do trabalho. A chegada impressiona: um cajueiro que mais parece um sombrero verde domina a paisagem. Ao redor, as tais mesinhas que se agrupam num estrado de pedras portuguesas, tudo muito limpo e arrumado. Ao fundo, uma churrasqueira. Por sorte, o vento chega a barlavento da churrasqueira, fazendo com que a fumaça não perturbe de forma alguma, apenas o suficiente para atiçar as papilas com o cheiro da carne na brasa.

O serviço foi atencioso e antes que eu pronunciasse Gargântua e Pantagruel a cerveja geladinha chega suada e sensual. Para quem gosta de desbravar o novo, imagine-se depois de uma caminhada suarenta ao se deparar com as cataratas Vitória: não há recompensa melhor. O Bar do Cajueiro vai para o meu Top 657 dos melhores botecos e barzinhos da cidade - no quesito sinta-se em casa, relaxe, curta a brisa e o papo; bem entendido.







Mais uma coisa: vá preparado para comer. As porções servem duas pessoas, sendo uma o Faustão e a outra o Abominável Homem das Neves. Eu recomendo a maminha no quilo com baião e batata... droga, babei no tecvlkad8@!

quarta-feira, agosto 02, 2006

Dois desenhinhos da minha série C, que fiz só pra cumprir tabela. Sabe quando você tem um contrato e tem que fazer certas coisas, mesmo que não haja mais saco ou interesse? Tipo cobrir o jogo Juventus do Acaracuzinho x Venturoso da Piedade, sabendo que ninguém tá vendo mesmo e tanto faz? Pois é...





Notinhas ou:
assuntos que não chegam a render um post longo, ou:
tô ocupado e sem idéia nenhuma, então vai tu mesmo!

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Mais uma coisa que a vida moderna está a ponto de fazer desaparecer, junto com os campinhos de várzea nas grandes cidades: a caixona de papelão das TVs! Para crianças inteligentes, nada é mais divertido que brincar na caixa de papelão da TV recém comprada. Que TV que nada, o bom mesmo era brincar com a caixa e as toneladas de isopor que vinham junto. Mesmo que as TVs não fossem muito grandonas - e não o eram, nos anos 70 -; mas a gente era pequenininho mesmo então equilibrava as coisas.

Disse que isso está em vias de desaparecer pois com as TVs de plasma e LCDs fininhas, a embalagem que vem com elas é muito mixuruca para se brincar de forma decente. Ou não, sei lá, já que eu nunca vi uma embalagem de tv de plasma de 42'! Quem sabe em 2010...

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Quando vou andar de táxi, costumo ir no banco ao lado do motorista. Conversando com um deles, elaborei a teoria que esse hábito brasileiro - será mesmo? Ou é só meu? - vem justamente do nosso passado sem luxos. País descendente de escravos, às vezes éramos nós que íamos puxando a carruagem, e não dentro dela. Não temos hábito ou intimidade com a boléia, digamos assim. Ou pior: achamos que só quem tem direito ao assento de trás é o Senhor. E ponha-se no seu lugar!!

Esse desconforto talvez explique nosso complexo de vira-latas, posto que aqui, quem faz sucesso é crucificado. Imagine, chegar na festa no banco de trás do táxi, se achando a própria cinderela! Ê país complicado. Isso ajuda a entender por que a gente não reclama. Como se reclamar fosse coisa de pobre. Ou seja, ter ruas e escolas decentes é demais pra mim, que me contento, coitadinho, em ir no banco da frente do táxi!

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Ainda sobre a TV. Já se disse que a TV não é a máquina de fazer doido, e sim, a máquina de acalmar doido. Quando cortaram minha TV por causa de um detalhe insignificante como uma conta vencida, fiquei alguns dias sem a NET. Aí chegava a noite, eu tinha um pote de sorvete me esperando no freezer mas... cadê a TV?

Percebi que faz falta aquele barulhino e as imagens se mexendo, enquanto traço um napolitano. O sorvete, não o cidadão de Nápoles. Fui comer o sorvete e tudo me pareceu meio triste, sem sentido. Sorvete não é nutrição, é diversão, e faltou um ingrediente, que é a TV. É a mesma coisa, e tão triste quanto, que beber sozinho.

terça-feira, agosto 01, 2006

Prometi enviar um desenho pro Eduardo, e era um desenho moleza: simplesmente mandar um arquivo do Garatujas pra ele imprimir. Eis que ele diz que se tiver, pode mandar também um desenho de uma girafa, pois a Bia, filha dele, adora girafas!

Ora, imediatamente fiz um desenho pra Bia, retratando o animal preferido dela. Espero que ela não se traumatize coma feiúra do bicho - que aliás, lembrou-me vagamente o Bob Esponja.



Greenspan dos pobres

Eu e minha obstinação em ganhar um Nobel. Serve até mesmo o desmoralizado Nobel da Paz, que até o Reagan já ganhou. Mas a idéia que tive hoje calha bem com o de Economia. Inventei um sistema para guardar moedas no bolso ou na carteira, que é uma derivação evolutiva do clássico hábito de agrupar as moedinhas numa pilha e passá-la no Durex.

Não inventei a lâmpada, mas sim, um modo de embalá-la com segurança - que vem a ser tão importante quanto.

A vantagem do meu método é que o agrupamento fica dobrável e não faz calombos no bolso. E cabe na carteira! Estou na dúvida sobre um nome para patentear a invenção. Packcoins poderia ser uma boa.

O barato seria disponibilizar a embalagem em forma de picotes, com uma célula para cada moeda - como hoje são embaladas as drágeas e pílulas. Abaixo temos a embalagem para 1 Real. Retirando um picote, teríamos 90 centavos mais uma moedinha solta de 10 centavos, para dar uma esmolinha para o desenhista.

Se eu fosse americano, já estaria rico com minha idéia idiota. Mas aqui em Pindorama, ai, ai...de volta à prancheta.

Em todo caso, eu vi primeiro! Aceito sócios.