quinta-feira, setembro 28, 2006

Vida dura! Essa foi a capa para um CD de - ah, se vergonha matasse - forró, que pelo menos, nunca foi feito. Também nunca fui pago, então, empatamos. Aqui vai mais essa para o hall da infâmia do trabalho e do tempo perdido.

quarta-feira, setembro 27, 2006

The Two Towers

Depois dos atentados que derrubaram as Torres Gêmeas, o grupo que administrava o WTC lançou um concurso mundial de propostas para o Ground Zero. Obviamente, era um concurso de cunho lúdico, e houve contribuições que iam desde belos rabiscos infantis até mesmo, sugestões de profissionais. Nunca se sabe, vai que cola.

O projeto definitivo, pra valer, acabou sendo entregue ao arquiteto polonês naturalizado americano Daniel Libeskind. E a meu ver, está bem entregue, não sei se estão acompanhando o projeto.

Bom, na época, fiz meus rabiscos também, mas nunca enviei a proposta para o concurso. Quem sabe esses meus gatafunhos não teriam virado a cabeça da comissão organizadora? Pena, pena...

Em todo caso, aqui estão os desenhos. São simples rascunhos, croquis, como se chama, que nada mais são que um exercício de imaginação. Atualmente, nem compartilho mais tanto assim dessa visão. Sei lá, talvez propusesse algo diferente hoje. Mas fica essa proposta como registro.

Abaixo de cada desenho coloquei uma pequena legenda, que funcionaria, como dizem os arquitetos de verdade, de memorial descritivo.



Restaurar o perfil da cidade, essa foi a proposta. O horizonte de Manhattan seria recriado com duas novas Torres Gêmeas, mas dessa vez, cilíndricas. Assim, o novo projeto presta uma homenagem ao antigo skyline, usando a mesma simbologia usada nos prédio originais.

Ambos os prédios seriam ligadas por passarelas, à moda das Torres Petronas, em Kuala Lampur.



A altura das novas Torres foi proposta como tendo mais de 500m. Na época, seria o prédio mais alto do mundo. Hoje, já existem projetos em construção que prevêem alturas de mais de 800m. A propósito, as Torres Gêmeas tinham 410m cada uma, e o prédio mais alto do mundo hoje fica em Taiwan. É o Taipei 101, com 510m.


O Perfil das Torres seria cilíndrico/elipsóide, fato que dependendo do ângulo, mostraria várias visuais diferentes das Torres. O próprio WTC usava esse truque, digamos assim, pois as torres não eram alinhadas pela fachada, mas sim, pelos vértices de suas diagonais.

terça-feira, setembro 26, 2006

Há muito tempo, lá pelos idos de 1998, o site da Volks disponibilizou um esqueminha em P&B do New Beetle, então seu novo lançamento; para que desenhistas zoassem com o modelo como quisessem. Fiz dois modelos, um Space Beetle e esse Bat Beet aqui embaixo. No site estavam publicadas centenas de marmotas que o povo fz com o carro, inclusive minhas duas intervenções. Depois eu posto o Space Beetle pra vocês verem.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Outro desenho da cartilha que estamos bolando.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Uma das 13 novas tiras feitas para a Funceme, trabalho que ainda está in progress. Ao mesmo tempo, não posso descuidar da HQ secreta, é claro. Não tenho postado muita coisa sobre ela, apesar dos desenhos estarem sendo feitos, pois isso entregaria muita coisa da história. Quando for feito um quadrinho genérico eu posto aqui.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Conforme prometido, aquele desenho para a Funceme, só que colorido.



Muito trabalho rolando, gracias, então tô sem tempo pra escrever minhas bobagens. Mas aguardai, darei o ar de minha graça por aqui todo dia, se vocês prometerem fazer o mesmo por mim. Pisc!

quarta-feira, setembro 20, 2006

Olhaí povo, mais um desafio quebra-cuca. Dessa vez, preenchendo os espaços marcados com um ponto, surgirá a figura de uma coisa muito interessante de se fazer em dias de chuva. Calma, não é aquilo, pois esse desenho vai para uma cartilha para criancinhas, seus pedófagos!

Quem quiser saber o que é vai ter que imprimir e pintar os pontos, ou então, riscar seu monitor com marcador permanente. Fiquem à vontade.

terça-feira, setembro 19, 2006

A cartilha da Funceme terá alguns passatempos, como já falei aqui. Esse, de nível de dificuldade castrante, sugerirá que a criança ajude o satelitezinho a achar o mapa do Ceará, para que ele possa tirar umas fotos bem bonitas.

Curioso essas múltiplas atividades, tipo, tem a HQ secreta para fazer - prioridade 1 - , mas ela vai demorar ainda a ficar pronta e enquanto isso, tenho que pagar as contas da NET e a cerveja. Aí então, ufa, abençoados sejam esses bicos, graças a Baco e a Ekeko.

Amém.

segunda-feira, setembro 18, 2006

A HQ secreta segue com vento em popa. Recebemos boas notícias semana passada, e o cronograma está sendo seguido numa boa. Continuamos com o prazo para dezembro e... ah, vocês sabem.

Não vejo a hora de fazer um certo estardalhaço com a HQ. Mas paciência, e saúde.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Desenho para uma cartilha sobre educação ambiental. Depois vou postar o mesmo desenho mas todo colorido, ok?



Pornfield

Conversava com um amigo meu quando pra variar, entramos no terreno úmido e viscoso da pornografia. Percebemos que por baixo, nós, trintões quase quarentões, já tínhamos visto ou sido expostos a pelo menos 50.000 vulvas. Pausa pra reflexão.

Fomos a primeira geração a ter de fato acesso à pornografia em cores, comprada em qualquer banca de jornais. E não eram desenhinhos sacanas não, já eram revistinhas de sacanagem com fotografias do melhor que os genes suecos poderiam ofertar. Quase que imediatamente, descambamos para o mundo rebobinante do vídeo-cassete, que deslocou o banheiro e elegeu a sala de estar como o aposento da casa preferido para curtir a devassidão solitária. Agora, o DVD e a Internet vieram abrir às escâncaras os portais da pornografia digital.

Puxa, 50.000. Evidentemente que machos adultos saudáveis e normais - não estou falando de atores pornôs, claro - só tiveram intercurso com uma ínfima parcela desse mostruário. Digamos que se o sujeito for um notório devasso, e tenha a minha idade, ele talvez tenha conhecido umas... hã, 15 vulvas. Alguns mais, outros menos. Cof, cof, cof. A questão é que antigamente, era um sufoco para se vislumbrar um pedaço de pele feminina. Quando tinha muita sorte, o sujeito podia ver de relance o tornolezo da prima gostosa e em certos filmes para adultos, um seio ou outro. Mesmo pornógrafos famosos como Sade e Boccaccio não foram expostos à tantos púbis, nem se passasem a vida inteira na ala dos pintores latinos do Louvre. Talvez por isso mesmo tenham liberado tanto a imaginação e escrito tão bem sobre a sacanagem nossa de todo dia.

É claro que esse número de 50.000 pastéis de pelo não nos foi apresentado passivamente. Ainda não estão passando bacanais na TV aberta, mas não duvido que demore muito. Nós mesmos fomos atrás dessa coleção indelével, vasculhando bancas de revistas, abrindo buracos nas paredes, brechando por cima de muros, acessando sites novos, ficando atentos às saias e às lufadas de vento, essa combinação perfeita.

Imagino que o mesmo se dê com as meninas, ou seja, quantos homens elas viram nus? Aí vale homem nu em revistas, TV ou o que quer que seja - ela não tem que necessariamente interagir com a coisa em 3D. Cá pra nós, acho que vai haver uma exacerbada discrepância nos números. Estranho, não? Taí um interessante tema para um mestrado em zoologia.

Pra terminar esse assunto inconcluso, ou esse dialogus interruptus, deixo para diversão e gáudio de todos vocês um site que um outro amigo me mostrou. Divirtam-se!

www.pornotube.com

quarta-feira, setembro 13, 2006

Aparentemente os causos que envolvem as peripécias de funcionários públicos no interior do Nordeste redem um bocado. Esse desenho ilustra justamente uma situação dessas, que no entanto, fica prejudicado sem a companhia do texto que lhe serviu de inspiração.

A história envolve um personagem folclórico de certa região, um bêbado maluco contador de bravatas e etc. e tal. Senta que lá vem história...

segunda-feira, setembro 11, 2006

Trechinho dos passatempos de uma cartilha que estamos bolando. As porcentagens a que se refere a ilustração são a respeito da distribuição da hidrosfera no planeta, incluindo as águas subterrâneas, calotas polares, vapor d´água e oceanos, além de rios e lagoas.



O despejo

Estava cuidando dos meus baobás quando recebi uma carta urgente da prefeitura. Fiquei cabreiro, pois em geral, o poder público não nos manda cartas convidando para uma festa do cabide. Ou era uma má notícia ou então, uma péssima notícia. Abri o envelope já pensando no quanto deveria desenbolsar, quando a notícia por fim confirmou-se lastimosa: meu asteróide fora rebaixado de nível.

Vivo há muitos anos num modesto mas bem localizado asteróide, numa vizinhança pacata e tranqüila. Aqui cultivo baobás e eventualmente roseiras, além de uma malfadada criação de cabras. Herdei a propriedade e moro nela há tantos anos que nem ligava para detalhes urbanísticos, também não me importando muito para impostos, escritura, essas coisas. Apenas achava que eu e meu canto éramos invisíveis às garras dos alcaides do centro do Sistema Solar. Estava enganado, redondamente enganado, como a forma do meu asteróide.

A especulação imobiliária chegara aos confins do Sistema, e a zona em que eu habitava fora mudada de classificação. Agora eu morava numa ZEN, ou seja; Zona Extra Netuniana, de acordo com o documento que recebera. Meu asteróide foi considerado um estorvo para a área, já que eu não contribuía para os esforços de um universo em franca expansão. Eu só tinha duas alternativas: pagava impostos altíssimos pra manter meu status ou a prefeitura desapropriaria meu asteróide.

Minha parca renda como vendedor de sementes de baobá não ajudou muito, pois meu pomar é um mero hobby, e a grana dos direitos de um livro que lancei há tempos não rendia mais lá essas coisas, então, tive que me mandar. Fiz um caminho que eu pensava estar imune: tive que ir morar na periferia do Sistema Solar, junto com a ralé inculta e ignara, os cometas vagabundos e os astros decadentes.

Com a grana da desapropriação comprei um planeta maior, é verdade, mas pessimamente localizado e que passara anos numa pendenga judicial com os antigos moradores e a prefeitura. Não tem nem a metade do charme da minha antiga casa, mas aceitei a sorte com resignação. Esse planetinha também fora rebaixado em sua classificação, daí o preço baixo. Ocupei a nova morada com o resto de orgulho e nobreza que me restara, e agora vivo de alugar quartos para hóspedes tão sem dinheiro quanto eu, que vêm dos confins do espaço sideral para pernoites na região. Até ganhei um apelido, O Pequeno Esnobe, e coloquei esse nome na minha estalagem, que fica no planetinha segregado que comprei.

Podia ser pior. Soube que na Terra os preços estão piores e até as jibóias têm que matar um elefante por dia pra viver.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Pausa pra relaxar. Por causa do feriado e da HQ secreta, decreto uma alforria temporária que vai durar até a próxima segunda-feira, dia 11 de setembro.

Enquanto isso, meditem sobre esse instantâneo, colhido em priscas eras de setembro de 1977, 1978 ou até mesmo 1979, não sei mais. A foto mostra uma juventude doutrinada na esperança que o Brasil ia dar certo. Conduzindo a faixa com um capacete de plástico, está este que vos escreve. Notai que estou atrás da letra n de nós. Que vergonha, tsc, tsc, tsc. Compreende-se do porquê da vaca ter ido pro brejo.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Uma rara incursão no cartum. Essa idéia eu já havia postado aqui no blog, bem no comecinho. Refiz o desenho e pintei, para participar de um concurso.



Se você pensa que cachaça é água...

Onde: boteco no centro da cidade. Quando: lá pelas quatro da tarde de sábado. Quem: eu e o Chalaça. Por que? E agora precisa de motivo pra beber?

Como ia dizendo, estávamos eu e o Chalaça no boteco do seu Arlindo, que funcionava nos baixios do sobradinho em que ele morava. Gostávamos de lá justamente por isso, pelo ambiente ser familiar, acolhedor e meio improvisado. Inclusive, usávamos todos o banheiro da casa do seu Arlindo, que já era meio gagá e não percebia que a rapaziada na verdade, entrava na casa dele para paquerar sua filha adolescente, que andava pela casa só de camiseta.

Como éramos bem amigos do seu Arlindo, de vez em quando ele se aproximava da mesa e puxava conversa. O de sempre: a carestia, a política, o futebol, o metrô que não sai nunca, essas coisas. Mas aí ele mudou um pouco de assunto e nos fez uma sondagem elíptica: - Tô a fim de diversificar - , disse o venerável ancião. - Ah é? - dissemos em uníssono. - Pois é. Quero investir numa idéia que tô matutando há tempos. Vocês guardam segredo? Juramos pelas nossas viúvas que sim, e acompanhamos o velhote até um puxadinho que ele tinha no bar.

O seu Arlindo estava desenvolvendo um alambique clandestino e ali meio escondido no interior do boteco, dava pra ver a aparelhagem que ele desenvolvera. Era um cano que partia do teto e que gotejava a bebida num funil, misturada depois com outras gororobas e engarrafada ali mesmo. O seu Arlindo nos ofereceu um trago para que provássemos a qualidade da coisa. Eu recusei polidamente, alegando que meu barato eram os fermentados, mas o Chalaça, que bebe até o Portinari d´O Boticário, aceitou numa boa e virou tudo.

O Chalaça fez uma pausa cênica com o copo vazio na mão, como um apreciador de vinhos que estivesse esperando as palavras certas para descrever corretamente o que acabara de beber. - E aí? - Sob nossos olhares suplicantes e indagações ansiosas, finalmente o Chalaça falou com propriedade: - Putaquepariu! Vai ser boa assim na cona da tua mãe! Seu Arlindo, o que é isso?

Fiquei espantado com a reação do Chalaça, pois sabia que ele não se impressionava fácil com drinks novos. O Chalaça era capaz de perceber Ypióca dissolvida em Pitú, para se ter uma idéia. Seu Arlindo, orgulhoso, disse que era uma receita de família e que não poderia revelar a fórmula secreta. No entanto, já que havíamos gostado do goró, ofereceu sociedade para que distribuíssemos a bebida nos outros bares. O Chalaça concordou imediatamente, pois sabendo do gosto do povão pela manguaça, calculou que a nova bebida seria um sucesso.

E como era o nome da maravilha, seu Arlindo? - Eu a chamo de Eau de Femme, - disse com um sorrisinho, o lord Guinness dos cachaceiros. Eu e o Chalaça adoramos o nome, mesmo sem entender patavivas o que significava. Ora, se tem nome francês, parecido com perfume, o povo compra. Passamos a vender a garapa nos bares que a gente frequentava e foi um sucesso.

Na semana seguinte, nos encontramos novamente no boteco do seu Arlindo para dividirmos os lucros. O Chalaça foi ao bar no seu carro de festa, um velho Fiat 147 apelidado de Epitáfio, para guardar na mala mais um carregamento da bebida do seu Arlindo. Enquanto discutíamos negócios e fazíamos animados as contas, o Chalaça pediu licença e subiu à casa do seu Arlindo para usar o banheiro. Terminado o serviço, lembrou da filhota adolescente do seu Arlindo, que andava dando mole pra todo mundo. Olhou em volta, e como não visse ninguém, resolveu dar uma de doido e andar pela casa, na esperança de flagrar a ninfeta. Se alguém o surpreendesse, poderia alegar que se perdera no caminho do banheiro ou botar a culpa na bebida. E foi entrando, pé ante pé.

O Chalaça quase que desmaia! A ninfetinha era de fato linda e estava com seu traje habitual, uma camisetinha e nada mais. Ela ainda não o vira, pois estava lendo algo enquanto caminhava de um lado para o outro. De repente, ela abre uma portinhola oculta na parede, que contém um funil ou bocal, ergue a camiseta e faz um xixi gostoso, ali mesmo no tubo. Aí o Chalaça se manca! - Caracas, o velho tá engarrafando o xixi da filha! Fudeu!

O Chalaça desce as escadas na maior pressa, me pega pelo braço e nos mandamos no Epitáfio, que nunca correu tanto. Ele me explicou a parada toda e concordei em darmos um tempo da cidade, pois quando a malandragem soubesse o que a gente fez, acho que iriam engarrafar nossas cabeças!

O que houve é que o velho era senil mas não era bobo, e desconfiou que estavam se aproveitando dele e da piveta. Calhou que a menina também era meio louca, então ele bolou o plano do xixi em doses pra se vingar. Não ficamos pra saber se descobriram a armação, mas em todo caso, não me surpreenderia se na volta, encontrássemos o local onde antes havia o sobradinho do seu Arlindo transformado num estacionamento, com o piso todo passado a sal grosso. Eu hein?

Estou escrevendo do Estado vizinho, até as coisas se acalmarem. Como não bebi a lavagem, estou mais ou menos incólume na história, mas o Chalaça, que agora dormita na cama ao lado, está apaixonado. Já vi gente que se apaixona por uma bebida ou até mesmo por um bar, mas pela garrafa? Primeira vez.

terça-feira, setembro 05, 2006

Outro trechinho da HQ secreta. Nas quebradas de dezembro, ou seja; nas dezembradas de fim de ano vai ficar tudo ok, bro.



Frases atemporais pra quem não tem tempo

O Brasil é um gigante sonâmbulo cujos pés são feitos de barro e a cabeça de vento.

O bom de se nascer num país em construção é que a gente pode mandar a conta da obra pros nossos netos.

O Brasil é uma terra estranha cujos sonhos são sempre adiados pela falta de dinheiro. Chegará a época em que todo mundo vai ter dinheiro mas nenhuma ambição, e esse será nosso fim. Passaremos então os dias como ingleses excêntricos, apostando o número de bananas que entupiriam o Maracanã até a borda ou calculando quantas vezes a palavra merda apareceu no Diário Oficial da União.

Se o Brasil fosse compactado como numa pasta zip ele ficaria do tamanho do Uruguai e finalmente, poderia ser enviado por e-mail para o tal do Futuro que tanto fala.

As estradas do Brasil são basicamente buracos. Logo, boa parte das BRs são espaços vazios. Então, por que é que o frete não baixa de preço?

O problema do Brasil é de postura. Temos 16.000 Km de fonteira seca e 8.000 Km de costa, e essa diferença entre as costas e a frente é que nos faz andar curvados. O mapa do Brasil parece fazer reverência aos Estados Unidos, e mostrar a bunda para a África. Pense numa lordose.

segunda-feira, setembro 04, 2006

sexta-feira, setembro 01, 2006

Desenho para a FUNCEME, onde são apresentadas três atitudes nocivas à saúde e ao meio-ambiente, e três saudáveis. A criança é instruída então a riscar com um X as que nos fazem mal. Pena, gostei da cara do burrinho e da porquinha.



O Gênesis para crianças
ou música para acampamentos

Deus criou o homem para ter alguém do mesmo nível, com quem conversar. Como bem sabemos, a criação anterior, os anjos, não deram muito certo, pois eles são como os argentinos do céu: impossível conversar com alguém que só fala de si mesmo. Assim, Deus resolveu baixar os parâmetros e expectativas, e o resultado foi essa mescla entre um macaco e um papagaio, mas sem tanto pelo e com mais possibilidades de cores.

No início, Deus curtiu muito Sua criação, pois ambos batiam altos papos. O homem, pelo menos, ria das piadas de Deus, ao contrário dos anjos, que só faziam criticá-lo. Mas aí Deus notou que Seu mascote andava sorumbático e meditabundo, e resolveu perguntar o porquê dessa casmurrice. No dialeto incompleto do proto-homem, Deus só entendeu uma palavra: mulher. Atendendo ao pedido, criou uma versão mais moderna do homem, com formas arredondadas - segundo o bom e velho design italiano -, e ainda instalou dois air-bags na frente. O homem ficou deveras contente com seu presente e não desgrudava, literalmente, de sua mulher.

Deus ficou enciumado, como aliás, deveria ter predito, pois Deus sabe tudo. Logo o homem e a mulher tinham papos só deles, pois compartilhavam muita coisa que Deus não tinha. Por exemplo, uma sombra e mau hálito. O homem e a mulher passavam o dia juntos, e Deus ficando cada vez mais por fora. Tinham até suas próprias in jokes, e pelas costas, chamavam Deus pelo apelido de T-pod. Deus não entendia nada e os dois riam a valer.

Aí, Deus cansou dos dois. Com o pretexto de levá-los para passear, botou o casalzinho no carro e depois de muito rodar, deixou-os num leito de estrada muito verdejante, bonito paca, um paraíso, pra falar a verdade. Abriu a porta e os dois correram pro mato. Deus voltou a seus afazeres e não pensou mais naqueles dois ingratos, voltando a fazer o que sempre fez: artesanato em argila.

Mas depois de uns anos, a saudade bateu, enquanto revirava os velhos álbuns de fotografias. Lá estavam os três brincando e um fazendo graça no outro, e os olhos de Deus ficaram marejados de emoção e remorsos. Como estariam os dois? Felizes? Gordos, saudáveis, cheios de carrapatos? Quem sabe? Não quis mais pensar nisso e foi falar com o Lu, seu anjo preferido e apesar do gênio ruim, seu chapa das antigas. Bateu na porta do quarto do Lu e este se surpreendeu, pois não esperava que Deus já estivesse tão carente assim tão cedo. Geralmente Ele vinha se queixar depois da novela e a muito custo saía do quarto.

Deus tentou puxar conversa, mas o Lu foi reticente e distante. Deus deu de ombros e saiu. É, isso não melhorou Sua divina fossa, mas Deus supera. Ele sempre se reinventa. Quando Deus estava na cozinha e o Lu pode ouvir o remexido das panelas, finalmente revelou o que a muito custo ocultara de Deus, quando este entrou de surpresa no quarto: era um outro álbum de fotografias, só que bem mais novo que o de Deus.

Secretamente, o Lu ia visitar o homem e a mulher no bosque onde Deus os deixara, havia tantos anos. Entabulavam umas conversas, tiravam umas fotos, mas nunca foram íntimos de verdade. Os homem e a mulher estavam muito mais independentes e espertos, é claro, e ora vejam, tinham filhotes! Também construíram cabanas, sandálias, botes a remo! Os dois pareciam ir muito bem e aparentemente, não sentiam falta nem de Deus nem do Lu. Mas o Lu não desistia, e todo ano voltava lá.

O Lu queria saber e não entendia, do que diabos eles riam tanto.