quarta-feira, novembro 29, 2006

O poodle que aparece no terceiro quadro é o Floco, o cachorro da mamãe. Ele realmente cruza as patinhas quando fica deitado. É tão... gay, que é engraçado.

terça-feira, novembro 28, 2006





Dois ícones para animar. Os temas? Cliente e orçamento. Ficou bobinho mas gostei.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Opa, parece que alguém se deu mal....

quinta-feira, novembro 23, 2006

Da série: como isso é feito? Bom, nem eu sei como é feito, mas sei qual é o preço: uma dor na nuca e o braço dói.

Essa é a metade de uma página. E lá vamos nós!





quarta-feira, novembro 22, 2006

Só faltam 13 páginas - ou 13 dias úteis - pra concluir a HQ secreta. Daí a gente manda pra editora e papo vem e papo vai, definiremos a capa.

Quando a capa estiver pronta eu publico aqui e escancaro de vez sobre o que é a HQ, blz? Aproveito e conto a história toda, de como rolou o convite e tal. Aguardai, portanto.



Foto de metade da página 6 do capítulo 8, tirada no chão mesmo. O gordão bigodudo se parece comigo, depois que eu vi.

terça-feira, novembro 21, 2006

300



Com essa, são 300 postagens desde setembro de 2005.
Nada mal pra quem não tinha assunto.

Obrigado a VOCÊ, leitor amigo, pela presença e pelo feedback. Afinal, eu me debruço na beira do abismo todo dia não para saltar, mas para ouvir meu eco.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Vai uma mãozinha aí?



Reminigráficas autobiocências

Meu objetivo com esse blog sempre foi facilitar a vida da minha biógrafa. Resolvi escancarar algumas coisas para evitar que ela deduza tudo por si mesma e descubra, afinal, o idiota que sou. Mas vamos aos fatos.

Minha bisavó, que morreu nos anos 60, achava estranhíssimo que se vendessem ovos num supermercado. Isso porque muita gente mantinha galinhas em quintais, e delas recolhiam os ovos frescos. Comprar ovos soava algo tão estranho quanto pagar pedágio para atravessar a calçada. Ou cobrarem impostos pela paisagem. Eu mesmo tive meu instante de: oh!-como-as-coisas-mudam. Foi quando vi cajus pra vender num supermercado - provavelmente o mesmo que a Bisa freqüentava. Como passei minha infância num sítio, a gente pegava toneladas de cajus no pé, de graça. Mundo estranho, esse.

Falando em sítio, morei num de 1982 a 1985. Puxa, parece que foram décadas. Nossa casa ficava nos contrafortes da serra de Maranguape, numa localidade chamada Mucunã. Lembro que o pôr-do-sol lá em casa ocorria às quatro da tarde, pois o sol se escondia por trás das serranias e só depois, descambava na Borda do Mundo. Bons tempos. Pois bem, uma vez o gato entrou em casa carregando um calango na boca. Fiquei assustadíssimo, e enxotei o pobre bichano da sala. Eu costumava assistir TV deitado no tapete. Imagine o susto quando o gato chega e joga no seu peito um lagarto morto.

Só depois, muito tempo depois, entendi que é assim que os gatos expressam seu amor. Nada é mais sagrado para um gato que sua comida. Quando, literalmente, o gato o convida para jantar, é sinal que ele nos considera um amigo, e um igual. Se eu soubesse disso antes, não teria afogado o pobre gatinho numa tina. Brincadeirinha!!!!

Há pouco, passamos pelo Dia das Bruxas. No sítio, a gente também comemorava, por assim dizer, o dia das bruxas. Aqui no Ceará chamamos abóbora de gerimum. Mas sempre achei o gerimum muito complicado para fazer aquela careta esculpida, e então, desenvolvemos uma técnica alternativa: caveiras esculpidas em mamões.

Mamoeiros no Brasil são como mato. Pegamos então um mamão verde - só presta se for verde - e descascamos o bicho com cuidado. Note que ele nu, vai ficar branco, como um rosto descarnado. Abra um buraco em cima, em formato de tampinha, e retire a polpa e as sementes. Depois que a fruta estiver oca, faça os buracos dos olhos, da boca e do nariz e acenda uma vela dentro. A luz da vela fará com que a caveira fique transparente, e genuinamente assustadora.

De nada pela dica.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Estamos com mais de 180 páginas desenhadas. Vai ser um livrão - no sentido macroscópico, claro.

Mais um dia, mais uma página.



Nulla dies sine linea.

O provérbio referido, nulla dies sine linea (“nem um dia sem uma linha”) tem origem em Plínio. Mas não se refere à escrita. Refere-se ao desenho. Refere-se ao pintor ateniense Apeles, que nos ensinou que a Verdade se pinta nua.

Peguei aqui, ó:

http://abrupto.blogspot.com/2005_12_01_abrupto_archive.html

quinta-feira, novembro 16, 2006

Dessa vez, a página da HQ secreta está cortada para não revelar detalhes comprometedores - no caso, o jovenzinho é o amante do velhote. Aí já viu, né?



Rushmore

Não sei por que eu me preocupo com isso, mas lá vai.

Os americanos deveriam esculpir um novo Monte Rushmore. Não que eles devam dinamitar os rostos dos quatro presidentes que lá estão retratados, mas construir um novinho em folha, em algum outro lugar, com novas caras.

Os quatro presidentes esculpidos na rocha são o general Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln. Dois presidentes do século 18 e dois do século 19. Não sei qual o critério de escolha, pois à exceção de Washington - fundador da coisa toda e Lincoln - um estadista inquestionável; os outros dois podem ser passíveis de críticas. O fato é que o negócio colou.

Minha proposta é que os americanos esculpam ( desculpe o palavrão ) o rosto de quatro novos presidentes, mas dessa vez contemplando o século 20. Aí é que a coisa pode complicar.

Provavelmente vocês hão de concordar que o rosto do Franklin Roosevelt - sobrinho do Ted - e o do Jonh Kennedy sejam unanimidades. E os dois que faltam?

Já tenho minhas escolhas - acreditem ou não, eu faço um rascunho mental do post antes de publicá-lo. E minhas escolhas caem, só pra polemizar, nos rostos do Nixon e do Reagan. Não falei que a coisa ficaria quente?

Nenhum dos dois é modelo de virtude, mas ora diabos, quem disse que o fator de escolha foi o caráter? Atire a primeira pedra... O caso aqui é importância histórica, e se seu mandato foi importante - positiva ou negativamente - para o país e para o mundo. O Nixon atolou os EUA na Guerra do Vietnam mas foi no seu mandato que a Apolo 11 chegou à Lua. Aliás, a meta de chegar à Lua antes do fim da década de 60 foi proposta pelo eterno rival do Nixon, Jonh Kennedy. Seria uma fina ironia do destino se os rostos de ambos estivessem lado a lado, impressos no granito por toda a eternidade.

Sobre o Reagan não há muito o que se questionar. Invasão de Granada, intromissão nos assuntos da Nicarágua e a cereja do bolo: a criação de Saddam Hussein e Bin Ladem. Ele foi um presidente importante e que exerceu dois mandatos. Acho que sua cara impressa na rocha diz mais sobre o século 20 que a face de digamos, Jimmy Carter.

E o Brasil?

Os presidentes do Brasil foram todos eles ditadores, caudilhos, marechais, entreguistas, golpistas, serviçais, criminosos, omissos, néscios ou simplesmente; ladrões. Um ou outro foi eleito pelo voto popular e a História lhe fará crédito.

Se não tivermos mais nada o que fazer, e for muito complicado construir uma pirâmide; proponho que o Pão de Acúcar no Rio de Janeiro seja escanhoado e nele sejam esculpidas as faces de Deodoro, Getúlio, Juscelino e Collor de Mello. Se a obra não atrair turistas ou então o respeito do povo, será pelo menos um belo alvo para bazucas.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Tô contente com umas coisas. A principal delas é que a HQ secreta caminha pra sua conclusão. Agora já vejo a linha de chegada, logo após a curva.

Olha outra página pronta!

terça-feira, novembro 14, 2006

Terminei o desenho do capítulo 7, e agora, parto pro 8. Tamos quase lá...



Os 5 anos desde 2006

Esses cinco anos não foram fáceis, mas acho que depois de tanto tempo, já é possível escrever um breve retrospecto do que foi esse período que botou o mundo de cabeça pra baixo. Nem o fato de que escrevo num bunker de concreto me demove da idéia que ora diabos, foram anos até bem divertidos. Ei-los, veja do quê você lembra também.

2007

Maremoto destrói boa parte da costa leste do Brasil, escavando novas enseadas e baías, fazendo com que se mudasse todo o perfil do litoral. Olhando o novo desenho do mapa, o que eram as costas do Brasil agora se parecem, levemente, com uma caricatura do Juca Chaves.

Com as cidades litorâneas arrasadas, migrações em massa se dirigem às cidades do interior do país, e Palmas, no Tocantins, triplica a população. O único problema foi achar estacionamento para as sete kombis dos refugiados.

2008

Os Estados Unidos simplificam de vez a corrida presidencial. Literalmente, o novo presidente será o que ganhar uma prova de velocidade na avenida Pensilvânia, tendo como chegada, obviamente, a Casa Branca. As novidades não param por aí. Pela primeira vez, duas candidatas entraram na prova com chances iguais. De fato, na reta final, tiveram que usar um dispositivo eletrônico para desempatar a corrida. Paris Hilton ganha da concorrente, Pamela Anderson, pela diferença de um nariz.

O período de rotação da Terra sofre um atraso de 1 segundo, depois que todos os chineses pularam juntos, comemorando o êxito do país nas olimpíadas de Pequim. Como prova de boa vontade, os dirigentes chineses tornaram a Internet livre de censura por vinte minutos.

2009

Bin Laden foi finalmente achado. O vil terrorista tirara a barba e estava escondido no Brasil, disfarçado como Caetano Veloso. Ignora-se, no entando, o paradeiro do artista baiano. Especula-se que o compositor de Cá-Já tenha deixado a barba crescer e agora esteja pra lá de Teerã.

Uma gata dá à luz a um cachorrinho. Um avestruz choca um ovo de jacaré. Um petista devolve dinheiro público roubado e o papa ergue uma estátua do imperador Vespasiano em plena praça de São Pedro.

2010

O ano em que perdemos contato. Crise geral de inadimplência derruba a telefonia celular em todo o mundo. Começa uma nova idade das trevas, pois o único meio de comunicação disponível é o U.S. Postal Service.

Eleições no Brasil. Eurico Miranda conquista o Palácio do Planalto. Suicídios em massa, desespero, fome e guerra civil. Mas pelo menos ele deixou o Vasco em paz e o time das Laranjeiras vence o Brasileirão de 2011 com ampla folga.

2011

Asteróide devasta a Austrália, lançando bilhões de toneladas de poeira e detritos na atmosfera, tapando o sol por décadas. Nova Idade do Gelo se inicia, piorando o que já estava catastrófico. Profissões em baixa nessa época: afinador de didjeridus, surfista e construtor de relógios solares. Profissões em alta: instrutor de esqui na neve, profetas do apocalipse e sujeitos com prática em eutanásia.

Lá pelo finzinho do ano uma boa notícia, pra variar. Cientistas concluíram que a carne humana substitui com vantagens as proteínas da carne bovina, o que aumenta a chance de sobrevivência dos demais. E os humanos cozinham mais rápido.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Outro trecho do estúdio, outro trecho da HQ secreta.

Nosso heróis agora descem da balsa e caem na noite do Rio de Janeiro, provavelmente indo para o Cabaré da Pirrita. Lá, vão encher a lata e aparar os cornos de tanto beber.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Outro trecho da HQ secreta. Com a aproximação dos términos do trabalho, tô ficando mais ousado e liberando geral (opa!). Aqui vai uma página inteira procês. Ainda sem o texto, obviamente.



quarta-feira, novembro 08, 2006

O Dado Rorschach



Inventei um método infalível de inferência, que me tornaria insanamente rico se eu fosse americano. Mas como sou um pobre capiau das embrenhas, tudo o que posso fazer é divulgar meu método para o mundo e esperar que, seja lá quem desenvolva a idéia, me agracie com 10% dos lucros. Combinado?

O método é simples: fiz um dado de seis faces que exibe em cada uma delas, uma figura aleatória qualquer. Fiz essas figuras pingando tinta nanquim numa folha de papel, e depois de compor o dado, ele funciona como uma espécie de teste de Rorschach de bolso.

Veja as fotos:









Falei que o método é infalível pois muitas vezes, ao se formular uma pergunta sobre um tema que nos aflige, já temos a resposta pronta. O que precisamos é de uma validação digamos, imparcial para a coisa. Ou então, muitas vezes queremos crer que o divino age em nossas vidas. Assim, quando temos uma dúvida que nos angustia, como por exemplo: - viajo para Campinas ou fico aqui e assumo o bebê? - é comum outorgarmos essa decisão ao acaso. Se aquele pássaro voar nos próximos cinco segundos, eu viajo, se ele permanecer no fio do poste eu fico. Mas como eu disse, essa é uma decisão fajuta, pois sabemos a resposta ao formularmos a pergunta. Aliás, na ciência, a boa formulação de uma pergunta é meio caminho para sua solução.

Olhar nuvens e enxergar figuras reconhecíveis onde só há, evidentemente, flocos de água e ar é a forma clássica de se acessar o subconsiente. A gente vê o que quer. Ou na melhor das hipóteses, o que sente. Em geral, não gosto que a sorte decida. Quero pensar que estou no controle, como se a vida já não fosse cótica demais por si só. Assim, prefiro não recorrer a artifícios que limitem, ainda mais, meu já tolhido livre arbítrio. Mas meu método não versa sobre decisões, e sim, sobre consultas. Tô mais pro I Ching que pros búzios e a quiromancia, se é que me entendem.

Um dado de seis faces com cada face tendo um número de 1 a 6 é um modelo monoaxial, ou seja, tanto faz se o número 5 sair de cabeça para baixo com relação ao seu referencial: o valor não mudou. Mas se o dado seguir meu método, ele se torna um modelo quadriaxial, pois cada figura muda de forma - e de percepção - conforme o alinhamente com seus olhos.

Sua própria interpretação da figura que surgir lhe dará a resposta que procura.

Vamos para a prática.

Formule uma pergunta.

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Pronto?

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Agora diga-me: o que você vê?

terça-feira, novembro 07, 2006

Instantâneos (alguém ainda usa esse termo? ) da HQ secreta e do estúdio, aqui em casa.



Por baixo do desenho está o roteiro do capítulo 7, convenientemente oculto em suas partes reveladoras pela folha de papel.



Minha salinha, onde faço os desenhos e coisa e tal. A senhorinha Menininha, minha estagiária de publicidade, não aparece na foto porque ele está na cozinha fazendo um café pra mim.

O que estou lendo:

O Diário de David Palmer

David Palmer foi presidente dos Estados Unidos e irmão da Laura Palmer - que também tem um diário publicado, ora vejam. Foi morto num atentado terrorista meio confuso, é complicado explicar aqui. Estou na parte em que ele dá em cima da Condi Rice, antiga colega de faculdade. Hum, adoro literatura apimentada.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Da série: vida dura



Aí estou com o Gadelha na barraquinha do camarão. O local não tem nome, só os cabeças-chatas sabem onde é, fica atrás do mercado de peixe do Mucuripe. Come-se feito um yet faminto e paga-se como um hindu. A paisagem é de graça.

Abaixo, a pracinha da Marinha que fica em frente à entrada do Porto do Mucuripe. Tirei uma foto da pitoresca torre de submarino que colocaram lá, vejam a presepada.





Com a ajuda do onipresente Google Earth, coloquei essa seqüência de fotos tiradas de um mesmo ponto, no caso, o Farol do Mucuripe e a praia do Titãzinho..









Esse local, que parece uma encosta californiana é o ponto culminante mais ao norte de Fortaleza, pelo menos, até onde os milicos não cercaram e impediram a entrada. Atrás de mim, viajando em linha reta, chega-se na Groenlândia sem escalas.

Já que eu estou a cara do Ednardo, se ele fosse gordo e buchudo, resolvi colocar a letra da música Ingazeiras, que ele fez com a Mona Gadelha. Não sabia, mas a música é uma homenagem ao Aldemir Martins, genial pintor que nasceu no interior do Ceará, e morreu ano passado.

Segue também um link com uma carta muito bonita escrita pelo Ednardo sobre a morte do amigo.

Ingazeiras

Mona Gadelha e Ednardo

Nascido pela Ingazeiras
Criado no oco do mundo
Meus sonhos descendo ladeiras
Varando cancelas
Abrindo porteiras
Sem ter o espanto da morte
Nem do ronco do trovão
O sul, a sorte, a estrada, me seduz
É ouro, é pó, é ouro em pó que reluz
O sul, a sorte, a estrada me seduz

http://www.gd.com.br/ednardo/materi39.htm

sexta-feira, novembro 03, 2006

Esses aí embaixo são o Bart - vulgo Bolinha, na 85ª DP - e o Arthur, meu sobrinho que chega da Longa Viagem em janeiro. O desenho é para um bordado pro enxoval dele. Ainda falta fazer o desenho com a Vivizoca, esposa do Bart. Depois eu coloco aqui.



A job that slowly kills you

Na época de Adão e Eva, a vida era boa. Vivíamos nus, trepávamos nas árvores e subíamos nos arbustos. Mas aí a moleza acabou. Deus nos expulsou do Paraíso a pedradas, por causa de um mal entendido sobre as leis do condomínio. Velho safado.

Se fosse hoje, poderíamos processá-Lo de acordo com as leis do inquilinato e por assédio moral. Seria legal, só pra variar, se despejássemos Deus do Reino Celestial e Ele tivesse que se virar só com a túnica do corpo. Talvez fosse mendigar um quartinho num cortiço na Terra para viver. Isso seria bom, aproximaria Deus de quem precisa Dele. Mas esquece, que advogado, mesmo ganancioso como um corso, pegaria uma causa dessas? Ainda mais contra o Cara mais poderoso do Universo. Mas eu me perdi, falava sobre o quê? Ah, o trabalho.

Desde que fomos expulsos, a sina que pesa sobre nossos ombros é que temos que trabalhar para viver. Ao contrário do que dizem meus amigos protestantes, o trabalho é uma maldição de Deus, não um privilégio ou uma dádiva de quem acorda cedo.

Existem trabalhos menos malditos que outros. Meu trabalho, por exemplo. Uma moleza. Faço bonequinhos e garranchos em papel e as pessoas me pagam para ter esses garranchos. Dói um pouco o punho, mas em geral a grana é suficiente para pagar a conta do bar, e as pessoas ainda me elogiam por saber desenhar um O sem a ajuda de uma quenga de coco.

Mas existem trabalhos que vou te contar.

Aqui no Ceará nós temos uma categoria profissional chamada afinador de zabumba. Basicamente esse cidadão passa os dias vendo se o couro do tambor está bem esticado, se as cordas estão bem apertadas, se o tum tum está no padrão da FUDEC - Forrozeiros Unidos do Estado do Ceará -, e por aí vai. Ele ganha por produção, então o ritmo de trabalho é puxado. Eles sempre trabalham com um copo de cachaça do lado, para verificar a afinação da zabumba, como os caras da Rolls Royce usam uma taça de champanhe em cima do capô do carro para verificar a afinação do motor. O problema é que nosso virtuose sempre vira o copo de cachaça de uma talagada só, e depois de vinte visitas ao longo do dia, a afinação dos instrumentos variam de banda para banda. Deve ser por isso que nenhuma presta.

O Ceará lidera a produção nacional da carne de tejo, preá, calango, socó e briba. O Governo contrata degustadores para darem seu aval sobre a qualidade dos petiscos, pois essas carnes exóticas são exportadas para o Japão, Cingapura, Coréia do Sul e Juazeiro do Norte, pois lá as pessoas dão valor às iguarias, mas são deveras exigentes. A briba, por exemplo, mais conhecida no Sudeste como lagartixa, deve ser servida em óleos vegetais que valorizem a natural transparência da pele do animal e o buoquet de caça, próprio da espécie. Os melhores degustadores do Ceará são recrutados nas imediações do vale dos Inhamuns, mas também já vi gente vindo do Raso da Catarina e até mesmo do Norte de Minas.

Por fim, o trabalho mais ingrato do Ceará é o do construtor de paus-de-arara. Pra quem não sabe, o pau-de-arara é um tradicional meio de transporte de massas que consiste num caminhão que tem sua carroceria adaptada para que se coloquem banquinhos, e uma estrutura de suporte que serve como cobertura e apoio para fixação das redes. Eu mesmo já viajei de pau-de-arara quendo fui a Jeri, num dia chuvoso, e ainda hoje lembro da marmota. Essa profissão - a de construtor de paus-de-arara -; está em vias de extinção, por causa da concorrência desleal da Gol, da TAM e da BRA.

Assim não dá, onde vamos parar?

quinta-feira, novembro 02, 2006

A vertigem da queda

Olha essa doida, tomando sol na beira dum penhasco. É muita confiança no Anjo da Guarda ou ela sabe uma ou outra coisa sobre a gravidade que a gente não sabe.



Falando nisso, gravei o gato da minha vó caindo da varanda do 10° andar do prédio, e se esborrachando no chão. As imagens ficaram tão boas que coloquei no You Tube. Vou logo avisando: só veja se tiver nervos de aço! Se você não tolera esse tipo de imagem mórbida, nem olhe. Queria muito que você visse, mas não ultrapasse seus limites. Eu vou entender.

Có, có, cóóó có có ró!!!

quarta-feira, novembro 01, 2006

Rough Draft

Olha que legal: coloquei cinco etapas da produção de uma página da HQ secreta. Na verdade, apenas meia página, pois desenho em duas folhas de A4 para que juntas, façam uma A3.

Bom, nessa parte da aventura, os dois personagens principais, o Sargento Pimenta e Migraine Boy têm que pegar uma balsa para o Rio de Janeiro. Ok, ok, estou falando a verdade! Uma parte da HQ realmente se passa no Rio. Espero que meus amigos cariocas não arranquem meu couro por causa das incongruências geográficas. Desculpem se na nossa ficção o contorno das montanhas é aleatório e a Barra está do lado da Glória. A Globo vive fazendo isso!

Aliás, José de Alencar é pródigo nessas marmotas. No romance Iracema, ele bota a índia pra tomar banho na Bica do Ipu, mas ela mora com os pais na aldeia da Messejana. Messejana é hoje um bairro da grande Fortaleza, e fica a uns 400Km da cidade de Ipu. A distância na época do Alencar era a mesma, suponho, afinal as cidades não escorregam.