sexta-feira, dezembro 29, 2006

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Dessa vez uma tirinha, ainda sobre os desenhos da cartilha de segurança bancária.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Outro desenho da cartilha sobre segurança e ética nas operações bancárias. O mote é: cuidado com negociatas por debaixo dos panos, que isso dá cana, menino!



O nome da rosa II

Tenho duas assinaturas que uso regularmente, não sei se já contei aqui. E isso não é o rascunho da confissão prum prontuário da PF, mas apenas a constatação óbvia, pelo menos pra mim, que tenho uma vida oficial e uma outra profissional, correndo paralelas.

Minha assinatura oficial, aquela registrada na carteira de identidade e nas papeladas de cartório não tem nada a ver com a rubrica com que assino meus desenhos, inclusive o exemplo aí de cima. Quando mais novo, eu preenchia meus cheques assinando Hemeterio 1989, por exemplo, o que acarretava certos transtornos com o banco. Parece que o Picasso e o Ziraldo tinham problemas parecidos, mas não sei como cada um resolveu o dilema. O Picasso sem dúvida se divertia, fazendo o cheque valer 100 vezes mais com sua assinatura e um desenho.

Minha solução, como já disse, foi criar uma espécie de Mr. Hyde e Dr. Jekill, sendo que considero o monstro como minha melhor personalidade. Me sinto um embusteiro quando tenho que assinar algo usando a assinatura oficial, a do Dr. Jekill. Seria legal se enquanto manuseio a caneta, o monstro assumisse o controle e ao lado da assinatura verdadeira, no livro de casamentos do cartório, ele desenhasse uma carinha de um enforcado com a língua pra fora, mas o Dr. Jekill ainda está no controle. E o tabelião não tem senso de humor, aposto.

Certa vez, ambos os egos se chocaram de verdade. Eu estava na salinha de troféus do Grêmio, em Porto Alegre. Salinha é modo de dizer. Era uma enorme vitrine com todos os títulos que um clube de futebol pode conquistar. Fui registar minha assinatura no livro de visitas e desenhei uma carinha toda contente ao lado do meu nome. A moça que estava na recepção, uma alemã meio nazistona ficou fula. Mandou que eu apagasse o desenho, pois ali só era lugar de assinaturas. Para minha defesa (?), disse que usei o espaço que me era devido, não invadindo nem a linha de cima, já ocupada, nem a de baixo, ainda vaga. Realmente não entendi o motivo de tanta zanga. Com o rabo entre as pernas, apaguei meu desenho com o liquid paper que ela prontamente arremessou na minha cara e logo em seguida, fui dar queixa na sala da diretoria. Tudo deu em nada, ora bolas, mas desejo que minha alemãzona esteja hoje viva e bem, e que não tenha tido um ataque de bílis tentando contolar toda essa fúria. Paz.

Talvez tenha sido esse trauma o estopim para a separação das duas personalidades, a do artista e a do miserável pagador de impostos, cidadão otário e eleitor - o que vem dar na mesma. Hoje, ambos convivem numa boa. Guardo minhas gracinhas para este blog e meus desenhos, enquanto o idiota do Dr. Jekill vai ao Detran resolver a pendenga com a multa, ou comprar pão na padaria. Compreendi que meu senso de humor peculiar não é compreendido por muita gente, um contingente digamos assim, do tamanho de boa parte do mundo ocidental. E que ninguém, nem mesmo o mulá de Kabul, compreende uma ironia.

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Hoje também estréia a coluna de um amigo meu, alcunhado de Bagman. Resolvi dar essa força pois até no Blogger ele foi recusado, e ninguém mais publicaria isso em sã consciência.

Assim, divirtam-se com esse meu amigo e grande chapa, cuja regularidade da coluna vai depender de fatores metafísicos e aleatórios, ou seja: mais ou menos quando ele tiver vontade.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Desenho para ilustrar uma cartilha sobre segurança financeira, ou sei lá o quê. Ao longo da semana vou postar mais desenhos por aqui, como de praxe.



Uma boa notícia. O jornalista Claude Bornél, do jornal O POVO, publicou uma matéria muito legal sobre a nossa futura HQ. Obrigado ao Claude pelo espaço e pelas palavras absurdamente gentis!

Vocês podem ler a coluna dele aqui ó, na versão pra web do jornal.

http://www.opovo.com.br/colunas/sequencial/657547.html

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Postulado de Narciso

Descobri uma parada,
enorme de tão séria:
é só sobre a vida, cara,
e a natureza da matéria.

Não continue a toada
se tiver sangue fino,
cérebro de coalhada,
e tripas de menino.

Ainda está aqui?
Eu avisei, saia agora!
Que curioso sagüi!
Pois direi, sem demora:

tal qual um acetato,
que se pinta pelo verso,
somos todos, de fato,
o que vemos em reverso!

Se duvida, meu amigo,
deste sábio conselho,
não ligue pro que digo,
mas... olhe-se no espelho.


quarta-feira, dezembro 20, 2006

A montagem da HQ

Os autores trabalhando!



A montagem da HQ sobre a Revolta da Chibata segue rápida. Enviamos uma parte dos desenhos para a Conrad e no comecinho de janeiro, entregaremos os quatro capítulos restantes, de números 6, 7, 8 e 9 concluídos.

Essa semana deve sair uma nota no jornal O Povo, daqui de Fortaleza, sobre a HQ. Faz parte da nossa divulgação prévia, tipo um teaser, para aguardar enquanto o livro não é impresso. Quando sair a nota eu divulgo aqui, ok?

Segue nosso release sobre o tema, já divulgado anteriormente pelo Blog dos Quadrinhos, saca só:

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Algumas histórias nos parecem estranhamente familiares. Quando se ouve falar em "Revolta da Chibata", a grande maioria tem vagas lembranças de aulas de história. Uma revolta de marinheiros, contra a chibata, que era a forma de punição utilizada nos navios e, finalmente, foi vitoriosa na abolição dessa prática.

Tem muito mais aí, porém, do que o currículo escolar alcança. Existiam maquinações políticas, tensões raciais e de classe – heranças dos tempos do império – e muitos outros motivos, além dos castigos corporais, que circulavam ao redor dessa crise, e fizeram os marujos se revoltarem contra a mesma marinha que juraram defender com a própria vida. Mas o que realmente aconteceu naqueles navios de guerra, durante as últimas semanas de 1910?

E especialmente: como João Cândido, um marinheiro pobre e negro, filho de escravos libertos, ascendeu ao comando do encouraçado Minas Gerais, na época o maior navio de guerra do mundo?

Tudo circula ao redor da figura do homem que recebeu da boca do povo o título de almirante negro. Acompanhando a vida desta figura excluída, censurada, sobre a qual não se podia falar, é que navegamos através de sete décadas, mostrando a sina daqueles que ousaram lutar pela causa da liberdade.

Mesclando dados biográficos, história da época, e narrativa ficcional, o livro que apresentamos (ainda sem título definido no momento), trata de resgatar a memória de um herói nacional, imperfeito, mas nem por isso menor, e apresenta a história de sua vida e seu tempo para os que não a conhecem.

"Graphic novel", em nove capítulos, preto-e-branco, 198 páginas. Arte de Hemeterio. Roteiro de Olinto Gadelha. Será publicado pela Editora Conrad, em meados de 2007.

Hemeterio, http://oiretemeh.blogspot.com

Olinto, http://www.ollie.com.br

quarta-feira, dezembro 13, 2006



Olhaí os dois autores, conduzindo uma barcaça de lixo radioativo.

Estamos na fase final de montagem. Leva mais ou menos uma semana pra compor cada capítulo, com os desenhos no lugar, mais os textos e balões. Mas tá tudo no cronograma.

terça-feira, dezembro 12, 2006

segunda-feira, dezembro 11, 2006

A Revolta da Chibata

Amigos, acabou de sair uma nota muito legal no Blog dos Quadrinhos sobre a nossa HQ. Agradeço aqui ao Paulo Ramos, capitão do blog, que foi extremamente gentil conosco e com a divulgação do projeto.

Pois é isso aí, povo! A HQ é sobre a Revolta da Chibata, e já está quase tudo pronto!

http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br

sexta-feira, dezembro 08, 2006



Mais uma página da HQ. Estamos na fase de montagem dos capítulos. Lá pelo começo de janeiro a gente entrega tudo pra editora. Seria premauto pensar na capa? Aguardai que semana que vem eu conto tudo!

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Mais uma página pronta da HQ secreta - que em breve, deixará de ser secreta. Semana que vem eu conto tudo!

P.S. não deu pra sacar?

terça-feira, dezembro 05, 2006

Era pra ser uma lagosta, mas ficou pavorosamente feia. Bom, uma lagosta é feia, né? O que importa é como ela é por dentro! A Link propaganda havia encomendado esse desenho ano passado, e resolveram aproveitá-lo para os jogos desse ano. Mas antes me ligaram perguntando se não havia problemas com direitos autorais e tal.

Adoraria cobrar royalties até pelos sonhos que conto, mas falei que não havia problema nenhum, pois afinal, eles pagaram bem e a idéia foi da agência. Eu só manejei as Uni-Pins.

O que eu gostei foi da elegância e do trato ético, raros hoje em dia, sobretudo nesse meio coalhado de Dudas.

Até que ficou bonitinho, não?





Mais palíndromos

Conforme prometido, aqui vão mais palíndromos que eu acho ter inventado. Qualquer semelhança com os palíndromos bolados por outra pessoa viva, morta ou acéfala, foi uma mera coincidência. Afinal, só temos 26 caracteres e 10 algarismos para trabalhar.

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Sobre as peculiaridades da política externa:
Auê só nos EUA!

Os intrincados caminhos da tecnologia:
É net nexo? Oxente, né?

Cada um no seu lugar:
Na toca, OTAN!

Arrumando o Fusca:
Aí, cabe bacia?

Zoofilia ou veterinária?
Só tapa patos.

Um famoso ator da Globo em ação:
Ota, o ator, trota o ato.

Lema dos gordinhos:
À trote e torta!

Não ligando o nome à pessoa:
É dedada da Dedé?

Como diria John Holmes:
É dura a rude!

Como diria Jamie Hyneman:
O Adan é de nada, ô!

Lua-de-mel frustrada:
Adan e Dedé? Nada!

Não deixa de ser verdade:
Rod é dor.

Depende da experiência de cada um:
A buceta assa até Cuba.

Nova bula papal, quem dera:
Assim: 1 mês sem 1 missa!

Triste destino de uma nação:
Oto selou o Lesoto.

Coisas de missionário germânico:
A bata alemã mela a taba.

É hoje!
Lima a mil!

Puto da vida:
Ódio doido.

Conclusão final:
Mega bobo? Bobagem!

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Ah, nesse fim de semana não tinha nada pra fazer e acabei bolando... mais de 100 palíndromos!

Aí tive um estalo: ora, por que não lançar um livro ilustrado só com palíndromos? As frases por si só já são hilariantes devido ao nonsense da coisa. Os desenhos devem ajudar a tornar tudo ainda mais maluco.

Portanto, vou guardar como inéditos os outros palíndromos que bolei. E se alguma editora se interessar, eu estou à disposição. Para me achar é muito fácil: bata palmas no entroncamento do viaduto com a avenida central que eu apareço. Ou aqui mesmo pelo blog:-)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Acaba, babaca!

A revista piauí de novembro tem uma reportagem divertidíssima sobre palíndromos. Inspirado no texto, e sem nenhuma técnica aparente ou patenteada, inventei de fazer umas frases e ora vejam só, acabei bolando mais de quarenta deles!

Quer uma placa de bronze por isso?

Não, não, obrigado, mas aceito a referência, se for citado por aí. Depois procurei no Google e um dos que bolei já havia sido inventado por alguém, justamente: Oi, rato otário!

Muito provavelmente. Afinal, o alfabeto é finito.

O que sobrou me parece original. Amanhã vou publicar o restante, ok?

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A respeito das vaidades humanas:
A vida da diva.

Sobre as imponderabilidades do trânsito:
Adia a ida.

Acidentes geográficos também merecem instrução e cuidados médicos:
Orós, o açude, educa o soro.

As delícias e as urgências da senilidade:
Acuda, caduca.

A promiscuidade letárgica dos caninos:
A leda cadela.

Atrasos comprometem a peça:
Adia a Aída.

Um ruminante diligente:
A vaca cava.

Os perigos do vulcanismo sem controle:
A lava cava lá.

Afastando um insistente e melífulo namorado:
Sai, rola calorias!

Filosofando sobre a política:
OTAN até é Tânato.

Merda acontece:
O coco no cocô.

Roteiro perdido de Lost:
Zed lota o atol dez.

Sobre o departamento de design da Volks:
Logo do Gol.

Das preces sincréticas que afastam maus olhados:
Oxalá, Alá. Xô!

O que um gato diria?
Oi, rato otário!

Tudo passa:
Acaba babaca!

Um sonho realizado:
A Lima casa Camila

Das preferências sexuais de cada um:
O cu oleoso é louco!

Sobre o nada e o nada a ver:
Oi, balofo! Meada é mofo lábio?

A coroa dá um caldo:
Ágil, a dona Dano dá liga.

De novo, néscios na política:
Oi, Renato! OTAN é Rio?

Os ofidiologistas e suas manhas:
A naja e a Jana.

Perigos do turismo sem guia:
Ai, latido! Totó d´Itália!

A fé urge:
Agora há roga.

Conseqüências de uma noitada no bacanal:
A gota na toga.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Agora só faltam 8 páginas!



Prestes, o prestativo

Cheguei ao bar e bradei a plenos pulmões: garçom, uma estupidamente! Imediatamente ele me mandou à merda com notável estupidez. Essa era uma tradição entre mim e o Prestes, meu garçom do Cornualha. Toda vez que eu chegava ele deveria me receber com um impropério que denotasse a mais cavalar falta de tato. Mulheres coravam, coroas franziam o cenho, adolescentes riam às pregas soltas. Isso era útil para nós dois: eu me divertia a valer e ele cultivava uma fama de indecente que era o charme do lugar. As pessoas iam ao Cornualha para ver quem o garçom iria insultar.

Como vai, doutor?, disse prestimonioso o Prestes. Vou bem, e você?, respondi. Vou servindo, disse com bom humor o Prestes - o de sempre? Sim, por favor. O de sempre a que ele se referira era uma cerveja boêmia long neck acomodada num isopor para garrafas de 600ml. As pessoas olhavam e achavam estranho aquela cervejinha sumida num isopor feito para cervejas muito maiores. Mas eu tinha uma teoria, e o Prestes me apoiava integralmente: se a cerveja fosse digna do nome, ou seja, uma pescoção, a qualquer momento ela colocaria a tampinha para fora da borda do isopor. Então eu ficava alguns minutos encarando sério a cerveja até que um dos dois desistisse. Obviamente eu deixava pra lá, e bebia minha cerveja assim mesmo, mas me divertia à beça com os cochichos do povo a perguntar o que eu olhava tanto.

Eu também aprontava umas com meu amigo Chalaça. Certa vez, combinamos com o Prestes que ele pregaria uma cerveja choca e já previamente aberta, por baixo do tampo da mesa. As mesas do Cornualha eram cobertas com uma toalha, então, ninguém via a arrumação. A certa altura, eu ou o Chalaça gritávamos para que o Prestes nos trouxesse o torsal e o funil. Eis que lá vinha de dentro do bar o Prestes com os apetrechos. Pegamos o torsal, longo como uma mangueira e acoplávamos o tubo no funil. Já sacaram, não? Passamos tudo para debaixo da mesa e fazíamos sons de prazer, como se evacuássemos meia Bica do Ipu ali entre as mesas do bar. Como a toalha protegesse a encenação, ninguém via que na verdade era a cerveja choca que era canalizada, amarelo cristalina, para a coxia da rua. Gente fina, o Prestes.

O Chalaça trabalhava numa produtora do Centro, e de lá roubara uma garrafa cenográfica, daquelas que os brigões de Saloon sempre quebram um na cabeça do outro. Mais uma vez, combinamos com o Prestes que lá pelas tantas, simularíamos uma discussão e um início de quebra-pau. Para impedir a balbúrdia, ele quebraria a garrafa de mentirinha na borda da mesa e ameaçaria, todo macho: ou dávamos o fora dali ou alguém ganharia cirurgicamente um segundo cu. Os clientes adoravam essas blagues!

Mas o que era bom dura pouco. O Prestes voltou pro Interior dele, em Mundaú, e o velho Cornualha nunca mais foi o mesmo. Se é verdade que para uma boa mágica a gente precisa da cumplicidade da platéia; para uma boa presepada a gente precisa de um parceiro com timing perfeito. Soubemos dia desses que o Prestes havia morrido, enquanto trabalhava no humilde boteco que ele montara na beira da praia. Talvez para relembrar os bons tempos, ou porque a idade lhe tirara o senso crítico e a noção do perigo; mas o fato é que ele resolvera brincar com um cliente e se deu mal. Serviu ao rapaz ostras coladas com Super-Bonder. Matuto não tem senso de humor.