terça-feira, abril 03, 2007

Encomendaram esse desenho e não disseram pra quê. Pareceu aquela cena de Amadeus, quando o Salieri, disfarçado, vem encomendar um réquien pro Wolfy. Fiz o desenho e não fiz perguntas. Shhh!



Cristas e crinas

Convenhamos: nós, quindins de testosterona, só pensamos em mulher. E como não dá pra ter todas, muito menos a vizinha gostosa do andar de cima, acontecem as frustrações, os traumas, os recalques. Essa energia não utilizada no amor é canalizada para a arte, o esporte ou mais comumente, para a guerra. Curioso que as guerras são travadas, principalmente, por jovens machos solteiros. Ou você acha que o velho e barrigudo macaco alfa iria se meter num arranca-rabo desses? Ele tem um harém pra cuidar, pô!

Deveria haver uma forma mais eficiente de se aproveitar nossos hormônios, não? Gasta-se muito tempo e energia na corte. E às vezes, esse flerte acontece a cada fim de semana, gerando uma demanda sem fim de novos papos, novas abordagens e o que é pior: mais crédito no cartão. No fim das contas, sobra muito pouco tempo para atividades não-reprodutivas, como arar as terras ou arrumar o quarto. É difícil se concentrar em algo quando se caminha atrás de um jeans bem recheado.

Não sei quanto a vocês, mas eu me apaixono a cada dobrar de esquina. Várias vezes, distraído, eu começava a elaborar um pensamento original, que poderia se materializar num desenho novo ou num tema para um livro, quando tudo se esvai numa nuvem de fumaça durante a passagem de uma bela cabrocha em roupas de academia. É por isso que os trópicos nunca produziram um filósofo que preste, é muita distração.

Subitamente, percebi que os animais também lidam com os mesmos problemas. Ora, quando apaixonados, os animais agem como bobos para impressionar as fêmeas e baixam a guarda. Em vez de estarem atentos a predadores, ficam, literalmente, se pavoneando em rituais de acasalamento sem sentido, como um jovem que observa uma bela garota na calçada e buzina, esquecendo-se que está dirigindo. Resultado? Para o pavão é a morte pelas garras de um chacal, e para o garotão, R$600 de franquia do seguro por amassar o para-choque do carro da frente.

A diferença é que a natureza resolveu as coisas, instituindo o período do cio. Assim, ao invés de ficaram o dia inteiro agindo como bobos, os animais reservam umas poucas semanas na primavera para se encharcarem de hormônios e aí sim, agirem como idiotas numa boa. No resto do ano, a atenção se volta para coisas realmente importantes, como comer, dormir e se coçar. E se a humanidade também tivesse um período de cio?

Ahá! Pelo menos no Brasil isso já existe, e chama-se Carnaval. Nessa época do ano, acontecem migrações em massa de jovens em busca de cópula, luxúria e uma geladinha. Geralmente, esses locais de acasalamento se concentram perto do equador, o que sem dúvida deve ter a ver com a ação do sol sobre o corpo e os miolos. O uso de pouca roupa faz valer essa tese, e os corpos adquirem tentadores tons de bronze durante esse festival. Curioso que o uso de cocares e adereços festivos evocam um passado ancestral em que deveríamos ter adotado o uso de crinas chamativas ou cristas malucas, tudo para chamar atenção um do outro. Talvez, no futuro, readquiramos esses adereços por seleção natural e saiamos por ai ostentando longas caudas coloridas. Quem sabe?

Além disso, no Carnaval todos os instintos afloram, e botam por terra nossa moralzinha judaico-cristã ocidental. A promiscuidade, tão comnum nos mamíferos, foi suprimida em nós por séculos de "educação formal". No Carnaval, valem os impulsos primais, e a soma disso é que todo mundo fica com todo mundo e assim, aumentam as chances de se encontar um bom parceiro ou parceira, para formarem uma prole. O fato de que o pai é um digitador do Maranhão e a mãe, uma balconista de Porto Alegre é uma outra questão, e se vê depois como se rencontrarão para criarem os filhotes.

No entanto, o Carnaval por si só não sustenta minha tese, pois pelo que vejo, no resto do ano a libido não diminui. Pelo contrário, ela aflora a todo momento e em todo lugar, fazendo com que a humanidade perca a cabeça freqüentemente. A solução para isso seria aquietar-se e casar com uma fêmea escolhida, mas essa é uma solução tampão. Tão errada como resolver a questão da AIDS criando um simbionte humano com o vírus. O que seria interessante é que os sete gêneros humanos pudessem se entregar à picardia sem culpa, e se possível, com carteirinha e o aval do governo. Assim, todos teriam sua cota e acabaria o stress.

A FODEBRAS é uma idéia distante?

4 Comments:

Blogger Zarastruta said...

Hemé,

E a minha encomenda?

11:24 PM  
Blogger Hemeterio said...

Calma, Z. Está a rolar.

3:34 AM  
Anonymous Anônimo said...

Olá Hemeterio, estava eu a navegar pelos sites de busca da vida a procura de desenhos de bebê, e qnd me dei conta estava na página do seu blog totalmente presa e entretida na leitura dos seus textos ... hilário alguns, mas tds com uma boa medida de inteligência bem humorada. Em fim, como não sou uma frequentadora do seu meio social e tão pouco nos conhecemos, resolví, pelo menos, te deixar um comentário para elogiar o seu bom humor e sua forma de escrever! Ganhaste uma fã Hemetério ... rs!
De uma admiradora carioca.

10:32 AM  
Blogger Hemeterio said...

Admiradora carioca, seu comentário foi tão fofo e carinhoso que estou te escrevendo flutuando a dois centímetros do chão. Brigadão pelas palavras gentis, fique à vontade para voltar sempre, viu? Um xêro!

10:46 AM  

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