domingo, abril 15, 2007

Marx e eu

Enquanto não descarregarem o conteúdo de uma biblioteca diretamente para o cérebro, seja por via de cabos ou implantes neurais, ler ainda é o método mais simples de aprender, se informar e se diverir. Ninguém duvida que nas últimas décadas a oferta de literatura, seja na forma de jornais impressos, revistas e livros subiu geometricamente. Com a Internet, o que já era profuso se tornou caótico - que é uma outra forma de dizer que o acesso se tornou fácil e democrático.

O problema, é: o que ler? Nossa vida é atribulada e muitas vezes nos falta tempo. Mesmo se um ferrenho leitor se dedicasse a um livro por semana, ao final de uma vida longa e feliz ele teria lido talvez uns... 4.000 livros? Essa quantidade de livros não lotaria o espaço útil de uma Kombi. E sabemos que mesmo as bibliotecas mais modestas têm milhares de livros e - angústia! - as editoras lançam centenas de títulos novos a cada ano. O dilema persiste: o que fazer?

A chave é ser seletivo.

No meu caso, costumo ler sobre assuntos que me interessam, como Ficção Científica, Astronomia e Pornografia - em geral, a pornografia fecha a noite. E principalmente, costumo seguir a dica de amigos. Foi assim que descobri o Kurt Vonnegut pela dica do Olinto, e o Simon Singh pela dica do Rodney. Obrigado, caras, nunca serei capaz de recompensá-los à altura. Se eu recomendar José Sarney pra vocês estamos quites?

Portanto, tomo muito cuidado antes de investir - esse é o termo certo - algumas horas de meu preciso tempo num livro ruim.

E se tem um livro que vale cada segundo de entretenimento, e cujo único defeito é ser curto demais, é essa autobiografia do Groucho Marx.



Groucho Marx
nasceu em 1895, em Nova York, e foi um genial comediante americano, contemporâneo de Charles Chaplin, George Bernard Shaw, Bob Hope e Stan Laurel e Oliver Hardy. Bem, na verdade, nós dois também fomos contemporâneos, pois ele morreu em 1977 e eu nasci em 1971. Não nos conhecemos porque morávamos em países diferentes e decididamente, haveria um choque de gerações que tornaria impossível nossas conversas. Mas que fomos, fomos.

O livro é terrivelmente engraçado, e mantêm o fôlego página a página. Você talvez é que tenha que parar para tomar ar, pois a sucessão de cenas cômicas, nonsense e tragicamente divertidas enfileiram-se como contas de pérolas. O tom do livro é também é confessional, sincero, e em alguns momentos, francamente emotivos. Mas sem nunca baixar a guarda.

O livro foi publicado em 1951 nos Estados Unidos, e como um raio, aportou por aqui em 1991. Consegui meu exemplar num sebo, e a bela capa foi feita pelo Guto Lacaz, artista paulistano dos melhores. Enfim, mesmo que seu interesse não seja especificamente o humor, a autobiografia funciona como um apanhado de pequenas crônicas, sob o ponto de vista de um arguto observador da - desculpem o trocadilho -; comédia humana.

3 Comments:

Blogger Edge said...

Aprender a pilotar helicopteros a la Matrix. operator. load me up

8:45 PM  
Anonymous Tino Freitas said...

Querido Hemet... conhecendo um pouco a sua verve e com o intuito de colaborar com a ocupação literária do espaço util da Kombi indico o MARAVILHOSO livro FUP, de John Dodge (Jose Olympio). Só para instigar, um dos personagens é um ganso gordo que adora uísque caseiro... vale a pena. Abraços musicais.

6:17 AM  
Blogger Hemeterio said...

Edge; seria sensacional! Mas tambem perigoso, as pessoas poderiam implantar memórias que não sçao as nossas, como alguém me fazer acreditar que eu tenha comido a Grace Kelly.

Tino; fui atrás de saber mais sobre o livro e achei um barato! Vou colocar na minha lista! Thanks for tip!

3:11 PM  

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