quarta-feira, abril 25, 2007

Tirinha encomendada aqui pelo chefe, não tenho a mínima idéia para qual fim maligno ela se destina, mas certamente deve ser pra sacanear alguém. Uma piada interna corporativa...



Otimismo pujante


Praga estava infestada de insetos naquela época do ano. As ruas eram uma só poça estagnada de mijo de prostitutas e vodka barata. O lixo acumulado era tanto que a capital, normalmente plana, rivalizava com Roma no número de colinas. Era a única cidade da Europa que tinha uma rua com o nome de Varíola e um playground chamado Gólgota.

Metade dos moradores da cidade prefeririam estar mortos, e a outra metade, queria pegar lepra para amenizar as dores. Só um habitante desse miserável vale de lágrimas parecia não se importar. Era F. Kafka, dono de uma pequena firma de dedetização. Certa vez, Kafka acordou e percebeu-se transformado num imenso... burguês! Aparentemente, não faltavam baratas em Praga e seus negócios iam muito bem. Comprou uma passagem de trem para Paris e nunca mais ouviu-se falar dele.

Os pomares foram dizimados pelo gás metano oriundo da decomposição dos fazendeiros. O comércio era na base do escambo: você me dá o que está segurando e eu solto seu pescoço. As estradas eram tão precárias que os corpos das mulas serviam para tapar os buracos. Ladeando as vias, a situação deteriorava-se cada vez mais. Primeiro, as margens foram ocupadas por antigos trigais. Depois, foram substituídos por cassinos. Depois, por depósitos de minas terrestres. Mais tarde, por empórios controlados pelos turcos e finalmente, ocupadas por creches administradas pelo governo.

Não havia água potável e uma greve dos oleiros acabara com os potes também. O ar era tão poluído que os poucos ricaços iam à Cidade do México para respirar um pouco de ar puro. A única fonte de renda de Praga era vender espaços nas praças públicas para o lixo radioativo que vinha da Polônia. A marginalidade tomara o poder, e o devolvera à população, enojados.

Mas nem tudo era caos, morte, podridão e shows de mímica. Lá longe, no horizonte, emoldurado pelo nascer do sol, era possível divisar claramente a mudança da estação: vários tanques soviéticos anunciavam a primavera.

4 Comments:

Blogger Muta said...

cara, sabe o que é mais coincidente do que o tema otimismo?

ontem mesmo acabei de ler a metamorfose, hahahaha.

a vida anda, digamos... se arrastando como o baratão em questão.

T+

7:37 AM  
Anonymous Roberto said...

Não tem nada a ver com o Post, mas acho que lhe interessa. :)

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1570556-EI238,00.html

Abraços

1:32 PM  
Blogger Hemeterio said...

Muta, puerra, taí uma coisa estranha!

Roberto, eu vi a marmota. Não sei se voc~e sabe, mas eu não posso mais passar lá por perto:-)

3:12 PM  
Blogger Roberto said...

Pq vc acha que eu rapidamente passei pra te avisar? :)

5:19 PM  

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