sexta-feira, abril 27, 2007

Trinta anos passam rápido. Recebi essas fotos que mostram minha velha Fortaleza nos anos 70 e agora, recentemente. As fotos são de cartões postais vagabundos, mas dá pra ter uma idéia da mudança.

Ainda temos problemas crônicos, como corpos espalhados pelas ruas, crianças portando peixeiras e uma epidemia de bandas de forró. Mas com os diabos, algumas coisas vão bem.




Across the Universe


Meu amigo Edge é o primeiro cidadão do mundo que eu conheci. Cearense, e por isso mesmo, destinado a ser um globetrotter, ele já trabalhou em todos os cantos da Terra, menos, que eu saiba, nos polos. Mas se precisassem de um programa para monitorar a migração das baleias azuis, não duvido que ele toparia passar o inverno no continente branco.

Atualmente, o cara está em Cingapura, moderna cidade-estado no entroncamento do mundo. De lá ele administra o sensacional www.superedge.com, onde discorre sobre a vida, o Universo e tudo mais, além do seu cotidiano e de sua famíla na Ásia. O site virou referência e embaixada informal pros brasileiros que se dirigem pra lá. Eu cobraria 10% dessa corja!

Recentemente, o Edge desabafou conosco sobre esse novo êxodo de brasileiros. Conversando com três amigos via msn, todos eles usaram a expressão: quem pode tá indo embora, praticamente ao mesmo tempo, sem saber que os outros estavam on-line conversando com ele. Detalhe: todos os quatro já estavam trabalhando no exterior.

O Edge falou: será esse o futuro do Brasil? A que ponto chegou nossa fé no futuro da nação, hein? Seu professor de OSPB deve estar triste.

Abaixo, segue a resposta que eu dei, que foi mais ou menos assim:

...---...

Eu defendo o inalienável direito à felicidade, seja aqui, ou alhures, seja por um brasileiro ou um - coitado! - paraibano, para qualquer parte do mundo que queiram ir. É claro que eu gostaria que o Ceará e o Brasil fossem um celeiro de cérebros, pois cada bom amigo e profissional que se vai o Estado fica mais burro, e assim nós não vamos pra frente não. Sem falar que restringe ainda mais minha possibilidade de bons papos, hoje restrita ao porteiro do prédio e ao trocador do Paranjana.

Foi migrando que o diabo dessa espécie humana povoou a Terra. Buscando pastos ou pomares maiores, enfim, atrás de uma vida melhor, é que estamos por aí. E por ali também. E acolá, veja! Vários países devem sua prosperidade à vinda de imigrantes especializados. Vale lembrar que os EUA não seriam essa pujança nuclear toda sem o pega-pra-capar entre os cientistas alemães, que acabou levando centenas deles pra trabalharem em subterrâneos secretos. E o que seria da polícia de NY sem os irlandeses? Polícia essa que por muito tempo, esteve ocupada caçando os italianos, veja como o ciclo se autoalimenta.

E tem mais, acho que viajar nos torna menos preconceituosos e mais tolerantes com as diferenças. A velha Alexandria ou mesmo Bagdá deviam sua prosperidade ao seu cosmopolitanismo e ao seu anti-xenofobismo. Essencialmente centros comercias, elas dependiam do livre trânsito de pessoas, idéias e mercadorias para que a cidade se tornasse viva. Quando isso acabou, foi a decadência. Nova York é o que é por causa do seu caldo cultural vastíssimo. Se a cidade fosse forçada a fechar seus portos ao estrangeiro, ela viraria o quê? Uma Havana temperada?

Não acho que nós decepcionamos nosso professor de OSPB, pois se duvidar, ele continua no mesmo cargo e no mesmo colégio d´antanho e teria muito orgulho - pra não dizer outra coisa - ; da gente.

Mas relax, cada nação tem sua hora. O Brasil, sem dúvida, será um grande país, nem que seja só a 24h do Apocalipse.

3 Comments:

Blogger Zarastruta said...

Hemé,

Muita diferença, parece que o Photoshop não era muito popular nos anos 70.

6:19 PM  
Blogger Edge said...

'eu sou brasileiro e nao desisto nunca'

bom...pra quem deixou o brasil, de certa forma desistiu, nao é?:(

O que não tem nada a ver com amar ou nao o pais. O amor é o mesmo, infelizmente a fé é que nao é. Espero que seja mesmo grande um dia, o prometido pais do futuro. mas nao tenho fé que vai pra frente do jeito que tá.
E se houvesse uma guerra civil? e se como a pobre Cingpura fez com a Malásia, o nordeste ficasse independente do Brasil e sem depender de ninguem viramos primeiro mundo?
Eu tenho mais fé nisso do que o Brasil chegar ao primeiro mundo.

abraco cara,
lisojeado pela menção no teu blog:) é uma alegria imensa

9:12 PM  
Anonymous Marco Aurelio Brasil said...

Hemetério, meu velho, o noticiário do último ano e meio só reforçou minha esperança e fé no futuro. Mas não exatamente deste país, e sim, no vindouro. Hugs!

1:48 PM  

Postar um comentário

<< Home