sexta-feira, maio 04, 2007

Abaixo, outro desenho pra revista interna aqui do Banco do Nordeste. O texto que serviu de inspiração pra figura fala de um brinquedo muito popular Brasil adentro, feito com latas de leite Ninho e cordas de Nylon ( observação: lembrar de cobrar o jabá da Nestlè e da Du Pont ), chamado adequadamente de pé-de-lata.

E o elefante em questão foi uma pálida tentativa de copiar o universo onírico-paquidérmico da Chiquinha. Pisc!




Brasil, um resumo


1500 - 1599

Portugal, no auge da Idade Média, encontra terras além-mar, apinhadas de gente no auge do Paleolítico. O choque entre essas duas civilizações traz vantagens expressivas para ambos os lados. Os europeus troxeram o tifo, a varíola, a Inquisição e a cachaça, e os nativos exportaram para a metrópole a febre-amarela, a malária, o Santo Daime e o bicho-de-pé.

Os nativos de Pindorama - que era o nome que eles davam à sua terra -, não se interessavam pela escrita, nem pela arte elaborada, nem pela construção de carroças com rodas, nem domesticavam animais. Passavam seu tempo colhendo bananas, fazendo guerra com outras tribos e tocando fogo na mata para plantar macaxeira. Os atuais habitantes continuam agindo da mesma forma, mas agora plantam soja.

Nessa época, as florestas forravam todo o território, e eram tão densas que os enormes troncos das árvores quase se tocavam. As matas eram tão vastas que demoraram 400 anos pra cortar metade. Essa incompetência nunca mais se repetiu. Agora, é possível devastar um hectare inteiro de selva num piscar de olhos, e provavelmente, ainda neste século XXI, completaremos a tarefa de derrubar o restante.

1600 - 1699

Todo o litoral estava salpicado de cidades e vilas. Curiosamente, ninguém se arriscava muito sertão adentro, talvez com medo de perder a caravela de volta e ficar preso aqui pra sempre. Para ocupar o tempo, o colonizador português resolveu plantar umas mudinhas de cana-de-açúcar. Mas precisavam de trabalhadores. Como o elemento nativo não quisesse colaborar, deixando de bom grado seus banhos de cachoeira e longas sonecas na rede, para trabalhar de graça de sol-a-sol à base de chibata; foi chamado de preguiçoso. Além disso, conheciam os caminhos e fugiam pras matas interiores. Assim, restou ao colonizador importar trabalhadores africanos, então no auge do Neolítico.

1700 - 1799

Descobriram ouro, muito ouro no terrítório. O que já era uma terra de ninguém se transformou de vez num entreposto de piratas e aventureiros de toda a laia. Portugal, já se transmutando num Império decadente, ordenhou a porca até não poder mais. De colônia problemática, o Brasil agora era praticamente sua única fonte de renda.

Tratados como cidadãos de terceira classe, e não sendo portugueses nem possuindo legalmente o próprio chão em que viviam, os incipientes brasileiros começaram a pensar em independência. Portugal não gostou da idéia e o pau comeu solto. Lembram daqueles aficanos? Pois é, a população escrava era maior que a de homens livres, mas estes tinham melhores armas. Os nativos originais ou foram mortos ou expulsos para as selvas bravias. Foi a época de ouro do Você-sabe-com-quem-tá-falando? Começava a se desenvolver um caráter nacional.

1800 - 1899

Fato inédito na história moderna: os senhores de engenho desalojam os escravos e vêm morar na senzala. A vinda da família real portuguesa ao Brasil esculhamba de vez o que restava de um mínimo respeito pela ordem e a autoridade. Íntimo dos brasileiros, agora o rei de Portugal vira carioca. Esquindô!

No entanto, o desejo de independência total ainda irriga muitas mentes. Não disposto a entregar o osso, Portugal concedeu a independência ao Brasil, mas com uma condição: o filho do rei de Portugal seria o rei do Brasil. A proposta foi efusivamente aceita, saudada com cânticos e festas por todo o jovem país. Eu mereço. Para mostrar que este é um país sério, contraímos uma enorme dívida com a Inglaterra e destruímos o Paraguai.

Movimentos anti-escravidão pipocam pelo país. A fim de contribuir com a eliminação da escravidão em nossa nação, o governo resolve eliminar alguns escravos mandando-os para a guerra com o Paraguai. A guerra termina, mas como o exército já estava embalado, aproveitaram e derrubaram o Império também, criando assim a República.

1900 - 1999

O otimismo encharca o Brasil. É dessa época a maior e mais importante contribuição do Brasil ao urbanismo mundial: a invenção da favela. Não conseguimos pagar aquela antiga dívida com a Inglaterra, mas nossos amigos estadunidenses nos emprestam mais e mais dinheiro, aí fica tudo bem.

A era dos golpes militares. O Brasil não consegue ter dez anos de estabilidade contínua, quando vem um novo golpe de estado e bota tudo de pernas pro ar novamente. A moeda e a Constituição são tão sólidas como as margens do Amazonas. Apesar disso, descobre-se finalmente que o Brasil tem de fato, um Q.I. constante. No entanto, a população aumenta.

2000 - ?

Basicamente, as cidades estão em guerra civil, e tudo o que a elite da população faz é macaquear a sintaxe bretã. Com a proximidade de ter seus outrora vastos recursos minados à exaustão, só restará ao Brasil as divisas oriundas das micaretas baianas e da prostituição senil. A infra-estrutura é falha e quando há estradas, elas estão esburacadas, e quando estão boas, o pedágio é muito caro. O que faz com que os motoristas optem por desviar para estradas esburacadas para burlar o pedágio.

A partir de agora, o que exponho é mera especulação. Mas tudo baseado em fatos e em análises históricas.

A Bolívia anexará o Brasil nos próximos anos, depois que o último presidente eleito, Felipe Dylon, for deposto. Com o aumento do nível dos mares, as cidades no litoral serão submersas e finalmente, Curitiba terá uma equipe de frescobol decente. O Nordeste do Brasil, cansado de tanta gozação por parte do restante do país, declarará independência da Bolívia e alugará seu território como depósito de lixo atômico da Venezuela.

No mais, nuns dias choverá e noutros dias baterá sol. Mas o que eu quero lhe dizer é que a coisa aqui tá... ó: Top! Top! Top!

2 Comments:

Blogger Edge said...

haha. lembrei agora do paulo silvinio com o Jo Soares:

"e a gente ó...top! top! top!! poxa, esse extrato de tomate enganchou mesmo na garrafa, hein?"

12:55 AM  
Blogger Hemeterio said...

Lembro disso, mas como desgraçadamente sou bem mais velho que tu, eu lembrei foi do Henfil e seus fradinhos!

Porra, o Henfil faz falta! Chuinf.

7:02 AM  

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