sexta-feira, maio 18, 2007

Cartilha para o Banco do Nordeste, sobre o regimento interno. Ainda está sem o texto.




Livre iniciativa

Há muito que o Brasil já é uma potência industrial, pelo menos no hemisfério sul. Isso, é claro, se não levarmos em conta a Austrália, a África do Sul, a Nova Zelândia, a sempre disposta Argentina e algumas ilhas do Índico que vendem água de coco. Mas tergiverso. O fato é que apesar dessa relativa pujança econômica, alguns dos bens fabricados por aqui ainda necessitam de certas melhorias para que se adequem de vez mais ao gosto do consumidor, seja daqui ou alhures. Deixo minha modesta contribuição na forma de inocentes dicas, quiçá, leves sugestões para que a indústria aprimore cada vez mais seus produtos. A seguir, uma lista do que pude lembrar, enquanto me recupero duma queda de rede.

Isopor de cerveja - O Brasil é líder mundial na fabricação de isopores pra cerveja. Recentemente, a indústria inovou e lançou um invólucro para latinhas, mas aqui quero me ater ao modelo clássico, para garrafas de 600ml. A tecnologia envolvida é eficiente, pois consegue conservar a cerveja bem gelada mesmo no calorzão de nossas praias. Mas nem tudo são flocos de poliestireno. Comumente, no fundo do recipiente, um desagradável chorume costuma ficar estagnado. O isopor nunca é limpo, senhoras e senhores. No máximo, o garçom do boteco sacode o conteúdo na sarjeta da rua e presto! Está pronto pra outra garrafa.

Minha proposta é que a indústria desenvolva um invólucro sem fundo, deixando a base da garrafa descoberta. Pequenas aletas garantiriam que a garrafa não escorregasse quando o biriteiro fosse abestecer o copo. Tive essa idéia ao observar o Luthor encaixando a Kryptonita verde num cilindro oco, formado pelos dos cristais do Superman - quando o vilão se preparava para criar aquele continente. Lembram do filme? Acho que ninguém assistiu aquilo. Por causa disso, vou chamar minha inovação de Lexbeer.

Panelinha de despacho - Sendo um país crente e sincrético por natureza, é imperdoável que as oferendas aos orixás sejam ofertadas em simples Tupperwares. Já está na hora da indústria desenvolver apetrechos próprios para os cultos afro-brasileiros, como já ocorre de sobra no cerimonial católico. A meu ver, deveria ser desenovolvido uma fôrma que comportasse perfeitamente o corpo de uma galinha preta, além do recipiente portar encaixes circulares para garrafas de cachaça. Esses encaixes seriam similares àqueles que podem ser encontrados facilmente em qualquer carro hoje em dia, para o transporte de latinhas de refrigerante. Seria oportuno que o kit viessem com uma tijelinha, semelhante às usadas para molho de soja, mas que no nosso caso, comportasse farofa. Acrescente-se uns encaixes para velas e aí estará o produto perfeito.

Um toque artístico seria bem-vindo na decoração dos recipientes, como ilustrações representando os orixás e santos-guerreiros. Tal qual as lancheiras com os diversos personagens de filmes, o kit poderia vir com desenhos irados de Ogum, Oxóssi e Xangô. No caso de Iemanjá, seu recipiente seria hidrodinâmico, evidentemente. Prevejo um sucesso estrondoso!

Encosto de porta - Em muitas casas do interior do Brasil, usa-se uma pedra como encosto de porta, impedindo que esta bata violentamente por causa do vento. Quanto mais sofisticada a moradia, mais ornamentado fica o utensílio. Por simples parecença morfológica, as pessoas pintam as pedras no formato de tartarugas ou tatus. Em alguns casos, costura-se um pequeno saco na forma desejada, depois de enchê-lo de areia. Aí está um exótico produto de exportação, e não entendo por que tal bugiganga ainda não ganhou o mundo.

Esse produto, se devidamente explorado, poderia alcançar o mesmo status dos apoiadores de livros, que são vendidos na forma de pares de elefantes ou halterofilistas, sempre como se estivessem empurrando coisas. Aí está uma idéia que espero, sirva de ponto de partida para muitos artesãos criativos. Para mim, quero apenas os habituais vinte por cento.

Puxa-saco - Uma notável exceção nessa lista. Já vi excelentes puxa-sacos à venda em magazines chiques, graças ao hábito arraigado em todas as classes sociais brasileiras, de se reaproveitar os saquinhos de plástico dos mercantis ( ou supermercados, às vezes esqueço que falo cearês ). Normalmente, os tais saquinhos são reciclados para acumular o lixo doméstico, mas não antes de serem postos para secar em varais de apartamentos, perfazendo curioso par com calcinhas e cuecas.

Os puxa-sacos têm o potencial de serem o mais bem sucedido produto de exportação do Brasil, se o empresário certo estiver lendo esse post ( clinc, clanc, plinc! - o som de uma registradora! ). Um bom formato de puxa-saco, é claro, seria o de um sujeito nu com os bagos de fora. Quando a dona de casa precisasse de um saco novo, era só passar a mão nos balangandãs do boneco para puxar dali um saco novinho. A criançada iria adorar.



E aqui está o meu puxa-saco, feito pela minha vó. Sensacional, não? Ela mesma fez os pontos de rendinha e costurou tudo, isso com a intrépida idade de 89 anos! Love, love, love...

3 Comments:

Blogger Edge said...

se a nova zelandia marca seu lugar no mundo com aquela fruta bestinha Kiwi, porque nao nós né?
nem que seja pra exportar 'cerol de arraia' :)

ah, eu vi tambem o 'S'

6:57 PM  
Anonymous Nanael Soubaim said...

Panelinha de despacho foi óptima! Mas a base gradeada para copos é uma excelente idéia, só demandaria a compra de uma matriz nova que, em muitos casos, se dá com menos de um ano de uso.

1:27 PM  
Anonymous André said...

Fala Hemetério!! Seu monstro niilista ficou muito legal - não sei se viu a minha tira logo abaixo. Vixi, rapaiz, seu blog é muito bom - estava lendo uns posts abaixo e tô rindo até agora!! E Fortaleza é uma cidade incrível! Já está convidado a conhecer meu blog! A caranguejada agradece a visita e fica feliz!

4:42 PM  

Postar um comentário

<< Home