quinta-feira, junho 28, 2007

Da série: o redator está bêbado. Isso ou o sujeito é um notório pândego, não é possível que alguém tenha escrito essa chamada, sem sacar o potencial de dubiedade inerente. Bah. Difícil é apagar a imagem mental do Charles...argh!


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Recentemente, respondi um questionário sobre o mercado de quadrinhos, preparado por um estudante de mestrado. Ou algo assim, não entendi direito. A tese dele é mapear a quantas anda a produção de quadrinhos por aqui e se possível, elaborar estratégias para o seu crescimento e coisa e tal. Bom, omiti as perguntas, mas dá pra deduzí-las a partir das respostas que dei. Aqui estão elas. Terei sido útil?
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Sou arquiteto, mas trabalho mesmo com desenhos e quadrinhos. Meu objetivo é continuar fazendo a mesma coisa, pois caso contrário vou me dar muito mal. Sou totalmente incompetente em outras áreas da atividade humana, e na temerária hipótese de ninguém mais me contratar, só vejo como saída profissional plantar chuchu na serra.
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Tenho dois livros de desenhos publicados e um terceiro e quarto a caminho. Meus projetos, além de estreitar a parceria com a editora Conrad, é também lançar mais títulos pela minha própria editora, a Heartbooks. Todos esse projetos já estão caminhando.
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Não tenho como qualificar a importância dos meus desenhos - se é que eles têm alguma. Minha função é continuar a criá-los e a publicá-los. O valor quem dará é o público e eventualmente, o tempo. O contexto, naturalmente, é dado pela época e pelo espaço em que vivo. Minha temática é contemporânea, assim como a técnica que utilizo, que se aproveita dos recursos que a tecnologia oferece. Detestaria ser datado por essa ou outra temática ou essa e outra técnica. Liberdade de estilo e de criação é a palavra.
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Meu público? Difícil definir, pois dependendo da encomenda, posso fazer uma ilustração tanto para adultos como pra crianças. Digamos que o jovem/adulto urbano, com bom nível de cultura pop.
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Os quadrinhos têm raio de alcance infinito. Tanto servem para alfabetizar como para divertir. A chance de aumentar esse raio de alcance é justamente estar sempre em evidência, ativo e trabalhando. Uma coisa gera a outra, e em geral uma idéia ou um possível cliente vêm até você a partir de uma referência anterior.
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Onde quero chegar? Ao Museu do Prado. Adoraria ter uma ala com meu nome, nem que fosse ao lado do lavabo.
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Não sou o melhor sujeito para responder essa pergunta, pois meu raio de interação está mais pra um eremita numa caverna que pra um publicitário hiperativo. Trabalho só, ou na maioria das vezes com meu sócio na heart ( minha empresa de desenhos). Não considero os outros desenhistas como concorrentes, pois nosso "produto" é difícil de comparar e as produções individuais são como compartimentos estanques. O que mais acontece, na verdade, é a colaboração entre todos, seja na forma de uma coletânia de trabalhos ou numa publicação em comum.
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No mais, como não existe uma Universidade de Quadrinhos - e se vier a existir a idéia é minha e ninguém tasca! - então, o mais freqüente é que a gente aprenda na marra: trabalhando e olhando o trabalhos dos outros. Exatamente como estudantes de arte visitando um museu.
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A resposta correta é a alternativa a e b.
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Já existe uma gênese nesse sentido aqui no Ceará, mas nada oficial, digamos assim. O contexto todo é muito orgânico, e à exceção de alguns enclaves no Rio e em São Paulo, todo mundo trabalha em sua redoma.
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Aqui vai um assunto delicado. Eu me considero um artista, mas também um operário padrão. Ou seja, há momentos em que tenho meus ataques de astro de rock e prefiro desenhar sem interferência, mas isso quando o contexto permite: numa exposição individual, num trabalho autoral etc. Mas sou um peão de obra carregando pedras quando o cliente assim exige, como por exemplo, ao fazer uma cartilha sobre a dengue para a prefeitura. Evidentemente as pessoas confiam em mim e sempre - sempre - tive muita liberdade, mas sei separar as coisas.
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Puxa, quanta coisa. Respondendo rápido:
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Forma de arte.
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Sim.
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Não mais.
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Sim, os quadrinhos estão em franca expansão, alguns até expostos em galerias de arte tradicionais.
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Não há essa crise de identidade, pois se o artista estiver insatisfeito, ele pode migrar entre as mídias, como por exemplo, passando a escrever ou a pintar.
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Não.
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Sim, falamos sobre isso logo acima. Quadrinhos são usados tanto para divertir como para educar. Qualquer seqüência de imagens, encadeadas de forma lógica, caem na definição de quadrinhos, mesmo que tenhamos que forçar a barra para encaixá-las. Os hieróglifos maias e egípcios são, em última análise, um arranjo de pictogramas que se lidos na seqüência correta, transmitem uma idéia ou contam uma história. A Via-Crucis cristã, dividida em Estações, servia para que a massa analfabeta da Europa pudesse entender a doutrina. As empresas aéreas usam quadrinhos para melhor transmitir instruções de segurança, e por aí vai. A lista é enorme.

3 Comments:

Blogger Zarastruta said...

Versao completa:

1. Faca uma frase com as palavras arquiteto, uma figura geometrica no diminutivo, xuxu e serra. A frase nao pode fazer sentido:

Sou arquiteto, mas trabalho mesmo com desenhos e quadrinhos. Meu objetivo é continuar fazendo a mesma coisa, pois caso contrário vou me dar muito mal. Sou totalmente incompetente em outras áreas da atividade humana, e na temerária hipótese de ninguém mais me contratar, só vejo como saída profissional plantar chuchu na serra.


2. Mostre aos jovens estudantes de arquitetura o que evitar depois de formados:

Tenho dois livros de desenhos publicados e um terceiro e quarto a caminho. Meus projetos, além de estreitar a parceria com a editora Conrad, é também lançar mais títulos pela minha própria editora, a Heartbooks. Todos esse projetos já estão caminhando.

3. Descreva de forma suscinta no que a falta de foco atrapalha a sua vida:

Não tenho como qualificar a importância dos meus desenhos - se é que eles têm alguma. Minha função é continuar a criá-los e a publicá-los. O valor quem dará é o público e eventualmente, o tempo. O contexto, naturalmente, é dado pela época e pelo espaço em que vivo. Minha temática é contemporânea, assim como a técnica que utilizo, que se aproveita dos recursos que a tecnologia oferece. Detestaria ser datado por essa ou outra temática ou essa e outra técnica. Liberdade de estilo e de criação é a palavra.

4. Qual o seu publico alvo se nao existisse a proibicao judicial para voce trabalhar com criancas:

Meu público? Difícil definir, pois dependendo da encomenda, posso fazer uma ilustração tanto para adultos como pra crianças. Digamos que o jovem/adulto urbano, com bom nível de cultura pop.

5. Qual a coisa absurda que voce mais gostaria que fosse verdade:

Os quadrinhos têm raio de alcance infinito. Tanto servem para alfabetizar como para divertir. A chance de aumentar esse raio de alcance é justamente estar sempre em evidência, ativo e trabalhando. Uma coisa gera a outra, e em geral uma idéia ou um possível cliente vêm até você a partir de uma referência anterior.

6. Onde voce quer chegar:

Onde quero chegar? Ao Museu do Prado. Adoraria ter uma ala com meu nome, nem que fosse ao lado do lavabo.

7. Fora da sua familia e dos seus tres leitores do blog (o Zarastruta e aquele outro sujeito com dupla personalidade), voce acha que seu trabalho e' reconhecido:

Não sou o melhor sujeito para responder essa pergunta, pois meu raio de interação está mais pra um eremita numa caverna que pra um publicitário hiperativo. Trabalho só, ou na maioria das vezes com meu sócio na heart ( minha empresa de desenhos). Não considero os outros desenhistas como concorrentes, pois nosso "produto" é difícil de comparar e as produções individuais são como compartimentos estanques. O que mais acontece, na verdade, é a colaboração entre todos, seja na forma de uma coletânia de trabalhos ou numa publicação em comum.

8. Por que voce nao se formou em quadrinhos no lugar de arquitetura:

No mais, como não existe uma Universidade de Quadrinhos - e se vier a existir a idéia é minha e ninguém tasca! - então, o mais freqüente é que a gente aprenda na marra: trabalhando e olhando o trabalhos dos outros. Exatamente como estudantes de arte visitando um museu.

9. Quais os melhores livros de todos os tempos:
a) O Veneno do Escorpiao: Surfistinha
b) O Caminho das Borboletas: Galisteu
c) A ética protestante e o espírito do capitalismo: Weber
d) Ulisses: Proust

A resposta correta é a alternativa a e b.

10. Prisao normal ou prisao residencial:
Já existe uma gênese nesse sentido aqui no Ceará, mas nada oficial, digamos assim. O contexto todo é muito orgânico, e à exceção de alguns enclaves no Rio e em São Paulo, todo mundo trabalha em sua redoma.

11. Inspiracao ou transpiracao:
Aqui vai um assunto delicado. Eu me considero um artista, mas também um operário padrão. Ou seja, há momentos em que tenho meus ataques de astro de rock e prefiro desenhar sem interferência, mas isso quando o contexto permite: numa exposição individual, num trabalho autoral etc. Mas sou um peão de obra carregando pedras quando o cliente assim exige, como por exemplo, ao fazer uma cartilha sobre a dengue para a prefeitura. Evidentemente as pessoas confiam em mim e sempre - sempre - tive muita liberdade, mas sei separar as coisas.

12. a) O que voce acha da pornografia com anoes, algemas e senadores da republica? b) Voce nao acha que incluir senadores em pornografia e' muito pesado? c) Voce ainda consegue manter uma erecao? d) E os quadrinho de sacanhagem de Carlos Zéfiro? e) O que voce acha dos quadros do Chico Anysio, ele esta' perdendo a identidade? f) Voce gosta de bandas de Axe? g) Voce acha que os Egipcios inventaram os quadrinhos porque inventaram o arquiteto e tinham mais arquitetos do que piramides?

Puxa, quanta coisa. Respondendo rápido:
a)
Forma de arte.
b)
Sim.
c)
Não mais.
d)
Sim, os quadrinhos estão em franca expansão, alguns até expostos em galerias de arte tradicionais.
e)
Não há essa crise de identidade, pois se o artista estiver insatisfeito, ele pode migrar entre as mídias, como por exemplo, passando a escrever ou a pintar.
f)
Não.
g)
Sim, falamos sobre isso logo acima. Quadrinhos são usados tanto para divertir como para educar. Qualquer seqüência de imagens, encadeadas de forma lógica, caem na definição de quadrinhos, mesmo que tenhamos que forçar a barra para encaixá-las. Os hieróglifos maias e egípcios são, em última análise, um arranjo de pictogramas que se lidos na seqüência correta, transmitem uma idéia ou contam uma história. A Via-Crucis cristã, dividida em Estações, servia para que a massa analfabeta da Europa pudesse entender a doutrina. As empresas aéreas usam quadrinhos para melhor transmitir instruções de segurança, e por aí vai. A lista é enorme.

1:34 PM  
Blogger Hemeterio said...

Z, é esse o espírito!! Vou fazer um poste so de respostas, pro povo bolar a pergunta. Boa ideia, Z!

1:41 PM  
Anonymous Marcilio S. said...

ainda bem que eu disse: -´brigado brother. Mas num respondo esse tipo de questionario nao...auhauhahuauha

1:22 PM  

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