terça-feira, junho 12, 2007

Desenhinho para o Dia dos Namorados, encomendado por um amigo daqui. Repararam na balaustrada em forma de garrafas? Não? Nem ele.






White cab

Quando pego um taxi, sempre viajo ao lado do motorista, no banco do carona. Deve ter um recalque soterrado aí, mas acho estranho chegar num local sentadão banco de trás, como se eu fosse um conde d´Orleans e Bragança descendo de sua carruagem. É claro que essa minha visão da realidade não serve para os demais. Acho que mulheres e arquicoroas têm mesmo é que ir atrás, por várias razões. Mas simplesmente não combina comigo.
Já conversei com vários taxistas sobre esse hábito, que suponho não seja exclusivo meu. Nenhum deles foi taxativo nessa ou naquela opinião, mas percebi que o fiel pendia para que o passageiro viajasse a seu lado. Mototistas de taxi, cabeleireiros e controladores de vôo são profissões que exigem concentração. Ninguém acharia bacana um ter o cabelo cortado por um sujeito que se distraísse a todo momento com papo furado, ainda mais tendo uma tesoura afiada a poucos centímetros do olho do cliente. Mas percebi que se estimulados, eles adorarm bater um papo. Quem não gosta?
Um taxi é uma espécie de divã sobre rodas, com a vantagem que o psicólogo é pago para concordar com você. Várias vezes destilei assuntos para esse blog conversando com taxistas, pois coitados, eles são obrigados a me ouvir. Comentei sobre meu projeto de instalar um anteparo em órbita para bloquear o Sol em Fortaleza, e um deles: ah, boa idéia. Ou quando falei sobre inundar o Piauí pra criar um golfo: bem pertinente, gostei. Ou ainda daquela vez que propus baixar a temperatura da cidade trocando todo o asfalto preto por pistas de concreto pintado de branco: nunca ouvi nada tão inteligente, senhor. Suponho que eles estavam sendo gentis, mas é divertido pagar pra alguém te ouvir. Não deveria ter dado essa idéia, agora vocês vão exigir uma grana pra ler meus gatafunhos. Ok, ok, quando tiver um taxi eu pagarei para tê-los como passageiros, que tal?
Acho divertidíssimo conversar com os taxistas, pois eles sabem de tudo o que se passa na cidade. São os melhores guias turísticos e conhecem todos os buracos quentes da região. Se você tiver sorte, ele vai lhe falar para evitar um deles, e não levá-lo até lá. Certa vez, estava no Rio e peguei um taxi. Depois de vinte segundos de corrida, descobri que o taxista era - santa obviedade! - um cearense de Camocim! Havia imigrado para a Penha há 40 anos e pelo que me contou, ajudou a povoar o bairro através de uma prole de sete híbridos carioca-cearense.
Ele ficou contentíssimo ao ver um conterrâneo que não estava lá para pedir dinheiro, mas disposto a gastar vinte mangos numa corrida. Aproveitou e me deu várias dicas sobre a cidade, basicamente que é mortal sair à noite e que nunca pegue um taxi com um motorista desconhecido ( ? ). Gostei demais do papo e da corrida, e percebi que ele também. Precisamos de paz e de amistosidade, isso sim. Ah, e eu estava no banco da frente, é claro.
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Falando em violência urbana, esse feriado eu estava conversando com minha vó sobre como Fortaleza está violenta. Nada muito diferente do que acontece em outras capitais, cada uma delas tem problemas de acordo com sua escala. Fortaleza tem 15% da população da cidade do Rio de Janeiro, então, nossos índices de violência são 85% menores, mas mesmo assim assustadores. Bom, o que rola aqui é matar pra roubar carro.
Muitas vezes o bandido mata a pobre vítima simplesmente porque o coitado não entregou as chaves a tempo. Aí minha vó sugeriu que eu tirasse do molho de chaves a chave da porta do ap, pois numa emergência, eu entregaria só a chave do carro e ainda poderia ir pra casa. Foi o que fiz, mas com um upgrade tecnológico: amarrei a chave num cordãozinho fraco, que pode ser rompido quando eu tiver que que entregar a chave do carro pro meliante. Veja que eu disse quando, e não se. Tristes tempos!
Vou fazer o mesmo com os documentos, tipo um kit para fugas de emergência, como um assento ejetável de documentos. Saco, como explicar essas táticas de sobrevivência urbana a um suíço?

4 Comments:

Blogger Michel said...

eu notei as garrafas! Isso me torna especial? :(

9:57 AM  
Blogger Michel said...

eu notei as garrafas! Isso me torna especial? :-(
Ah, eu também ando na frente do táxi quando estou só.
Hoje peguei um táxi mas fui atrás com a minha esposa. :-)

9:58 AM  
Blogger Marcelle said...

owww amei o desenho q vc fez para o Diego, e para mim tb!...
...adorei o detalhe do meu cabelo curto...a 1[ princesa d madeixas curtinhas!...;)

...teus desenhos saum super bacanas...o do casamento de um amigo teu tah super original....vou querer um tb no meu casorio!!! ^^

bjo e brigadaum!

7:01 AM  
Blogger Hemeterio said...

Marcelle; foi um prazer participar. Obrigado pelo carinho de ambos, viu?

7:21 AM  

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