terça-feira, junho 19, 2007




Poeteiros do mundo todo...



Como vocês sabem, eu detesto poesia. A poesia é tão danosa para a literatura como o abstracionismo é para a pintura. A poesia é o escape para que todo farsante que não sabe ordenar sujeito e predicado assuma ares de escritor. Basta observar a quantidade enorme de velhotes que têm seus poemas publicados, para entender como esse meio está coalhado de picaretas. E de livros encalhados.

Também odeio charadas. Pô, se quer dizer alguma coisa, use nossa larga banda do alfabeto para traduzir seu pensamento, não venha com imagens cifradas. A poesia se veste do manto do incognoscível para se fazer passar por inteligente. Olhaí, delírio e pouco argumento não são virtudes, a não ser, é claro, entre poetas de vanguarda. No caso do abstracionismo, usa-se do expediente de emporcalhar a tela como subterfúgio para o fato de não saber desenhar um o com uma quenga de coco.

E como já deu pra perceber, minha frustração é não ser reconhecido como um gênio da raça fazendo exatamente o meu pior, ou seja: poesia e arte abstrata. Por que tanta gente consegue? Assim, esqueci de dizer que só telero evidentemente, a poesia fabricada por mim mesmo.

Minha poesia não passa de uma sucessão sem sentido de aliterações pouco salutares - como essa -; além de não ter nada a dizer. Ela só serve para divertir a mim mesmo, e considero uma perda de tempo que alguém a leve a sério. Por causa dessas confissões, minha poesia é a única sincera o bastante e a que vale a pena ser considerada, mesmo que para escárnio público.

Aqui vai um poema que fiz enquanto esperava a pipoca ficar pronta. Ele não serve para nada a não ser, talvez, para uma letra do Djavan.

...---...

Erotic tale, neurotic male.

Áulico hausto, hosanas hordas,
hóstias heróicas, hirsutas armas:
aladas horas.

Oráculo nulo, melífulas nuas,
óculos mouros, hostes sãs:
pencas de rãs.

Ósculo tolo, olhos baços,
lentes ocres, odores azougues,
vasos loucos, vozes vãs:
veios de lã.

Goles gelados, gols marcados,
galhos quebrados, gruas grudadas,
grous famintos, pretos retintos:
gente doente.

Fadas ninfômanas, fodas sincrônicas,
textos anômalos, teses anônimas,
testes atômicos, teasers incômodos:
tios atônitos.

Totens iônicos, motores tontos,
motos contínuas, modus operandi,
mudos tortos, muros mortos:
mídias elegantes.

Mulheres módicas, mutretas sádicas,
muletas nórdicas, maletas médicas:
mesetas málagas.

Molhos de chave, malhos de carne,
machos de araque, moças de charque,
meias de arenque, chifres de pã:
médias de pão.


Buças escâncaras, seios tesos,
dorso empinado, aríete em riste,
alvo na mira, seguro o cabresto e...
acabou-se o texto.

4 Comments:

Blogger Pedro Obliziner said...

Para virar música do Djavan só faltou a fonte Lilás...

(tá, prometo uma piada próxima melhor)

3:29 PM  
Blogger Hemeterio said...

Pedro, pois farei uma nova estrofe:

Coturno de couro, boné de touro, bota de strass, ceroula azul: aliás, lilás. Cor de uma van, peito de tupã, litro de run, letra do Djavan.

Que tal?

4:25 PM  
Blogger Edge said...

o poemeu está massa. e mais, esse parece uma relacao das palavras de concurso de soletrar :)

5:22 PM  
Blogger Hemeterio said...

Olhaí, o Edge reconhece meu talento. Quando eu ganhar um prêmio Jabuti vou dedicar a ele!

5:47 PM  

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