terça-feira, agosto 28, 2007

Outra página da cartilha sobre poluição hídrica, que tal?


A quem possa interessar

Tenho 46 cromossomos em cada célula, mas a metade é disso é obsoleta. Boa parte são redundâncias sem sentido ou conectam genes desativados, como os que possibilitam que alguns de nós movam as orelhas. No duro: se eu fosse reconstruído, poderia funcionar muito bem com apenas trinta deles - igual quando se desmonta e remonta uma bicicleta, sempre sobram umas peças. Mas a bicicleta anda, não anda?

Mesmo comendo frugalmente, algo como 500g de alimento mais 2 litros de água por dia, ao fim de um ano terei consumido estapafúrdios 190Kg de comida e uns 700 litros de garapa. No mesmo período, devo ter expelido a mesma quantidade de dejetos sólidos e urina. Multiplique tudo isso por seis bilhões de almas, vivendo por pelo menos 60 anos e veremos que somos uma máquina inviável, poluidora e de baixo rendimento. Com sorte, a Terra em breve se cansará de manter esses parasitas e se livrará de nós. Quantos planetas precisaremos minerar para que cada um dirija seu próprio Hummer?

Minha visão é fraca e ineficiente. Consigo destinguir poucos matizes de cor, e sou um fracasso quando tento enxergar no escuro. Por comparação, águias, ratos e moscas vêem muito melhor que eu. É irônico e curioso que tenhamos máquinas que exibem 32 milhões de cores quando o olho humano, numa boa, não detecta nem cem. E eu, como um representante macho da espécie, só consigo distinguir 10 tipos de cores diferentes. Nem salmão nem grená são cores, meninas!

Sou possessivo, territorialista, gregário e sexista. É impossível para mim ficar feliz com a felicidade dos outros, a não ser, é claro, que o outro leve um tombo e caia. Tenho uma estreita visão da espécie, que obedece a uma hierarquia peculiar: primeiro eu, depois minha família, depois meu clã, depois a tribo, aí sim, vem a nação e lá na rabeira, uma vaga noção da humanidade como um todo. Mas também sou vidrado em cores e estandartes. Pinte metade da humanidade de vermelho e a outra de azul, que pessoas que eram amigas até ontem se degladiarão sem trégua por conceitos abstratos como uma religião, uma pátria ou um time. Puta que pariu.

Meu cérebro é de longe, a máquina mais complexa da Galáxia, incluindo aí a própria Galáxia, que nada mais é que um redemoinho de estrelas, poeira e basicamente, vácuo; grudados pela gravidade. Apesar de ter uma máquina tão poderosa ao alcance da mão, uso meu cérebro apenas para caçar fêmeas, procurar comida e inventar palavrões. Mesmo assim, com tudo o que já fiz, só uso uma pequena parte do cérebro para coisas realmente criativas, como desenvolver o canudinho. A grande maioria de sua massa se concentra em atividades automáticas, como impedir que morramos durante o sono por esquecer de respirar.

E sobretudo, sou feio, extremamente feio. Nu, pareço um flácido saco cor-de-rosa, com tufos de pelo colados aqui e ali. Lá pelos 40 anos de vida, todo o meu cabelo cai, menos a pelagem que nasce nas costas, que inexplicavelmente, aumenta de volume. Geneticamente, eu deveria ter 32 dentes, mas a maioria de nós não tem nem a metade. Mais ou menos no meio do corpo tenho uma curiosa estrutura formada por um dedo sem osso e dois bagos envoltos numa capa enrugada, que balança quando ando. É feio de doer e é uma sacanagem da natureza que as mulheres ainda se atrevam a por na boca.

4 Comments:

Blogger Zarastruta said...

Heme',

Quando voce^ nao tem assunto acaba saindo com os melhores textos.

4:20 PM  
Anonymous Marco Aurelio Brasil said...

Olhando por essa ótica, acho que eu vou ali tomar uma garapa e acelerar o processo todo.

2:47 PM  
Blogger Hemeterio said...

Z, Marco! Obrigado pela presença de vocês! To enrolado pra responder mas eu vejo todas as mensagens, viu?

4:48 PM  
Anonymous Dr.Bart Bola said...

gostei do túnel

8:59 PM  

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