sexta-feira, agosto 10, 2007

Outro dos desenhos para um quartinho de bebê!

Povo, tô com dificuldades pra responder os comentários, mas consigo ler todos. Obrigado ao Z, Clever, Michel e Roberto pelas palavras recentes, ok?


Romance no ar

Era mais um dia comum na delegacia. Nick Procó acabara de ser preso, acusado de molestar sua secretária eletrônica. Diva Garr jazia numa cela, recuperando-se do porre da véspera. Lembro que eu estava enrolado num caso: tentava há seis meses resolver meu primeiro sodoku. Foi justamente enquanto rabiscava, que ela apareceu. Aquela velha delegacia já vira muita mulher bonita, pois atendia toda a área dos antigos cassinos, prostíbulos e engenhos de rapadura; mas aquela visão era perfeita. Por contraste, foi como se Galadriel aparecesse de surpresa, num pub cheio de orcs. Ainda por cima ela falava. O senhor é o delegado Pado?

Eu mastigava meu lápis, de pura emoção. Sim, sou eu, falei com lascas de madeira entre os dentes. Em que posso ajudá-la? Enxotei o cabo Có, que ocupava inutilmente uma cadeira, e a ofereci, embevecido. Ela esperou que eu retirasse a mão do assento, já que notara meu plano sórdido, e em seguida sentou-se com a volúpia e a delicadeza de uma galinha poedeira, manjam? Assim acomodada, contou-me o motivo de sua visita. Era rica e desgostosa - mera força de expressão, creiam -, pois desconfiava que o marido grosseirão a traía. Isso eu deduzi sozinho, pois não ouvira uma palavra que dissera: estava vidrado em seu decote, que mais parecia o vale do Loire.

Naquela mesma tarde, iniciei as investigações indo ao encalço de Jorginho Jail, conhecido playboy da zona sul e marido da minha cliente. Reconheci seu carro pela descrição da esposa: um Bentley pintado pelo Romero Britto. Ele estacionou numa rua suspeita e entrou num sobradinho mais suspeito ainda, já que o porteiro era a cara do Bela Lugosi. Foi só mostrar minha credencial ao porteiro que este, assustado, não ofereceu resistência. Na verdade, deixei minha carteira da polícia em outro sobretudo, o que eu mostrei foi minha carteirinha do Clube do Bozo, que guardo desde garoto. Cheguei ao apê onde sabia que Jorginho entrara e fiquei de tocaia.

Não precisei esperar muito. Acidentalmente, a porta cedeu assim que encostei o ouvido, caindo com estardalhaço. Jorginho fugiu pela janela, impedindo que eu tirasse uma bela foto de seu adultério. Assustada, a jovem prostituta - que aliás, era a cara do porteiro -, só conseguiu cobrir-se com a colcha e chorava sem parar. Acalmei a moça, não sem antes dar-lhe uma gorjeta, oferecendo ainda uma bela quantia pela sua colcha de cama. Os pêlos do tornozelo dele grudaram na colcha de chenile, e foi dessa amostra que o DNA pode ser extraído. Comprovei então que Jorginho escapulia regularmente para aquele bordel. O divórcio foi feito em poucas semanas e graças às minhas provas, Jorginho não recebera um tostão da família de minha cliente.

O caso repercutiu bem e ganhei um aumento. Ah, quase esqueci de dizer: estou tendo um caso com minha antiga cliente. Aparentemente, ela ficou impressionada com minhas, hã.. credenciais e estamos juntos desde então. Vera. Vera Pariga. Isso é que é mulher. E o Bentley ficou comigo.