segunda-feira, setembro 10, 2007


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Crítica de cinema


Olhaí, esse foi o resultado do meu proveitoso feriadão.

Não sou nenhum Roger Ebert, mas sem dúvida me credencio a dar palpites na obra dos outros. Afinal, já vi milhares de filmes e sei identificar o que presta e o que não vale a pena assistir. Assim, fiz essas críticas-sinopses que poderão orientar, tanto o cinéfilo de meia tijela como o empombado que se acha cineasta, a adentrar no maravilhoso mundo da sala escura. Ei-las!

Vivi.com.anal

Vivi Fernandez é uma espécie de Rita Cadilac que voltou no tempo. Inacreditavelmente gostosa e desinibida, a menina manda ver nas posses, caras e bocas. Também encara - e embunda - a refrega com desenvoltura e gosto. Seus rebolados e empinadinhas fariam a múmia de Lênin arrebentar o sarcófago, e sem usar as mãos. A julgar pelo desempenho formidável com outras meninas, acho que Vivi agradaria também a múmia de Evita. Nota dez pra ela.

No entanto, a menina insiste em contracenar com um sujeito que deve ser seu namorado. Tão à vontade quando George Bush numa biblioteca, o rapaz parece que está fazendo hora numa repartição pública. Nem a visão das pernas da Vivi apontando para o leste e a outra para o oeste anima o sujeito. Acho que ela deveria contracenar com atores de verdade e profissionalizar de vez a carreira, na qual se tornou, em pouco tempo, uma expoente nacional. Só não me candidato à vaga, caso haja, pois meu seguro de vida não cobre morte por inebriante felicidade.

A Garota do Brinco de Pérola

Um dos cheiros que mais gosto, ao lado do aroma de pão quente e de livro novo, é a fragrância de tinta a óleo. Pois esse filme é tão bonito e preciso que parece que fomos convidados a assistir o próprio Vermeer pintando, na intimidade de seu ateliê - ao lado de suas tintas, pincéis e telas. A beleza nos intoxica e nos cerca, como se nós é que estivéssemos sento pintados pelo mestre holandês. Felizmente, ele não me usou como modelo, e sim, a deslumbrante Scarlett Johansson.

O filme todo se desenvolve a partir de um estalo: a semelhança absurda da atriz bocuda com uma modelo anônima, retratada numa das telas mais bonitas (todas são!) do artista de Delft. A partir dessa premissa simples, o diretor dá vida à personagem, da qual nada sabemos na realidade. Tudo isso serve de mote para abordar a vida e cotidiano do pintor, na Holanda do século XVII. Destaque para a iluminação das cenas, que a todo instante faz referência à mesma luz que Vermeer usou em seus quadros.

No filme Anjo Azul e em Final Fantasy, somos convidados a contemplar a beleza das protagonistas através de longos closes. A câmera se demora sobre o rosto perfeito das duas atrizes, como se estivéssemos observando uma tela numa exposição. No caso, a perfeição nórdica de Marlene Dietrich e a beleza digital da cientista Aki. Voltando ao nosso filme, o olhar repousa longos - e insuficientes! - segundos sobre o rosto da atriz, enquanto ela posa para o famoso quadro. Difícil saber por quem o diretor estava mais apaixonado, se pela atriz Scarlett ou pelo pintor Vermeer. Dessa dualidade homo-pictórica ganhamos todos.

Córsega Hot Sex

A produtora de Marc Dorsel nunca terá a qualidade e a beleza das produções da Vivid, a maior do ramo na Europa. As atrizes são meras barangas passáveis e o cenário da ilha é pouco utilizado, já que todas as cenas são indoor. Tenho certeza que vi um buço numa das atrizes, mas pode ser que ela estivesse de cabeça pra baixo. O filme excita, mas não diverte. Seu lugar é na prateleira de um banco de sêmen, com desonra.

Plan 9 From Outer Space

Obra-prima (risos) do diretor Ed Wood, o filme é enternecedor. Impossível não gostar de cada defeito, e olha que são vários. Zangar-se com esse filme é como ralhar com seu filho de oito anos, por ele ter feito um filme tosco usando Playmobils como atores.

Mesmo se o orçamento do filme fosse o dobro de uma produção do James Cameron, nada, absolutamente nada salvaria o roteiro. A história é ridícula e nem mesmo seu filho de oito anos cairia nessa. É de comover o coração o cenário do interior da nave espacial (risos), todo feito com fita crepe e papelão pintado. Os modernos controles da espaçonave são apoiados em banquinhos de madeira (falta de ar) igualzinho aos usados em qualquer reforma de laje no Rio. A continuidade (ataque cardíaco de tanto rir) é estuprada de cena a cena e os diálogos são bobos como numa reunião de lavadeiras (convulsões).

Como se não bastasse, tudo deu errado na produção do filme, inclusive a morte do protagonista, o veterano ator Bela Lugosi. Uma verdadeira declaração de amor à memória de Ed Wood foi feita pelo cineasta Tim Burton, com seu filme de mesmo nome. Lá, é possível embarcar de vez na loucura de ambos os diretores, e ainda contar com belas cenas da então jovem atriz Sarah Jessica Parker. Um filmão.

Desviando o assunto, Tim Burton gostou tanto de seu Ed Wood que ele mesmo fez seu filmão b, o incompreendido Marte Ataca! Recomendo os três.

Perigosa

Aprendam como se faz um bom filme pornô. Mérito total do diretor J Gaspar, uma espécie de J R Duran da produtora Brasileirinhas. Com absoluta dignidade, bons closes e cenas generosas, ele valoriza a beleza madura da musa Regininha Poltergeist. E mais, coisa rara nos pornôs nacionais: não há enrolação. São quatro cenas em que a Regininha contracena com quatro atores diferentes, cada um deles claramente feliz em participar. E ela dá um show. Destaque para a cena onde ela dança nuinha nuinha, por cima do ator, embasbacado com a sorte que teve. Gostei e quero mais.

Minha única crítica: pô, a Regininha ainda é muito bela e tentadora. Nos extras de produção - sim, eu vejo tudo - ela aparece sem maquiagem, conversando com a equipe. Puxa, ela tá tão jovial e descontraída que é inacreditável que a produção tenha carregado na maquiagem, na hora das cenas de sexo. Esse não é um defeito só da Brasileirinhas, a Playboy exagera tanto nas tintas e photoshops que quase não dá pra reconhecer a mulher. No caso de um outro filme com a Regininha, umas cenas externas, só com sal sol e mar fariam muito bem, viu?

Secretária

James Spader outra vez no papel que o consagrou, muito parecido com o fetichista de Crash. Parece que o ator tem o talho certo pra interpretar tipos elegantemente pervertidos, um degrau abaixo dos malucos que Malcolm McDowell costuma fazer. Deve ser por isso que ele está muito bem no papel, ainda que no final a culpa o assole. Malditos protestantes!

E o que dizer da linda, fofa, perfeita e divertida irmãzinha do Donnie Darko? Maggie Gyllenhaal está deslumbrante no papel, um tesão, pra dizer o mínimo. O filme parece um caleidoscópio sado-masô, mas tudo muito soft, mesmo que terrivelmente excitante. Vendo tudo o que a atriz fez, e lembrando o que seu irmão Jake Gyllenhaal aprontou na pele do caubói gay de Brokeback Mountain, fico imaginando se os dois voltassem a atuar juntos, mas dessa vez como um casal pra lá de pervertido, hein? Irmão e irmã na vida real mas no cinema, um casalzinho safado. Fica a dica para os roteiristas, para a alegria dos incestuosos de plantão. De nada, de nada.

A Última Noite de Boris Grushenko

Provavelmente o terceiro filme mais engraçado que já vi, considerando que todos os filmes do Monty Phyton podem ser amarrados num único pacote e que O Jovem Frankesntein, de Mel Brooks ainda é disparado o melhor. Cada diálogo é afiado e as cenas de humor têm o tempo perfeito. O equilíbrio entre os monólogos existenciais do protagonista, as cenas nonsense e o puro pastelão mostram o melhor do diretor Woody Allen. O filme também contribui para o quesito tradução de título mais descabida - no qual nós, brasileiros, somos mestres -, já que original é tão somente Love and Death. Destaque para a linda Diane Keaton, que hoje tem pra lá de 50 anos mas macacos me lambam se ainda não dá uma sopa.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

vc saberia dizer.. quem é o ator da cena 3 , que contracena com reginha p. ?

4:28 AM  
Blogger Hemeterio said...

Caro dsconhecido, não tenho a mínima idéia do nome do cara, e não me interessa saber nome de hômi. Aluga e veja, puerra!

4:54 PM  

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