quinta-feira, setembro 27, 2007

Outra caricatura que encomendaram. O peixe é um tucunaré, que é chamado de jóia azul.
Ah uns dez desses trabalhinhos todo mês...

A máquina do tempo
Concluí minha máquina do tempo agorinha há pouco. Com o aparato em funcionamento, voltei uma semana no tempo e dei uma ajuda a mim mesmo, pois queria otimizar a construção da engenhoca. Terminamos outra vez a máquina depois de dois dias, apenas. Agora, quer dizer, há cinco dias, a máquina já está ou estava a pleno funcionamento e tornei-me, ou melhor, tornar-me-ei, o primeiro crononauta da história. Essa viagem pioneira ocorreu ou ocorrerá, portanto, antes da primeira viagem que eu mesmo fizera, mas que só seria realizada dali a cinco dias: hoje, no caso. Como se vê, o primeiro problema das viagens no tempo é a concordância verbal.
Achando o presente muito chato, resolvo ir ao futuro para ver se finalmente, já sou rico e poderoso. Estou em meu apartamento quando aciono a máquina. Avanço trinta anos e percebo que o mundo cresceu sem mim. Na perspectiva de todos os seus habitantes, eu desapareci em 2007 - ficando trinta anos sumido - e reapareci em 2037, não envelhecendo sequer um segundo na viagem. Ao voltar ao meu apartamento, que na prática não abandonara, sou cercado por um punhado de advogados, que me cobravam trinta anos de condomínio atrasado.
Consegui despistar os advogados e correndo, ganhei a rua. Gradualmente, tentei me habituar àquele novo mundo. Aí entra em cena o segundo grande problema com as viagens no tempo, a desatualização da moda. Eu vestia as mesmas roupas com as quais viajara em 2007, ou seja, um tênis All Star branco, um jeans cinza e uma camiseta engraçadinha onde se lia: Orkut é coisa de viado. Devido às reviravoltas da moda, todos estavam trajando um revival atualizado da corte de Luís XIV. Evidentemente que os olhares convergiram para mim, o que me deixou vermelho como a bunda de um babuíno.
Avanço então mil anos no futuro e dou de cara com uma paisagem desolada, cheia de ruínas fumegantes e crateras. Parece com a atual BR-116, mas muito mais larga. Fico preocupado com a possibilidade de radiação, pois suponho que tudo tenha sido destruído pela sétima guerra mundial. Eis que olho para o lado e descubro a real causa da devastação. Trata-se de um cartaz comemorativo, onde pude ler: "Governo Mundial das Mulheres, 44 dias sem acid..." o resto estava carbonizado. Acho tudo um tédio e decido voltar para minha época, onde aproveitarei pra trocar de roupa também.
Chego a 2007 no exato instante em que vejo a mim mesmo voltando no tempo, para ajudar aquele primeiro de nós a aprontar a máquina. Como estivesse de bom humor, acompanho meu outro eu ao passado e chego segundos após os outros dois terem aprontado a máquina pela terceira vez. Com o susto que minha súbita aparição causara, a máquina cai no chão e o dispositivo principal que regula as viagens é destruído. Agora, tecnicamente, não há mais nenhuma máquina do tempo, apesar da minha presença abobalhada ali em pé, olhando para os outros dois de mim.
Para evitar paradoxos, um daqueles que sou eu mesmo sugere pegar a máquina que eu carrego nas costas e eliminar dois de nós, para que se evite qualquer confusão no futuro. Corajosamente, fujo porta afora sendo perseguido pelos outros dois, que conseguem me alcançar perto do elevador. Na luta que se segue, eu acerto um soco em mim que estava ao meu lado, tendo sido chutado no saco por acidente por aquele à direita, enquanto eu à esquerda mordia minha própria orelha. Como era de se esperar, a máquina sofreu sérios danos durante a refrega.
A tecitura do Universo inteiro repousava nas decisões que tomaríamos a seguir. Como cada um de nós se recusava a ser morto, teria que haver uma outra solução.Tínhamos que resolver os diversos paradoxos, mas a máquina, danificada, só poderia fazer uma viagem. resolvemos que eu, que causara tudo, deveria voltar alguns minutos no tempo e impedir que eu derrubasse a máquina original com o susto. Assim, ficaríamos com as três máquinas operacionais, que levariam cada um de nós a sua respectica época. Mas a operação deveria ser extremamente cuidadosa, não havia brecha para falhas.
Apareci segundos antes que eu mesmo voltasse para perturbar os outros dois, e pedi silêncio. Aguardamos a minha chegada e assim que apareci - com as mãos em concha para fazer búúúú -, fui dominado pelos outros três e posto a nocaute. Regulei os controles da máquina para que o eu desacordado fosse mandado para 1 quintilhão de anos no futuro, e quebrei a alavanca de retorno. Assim que sumi, deixei os outros dois trabalhando e fui pra casa, não sem antes fazer uma fezinha no Bicho do dia seguinte, já que eu decorara o resultado por acaso. Chegando ao ap, desmontei a máquina do tempo. As conseqüências daquele mau uso podiam ter sido desastrosas demais para imaginar.
Enquanto isso, 1 quintilhão de anos no futuro...
Nessa época, mesmo os átomos e buracos negros já evaporaram. Nenhuma forma de radiação ainda persiste. O que resta é espaço vazio ideal. É como se fosse a era do pré Big Bang. Nisso, aparece do nada uma massa disforme e semi-consciente. Ainda aturdido pela pancada que levara, o ser abjeto olha em volta e nada vê. Não tem tempo sequer de curtir a gravidade zero, pois antes que esboçe algum pensamento inteligente, sua massa explode com força total, e um novo Universo começa a se expandir. Já sobrevivemos com matéria prima pior.

2 Comments:

Blogger Eden said...

HA HA HA! Adorei!

5:52 PM  
Blogger Eden said...

HA HA HA! Adorei!

5:52 PM  

Postar um comentário

<< Home