quinta-feira, outubro 11, 2007

Capa da Agenda do Portador de Eficiência, em sua sexta edição. Quando os desenhos estiverem prontos, vou colocar alguns por aqui, ok?


Poliana velha
Quando me olho no espelho, o que enxergo é um pacote de banha cabeludo, cuja expectativa de vida já chegou à metade. Quase o mesmo acontece quando acesso minha conta bancária: vejo passar aqueles capins rolantes, típicos de filmes de faroeste. Desolação.
Mas o que é isso, alegria! Sou um otimista nato, apesar da raça humana sempre insistir em baixar minha bola. Mesmo que o planeta acabe calcinado e radioativo, ainda arranjarei ânimo para dizer: - Bem, pelo menos acabamos com as baratas. Meditando sobre os fatos da vida, relacionei alguns motivos pelos quais eu tenho um absurdo orgulho de mim mesmo - habilidades essas ou características quase na orla dos superpoderes.
Primeiro, eu tenho uma facilidade enorme para engordar. Considero esse um dom e tanto, já que estamos cercados de anoxéricos e magricelas que - horror! - fazem dieta para engordar. Nunca entendi isso, alguém vai ao médico para saber como ganhar uns quilos? Esse consultório fica onde? Na Pizza Hut? Coma, meu filho, coma muito, depois fique no sofá vendo desenhos que você engorda. Eu sempre digo que numa eventual fome mundial, eu e uns poucos milhares de gordalhões repovoarão a Terra. Os esquálidos vão minguar, minguar até que não sobre nada. Mas eu e meus companheiros de KFC nunca chegaremos a zero. A crise vai passar, e com o tempo, recuperaremos nosso corpinho saudável e as rédeas da evolução.
Também não gosto de água. A água é a fonte condutora de boa parte das doenças do planeta. Historicamente, a água de Londres vinha do Tâmisa, uma espécie de Tietê com anabolizantes. Quem bebia dessa água infecta tinha mais chances de se desmilingüir em merda, já que a desinteria e a cólera imperavam. No entanto, quem só bebia cerveja e uísque não tinha esse problema, viviam mais e conseqüentemente, geravam uma prole adaptada a altos níveis de álcool no sangue. A repulsa à água gerou uma população tolerante à bebida. Os irmãos G allagher estão aí mesmo e não me deixam mentir. Eu nunca bebo água, só sucos, café, cerveja e vinho. Até refri tô abandonando. E estou saudável como um potro. Outro ponto a favor da minha dieta anahídrica é que os peixes e sapos fodem dentro d´água. Eu hein?
E pra terminar, sou estranhamente resistente ao frio - pelo menos para um cearense. Tal qual as orcas e elefantes marinhos, uma capa de gordura de um metro de espessura me torna termicamente isolado, tanto para altas como baixas temperaturas. Uma vez, eu estava em Porto Alegre num encontro de arquitetura. Era julho, e fazia uns cinco graus na cidade. Fui tomar banho no alojamento da Universidade e saí dos tapumes enrolado com uma toalha em torno da cintura, para espanto da gauchada que estava por ali. Todos eles pareciam que tinham acabado de chegar de uma expedição polar, com gorros, luvas e casacos. E ainda me perguntavam se eu era dali de Poa. Que bobagem. Tal qual o analista de Bagé, considero que boa parte dos grilos da humanidade é devido à frescura.