quarta-feira, outubro 17, 2007

Caricatura de um casal de primos. A menina é danada e mandona, e tem um coelhinho de pelúcia. O menino, segundo me disseram, é um doce de pessoa e que sonha em ser piloto. Daí minha sugestão óbvia de colocá-los com roupas que lembrassem a Mônica e o Cebolinha. A menina ficou parecida, mas o menino não. E daí? As pessoas só vão olhar pro Mig no braço dele mesmo.


Cocaconha
Como estivesse muito tenso, Zacarias Sexto resolveu fumar unzinho. O motivo de tanta tensão era uma palestra que nosso protagonista faria dali a alguns dias. O tema? O que mais? Técnicas motivacionais. A platéia, formada por jovens terceiroanistas, vinha freqüentando aulas-espetáculo e palestras extra-classe o ano todo, para desopilar do temido vestibular. Zacarias - um bem sucedido produtor - seria o palestrante da semana. E fumou e ralaxou.
Mas a palestra, na verdade, era hoje. Ligaram do Cursinho dizendo que todo mundo estava esperando por ele, e nada do pelestrante aparecer. Diabos! Na confusão da semana, Sexto confundira as datas e agora tinha menos de uma hora para aprontar o powerpoint e se recompor. O problema era que Sexto nunca pautou pelo comedimento. Quando dava um tapa, a atmosfera da casa ficava tão espessa quanto um nevoeiro em São Francisco. A cabeça estava tão feita, que nem uns óculos-escuros feito de blackout de cortina evitaria a dor de cabeça. Fora o bafo, que parecia uma queimada em Goiás. O que fazer?
Teve uma idéia genial, pelo menos do ponto de vista de alguém que há poucos instantes, jogava jó-ken-pô com seu gato. E o gato estava ganhando. Resolvera apelar pra uma modesta carreirinha de pó que sobrara da última reunião do condomínio. Modesta pelos padrões de Zacarias, é claro, pois a carreirinha parecia um sulco de arado na neve. A idéia era que o efeito de um anulasse o do outro. Assim, meio chapado pela maconha, ele poderia ficar mais ativo devido à cocaína. E mandou ver.
Chegou ao auditório do Cursinho e estranhou as cortinas derretidas, que pendiam do teto como chocolate em calda. Uma coisa levou à outra, e uma larica comparável à fome de milhares de faquires se apossou da sua barriga. Pensou ouvir um ronco alto como as turbinas do A380, e rapidamente, cobriu a barriga com uma mão, enquanto a outra tapava a orelha esquerda. Foi assim que entrou no palco, sob os olhares atentos de cem estudantes.
Subitamente, achou que aqueles quatrocentos olhos estavam lá para persegui-lo. Passou a estapear o ar, como se os olhos fossem uma multidão de insetos que o atacassem. Tão rápido como veio, a nuvem de insetos dissipou-se e tudo o que sentiu foi uma sensação de paz, fazendo com que pairasse no ar. Na verdade, ele passara dos limites do palco e caíra aos pés dos estudantes da primeira fila. Rapidamente, ergueu-se de novo e começou a rir desbragadamente da camiseta de uma garota, já que por algum motivo, achara terrivelmente engraçada a palavra bay emoldurada pelos seios da adolescente.
Como as aulas eram mesmo divertidinhas, todo mundo achou que aquilo fazia parte do show. Assim, Sexto foi reconduzido ao palco e entabulou algumas palavras, que saíram mais ou menos legíveis quanto mais próximo ou distante ele chegava do microfone. Fazendo um movimento pendular, Sexto se divertia ao brincar com a própria voz que ouvia pelo retorno. O que ele queria dizer era que se sentia grato pelo convite, e podia cheirar no ar o enorme entusiamo dos jovens pelas suas futuras carreiras. Fico orgulhoso de estar aqui com vocês, diria ele. Mas o que saiu pelos auto-falantes, enquanto ia e voltava de encontro do microfone foi: - Eu... podia... cheirar....uma enorme...carreira... com vocês!
O precário respeito da platéia com o palestrante ruiu imediatamente, como os sonhos dos clientes da Encol. As vaias e apulpos atingiram nível 7, na escala Galvão Bueno de gritaria. Achando que tudo aquilo eram melodias em seus ouvidos, Sexto foi retirado do palco enquanto executava um air violin imaginário, sob aplausos e urros dos estudantes. Evidentemente que nunca mais foi convidado para coisa alguma, mas sua performance doidão foi comentada por semanas.
Zacarias Sexto batizou ( no bom sentido, é claro ) sua descoberta de Cocaconha. Achou as dosagens ideais e agora, é um próspero empresário do ramo de diversões psicotrópicas. Inúmeros cientistas tentaram sem sucesso misturar maracujá com guaraná e Zach Six - seu novo nome código -, conseguira o equivalente com e erva. Cada geração tem o Fleming que merece. Vai uma Conha aí?

3 Comments:

Blogger Janasinha said...

Adoreeeeeeeeeei !!!! =)))))))

Conha? Não obrigada! Já pago muito mico consciente.

11:24 PM  
Blogger Lira Neto said...

Ô, de casa.

6:13 AM  
Anonymous Quinho said...

Eu quero!

2:48 PM  

Postar um comentário

<< Home