quarta-feira, outubro 31, 2007

A lei do mais forte, A justiça de Salomão, A escolha de Sofia: chame como quiser.




2008 e suas efemérides redondas

50 anos da vitória do Brasil na copa da Suécia. Na final, o time formado por Pelé e Zagallo venceu o selecionado local vestindo camisetas azuis, compradas horas antes na feira. O emblema da CBD foi arrancado das camisas canarinho e costurado na marra nas novas, pois o time não tinha um uniforme B e a Suécia também jogava de amarelo. Obrigar os donos da casa a mudar de roupa não dava, né?

Foi nessa copa que a comissão organizadora trocou às pressas a bandeira de Portugal pela do Brasil, pois ignorava o fato do país sulamericano já ser independente do europeu há 136 anos. Nos intervalos dos jogos, Garrinhcha, aquele de Pau Grande, engravidou uma sueca que dava mole por ali. Bons tempos. E a seleção ainda foi e voltou da Europa de navio, hein?

100 anos do evento de Tunguska. Em 1908, um fragmento de cometa se desintegrou na atmosfera, gerando uma onda de choque com energia equivalente a uma dúzia de bombas H. Apesar de não ter deixado uma cratera, o impacto devastou extensas áreas da tundra siberiana, incinerando árvores e vergando os caules radialmente - como naquele jogo de pega-varetas. Se o impacto tivesse acontecido horas depois, a Terra teria oferecido a latitude de Paris para o beijo do cometa. Melhor sorte na próxima.

20 anos da Constituição de 1988, a que nasceu parlamentar e se tornou para lamentar. Desculpem, eu jurei que não usaria esse trocadilho.

80 anos do Mickey Mouse. A ratazana criada pelo Disney segue firme e forte.

120 anos da abolição da escravidão no Brasil. Ok, agora a gente recebe um salário, mas pouca coisa mudou. Antigamente, pelo menos, morava-se de graça na Senzala. Hoje, tem gente pagando aluguel ao feitor.

200 anos da fuga da família real portuguesa para o Brasil. A corte do rei de Portugal passou a perna em Napoleão ao abandonar Lisboa, indefesa, à sanha devastadora dos franceses. O evento é importante porque foi a primeira vez que uma metrópole adotou como sede, sua própria colônia. Mais ou menos, foi como se o rei George III abandonasse Londres e fosse ser vizinho de cachaçadas do general Washington, na Filadélfia.

A promiscuidade da corte com a plebe carioca esculhambou de vez o precário respeito ao que fosse governo. A proximidade e a intimidade forçadas foram boas, historicamente, porque fundiram na alma carioca - e na brasileira - um certo quê de galhofa com as autoridades que perdura até hoje. Foi ruim, no entanto, porque todo mundo se achava amigo de algum poderoso, portanto, acima da lei e inatingível. Estava fundada uma nação.