terça-feira, novembro 13, 2007


Meu futuro amor

Decidi que hoje mesmo eu iria me apaixonar. Pode ser que ela, a minha futura amada, surja enquanto espero o ônibus, ou durante o almoço, ou quem sabe, quando estou na fila do cinema. O momento específico do dia eu não posso precisar, mas estarei preparado.

Para tanto, comprei um cipoal de presentes. Até que ela se toque que eu sou seu verdadeiro amor, nada como suborná-la com vários quereres. Assim, minha primeira providência foi passar na Mesbla e comprar um buquê de tulipas. Quando ela aparecer, eu já terei em mãos o melhor e o mais básico dos arsenais de conquista.

Passei na loja da BRA e comprei passagens pra dois, pagando tudo com meu cheque do Bancesa. Pena que no balcão da PanAm a fila era muito grande, pois estava a fim de ir ao Ceilão e só eles têm uma rota direta. Comprei bombons na Pernambucanas, para combinar com o buquê, e mais adiante, vi na concessionária da Ford um Corcel II pra vender. Não tenho essa grana toda, mas fiz uma opção pelo carro e fiquei de passar lá no sábado. Quem sabe, com meu futuro amor?

Liguei e fiz reservas no DS Club. Como a noite prometia, também reservei uma suíte no Tropicu´s Motel, pois não quero perder tempo e meu futuro amor será afoita como eu. Quase que me esqueço: é melhor que eu esteja apresentável para meu futuro amor. Comprei uma calça UsTop e uma camisa da O.P., sem deixar de ficar perfumado e cheiroso com a exclusiva fragrância de Denim. Ou seria melhor comprar também um Rastro? na dúvida, fiquei com os dois!

Comprei para ela uma revista Cruzeiro, pois minha amada será antenada com as novidades. Portanto, nada de Manchete, pois fofocas e futilidades são para as leitorinhas da Sabrina. (Na surdina, levei pra mim uma Status, que eu não sou besta). Meu futuro amor não deve fumar, mas caso ela insista, já está na minha capanga uma carteira de Minister.

A essa altura, olho no meu Casio G-Shock e já eram seis da tarde, e nada do meu amor aparecer. Tudo bem, ela viria com a noite, é até mais excitante. Passei num boteco perto de casa e pedi uma Malt90 geladinha e em seguida, um guaraná Cacique. Na Telefunken do bar estava passando um jogo da União Soviética versus Alemanha Oriental, ou seja, um jogo de compadres. Observei em volta, ansioso. Meu futuro amor não tardaria a chegar.

O dono do bar me enxotou lá pelas onze da noite, e fui cambaleando pela avenida Estados Unidos. De repente, vejo uma barraquinha de doces a compro um chiclete Ploc para disfarçar o bafo. Não quero que meu futuro amor tenha engulhos de mim. Entro no meu Dodge Polara e logo logo estou em casa, apesar de que durante o trajeto, eu olhasse insistentemente em todas as esquinas: meu futuro amor precisaria de uma carona?

Ligo a tv e vasculho minha coleção de fitas. Sei que ela está lá em algum lugar, outro dia mesmo eu a deixara entre os filmes do Yahoo Serious e do Paul Hogan. Ah, aqui está! Sabia que ela, sempre ela, não me decepcionaria. Abro a capa e coloco, delicadamente, o filme no meu novo videocassete: Savannah, você é que é meu verdadeiro amor!