sexta-feira, março 30, 2007

Cantinho do bebê

Mais alguns desenhos que vão servir de moldes para o enxoval do baby. Tô com vergonha de pedir pra mãe do JP um bordadinho com um desenho meu. Se eu fizer uma boa cara de pidão talvez dê certo, vamos ver.


Lembrei daquela história do pingüim que não gostava do frio. O bobalhão construiu uma jangada com uma banquisa de gelo pra escapar do polo sul, mas a coisa derreteu perto dos trópicos. Aí parece que ele foi currado por surfistas catarinenses, não tenho certeza.



Tubarões brancos! Adoro tubarões brancos! Sabe uma coisa que eu queria ver? Um combate até a morte entre um grande branco e uma orca. Tinha que ser num cercado no meio do atlântico, com vários iates em volta, câmeras subaquáticas e o escambau. Como uma tourada marinha ou uma rinha de galos gigante. Obviamente os ecochatos iam tentar barrar o evento e tal, mas era só instalar uns torpedeiros ao longo do cercado e tudo bem.

Diabo! Esses caras dos direitos humanos adoram se meter nas coisas divertidas da vida, como rifa de prostitutas e caçar mendigos com escopetas. Pô, vão procurar um refugiado de guerra pra perturbar!



Era pra ser o desenho de uma lula, mas por decepções políticas diversas, fico do lado do bom e velho polvo.



Que original, um submarino amarelo! Mas o que pra nós é uma banalidade, pro JP vai ser uma revelação quando ele começar a curtir Beatles, lá por 2017.



Gostei da cara dessa sereia, tá bem mulambenta e ligeiramente parecida com a Sarah Jessica Parker. Hmmm!

terça-feira, março 27, 2007

Pé-de-Pano

Minha vida não é só a pichar, durante a alta madrugada, cenas de necrofilia nos muros da cidade. Também faço coisinhas fofas, como esses desenhos que irão estampar um enxoval de bebê. Serão mais de 20 desenhos, que vão ser copiados em cortes de pano e costurados numa colcha. Tem tudo pra dar errado, mas se funcionar, vai ficar bem legal. Sem falar que involuntariamente, devo influenciar o senso estético da pobre criança para todo o sempre.







segunda-feira, março 26, 2007

Arquitetura pecuniária



Como alguns de vocês sabem, sou arquiteto mas não exerço a profissão. O mais próximo que fiz de projetar foi dar pitacos na decoração da casa de amigos, basicamente reclamando da cor dos móveis ou sugerindo que pelo amor de Deus, comprassem um quadro meu. Não reclamo da minha sorte. Muito provavelmente, você, que lê esse relato, está vivo agora porque não mora num prédio que eu fiz. A natureza é sábia.

Mas isso de não ter talento não impede de sonhar. Veja o caso de tanto pagodeiro que acha que é um músico de verdade. Quando eu era um jovem estudante de arquitetura - depois virei um velho estudante de arquitetura, mas isso não vêm ao caso - tinha um monte de idéias que gostaria de, vejam só, ver implementadas num projeto meu ou de amigos. Algumas dessas idéias eram por si só, inexeqüíveis. Outras, impraticáveis, e a maioria, pura tolice. Mas com os diabos se eu não me divertia com elas.

Uma dessas idéias tinha a ver com a inflação. Sou tão velho que quando estudante, o presidente do Brasil era o Sarney. Portanto, além de bigodes e tintura pra cabelo, a moda na época era a hiperinflação. Eu sugeri que ao invés de pastilhas cerâmicas, se revestissem os prédios com moedas de cruzeiro e cruzado. Ora, a maioria dessas moedas era de aço inoxidável, portanto, virtualmente indestrutíveis. Além disso, a superfície refletora serviria para desviar o calor do sol, fazendo com que o prédio tivesse um bom conforto térmico. Também havia a questão da crítica política, pois seria mais barato revestir o prédio com dinheiro que usar esse mesmo dinheiro para comprar azulejos. Seria um prédio de atitude, é assim que os jovens falam?

Anos depois, virou moda revestir os prédios com metal, vejam o fabuloso Guggenheim de Bilbao, todo coberto com placas de titânio. Obviamente que minha idéia era mambembe e caricata, e servia apenas para isso mesmo: criar um cartum satírico em forma de edifício. Quase uma instalação gigante, vá lá. Mas seria divertido ver uma coisa dessas construída.

Será que essa idéia só funcionaria numa época de inflação alta? Sou ruim de contas, mas acompanhem minha tese. Para pintar um quarto de 3m x 4m, o custo seria de aproximadamente R$500, aí inclusa a mão de obra e o material. É claro que esse orçamento depende de vários fatores, mas vamos pensar numa tinta ou papel de perede da melhor qualidade e num sujeito que não sabe pechinchar. A área a ser pintada seria de ( 3+4+3+4 )m x 2,85m ( 2,85m é a altura do pé direito padrão no Brasil ) = 39,9m². Assim, o custo seria de R$500/39,9m², o que dá R$12,50 por metro quadrado. E se fôssemos revestir essa mesma área com notas de 1 real?

Bom, uma nota de 1 real mede 14 x 6 centímetros, o que dá um pedaço de papel com área de apenas 0,084m². Dividindo a área de pintura ( 39,9m² ) pela área de uma notinha, vemos que seriam necessários R$475 para forrar o quarto todo. Somando o preço da cola e de uma eventual mão de obra, uma coisa sairia pela outra. E aí, quem teria coragem?

Quando venderam os Girassóis do Van Gogh por um purrilhão de dólares, um crítico de arte observou uma coisa que nunca mais esqueci. Ele disse que se a mesma quantia em dinheiro fosse trocada por notas de 1 dólar, e esse dinheiro usado para revestir uma casa, a atitude geraria a mais pura repulsa em todo o mundo. Nada mais que um esnobismo tolo e arrogante, como naquelas caricaturas em que milionários acendem charutos com notas de 100 dólares. Mas pendurar uma obra de arte, ainda mais sendo pintada por quem foi, confere ao dono da casa uma aura de respeitabilidade - mesmo que ele tranque a tela num cofre pra especular no futuro, como de fato o fez. Por uns míseros trocados, o sujeito agora abriga um patrimônio da humanidade - o melhor que um ser humano conseguiu fazer, em sua área.

Van Gogh fazia proezas em tela e tinta comparadas ao que Einstein fazia com a matemática, ao que Michelângelo fazia com blocos de mármore, ao que Mozart fazia com as partituras ou ao que Jesus faria com tinta e pergaminho, se ele tivesse tido tempo pra escrever ao invés de sair por aí com sua turma. Para nós, humanos, bípedes implumes com óbvias limitações intelectuais, não é nada mal, hein?

serviço:
www.guggenheim-bilbao.es

quinta-feira, março 22, 2007

The Man

A Conrad encomendou mais seis desenhos, para aquele livro que eu estou ilustrando. Dessa vez, são os retratos das pessoas, cujas histórias de resistência e luta estão sendo contadas.

O título do livro é Plantados no Chão, e a autora é a Natália Viana.

Os desenhos foram feitos com hachuras, pontilhadinhos, rabiscos e ranhuras; a partir de fotos em alto contraste e em tons de cinza. As fotos foram colocadas por baixo de uma malha quadriculada e presto! Daí, só tive que copiar quadrinho por quadrinho, respeitando mais ou menos os tons de cinza.

Pra variar, não sei quando o livro ficará pronto, mas avisarei aqui nessa minha tabuleta de rua.



terça-feira, março 20, 2007

Leva as moedas mas numismata!

Recentemente, li uma reportagem sobre um casal dos U.S. of A. que achou uma moeda de 1 dólar com ambas as faces lisas, como se a máquina de prensagem tivesse passado batida por ela.

Ora, eu também tenho uma moeda nas mesmas condições, lisa em ambos os lados mas com as ranhuras laterais intactas, que permite identificá-la como uma moeda de 50 centavos de real. O peso e as dimensões conferem.

Mandei um e-mail para diversos sites de sociedades numismáticas e uma delas me ofereceu R$50,00 pela peça! E aí, quem dá mais?



sexta-feira, março 16, 2007

Desenho do Barão de Studart, feito para o venerável Instituto Histórico do Ceará, uma espécie de Sociedade Geográfica Nacional, como dos velhos tempos. Fiquei muito orgulhoso com o contato. O Instituto têm, entre seus membros, gente do timbre do Rubens de Azevedo, astrônomo, seu irmão Nirez, historiador e o professor Liberal de Castro, arquiteto. É...


Barão de Studart (1856 - 1938), médico, historiador, diplomata, abolicionista. Um dos fundadores do Instituto Histórico do Ceará.


O Boimate da piauí

ou: o discurso do perdedor

Fui um dos 195 participantes do concurso literário da revista piauí, mas não levei o prêmio. O mote do concurso é muito legal. Eles te dão uma frase maluca, e você tem que encaixá-la num texto coerente. A frase do mês foi: mas Alice, eu já disse que não sou mitômano!

O primeiro lugar teria seu texto publicado na revista, e nas palavras dos editores: "perdurará na língua portuguesa eternidade afora". Fiquei triste, obviamente, pois eu estava crente que estava abafando. Mas a frustração diminuiu um pouco quando li o texto do vencedor, que de fato, é uma pequena obra prima. De uma inteligência delicada e senso de humor sutil, o texto nos esbofeteia com lenços de seda. Vi que ainda tenho que comer muito angu pra poder, sequer, pensar em pisar a mesma calçada em que transita, digamos, um Kurt Vonnegut ou um Ephraim Kishon.

Mas...

Eis que um leitor percebe que o texto vencedor é na verdade, hã... excessivamente inspirado em outro texto, de um autor morto em 1991. Você podem ler toda a bagaça aqui, no endereço da revista.

http://revistapiaui.com.br/2007/mar/concurso_vencedor.htm

É claro que a revista agiu de boa fé, mas quando perceberam a incômoda semelhança, o texto já estava impresso e perdurado eternidade afora na língua portuguesa. Restou à revista "rogar" para que no futuro, os autores não se inspirem demais no texto dos outros. Senão, já sei a fórmula para ter um texto aprovado: basta que eu pegue um ensaio do Umberto Eco, troque todas as ocorrências da palavra Ecmnésia por Rapadura, assine e estamos conversados

O Boimate da piauí, a que me referi no início, têm a ver com uma reportagem clássica da revista Veja. Significa, mais ou menos, comprar gato por lebre. Há muitos anos, a Veja publicou, como sendo verdadeira, uma brincadeira de primeiro de abril que falava sobre cientistas terem fundido o DNA de um boi com o de um tomate. Estaria criado assim, um supertomate rico em proteínas e virtualmente, a solução da fome no mundo! A revista publicou o texto meses depois do dia da mentira, então, não vale dizer que eles estavam brincando também. Foi um vacilo. Um pequeno engano. Mas que na Veja, empombada como ela só, surtiu o mesmo efeito que um dândi novo-rico aparecendo com as calças rasgadas, sendo pego com a bunda de fora.

Bom, aqui vai meu humilde texto participante, que até provem o contrário, não foi inspirado por ninguém, a não ser, talvez, pelo Espírito Santo. Boa leitura.

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Quanta dor, Alice!

Goão Jilberto desceu do seu táxi e ficou parado na calçada, contemplando o chão. Maravilhado, havia descoberto uma fila de formigas carregando pedacinhos de folhas entre as pinças. Passou a estudá-las o movimento e daquele ritimado constante, elaborou uma batida mais ou menos assim: tim tim, tum tum, tim, tum tum, tim tum, tim tim, tum, tã tã...

O velho músico estava dessa forma entretido, quando o motorista do táxi estranhou a demora. Desceu do carro e cruzou os braços sobre o teto, apoiando o queixo entre as mãos. Ficou observando, curioso, aquele senhor grisalho que marcava o ritmo das formigas com um gingado de corpo, muito parecido com as contrações de parto de uma lhama. Nesse meio tempo, uma pequena multidão também se aglomerava, apreciando o estranho espetáculo. Foi aí que o porteiro do prédio, Seu Chico, interveio e pagou o táxi, dispersando a multidão ao conduzir o poeta para dentro do prédio.

Goão nem bem chegara ao seu apartamento quando o interfone tocou. Era seu amigo de décadas, Dorival Donato, que estava subindo. O passatempo preferido de ambos era jogar baralho por debaixo da porta. Assim, Dorival ficou sentado no corredor do prédio enquanto Goão ajeitava-se com uma almofada, do lado de dentro do apartamento - e ficaram nisso por horas. Houve até tempo para que juntos, compusessem uma simpática canção, que ficou assim.

Mas Alice, eu já disse, que não sou mitômano, eu sou anômalo.
Sou um poço de complexos, sem rumo sem nexo, nem Jung explica.
Olha Alice, não complica, aceita meu autismo e o que vem no pacote;
Mas Alice meu bem, todos temos fricotes, como é que vamos fazer?

Um belo dia escapei da terapia, nem olhei pra que lado fugia,
cheguei em casa e o gato me aturando, no violão, uma nota só tocando.
Eu bem que queria melhorar, mas o público ia estranhar.
Pois deixa disso, Alice e vem cá. Como é que vamos fazer?

quarta-feira, março 14, 2007

Adoraria conhecer esse Brasil descrito pela Anaïs (Anaís). Quem for visitar o Brasil achando que vai encarar tudo isso que tá no livro vai se decepcionar. É mais ou menos como viajar a Bagdá esperando encontrar a cidade rica, próspera e tolerante descrita pelo jovem Beremiz, o cauculista.

E tem mais: porra de chanchiquito! Aqui não é o México, caray!



Serviço: Pequenos Pássaros, Anaïs Nin, L&PM Pocket, edição original de 1959.


Pequenos prazeres

A vida não se resume a pagar contas, ou passar a tarde inteira depondo num Quartel; não senhor. Ainda é possível extrair pequenos prazeres com coisas simples do dia-a-dia, e principalmente, é possível se divertir com seu trabalho. Quanto mais humilde e mal remunerada a profissão, em geral, os prazeres inerentes ao ofício são mais sutis e por isso mesmo, preciosos. Selecionei alguns exemplos de notórias ocupações que ninguém dá a mínima, mas a coisa mudaria se todos soubessem como se divertem os...

Motoristas de ônibus - Não é só o goleiro que tem a prerrogativa de se vestir diferente do resto de seus companheiros. O motorista de ônibus também. Em quantas profissões você pode sair de casa para ir trabalhar fantasiado de Waldick Soriano? Em quantas profissões você tem a certeza de se sentir sexy por exibir tufos de pelos no peito e ao mesmo tempo, ostentar um palitinho de fósforo no canto da boca? Sem falar que a categoria, sozinha, sustenta as vendas da Ray-Ban no Brasil. É ou não é uma satisfação?

E os prazeres não param apenas no figurino do terminal não. Durante as viagens, o M.O. também retorce a face de prazer ao perceber o susto que dá nas motoristas desavisadas. A maior diversão dos M.O. é frear de uma vez a sete Planks de distância do para-choque do carro da frente. Parece que há uma competição interna entre eles, pra ver quem consegue chegar a roçar eletrosfera com eletrosfera, só pode ser. O prêmio deve ser uma camisa estampada com figuras de cajus, especulo.

O M.O. também é seu próprio DJ. Como comandante do buzão, é dele o poder de escolher a trilha sonora que os outros desafortunados 132 passageiros vão ouvir. Como não bastassem o calor e os solavancos do carro, a trilha sonora - já bem ruinzinha de se tolerar- é embalada com chiados e distorções do aparelho de som do M.O.: provavelmente um toca-fitas CCE destacável, comprado na Feira do Canelão. Ser ao mesmo tempo; senhor dos pensamentos e condutor do destino de milhões, não é um prazer destinado apenas ao imperadores? Pois agora César tem um rival à altura na figura de Deoclécio Irinildo, motorista de praça há 10 anos que não perde um programa do João Inácio Jr. Tenha santa paciência.

Coveiros - Sem dúvida, o maior prazer de um coveiro é enterrar um notório gangster. Posso até imaginar os frêmitos orgasmáticos quando o humilde profissional é escalado para o enterrão das cinco horas. Sim, ele mesmo, a inumação daquele velho, safado, ventanista e barrigudo senador. E lá vem o caixão, grande e lustroso, carregado por outros figurões que ele tem certeza, ainda há de participar dos derradeiros ritos. É só uma questão de tempo...

O coveiro também é uma espécie de mestre zen, para o qual, tudo na vida é transitório. Essa certeza absoluta confere ao profissional um ar compenetrado, digno, silencioso, eterno, como se o próprio Dalai Lama em pessoa estivesse ali, baixando seu caixão. E depois de tudo terminado, quando os últimos parentes vão embora, alguns chorosos, outros cobiçosos do ap do senador em Ondina; ainda resta ao humilde coveiro uma última homenagem, um singelo recado que ele, como representante do povo, transmite ao senador no além: uma bela mijada na sua cova! Quem não invejaria esse herói do povo?

Bodegueiros - Junto com nadadores profissionais e fisiculturistas, também ao dono de bodega é permitido trabalhar sem camisa. Como hoje em dia a diversificação da carteira é tudo, o bodegueiro se confunde também com um dono de boteco. A bodega, assim, se converte também num ponto de encontro de cavalheiros, como um clube exclusivo, no qual profissionais da construção civil e amigos do alheio se reúnem para provarem aperitivos e discorrerem sobre os assuntos da moda, como a última chacina do presídio e a escalação do time do bairro, o Venturoso da Piedade.

O bodegueiro, como único intelectual no recinto - já que concluíra o Mobral em 1977 -; vira uma espécie de banqueiro e psicólogo da turma, às vezes emprestando pequenas quantias em dinheiro e aconselhando, como pode, seus fiéis clientes. Esse poder que desfruta perante seus pares não se mede em vinténs, pois é a mercadoria mais valiosa que existe: o respeito. Como símbolo totênico desse poder, o bodegueiro adota um código, reconhecido como sinal inconteste de sua autoridade no local: uma bic atrás da orelha!

A profissão de bodegueiro também é um exercício amostral de todas as ocupações do mercado. Já falei até do caráter de psicólogo do bodegueiro, mas o aspecto do qual todo dono de boteco se ufana é o de exercer seus dotes como gourmet. É incumbência do bodegueiro elaborar e supervisonar o cardápio de seu estabelecimento, e para tanto, ele se vale de receitas de família, coisas que ouviu dizer, e uma boa dose de experimentalismo que faria a inveja de um feiticeiro. De fato, não é raro encontar, boiando no caldo de feijão, coisas que tradicionalmente fariam parte das poções de Lord Voldemort, como asas de morcego e falanges humanas. Com os diabos se com esse cara eu não trocaria de lugar!

terça-feira, março 13, 2007

Tenho que reabastecer a Kombi...



Alta Cultura

Há de se ter sempre à mão um plano alternativo. Para esse segundo plano, dá-se o nome de biplano. Os gregos eram tão religiosos que inventaram um tipo de óculos especiais, que só eram usados em orações dentro do templo: os famosos oráculos. Pior fez um general romano, Tertuliano, que cansado do tédio nos cercos prolongados, desenvolveu a tertúlia.

O inventor da papinha de arroz foi o imperador Ming-Au da China, contemporâneo de Kublai Khan, odioso líder racista mongol fundador da Ku Klux Khan. O deserto de Atacama tem esse nome devido a um chileno pervertido, que amarrava suas lhamas numa cama e praticava sevícias com elas. Pela mesma razão, o rio Amazonas foi assim batizado devido a um português mulherengo que adorava freqüentar cabarés, muito comuns às margens do rio.

O imperador Pedro II, do Brasil, era filho de Pedro I, que por sua vez, era filho de Pedro Zero, conhecido mascate da região de Cascais. Como os romanos não utilizassem o zero, e essa nomenclatura fosse desconhecida em Portugal, é muito provável que o avô do imperador Pedro II tenha sido concebido durante a viagem de algum hindu às terras portuguesas. Em todo caso, o nome completo do pai da princesa Isabel era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga Nahasapeemapetilon.

Um atentado de grande porte se chama potentado. A grande revolução tecnológica do século XIX foi que os grandes transatlânticos também começaram a navegar no Pacífico, passando a se chamar de transpacíficos e posteriormente, de transíndicos também. O mais alto cargo na navegação de cabotagem era o posto de Aomirante, que era concedido ao marujo infrator, quando este era punido tendo que passar a noite no mirante do navio, que ficava alto pra caramba.

A engenharia naval consagrou os termos estibordo e bombordo, mas isso só se aplicava aos navios em perfeitas condições. Quando o casco era avariado, usavam-se os termos aquelebordo e maubordo. Mas quando em reparos no estaleiro, o barco não tinha bordo nenhum, pois os carpinteiros os levavam para pintar em casa e só devolviam de manhãzinha. O primeiro submarino da história foi à pique porque o inventor das comportas das escotilhas só viria a nascer 20 anos depois. A maior batalha da Marinha do Brasil se deu num riacho, durante a Guerra do Paraguai. Justamente por causa da equivalência entre as Forças Armadas, a maior batalha campal do Exército se deu num beco entre dois cortiços em Madureira, e o maior combate da Aeronáutica aconteceu no céu da boca de algum brigadeiro furioso.

Fora isso, não sei de mais nada.

sexta-feira, março 09, 2007

Recebi meu passaporte ontem. Tou planejando uma viagenzinha no fim do ano pra Gotham City, portanto, caprichei na foto pra não passar vergonha na hora de liberarem o visto. Que acham, tenho chances de entrar numa boa?


Tagarelice

A palavra, sempre a palavra. Desde os primeiros balbucios do bebê, até o mudo epitáfio na lápide, cada indivíduo matraqueia sem parar. Os humanos editam antologias de pensamentos, fazem compêndios de palestras, alugam carros com auto-falantes, discursam em praça pública, discutem aos berros altas horas da madrugada, cochicham no cinema e pra piorar; qualquer palrador que acha saber combinar corretamente substantivos, sujeitos e verbos tem um blog.

Já que é impossível ir contra a maré, organizei uma listinha das primeiras palavras proferidas após o sujeito abotoar o paletó. Manjem o contexto: o cara morre, aí imediatamente acorda no além. Daí sua surpresa ou interjeição é registrada por meios mediúnicos, aqui num aparelho que tenho em casa. Não, não estou vendendo a tralha. Divirtam-se.


"...atire!" - Chico Mendes.

"Luz?" - Ray Charles.

"Que frio!" - Saddam Hussein.

"Mohamed?" - João Paulo II.

"Agora chega, né?" - Chico Xavier.

"Por favor, onde fica a biblioteca?" - Jorge Luís Borges.

"Eu já sabia!" - Galvão Bueno.

"O Paul vai me matar!" - John Lennon.

"Saudades da Senhora." - Irmã Lúcia.

"Oh, vocês cinco por aqui?" - Jack, o estripador.

"Acho que quebrei uma unha." - Diana Spencer.

"Nunca mais!" - Edgar Allan Poe.

"Tanto barulho por nada." - Mick Jagger.

"Ei, isso não deveria estar acontecendo!" - Duncan McCloud.

"A preguiça passou." - Macunaíma.

"As acomodações são péssimas!" - Ramsés II.

"...seu filho da puta! - Júlio César.

"Parece lá em casa." - Ben-Gurion.

"Caralho!" - Dercy Gonçalves.

"Ninguém pra me receber?" - Napoleão Bonaparte.

"Onde está o mâitre?" - Maria Antonieta.

"Sabe com quem está falando?" - Augusto Pinochet.

"Foi uma bela piada, Senhor!" - Groucho Marx.

"Deveria ter blindado minha carruagem" - Francisco Ferdinando.

"Jackie? Cadê você?" - John Kennedy.

"Papai é foda." - Marvin Gaye.

"Pelo menos não me cortaram o pinto" - Victor Jara.

"Acho que já vou andando." - Franklin Roosevelt.

"Seu Pedro, tem campinho aqui?" - Garrincha.

"Não engulo essa!" - Linda Lovelace.

"Mamãe, é você?" - Sigmund Freud.

"Alô, tem alguém aí?" - Graham Bell.

"De repente ficou tudo tão escuro..." - Joana D´Arc.

"Vai ser pé-frio assim..." - Gonçalves Dias.

"Estranho, nem dói mais." - Negrinho do Pastoreio.

"Como estão as coisas na minha ausência?" - Pablo Picasso.

"Fudeu." - Adolf Hitler.

"É..." - Millôr Fernandes.

"Cara, cadê meu carro?" - Ayrton Senna.

"Achei que o Senhor era mais alto" - Abraão.

"Desculpa a demora." - Matusalém.

"Agora vá tomar no cu, Senhor!" - Jó.

"Pô, pai! Eu tinha mesmo que ir embora?" - Jesus de Nazaré.

quinta-feira, março 08, 2007

Tela para um site sobre gerenciamento de aquários. O desenho foi todo feito usando as retas, quadrados e curvas do photoshop.



Duas notinhas

Hoje o presidente Bush visita o Brasil. Fazendo a habitual vistoria na propriedade, ele revê os colonos, distribui docinhos aos filhos dos moradores, promete caiar a casa de um, traz um vestido usado pra comadre Marisa... e todos ficam felizes. Na volta à Casa Branca, digo, à Casa Grande; Coroné Moita cogita passar adiante essas fazendas estagnadas e curtir a vida. Mas que diabos, estão há tanto tempo na famíla que é melhor deixar assim. - Terra é terra, como diria o papai, pensou.

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Arrancaram as folhas do ipê roxo que eu plantei. A muda não morreu, porém. Ela ainda pode brotar os galhos, mas vai demorar muito para atingir o antigo porte, e mesmo assim, nada garante que outros idiotas não façam a mesma barbaridade. Tudo o que posso desejar a tão apagada alma, que violentou minha plantinha, é um retorno rápido ao seio do Craidor, de preferência atravessando um oceano das mais terríveis dores.

Ainda sobre a plantinha: puerra, como eu disse antes, não há nada tão altruístico como plantar árvores, já que o bem que pretensamente fiz não vai ser usufruido por mim, mas para gente que eu não conheço e que provavelmente nem nasceu ainda. Aí vem um feladaputa sem noção e desgalha minha plantinha? Que diabo de povo somos nós? Se é verdade que uma grande estrutura é fomada de pequenas peças, então pequenas atitudes formam um caráter nacional. E me envergonho profundamente dele.

terça-feira, março 06, 2007

Pérola do dia do Bagman:



Via Crucis


Hoje precisei dos serviços de certos funcionários públicos. Funcionários públicos que andam armados, sacou? Bom, tive que comparecer ao setor por duas vezes, por causa de birras com o preenchimento da papelada. Sinceramente, não acho que o problema tenha sido meu, pois me considero mais esperto que a maioria dos ursos. O que eu acho que houve foi uma implicância do funcionário do dia, que resolveu descontar sua raiva no primeiro puto que aparecesse. No caso, eu. Acho até que se eu tivesse sido sorteado com outro atendente, ele colocaria defeito em outra coisa. Talvez, no meu corte de cabelo. Ou na falta de corte.

Olhando em volta, percebi detalhes sutis e outros nem tanto, sobre onde eu estava metido. Havia um cartaz, grande o bastante para ser visto pelos satélites do Google Earth; escrito assim: desacato a servidor público é crime! Desse jeito mesmo, com serifas e exclamações. Tipo, eles sabem que vão lhe fazer umas raivas, só pra se divertir. Se você fizer a besteira de ficar fulo e revidar, provavelmente vai desfrutar da hospitalidade deles por um mês. Portanto, anule-se, fique calmo, engula os insultos...

Por causa de um outro preenchimento errado, fui mandado para um porão ( não estou exagerando! ) onde eles poderiam me tirar outra via do documento em questão. Vi coisas lá que não havia visto nem numa visita à Santa Casa de Misericórdia, e nem nas piores filas do INAMPS: gente chorando, estrangeiros desorientados, cansaço, calor, e em contra-partida; funcionários papeando animadamente com conhecidos seus. E o que mais chama a atenção é a absoluta indiferença, evidenciada pela mais clara linguagem corporal: gente por trás do balcão segurando o indefectível cafezinho, mantendo a outra mão livre bem posta nos quartos. Se eu mesmo não estivesse tão irritado - mas aparentando ser um monge, é bom que se frise - ; teria me divertido um bocado com esse miserável apanhado da comédia humana.

Finalmente fui atendido e a papelada, encaminhada. Não posso deixar de pensar que um certo sadismo faz parte dos pré-requisitos para o concurso público, só pode ser. Mas pensando bem, todos somos humanos, e com os diabos, será que se eu não estivesse do outro lado, não trataria esses miseráveis contribuintes da mesma forma? Talvez sim, e o que é pior, seria mais irônico e muito menos maleável com gente avoada. Descontaria meus traumas no primeiro que me desse bom-dia, e saindo para o almoço de duas horas; faria questão de fechar o guichê na cara do próximo velhinho que aparecesse. O poder, ah o inebriante poder!

sexta-feira, março 02, 2007

No Ceará, chamamos esse gafanhoto de esperança. Na verdade não o chamamos, ele vem sozinho, daí metade de seu fascínio. Os outros 50% de seu charme vêm do fato dele ser verde, e acredita-se - I do - que trazem sorte.

Achei esse hoje à noite, pendurado numa viga. A foto foi tirada de baixo pra cima, a esperança estava agarrada à lateral da viga, olhando para baixo. Olhando para mim, e para meu fascinante flash de luz branca, um sol instantâneo a 5.000°.

Portanto, boa sorte pra todos nós.

Amém.