Ainda temos problemas crônicos, como corpos espalhados pelas ruas, crianças portando peixeiras e uma epidemia de bandas de forró. Mas com os diabos, algumas coisas vão bem.

Across the Universe
Meu amigo Edge é o primeiro cidadão do mundo que eu conheci. Cearense, e por isso mesmo, destinado a ser um globetrotter, ele já trabalhou em todos os cantos da Terra, menos, que eu saiba, nos polos. Mas se precisassem de um programa para monitorar a migração das baleias azuis, não duvido que ele toparia passar o inverno no continente branco.
Atualmente, o cara está em Cingapura, moderna cidade-estado no entroncamento do mundo. De lá ele administra o sensacional www.superedge.com, onde discorre sobre a vida, o Universo e tudo mais, além do seu cotidiano e de sua famíla na Ásia. O site virou referência e embaixada informal pros brasileiros que se dirigem pra lá. Eu cobraria 10% dessa corja!
Recentemente, o Edge desabafou conosco sobre esse novo êxodo de brasileiros. Conversando com três amigos via msn, todos eles usaram a expressão: quem pode tá indo embora, praticamente ao mesmo tempo, sem saber que os outros estavam on-line conversando com ele. Detalhe: todos os quatro já estavam trabalhando no exterior.
O Edge falou: será esse o futuro do Brasil? A que ponto chegou nossa fé no futuro da nação, hein? Seu professor de OSPB deve estar triste.
Abaixo, segue a resposta que eu dei, que foi mais ou menos assim:
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Eu defendo o inalienável direito à felicidade, seja aqui, ou alhures, seja por um brasileiro ou um - coitado! - paraibano, para qualquer parte do mundo que queiram ir. É claro que eu gostaria que o Ceará e o Brasil fossem um celeiro de cérebros, pois cada bom amigo e profissional que se vai o Estado fica mais burro, e assim nós não vamos pra frente não. Sem falar que restringe ainda mais minha possibilidade de bons papos, hoje restrita ao porteiro do prédio e ao trocador do Paranjana.
Foi migrando que o diabo dessa espécie humana povoou a Terra. Buscando pastos ou pomares maiores, enfim, atrás de uma vida melhor, é que estamos por aí. E por ali também. E acolá, veja! Vários países devem sua prosperidade à vinda de imigrantes especializados. Vale lembrar que os EUA não seriam essa pujança nuclear toda sem o pega-pra-capar entre os cientistas alemães, que acabou levando centenas deles pra trabalharem em subterrâneos secretos. E o que seria da polícia de NY sem os irlandeses? Polícia essa que por muito tempo, esteve ocupada caçando os italianos, veja como o ciclo se autoalimenta.
E tem mais, acho que viajar nos torna menos preconceituosos e mais tolerantes com as diferenças. A velha Alexandria ou mesmo Bagdá deviam sua prosperidade ao seu cosmopolitanismo e ao seu anti-xenofobismo. Essencialmente centros comercias, elas dependiam do livre trânsito de pessoas, idéias e mercadorias para que a cidade se tornasse viva. Quando isso acabou, foi a decadência. Nova York é o que é por causa do seu caldo cultural vastíssimo. Se a cidade fosse forçada a fechar seus portos ao estrangeiro, ela viraria o quê? Uma Havana temperada?
Não acho que nós decepcionamos nosso professor de OSPB, pois se duvidar, ele continua no mesmo cargo e no mesmo colégio d´antanho e teria muito orgulho - pra não dizer outra coisa - ; da gente.
Mas relax, cada nação tem sua hora. O Brasil, sem dúvida, será um grande país, nem que seja só a 24h do Apocalipse.












