terça-feira, julho 31, 2007

DESOCUPADÃO 2007


Sorry, periferia! Acabei de ganhar a Liga dos Desocupados, mais conhecida como Desocupadão 2007! Promovida pelo Thiago, mentor e shogun do sensacional Cara de Milho, a trepidante competição consistia em: adivinhar nomes de famosos a partir de figuras aparentemente desconexas. Vou dar um exemplo. Digamos que eu postasse aqui uma foto de uma bonita flor. Abaixo, uma cena de violência doméstica, na qual aparecesse um sujeito batendo na mulher. Quem é essa pessoa? Fácil! Florbela Espanca! Moleza, não?

Tive competidores de monta, como o Clever e o Aristides. Até mesmo o misterioso Zarastruta apareceu e nos brindou com jogadas geniais, mas cansou cedo - na certa faltou preparo físico, mas sabe tudo de bola. Consegui Ganhar por mísero meio ponto, o que vem a destruir o argumento que bola na trave não altera o placar. Avancei em direção ao gol, chutei com efeito, achei que seria um golaço... mas não acertei. A cartolagem premiou a jogada e o empenho em campo, pois comigo não tem bola perdida. Resultado: meio pontinho de bônus que me colocou como o primeiro campeão da Liga. Éééééé!!

Meu computador de casa fundiu e o computador do trabalho é mais bloqueado que o de um estudante chinês. Tive que acessar o CDM em lan houses das mais suspeitas, nos piores horários, encarando adversidades tão chocantes como mouses sem rolagem! Chuinf! A competição foi idônea e imparcial, apesar da foto comprometedora, mostrando dirigentes e jogadores confraternizando. Thiago, obrigado pela oportunidade! Conforme combinado, depois te envio a camisa autografada do Clodoaldo, grande herói e biriteiro do time do Fortaleza nos anos 90! Pisc!

segunda-feira, julho 30, 2007

O Sol e sua corte


Como vocês sabem, plantei até agora sete mudas pela cidade. São dois jequitis e cinco ipês, que estão indo muito bem. Todos eles devem ter aproximadamente 10 meses de idade e alguns já passam de 2,5m de altura. Se nenhum filho de uma capivara molestá-los, devem viver pelo menos um século. Olha só que belas flores! Bom dia sol, bom dia manhã...


O ipê é a árvore símbolo do Brasil. Na amazônia e na mata atlântica, ainda se encontram exemplares seculares, altíssimos e de um amarelo cheguei. No caso, tenho plantado também um ipê roxo, que deve formar, em míseros 15 anos, uma bela copa lilás!


Eu ao lado do jequiti. O jequiti todo mundo conhece: é aquela árvore enorme que dá umas sementinhas vermelhas redondas, ótimas para munição de baladeira.

Conversava com o Olinto, e estávamos estupidificados tentando entender como é que uma sequóia - ou um ipê e um jequiti, vá lá -, nasce de uma sementinha do tamanho de uma verruga. Aí o Gadelha disse um negócio muito foda. Ele preferia entender a semente como uma nanomáquina, cujos genes conteriam um código de poucos bits de informação. Esse código é que seria a matriz para a construção de um ipê. Da mesma forma - a analogia foi essa - que uma receita simples, escrita num papel de embrulhar pão, pode ser usada para criar milhares e milhares de tortas, bastando que as condições sejam favoráveis. As tortas - toneladas! - vieram de um mísero papelzinho amassado? Sim, de certa forma sim.


Aí em cima, uma foto da lua nova de julho de 2007. Pertinho dela, Vênus em oposição. Vênus pode ser visto atualmente nos fins de tarde, quando assume o nome poético de estrela d´alva. A foto foi tirada da janela do meu ap, ao por do sol.

sexta-feira, julho 27, 2007

Que tal o fusquete da pulíça? Incrível como a barriga dos policiais cabia entre o volante grandão e o banco. E ainda tinha espaço pra escopeta. Proezas.


Paraíso Perdido

Com exclusividade, trechos do diário do professor David Longfart, escritos quando de sua expedição aos confins do Continente Perdido. Infelizmente, o professor está desaparecido e tudo que foi possível recuperar de seus pertences foi esse diário e um sarongue de praia. A Universidade de Woolwich pretende publicar o trabalho na íntegra, e entregar as partes picantes pro Robert Crumb ilustrar. Vai vender como ecstasy, na minha opinião. Aos enxertos:

...---...

Primeiro contato com os nativos. Ergui a mão em sinal de saudação. Um pequeno grupo apareceu por entre as folhagens e aproximou-se devagar. O mais corajoso chegou bem perto e estendeu-me a mão. Infelizmente, o nativo aproveitou e roubou meu relógio. Era uma relíquia que papai me dera, fiquei possesso de raiva, mas há de se respeitar as diferenças culturais. Pelo menos escapei com vida.

Os guias me abandonaram, logo que cruzamos os limites da selva. Supersticiosos, diziam que os selvagens arrancariam nosso couro para ornar o templo seu deus. Bobagens. A única tosquia que sofri veio da parte dos guias, que me cobraram as diárias adiantadas e me largaram na floresta. Ao pegar minhas tralhas para seguir viagem, percebi que os carregadores se dirigiram, cantarolantes, a um boteco próximo. Bem que me disseram pra não pagar esses tratantes numa sexta feira. Resultado: embriaguez mórbida e falta no sábado.

Sozinho, consegui chegar à grande taba perdida, encravada entre o mar e a montanha. Grandes picadas na mata indicavam o caminho. No que pareciam ser os subúrbios da grande cidade, avistei feiras que vendiam de tudo, desde frutas exóticas até simpáticas peças de artesanato em palha. Noutra barraca, não pude deixar de notar um nativo sorridente que vendia bugigangas. Com surpresa, achei meu relógio, que recomprei por vinte libras.

Os nativos não tinham um alfabeto padronizado, pelo que pude perceber. Todos eles omitiam o plural das palavras e a maioria inventava outras que não existiam, de acordo com o rudimentar dicionário que pude compilar. Na língua deles, a palavra, Gûambo - uma desinência quantitativa -, era constantemente falada como sendo Gûamba, o que equivaleria, em nossa língua, a dizer menas o tempo todo. Enquanto lidava com essas questões, pivetes roubaram meu dicionário.

Desisti de tentar entender os nativos. Resolvi me passar por um deles para assimilar sua cultura, e dessa forma, minimizar os efeitos que minha própria interferência poderia causar em seu meio de vida - e por conseqüência afetar meu julgamento. Informado por populares, descobri que a melhor maneira de me fazer passar por um deles seria através de um casamento ritual.

Fui apresentada à minha noiva, chamada de Tuaranga-ibê, nome que em sua cultura significa mais ou menos pernas esculpidas num torno, ou algo assim. Não entendi muito bem.

Aluguei uma cabana à beira-mar e vivo com minha esposa e um pequeno séquito de ajudantes submissas, chamadas de Konku-binas, mas não achei uma tradução eficiente para o significado da palavra. Pouco a pouco, porém, fui deixando a antropologia de lado. Para passar o tempo, montei uma palhoça onde instalei um alambique para fabricar rum. Na língua local eles chamaram a construção de pub. Gostei.

Estou bronzeado como um mouro. Meus dois filhos, David Junior e Peter Longdick são os dois jovens mais formosos da aldeia, e prevejo netos para breve. Acho que vou mandar os dois pra Londres, não sei. Será que ainda tenho aquela cátedra na universidade? Se eu não estivesse tão gordo quanto Marlon Brando talvez me levantasse dessa rede e fosse falar com eles, mas cadê a coragem?

segunda-feira, julho 23, 2007

Outra página da cartilha da FUNCEME...


O que ouvi por aí...

Lula vaiado na abertura do Pan
Cedo ou tarde alguém tinha que dizer que o rei está nu. O destino quis que fossem eles, os cariocas, sempre eles, que apontassem ao rei que sua bunda estava de fora. Parabéns, bravo povo fluminense! O que me lembra que foi exatamente por isso que a capital foi transferida do Rio para o deserto central: para fugir da irreverência, da proximidade com o povo. Versailles também tentava se proteger de Paris pela distância. Mas isso não garante nada. Se os palacianos aguçarem os ouvidos e abaixarem um pouco a música, dá pra ouvir a turba se aproximando, ao longe - com ancinhos, machados e archotes...

Nasa planeja pouso em luas de Marte
Taí uma boa idéia para o interminável conflito árabe-judeu. Cada um dos povos construirá sua mítica Bespin num dos dois asteróides/luas de Marte - Phobos e Deimos -, e deixarão que a velha Jerusalém seja administrada por um consórcio internacional. Eu sugiro que a Disney assuma tudo. Transformando Jerusalém num parque temático do judaísmo, do cristianismo e do islã, os conflitos cessariam e o turismo voltaria, sem medo de carros-bomba. Seria um barato conferir a história das religiões contada por autômatos de Abraão, Jesus e Mohamed. Sem falar na parada de todo fim de tarde, com carros alegóricos representando a Hégira, o Êxodo e a Paixão. Sonhos, sonhos...

Foguete brasileiro não decola
Uma bela analogia para tudo o mais que há por aqui.

Ferrari acidentada sofre perda total
Cá pra nós, se eu arrebentasse a lateral da minha Ferrari, seria mais simples jogá-la de um penhasco e receber o seguro total que conviver com o carro guaribado na oficina do Seu Peixoto. O cara deve ter acabado de destruir o carro dando sucessivas rés num poste. Minha teoria é corroborada pelo fato que o proprietário evadiu-se do local. Fugir do flagrante é conveniente na hora da perícia do seguro, sabe como é, o hálito denuncia muita coisa: glub glub glub...

Morre ACM
Genérico do Pinochet, o senador baiano foi o penúltimo dos coronéis nordestinos, segundo a veia clássica, bem entendido: daquela com fazendões, currais eleitorais e bancada federal canina. Já foi tarde. O último dos coronéis ainda está vivo, e segundo minhas fontes, empesta o Maranhão...

sexta-feira, julho 20, 2007

Outra parte da cartilha que eu e o Olinto estamos fazendo pra FUNCEME. É absurdamente divertido fazer um trabalho como esse, apesar de - oh! - ser bem trabalhoso. Ao longo dos dias vou colocar mais páginas por aqui, como de praxe.


Fincados no chão

Certa vez, ao tentar passar por cima de uma corrente esticada, escorreguei e caí. Estatelado no chão, sujo e humilhado, tirei algumas conclusões sobre o fato e a vida, de um modo geral. A primeira: nunca tente fazer nada. A segunda: seria melhor se tivéssemos quatro patas.

Mas como conciliar nosso design vencedor com quatro patas? Animais quadrúpedes, em geral, não conseguiram ter o mesmo sucesso que nós, ao inventar uma civilização. Se bem que alguns deles, desconfio, encontraram na política seu habitat perfeito. Mesmo assim, a dúvida persiste. Como fazer a junção do design humano bípede com o do quadrúpede, mais estável e elegante?

Bem, centauros têm quatro patas, e um torso humano garante uma funcionalidade parecida com a nossa. Se existissem centauros, eles seriam mais equilibrados que nós, tolos bípedes implumes, além de mais sofisticados. Poderiam fazer tudo o que nós fazemos, só que melhor. Além das óbvias vantagens de se ter quatro patas, uma supera de longe qualquer outra: a abolição do uso de privadas domésticas. O mundo seria nosso banheiro, lavado pela chuva e perfumado naturalmente pelos ventos e odores do campo. Ah, a liberdade!

Não é a toa que os centauros eram os seres mais sábios que existiam, segundo a mitologia grega. No céu, são homenageados em duas constelações. Sagitário, é uma delas, que virou um dos signos do zodíaco. Aliás, zodíaco significa justamente isso: um mostruário de animais, bestas e feras, quase um zoológico sideral. A outra constelação é o enorme naco do céu conhecido apropriadamente como o Centauro, logo acima do Cruzeiro do Sul. No caso dessa última, acredita-se que seja dedicada a Quíron, célebre rei dos centauros, tutor de heróis como Aquiles e Jasão. Quem assistiu aos filmes do Ray Harryhause deve se lembrar do herói e dos argonautas, mesmo que canhestramente.

Trepar como cavalos também seria uma vantagem sensacional. As expressões potranca gostosa e ser bem dotado como um cavalo não mais seriam conotativas, mas sim, denotativas. Isso é que é um segundo grau bem feito! Sem falar na melhor expressão de todas: fulano age como um cavalo batizado. Agora essa expressão não seria mais restrita às metáforas. Reforçaríamos o piso das igrejas e colocaríamos coches nas pias batismais para que sim, os jovens potrinhos do futuro também recebessem o sacramento! O mundo seguiria em forte galope se fôssemos diferentes, mas por enquanto, tudo não passa de um sonho distante.

Estava aqui pensando (?) e notei que a antiga religião egípcia poderia voltar à tona, se virássemos híbridos com cavalos. O futuro equinus sapiens provavelmente adoraria os deuses antropomórficos , muito parecidos com ele mesmo, afinal de contas. Não sei se a religião já teve um deus com corpo humano e cabeça de cavalo, mas sem dúvida poderia ser criado um, facilmente. Seu nome? Seabisciut-Rá?

Dormir em pé seria outra vantagem. Ir com as unhas sujas àquele encontro também. Dar patadas nos torcedores rivais idem. A única desvantagem seria o espaço ocupado. Se fôssemos uma população de seis bilhões de centauros, haja pasto. Praticamente todas as florestas teriam sido derrubadas para plantar capim e aveia, sem dúvida. E os jogos olímpicos seriam muito entediantes: todas as competições teriam um quê de equitação - o esporte mais chato de todos, depois da marcha atlética.

Quer saber? Melhor que ter quatro patas seria se tivéssemos asas!

Além das óbvias vantagens de se ter asas, uma supera de longe qualquer outra: a abolição do uso de privadas domésticas. O mundo seria nosso banheiro, lavado pelas chuvas e perfumado naturalmente pelos ventos e odores dos campos. Ah, a liberdade!...

terça-feira, julho 17, 2007

Outra página da cartilha pra FUNCEME. Pouco a pouco vou desnudando meus personagens, na esperança que a mudança seja tão lenta e gradual que ninguém ligue. Na cartilha seguinte colocarei um nu frontal gratuito!

Mas vejam que o texto da cartilha não é nosso. Não gostei do teor digamos, elitista do texto, ao atribuir a favelização das cidades à imigração dos flagelados. Como se as próprias cidades, orgulhosas, não fossem capaz de gerar seus pobres! Mas seguimos ordens....


Compêndio dissertativo sobre a filosofia de banheiro

É comum vermos rabiscos espirituosos que decoram os banheiros de nossas rodoviárias, escolas e escritórios. Curiosa forma de mídia, esses ditos populares alcançam público seleto e por que não dizer cativo, já que na solidão do recinto, o usuário nada pode fazer para passar o tempo a não ser pensar bobagens ou ler o que está rabiscado nas divisórias. Ao contrário dos ditos em parachoques de caminhão, verdadeiros out-doors ambulantes, os adágios de banheiro requerem comedimento e solidão para serem apreciados.

Tempo é o que o leitor mais tem quando está na incômoda situação, daí, o sucesso imediato das frases. Ajuda o fato que as sentenças são geralmente curtas, grudando na memória como um post-it de fórmica. E mais: com tanto tempo disponível, a reflexão sobre a frase pode ser degustada em sutis mudanças tonais, permitindo novas interpretações, variantes meta-linguísticas e abordagens originais. A única outra forma literária, com a qual dedicamos tanto tempo e íntima concentração para interpretá-la são as orações.

Assim, capturei três frases em banheiros públicos, e dediquei-me a dissecá-las com uma visão desapaixonada. Analisando logicamente suas motivações, espero entender a mente do proto-literato que a criou e assim, entender a quem se destina. Aqui estão.


A julgar pela frase, os torcedores do time alvinegro cearense passam o tempo todo em joguetes pederásticos. Não é possível corroborar essa afirmação, pois em geral as práticas sexuais são executadas na privacidade das alcovas, estando assim, impossibilitadas de classificação generalistas quanto ao seu gênero. No mais, se tais práticas fossem postas a termo ao ar livre, numa arquibancada, envolvendo milhares de pessoas, poderiam causar uma trepidação indesejada que poria o estádio abaixo. Coisa que ainda não aconteceu. Além disso, a homossexualidade não é exclusiva de certas agremiações de torcedores. Em geral, ela está proporcionalmente distribuída em todas as classes e profissões, salvo cabeleireiros, carnavalescos e biólogos marinhos, cuja disparidade é flagrante.

Como cu não tem acento, a única coisa que se pode concluir corretamente sobre a assertiva é que, por contraste, os torcedores do Fortaleza - time rival -, são burros.


Primeiramente, é preciso qualificar o que seja nada. Nada no sentido de vácuo moral ou nada no sentido de não-existência? Outras religiões que não têm Jesus como mestre também exibem códigos de conduta e moral elevadíssimos, além é claro, de seus seguidores existirem fisicamente. Assim, essa primeira abordagem está refutada.

Quando à segunda parte do poema, se me permitem chamá-lo assim, também não pode ser alicerçada na verdade. Segundo a mitologia cristã, Deus criou o homem única e exclusivamente para adorá-lo. Assim, Deus só passou a ter esse título, digamos assim, depois de criar alguém que o chamasse por tal. Se o homem não existisse, Deus não seria um deus. Da mesma forma, não existe um artista, digno desse nome, sem uma obra de arte para chamar de sua. Como chamar de pintor alguém que não pinta, só diz que pinta? Uma obra de arte só existe enquanto realidade física, e não por estar esboçada na cabeça de alguém.

O autor da frase poderia dizer, se tivesse erudição para tanto, que Deus e o homem fazem um todo uno, como que um simbionte cujas duas metades fossem auto excludentes. Também não é assim. Segundo mostram as evidências, Deus não se manifesta diretamente ao homem desde a época do Velho Testamento, e sua influência atual é nula ou próxima de zero. Para efeitos práticos, o homem está abandonado à própria sorte. Nesse sentido, Deus é irrelevante, e o homem pode continuar a ser o homem, sem a vigília de Deus, mas não o contrário.

A frase encerra, suponho, uma irônica inversão de intenção.

Como a frase em questão se refere a Jesus, e segundo a mitologia cristã, Jesus está fundido numa trindade com Deus e o Espírito santo, a lógica aplicada a um serve ao outro.


As pinturas nas cavernas foram feitas, primeiramente, com impressões dos dedos e das mãos, como as crianças fazem ao brincar com tintas na pré escola.

Uma das formas de se verificar a autenticidade de quadros é procurar pelas digitais do artista, espalhadas pela pintura. Na ânsia de buscar um efeito, muitas vezes um pintor faz usos dos dedos para misturar os tons, buscando a agilidade que um pincel eventualmente não teria. Então sim, o dedo pode ser usado como pincel.

E quanto à merda? O colóide fruto da digestão humana tem as propriedades da tinta? Aparentemente, sim. Tecidos como fraldas de pano e cuecas, se postas em contato com as fezes, podem absorver seus fluidos e impregnar a superfície com sua cor e viscosidade. Isso se encaixa perfeitamente na definição de tinta. O outro pré requisito para que uma coisa seja classificada como tinta é a durabilidade da impressão. Uma tinta deve ser capaz de preservar suas características mesmo se postas a lavar com abrasivos leves. Bem, os papais e mamães sabem que se uma fralda não for posta para lavar imediatamente depois de suja, nunca mais ela terá aquela cor tão branquinha. Assim, a primeira e a segunda estrofe estão demolidas.

Só a terceira estrofe contém uma súplica verdadeira, onde o autor, claramente desesperado, procura algo com quê se limpar. Ele mesmo insinua, segundo minha interpretação, o uso das próprias mãos para a tarefa. A princípio, renega a própria sugestão, e evoca o meio civilizado e corrente de se livrar dos dejetos, ou seja, com o uso do papel.

Apesar do fervor sanitarista, o autor não especifica que tipo de papel pode ser usado. A meu ver, uma falha grave, que deixa a porta aberta para interpretações bruscas. No entanto, suponho que o leitor saiba, instintivamente, que papel de enrolar pão, papel higiênico e papel de jornal têm tessituras e densidades diferentes, sendo mais adequados ou não para a delicada tarefa.

Aqui vai um elogio sem reservas à frase. Segundo meus estudos, a razão do autor ter dedicado seu tempo à escrevê-la foi o puro altruísmo. Ele estava, na verdade, dando um alerta para que o leitor, antes de começar os procedimentos, verifique se no abastecedor de papel há quantidade suficiente para suprir a demanda.

Caso contrário, não há lógica que resista.

segunda-feira, julho 16, 2007

Domingão de sol forte, fui com meu primo e meu irmão ao Parque do Cocó, uma espécie de Central Park de Fortaleza.


O parque tem mais de 18ha de mangue preservado, incrustrados no meio da cidade. Apesar de precário ainda, tem o potencial de virar um Parque do Ibirapuera cearense, se continuarmos a cuidar bem do espaço.


Assim que a preguiça me abandonar, vou ver se eles fazem trilhas noturna, sob a lua cheia. Hein, hein? Esse cenário deve assustar à noite. Só falta o frio e o fog, não?


Essa laguna enche de acordo com a maré e as chuvas. Nossa temporada de chuvas já acabou, para só recomeçar em setembro. Vou ver se tiro outra foto quando as coisas estiverem mais molhadinhas.


Reparem nas raízes aéras. Sinal que essa trilha fica inundada em certas épocas do ano.


O povo usufruindo a cidade! É bem verdade que depois do racha (pelada, em cearês) eles vão relaxar assaltando motoristas, mas quem liga?


Essa avenida corta o parque em dois. A outra banda é mais selvagem, não tem as trilhas definidas, mas em breve tudo deve ser unificado. Essa outra metade se estende até a praia, coalhada de dunas. Até eu, que detesto sol e areia, acho bonito.

quinta-feira, julho 12, 2007

Desenhinho que fará parte de uma cartilha, pruma empresa aí. E então, queridos parlapatões? Quem consegue achar as sete diferenças que existem entre os desenhos de cima e o de baixo? O Arthur achou tudo em sete segundos.

quarta-feira, julho 11, 2007

Otimizando a área


Povo, resolvi requentar um texto que já saiu aqui no blog, pra poder participar do concurso mensal da revista piauí. Caso alguém queira participar também, a decisão de avançar ou não é de cada um, ok? Vai que vocês ficam irremediavelmente influenciados pelo meu texto, aí já viu, né? O prazo do concurso é até o dia 20 de cada mês. Detalhes no site da revista.

Mind Games

Cheguei ao mosteiro percorrendo a N1, a única estrada do Nepal. A construção há muito que já podia ser avistada, ladeada pelos altíssimos cumes do Himalaia. Desci da minha lhama (?) bem em frente à longa escadaria do mosteiro, e percebi que a busca estava chegando ao fim. Se tudo desse certo, dali a poucos instantes eu estaria diante do meu guia espiritual: o onanipotente guru Cubaca.

Vim a saber do guru passeando por sites de acompanhantes de Piripiri. Estava perdido, e andava em busca de luz e graça. Luz del Fuego e Maria da Graça, duas das mais solicitadas cortesãs da cidade. Foi quando vi o banner do mestre. Minha vida mudou. O sorriso franco, levemente deslocado para o lado, o olhar profundo e seu bigodinho ralo transmitiam tanta força e confiança que resolvi deixar tudo para trás. Nada me demoveu da idéia, nem o fato que o mestre era a cara do Wilson Grey. Antes que desse por mim, transferi toda minha grana para a conta do mosteiro e empreendi a jornada final, para estar com ele e seus seguidores.

Apertei a campainha que soou como uma buzina de nevoeiro. Ouvi uns passos cambaleantes e após um rangido de ferrolhos, a porta se abriu. Sim, era o mestre que me recebia, reconheci imediatamente sua fisionomia, se bem que estranhei seus trajes. O Mestre vestia uma camisa do Madureira e um bermudão surrado da O.P. Nos pés, chinelas havaianas, cada uma de uma cor. Ele me recebeu amistosamente: - Que é? Atabalhoadamente, disse o propósito da minha visita, e que respondera ao seu chamado. O mestre ficou em silêncio e depois de uma cusparada, falou: - Entra.

A decoração do mosteiro emanava paz. Parecia um cabaré de Las Vegas. Entendi que se tratava de uma alegoria sobre as tentações terrenas, e até mesmo a stripper que saltou no meu colo fazia parte da encenação, aposto. Enquanto caminhávamos, ele agradeceu meu sacrifício e falou que tinha um lugarzinho pra mim, onde eu me sentiria muito bem. Inspirado, lembrei da minha antiga vida, e eu lhe falei de um lugar onde nos sentiríamos no deserto. Sua gratidão me confortou. Partimos em silêncio para aquele que seria meu novo posto: crupiê no mosteiro do guru.

Comecei meu caminho para a iluminação naquela noite mesmo. Enquanto trabalhava, analisava as almas atormentadas que recebiam minhas cartas e vi o quão sortudo eu era. Oh, o vasto rosário humano que desfilava em minha frente. Cheio de júblio, resolvi me desfazer de minhas últimas posses, e num ímpeto, quis jogar a carteira pela janela. Foi aí que reconheci a sabedoria do guru: aquela stripper no começo da história - sem dúvida a mando do mestre -; havia levado minha carteira, antecipando meus sentimentos. Comovido às lagrimas, pensei: que dádiva estar entre pessoas tão sábias!

segunda-feira, julho 09, 2007

Olhaí meu sobrinho, o Arthur. Nossa absurda diferença de idade não impedirá altos papos, espero. Pelo contrário: ele é que vai me conduzir pelo arriscadíssimo e hostil mundo dos anos de 2020, quando a tecnologia, tal qual como acontece hoje, expurgará os velhotes da modernidade. Isso se ele não se envengonhar da minha obtusidade. Seja paciente conosco, Arthurzão!


Lançamentos recentes

Acabou-se a Flip e o que restou de concreto foi uma penca de novos lançamentos. Devido à falta de estrelas, sobrou para um jovem time de escritores que deu o tom à festa. Vejam esse apanhado que consegui resumir:

Sexus, nexus e amplexus, por Amandúzia Fellatio.

O livro é escrito em terceira pessoa, devido ao fato de todas as transas descritas serem a três. A autora conduz o leitor pelas mais recônditas e molhadinhas práticas sexuais, em especial o boquete, que ela afirma, completa 8.000 anos esse mês. Ainda segundo a autora, o primeiro boquete foi literalmente, pago por uma jovem prostituta de Ur, na Babilônia. Seu cliente, um rico mercador de Cantão, convencera-lhe a participar de uma brincadeira, para canforizar a relação - já que pimenta só seria introduzida no oriente-médio séculos depois. A jovem prostituta topou a brincadeira e então o mercador disse: abra a boca e feche os olhos...

O livro só discorre até a época romana, quando uma das mais populares posições sexuais foi inventada: o LXIX. Segundo a autora, um novo livro está no grelo, digo, no prelo, que abordará a idade média e o renascimento, com especial destaque para as termas que funcionavam nas criptas do Vaticano. Dizem que só os caras legais podiam participar da festa, o que sempre excluía o monge alemão Martinho, que de tão chato, resolvera protestar. Sempre os alemães!

Universo em decantação, por Scotch McWhisky.

Porres memoráveis, ressacas homéricas e bebedeiras fenomenais, tudo isso nas primeiras oitenta páginas do livro. A história do álcool contada em seus mínimos decilitros. É quase impossível destacar tudo que esse livro tem de bom: há um tour etílico pelos mais suspeitos Pubs de Dublim, dicas de botecos no Rio, receitas xamânicas para ressacas e o melhor: desculpas esfarrapadas depois daquele vexame na festa. Finalmente, o livro definitivo sobre a arte do bem beber.

Como atrativo a mais, o autor sugere que à medida em que se avance nas páginas, o leitor emborque um cálice de Sangue de Vaca, safra 2007, comprada em balcão de padaria. Propositadamente, as letras no livro foram impressas ficando progressivamente mais borradas. A idéia é fazer com que a visão dupla do bêbado corrija o problema, assim, ele pode ler o livro numa boa até o final. Trata-se do primeiro trabalho encriptado estereoscopicamente, do qual só beberrões contumazes poderão desfrutar até o fim. Sem dúvida um golpe de mestre. Saúde e - hic! - leia o Livro.

Etiqueta no Futebol, um manual para senhoras, de Glenda G. Glande.

Glenda Glande era a única menina numa família de quatro irmãos, todos membros da Gaviões da Fiel. Depois de muito observar seus irmãos enquanto assistiam aos jogos do Timão, e durante rituais de degustação de carne crua, ela escreve este livro, um perfeito manual para auxiliar as jovens senhoritas, principalmente, a se comportar durante uma final com o Palmeiras, por exemplo. Para não estragar a surpresa da leitura, cito apenas o tópico que há mil assuntos para não se comentar durante um escanteio, e caso seja incontrolável emitir uma opinião, como: por que não tiram aquela bandeirinha no canto?; há também ótimas dicas para curar um olho roxo.

A autora ensina técnicas para se levantar e buscar cerveja para os marmanjos sem passar na frente da TV e ainda, como se vestir convenientemente durante um bucólico passeio ao Pacembu, acompanhando o namorado: basicamente, nada de muito cavadinho nem que destaque os peitos. Uma burca seria perfeita.

quinta-feira, julho 05, 2007

Não tendo nada pra fazer, resolvi ordenar meus livros pela cor da lombada. O resultado ficou mais pra ridículo que pra radical. Eu gosto muito de mexer na estante, então, em pouco tempo eles vão reassumir a posição caótica de sempre - e vou me livrar dessa horrível decoração de creche infantil. Mas na próxima limpeza geral vou colocá-los todos por ordem de tamanho ou agrupá-los segundo o ano da morte do autor, só pra variar.




Personagens que ninguém quis

Por volta do século oitavo, o escritor árabe Salman Rushlive inventou Sadim, cujo toque transformava tudo em merda. Ao desenvolver o personagem, Rushlive imaginou que Sadim seria tão incompetente e azarado que tornaria infrutífera qualquer tentativa de progresso, seja para si mesmo ou de quem ele fosse sócio. Chegou até a bolar algumas situações em que a arte de Sadim pudesse ser testada, como na vez em que o herói deixara acidentalmente os portões da cidade abertos, e tudo fora saqueado por beduínos do deserto. Ou quando ele tentara se estabelecer no mercado vendendo dragões de Komodo adultos, fato que por razões óbvias - menos para Sadim - causara um tumulto sem precedentes em toda a cidade. Depois de muito ponderar, Rushlive percebera-se retratado no próprio personagem, e o abandonou de vez. Para poder se ocupar, Rushlive passou a escrever poemas satíricos em que retratava o califa da cidade como um efrite de dois metros de altura. Curiosamente, o autor nunca mais foi visto depois da primeira leitura pública de seus escritos.

Elomar Mota não tinha talento para escrever, mas isso não seria obstáculo para alguém com sua obstinação. Pensou num personagem que fosse fácil de desenvolver, então imaginou um sujeito que nacesse sem olfato, sem visão, sem paladar, sem tato, sem locomotricidade, sem audição e sem voz, e que estivesse encerrado numa cama macia desde então. Sem contato com o mundo, as únicas sensações do personagem seriam a fome e o sono, e todo o romance deveria se desenvolver a partir dessa premissa simples. Apesar dessas óbvias privações, o herói teria o cérebro funcionando a todo vapor, mas sem nenhum estímulo externo. Como ele encararia sua condição? Com o quê ele sonharia? Como é que ele acha a fome passa? O personagem foi abandonado depois que o próprio Elomar entrou num coma profundo, depois de misteriosamente, beber querosene por engano. Sua história poderia ter sido esquecida para todo o sempre, sorte que eu estava ali bebendo com ele.

Severino de Irauçuba seria o primeiro cangaceiro gay do cinema brasileiro. Pouco antes de iniciarem as filmagens de Deus e o Diabo na terra do solstício, o diretor voltava à pé de um forró muito arretado e concebera o personagem no meio do caminho. Como de hábito, seus rompantes geniais é que eram o verdadeiro mapa por onde o filme trafegava. Ponderando sobre de onde afinal viera sua inspiração, a amnésia alcoólica foi passando, passando e ele lembrou-se que um cabra bem parecido, de pele queimada da cor de rapadura nova e de olhos verdes faiscantes como escamas de tilápia; aproxegara-se para ele no meio da tertúlia. Melhor deixar pra lá, pensou o diretor, e o abandonou o personagem. Assim, o diretor caminhou de volta para o set de filmagens, coçando a bunda sob o luar do sertão. Eita cena paidégua!

Cacildo Becker era um personagem seu autor. Ele vivia nos meios etéreos, apenas roçando a mente dos escritores mas sem nunca pousar. Quem mais perto chegou de materializá-lo foi o jovem Tolstoi, mas sua ressaca não durara tanto. Assim, Cacildo aparentemente estava condenado a não ser a opção viável de nenhum autor. Certa vez, num momento difícil para um escritor, Cacildo achou que chegara sua vez. O tão esforçado escriba precisava resolver um assassinato, e a única saída seria criar um assassino que surgisse do nada, caindo como um intruso na trama. A função desse personagem tapa-buraco seria tão somente ter apertado o gatilho no momento certo. Ele não fora mencionado antes em nenhuma parte do texto e sumiria misteriosamente instantes depois. Mas nem assim Cacildo teria sorte, pois o roteirista foi morto por um asteróide, que caíra em Hollywood no exato instante em que o escritor vislumbrava essa saída. Fica pra próxima, Cacildo.

segunda-feira, julho 02, 2007

Baby´s tea

Um casal de amigos vai ter o primeiro baby daqui a poucos meses. Daí que encomendaram um convite pro tradicional Chá de Fraldas - o que não deve ser entendido literalmente, pois é muito complicado fazer infusões de fraldas de poliéster em água quente. Usando as fotos do ultrasom, fiz essa pequena montagem, que tal?