quinta-feira, agosto 30, 2007


Se o blog fosse uma imensa geladeira, ela já teria sido aberta 50.000 vezes em menos de 3 anos. Eu considero uma marca notável: ninguém recorreria repetidamente a uma geladeira se só esperasse encontrar repolhos podres e embalagens de requeijão abertas. Obrigado, povo!




Já podemos pensar em fundar uma comunidade endogâmica, hein? Devo ter, por baixo, uns 500 leitores fixos, e o número aumenta dia a dia. Boa parte dessa gente toda é formada por mulheres férteis e absurdamente lindas, inteligentes e limpinhas. Ora, fazendo cruzamentos entre nós, podemos povoar vastas áreas do Pará em poucos anos. O que me dizem? Fotos pra redação!


Confidente fiel







terça-feira, agosto 28, 2007

Outra página da cartilha sobre poluição hídrica, que tal?


A quem possa interessar

Tenho 46 cromossomos em cada célula, mas a metade é disso é obsoleta. Boa parte são redundâncias sem sentido ou conectam genes desativados, como os que possibilitam que alguns de nós movam as orelhas. No duro: se eu fosse reconstruído, poderia funcionar muito bem com apenas trinta deles - igual quando se desmonta e remonta uma bicicleta, sempre sobram umas peças. Mas a bicicleta anda, não anda?

Mesmo comendo frugalmente, algo como 500g de alimento mais 2 litros de água por dia, ao fim de um ano terei consumido estapafúrdios 190Kg de comida e uns 700 litros de garapa. No mesmo período, devo ter expelido a mesma quantidade de dejetos sólidos e urina. Multiplique tudo isso por seis bilhões de almas, vivendo por pelo menos 60 anos e veremos que somos uma máquina inviável, poluidora e de baixo rendimento. Com sorte, a Terra em breve se cansará de manter esses parasitas e se livrará de nós. Quantos planetas precisaremos minerar para que cada um dirija seu próprio Hummer?

Minha visão é fraca e ineficiente. Consigo destinguir poucos matizes de cor, e sou um fracasso quando tento enxergar no escuro. Por comparação, águias, ratos e moscas vêem muito melhor que eu. É irônico e curioso que tenhamos máquinas que exibem 32 milhões de cores quando o olho humano, numa boa, não detecta nem cem. E eu, como um representante macho da espécie, só consigo distinguir 10 tipos de cores diferentes. Nem salmão nem grená são cores, meninas!

Sou possessivo, territorialista, gregário e sexista. É impossível para mim ficar feliz com a felicidade dos outros, a não ser, é claro, que o outro leve um tombo e caia. Tenho uma estreita visão da espécie, que obedece a uma hierarquia peculiar: primeiro eu, depois minha família, depois meu clã, depois a tribo, aí sim, vem a nação e lá na rabeira, uma vaga noção da humanidade como um todo. Mas também sou vidrado em cores e estandartes. Pinte metade da humanidade de vermelho e a outra de azul, que pessoas que eram amigas até ontem se degladiarão sem trégua por conceitos abstratos como uma religião, uma pátria ou um time. Puta que pariu.

Meu cérebro é de longe, a máquina mais complexa da Galáxia, incluindo aí a própria Galáxia, que nada mais é que um redemoinho de estrelas, poeira e basicamente, vácuo; grudados pela gravidade. Apesar de ter uma máquina tão poderosa ao alcance da mão, uso meu cérebro apenas para caçar fêmeas, procurar comida e inventar palavrões. Mesmo assim, com tudo o que já fiz, só uso uma pequena parte do cérebro para coisas realmente criativas, como desenvolver o canudinho. A grande maioria de sua massa se concentra em atividades automáticas, como impedir que morramos durante o sono por esquecer de respirar.

E sobretudo, sou feio, extremamente feio. Nu, pareço um flácido saco cor-de-rosa, com tufos de pelo colados aqui e ali. Lá pelos 40 anos de vida, todo o meu cabelo cai, menos a pelagem que nasce nas costas, que inexplicavelmente, aumenta de volume. Geneticamente, eu deveria ter 32 dentes, mas a maioria de nós não tem nem a metade. Mais ou menos no meio do corpo tenho uma curiosa estrutura formada por um dedo sem osso e dois bagos envoltos numa capa enrugada, que balança quando ando. É feio de doer e é uma sacanagem da natureza que as mulheres ainda se atrevam a por na boca.

quinta-feira, agosto 23, 2007

Cartapácios reciclados







quarta-feira, agosto 22, 2007

Spiderpig


Mais uma página da cartilha sobre poluição hídrica. Pensando aqui cá comigo, já devo ter feito mais de 12.000 desenhos, em 21 anos de carreira. Ufa. E ainda é pouco. How long, must we sing this song?


Nikki laudas de papel

Sou idolatarado pelas minhas fãs, venériado pela minha mãe e respleitado por todos aqueles que votaram em mim. Mais ainda: sinto-me abensuado pelo calor do dia, refrescaldo pela sopa do jantar e acolchegado pelas cobertas da cama. Aos meus companheiros de trilha, meus compatrilhotas, meu muito obrigado. Àqueles que poliram meu caráter, aquele abrasso. Parto com o coração dividido em quatro, sozinho, mutilhado de solidão.

Católico convicto, considero que o melhor do clero está em sua santidade, o papa, o maior dos esclerosados! Não precisam aplaudir, meus amigos correligiosos! Tudo o que fiz foi proteger a Igreja de uma enorme racha! Lembro de uma expedição que fiz à região mais velha do planeta, cuja paisagem seria familiar aos dinossauros: o platô andino. Lá, encheu-me de nojo os vulcões que expeliam toneladas de larvas! Somente minha fé no santo protetor do Equador livrou-me a cara: São Jesus Quito.

Nem quero lembrar quando fui mordido por uma baleia, uma verdadeira orcada dentária. Graças a Deus que não tenho um sistema imundológico, muito pelo contrário. Mas falemos de coisas fálicas! Fiz o que muita gente gostaria de fazer: desfiliei na Comichão de Frente da Mocidade! Comi o bauru de Bauru, o hambúrguer de Hamburgo e a pizza da piazza de Pisa. Sorvi o aroma de Boston, a fragrância de Mérida e odor de Chicago. E não poderia deixar de mencionar que também já bebi o chá do Chade, a água de Hidrolândia, o mel de Melbourne e o licor que escorre da Cuenca. Em sumo, sou um sujeito gástrico.

Mas amigos, não quero tomar vosso templo. Adeus! Adeus verdes bares navios de minha serra! Adeus para num cânhamo mais voltar. Minha alma chora, e diz que vai embora, ô, diz que vai embora. Fiquem com as sábias parlavras, ditas em voz alta, de meu primo Anastácio Duradouro: - Se a vida só lhes deu limões, façam um motor de polpa. Adeus!

segunda-feira, agosto 20, 2007

Minha querida pornoteca! Ela ainda é bem modesta, eu sei, mas aos poucos quero ter um acervo invejável. Já disponho de alguns DVDs, hentais, Playboy, Raspadinhas da Internacional, Nu Forró, Sexy e umas fotos que fiz da vizinha. Como diria Jorge Luís Borges: sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca.


Aos que porventura me acusem de ser excessivamente teórico e pouco prático - o que de fato é verdade -, quero dizer que todos nós ficaremos velhos e gagás. Assim, chega uma hora que eu não vou lembrar se comi mesmo a Tracy Lords ou vi num filme. Para alguém de 98 anos, o que basta são recordações felizes, e isso eu garanto que vou ter.


Eqüinamente equidistante

Guerras, fome, miséria, corrupção, desmatamento, cancro mole? Qual a pior desgraça da humanidade? Sei que cada um de vocês têm o próprio umbigo com que cuidar, por isso, elejo como minha mais preemente preocupação a iminente extinção das estátuas eqüestres.

Isso mesmo. Aquelas estátuas que representam o herói montado em seu cavalo, espada em riste, prestes a liderar um imaginário exército de bronze contras as hostes inimigas. Essas estátuas estão por toda parte. Em geral, numa praça no centro cívico de uma cidade ou no meio de uma rotatória. Ironicamente, parece que o antigo general, depois de labutar nos campos inimigos, chegou à pátria para cuidar do trânsito: - Agora vocês, sigam em frente! Muito bom!

Os generais hunos eram enterrados com seus cavalos, e por toda Roma antiga, havia estátuas eqüestres louvando as vitórias dos imperadores. Durante séculos e séculos a guerra foi disputada sobre o lombo desses animais. Até recentemente, ainda se usavam cavalos numa guerra. A última carga de cavalaria da História aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial. O exército húngaro investiu contra os tanques alemães, numa anacrônica e desesperada tentativa de contrapor ossos a aço reforçado. Parece um pouco com aquela brincadeira do papel, tesoura, pedra; mas jogada entre o King Kong e o Megatron. Isso não pode dar certo.

Estamos há quase 100 anos de distância da Primeira Guerra Mundial, e de lá pra cá, como deu pra perceber, houve muitas outras guerras. Justas ou não, elas geraram seus heróis, que precisam ser devidamente homenageados. Além disso, as cidades cresceram desproporcionalmente, o que gerou muitas rotatórias, cotovelos, praças, entroncamentos, becos e canteiros centrais, que ao invés de serem usados como motel de sem-teto, poderiam dar lugar a formidáveis monumentos em bronze. Espaço nós temos, mas... como reverenciar dignamente a memória de nossos valorosos soldados, sem um belo e garboso cavalo?

Nosso penúltimo grande-líder-nacional-e-mentor-dos-povos a montar a cavalo foi o general Figueiredo. O último foi o valoroso Fernando Henrique Cardoso, que na verdade, usou um esquálido muar, na falta de jeito com um alazão. Na campanha presidencial de 1994, o então candidato montou num jegue e se deixou fotografar de chapéu de couro e tudo, para delícia dos chargistas e matutos que viram a cena. Para um cangaceiro dos infernos, só faltou as escamas.

Para quem lembra, durante a posse no primeiro mandato do presidente Lula, o velho Rolls-Royce da presidência engasgou numa subida e teve que ser empurrado às pressas. Pegou no tranco, e conseguiu lentamente galgar o aclive. Taí uma perfeita analogia e monumento para esses oito anos de Lula. Sugiro que um talentoso escultor refaça a cena, mas colocando a nós, cidadãos, como burros de carga tentando fazer subir morro acima, um Estado pesadão e pomposo, enquanto o presidente acena sorridente. De nada, de nada.

Avanço e aproveito a deixa para dizer que estou recolhendo donativos para eregir uma magnífica estátua para meu tio-avô, Dom Rufino de Barros, o primeiro cearense a usar um vaso sanitário. A estátua deve ficar lindíssima, decorando a praça em frente à Assembléia Legislativa - como que servindo de inspiração e aviso aos deputados. Cada povo tem o herói que merece.

quinta-feira, agosto 16, 2007

Uma página para a cartilha da FUNCEME, sobre recursos hídricos. Na hora da montagem, tivemos que flipar o desenho, para que ele se encaixasse direitinho no espaço disponível. Ninguém deveria notar diferenças entre o desenho original e sua versão espelhada, afinal, um desenho é um desenho. Mas estranhamente, a posição do volante denuncia a intervenção.

De um caminhão-tanque que deveria derramar sua carga tóxica no rio Cocó, transformamos, involuntariamente, num acidente às margens do Tâmisa. Acontece.


Recentemente, a revista Aventuras na História publicou um dossiê cujo título, por si só, já desperta a curiosidade: Viva o americano médio! Praticamente, trata-se de uma dissecação imprevista de Homer Simpson. Impressionante como os dados do estilo de vida do americano médio se parecessem escancaradamente com a rotina do querido personagem de Matt Groening. Vocês podem conferir a reportagem aqui, ó:

http://historia.abril.uol.com.br/2006/edicoes/capa/mt_170814.shtml

Baseado na reportagem, o Edge (meu amigo, não o guitarrista do U2) sugeriu que deveriam fazer a mesma pesquisa para qualificar, afinal, quem é o brasileiro médio. Desnecessário dizer que economizei uma puta grana para o IBGE e apresento eu mesmo minha pesquisa, que visa destrinchar de uma vez por todas, o quê ou quem diabos somos. Aqui está, com exclusividade em língua portuguesa, já que a tradução para a National Geographic não ficou pronta a tempo.

O verdadeiro Jeca Tatu

O brasileiro típico tem apenas vinte dentes na boca. Nunca foi ao médico e desconhece por completo o mapa do próprio país. Apesar de ter passado pela escola, só conhece o alfabeto até a letra R, pois sabe como é o ensino público: tudo falta. Não tem a mínima noção das dimensões do país, se limitando a dizer que "tem muito chão" entre sua querida Bacabal e Teresina, onde vai comprar artesanato pra revender. O brasileiro típico vota - e concorda - com o último político que viu, antes de entrar na cabine eleitoral.

TV

Como ninguém sabe ler, os brasileiros se informam pela TV. Tudo gravita em torno dessa caixa cheia de chips: cultura musical, gostos alimentares, opinião política. Sendo assim, se a protagonista da novela se chama Jade, haverá, como 99,99% de certeza, uma profusão de Jades registradas nos cartórios. Se a TV manda que todos comprem alface, no dia seguinte os pés de alface somem das prateleiras. Se algum programa comenta sobre a súbita extinção do besouro rola-bosta, esse será o tema de todos os elevadores do país. O brasileiro típico só vê a programação da Globo e de vez em quando, a Hebe e o Raul Gil.

Carro

O carro do brasileiro típico é o carro velho. Certa vez, vendi meu Ka 98 para um cidadão que tinha, anteriormente, um Corcel 78! Ou seja, ele renovou a frota de sua propriedade em 20 anos! É um típico empreendedor, esse brasileiro médio. O brasileiro típico gosta de som alto e música ruim. Daí alguns deles gastarem até 20% do valor do carro numa aparelhagem de som, comprada em geral na Roubautos local. Coisa curiosa acontece com o carro do brasileiro típico. Segundo minhas pesquisas, ele só compra um jogo de pneus na vida, e em geral, é o mesmo que veio no carro que ele adquiriu. Os pneus duram indefinidamente, rodando até desgastarem as camadas de borracha. Dá até pra ver quando aparece a câmara de ar, como se o pneu fosse um sapato velho, cujo furo permite ver a meia. O carro do brasileiro típico se parece com um F1: não tem para-choques, nem lanternas, nem estepe, nem para-brisa e principalmente, não tem a placa.

Sexo e Saúde

O brasileiro típico trepa. Isso ele faz muito bem. Mas tal qual texugos, que acasalam sem saber como vão cuidar da prole, o brasileiro tem pelo menos quatro filhos por casal e não tem a mínima idéia de como criar esse povo todo. Daí, o brasileiro típico manda a conta pro Estado, superlotando hospitais e escolas públicas. A qualidade desses serviços cai vertiginosamente, mas e daí? Pelo menos na escola tem merenda e no hospital, o dotô sempre dá umas amostras grátis de remédios. E está tudo bem.

O brasileiro médio acha que camisinha é uma roupa apertada e que o ponto G é a parada do Butantã-USP. O brasileiro típico acha que esse negócio de AIDS se resolve tomando um Tetrex antes e depois da foda, e que todas as indisposições gástricas são devidos aos vermes. E está tudo bem. Um brasileiro típico acredita que os programas de vacina contra a gripe, dadas aos idosos, é uma forma do Governo de eliminá-los, os velhos. Quem dera.

Esporte

O brasileiro médio só entende de futebol. Não tente convencer um deles a achar beleza plástica das competições de Marcha Atlética, que ele vai rir de você. E eu também. O brasileiro típico ouve muito rádio, principalmente quando o locutor está transmitindo uma partida de futebol. O brasileiro típico entende a língua do locutor, mas eu desconfio que não, ele apenas vibra quando o locutor grita também. Puro reflexo.

Compras

Os brasileiros sustentam boa parte da economia da China, comprando todo tipo de porcarias. No entanto, a maioria das coisas compradas por aqui são genuinamente nacionais, e seguem essa ordem de preferência: chinelas havaianas, pente flamengo, espelhinhos de moldura laranja, balas peeper e gás butano. O brasileiro compra muito gás de cozinha! Mas engana-se quem acha que seu uso fica restrito à lida doméstica. Botijões são usados, em geral, para movimentar Fusquinhas. Naquele espaço entre o banco de trás e o motor, cabem justamente dois botijões, um em uso e outro reserva. A adaptação para uso veicular é simples e qualquer oficina de beira de estrada faz a conversão. Na verdade, a coisa funciona tão bem, que parece que aquele espaço vazio foi pensado pelo próprio Porsche, para que algum brasileiro, no futuro, alojasse lá duas pequenas bombas atômicas. O brasileiro médio dá um jeito de esculhambar tudo.

Lixo

O mar, os rios e as florestas são os depósitos de lixo do brasileiro, médio ou não. O brasileiro médio acha que aquela cacimba vai prover água pra sempre, já que era assim que as coisas eram no tempo do avô dele. O brasileiro não se preocupa com o futuro. O brasileiro médio joga fora uma cápsula de césio no lixão da cidade, achando que se o problema sumiu de minha vista, ele está resolvido. Tal qual um avestruz. Daí, outros brasileiros médios acham o aparelho de raios-X, desmontam a coisa e ficam brincando com o pózinho azul que brilha no escuro. O brasileiro típico ainda vai matar a todos nós.

Religião

O típico brasileiro é um sincretista. Batiza o filho na Igreja Católica, mas à noite, dá o maior valor escutar o som dos atabaques. Acredita piamente que Jesus Cristo foi camarada do Padre Cícero e que imagens de santas aparecem em vidraças e poças d´água. Isso sem falar da mãe Dinah! O brasileiro típico acredita em qualquer coisa que o ajude a pagar dívidas. Se disseram que a urina de um jumento é benta, lá se vão todos ordenhar o pobre animal. Outro brasileiro, mais típico ainda, vai engarrafar o líquido e vender.

Crime

O brasileiro padrão em geral é honesto, mas feche a porta de casa. Como a justiça não funciona e a polícia não sabe prender, a diversão do brasileiro é linchar as pessoas. Não importa se culpado ou não, basta que alguém grite e aponte em sua direção, que outros brasileiro típicos lhe descerão o sarrafo. Depois disso, a maior diversão do brasileiro típico é aparecer na TV, dando tchauzinho por trás do repórter, enquanto a câmera focaliza o corpo estendido no chão. O brasileiro típico é amoral como um deslizamento de terra.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Mais um desenho pro famoso quartinho do bebê. Agora, ambos jogam pólo aquático em mares revoltos. Existe essa modalidade? Seria mais ou menos como jogar futebol numa encosta de morro, mas tudo bem.


O astronauta caretão e a odalisca de rosa

Do alto do meu vasto conhecimento sobre o pâncreas, os cílios e o coração feminino, vejo que as mulheres encaram qualquer relacionamento amoroso como uma espécie de dívida a ser quitada. Esse conceito é novo, acabei de inventá-lo enquanto torturava formigas, portanto, o detalhamento dessa teoria pode ser confuso. Peço desculpas e paciência aos meus leitores, na certeza que depois de tudo esclarecido, as dúvidas serão facilmente suplantadas pelo mais absoluto caos.

O que vejo é que as mulheres acham que estão fazendo um favor ao marmanjo, quando topam tirar a roupa na frente dele. É curioso que os eufemismos sobre o sexo sempre sejam relacionados à conquista ou à perda. Tipo: "entregou-se a tal amante como quem dá-se ao carrasco", como diria o Chico. Ou em: "Fulana deu a noite toda", como diria o vulgo. Ora, se deu, vai querer de volta, senão teria vendido por um bom preço.

A mulher acha que o homem, possuindo-a (olhaí outro eufemismo!), arranca-lhe um pedaço. Na verdade, o homem insere-lhe um pedaço, mas esse é um blog casto e pudico. Bom, essa sensação de perda gera culpa, e a culpa gera frustração. E nem quero especular o que se passa na cabeça de uma mulher, durante seu defloramento! (Outro eufemismo sofisticado para a "primeira vez". Algo como despetalar uma flor, o que faz todo o sentido quando a flor em questão se parece com um delicado botão de rosa. Rosebud.... mas divago).

"As mulheres lembram da primeira vez quando os homens mal lembram da última". Não sei de quem é a frase, mas ela dá uma noção da importância que a coisa tem para o belo sexo. Descabaçar uma mulher é como romper o lacre de uma embalagem de tetrapak: a validade cai drasticamente. Já que o sujeito fez esse favor, livrando-a de sua virgindade, agora ele é responsável por ela. Eu, hein? Satanás só nos exige a alma.

Isso lembra muito a situação de submissão entre o gênio da lâmpada e seu amo. Grato - ou enfurecido por ser liberto da prisão, nunca entendi muito bem -, o gênio todo-poderoso topa ser um mero escravo do primeiro que lhe passou a mão. Pior! A primeira frase dele, depois que o sujeito o livrou de sua cabaça - notem as semelhanças -, é: estou aqui para lhe servir! É estranho que ambos, a mulher e o gênio topem ser escravos, quando obviamente eles são muito mais espertos e inteligentes que seu Senhor. Acho que aí cabe um componente alegórico meio que homo-erótico, pois o gênio faz o papel da mulher, na sociedade onde se passa a lenda, mas sempre é representado por um tremendo negão semi nu. Sei...

Evidentemente que esse papo todo só tem a ver com nossa cultura judaico-cristã-contemporânea. Duvido que as jovens romanas do século primeiro tivessem esses grilos na hora de ir ao bacanal. De forma oposta, as mulheres muçulmanas têm tantos entraves com relação à sexualidade que parece que todas elas foram criadas em Minas. Já as orientais, ao que me consta, são extremamente liberais entre três paredes, um teto e uma grade com ferrolhos na frente. Em suma, é extremamente difícil desencanar!

As mulheres oscilam entre: "fui fácil demais" e: "droga! pra quê tanta banca, mulher?" Assim, não há Jung que explique. Além do fato que o macho estranha se a menina é muito afoita e desiste logo se ela é difícil demais. Vamos estabelecer um código de cores, que tal? Ou isso ou instituamos o cio universal. Aliás, já assunto desse blog: aqui, ó!

Acho que para saldar essa dívida psicológica, a mulher tem que usar um sistema de avaliação por notas, exibidas em cartazes de cartolina. Ou quem sabe, exigir do macho da ocasião um mero recibo - se tudo tiver ocorrido bem -, ou uma promissória, se a coisa desandou.

A redação da promissória poderia ser assim:

Eu, ________________, brasileiro, solteiro e galinha, fico por meio desta no dever de proporcionar uma foda invejável a minha querida ________________, numa próxima oportunidade em que estivermos juntos. Prometo ainda cuidar melhor da minha higiene pessoal e sobretudo, cortar as unhas dos pés. Também não seria mal diminuir o barrigão e ter a decência de desligar a TV enquanto tiro seu sutiã. Além disso, faço questão de dizer que você não me deve nada, eu é que deveria me sentir grato e abençoado por alguém tão linda como você se interessar por um mamute como eu. Assim sendo, peço uma segunda chance para mostrar que valho mais que esse papel no qual, com muito gosto, assino.

E por aí vai.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Outro dos desenhos para um quartinho de bebê!

Povo, tô com dificuldades pra responder os comentários, mas consigo ler todos. Obrigado ao Z, Clever, Michel e Roberto pelas palavras recentes, ok?


Romance no ar

Era mais um dia comum na delegacia. Nick Procó acabara de ser preso, acusado de molestar sua secretária eletrônica. Diva Garr jazia numa cela, recuperando-se do porre da véspera. Lembro que eu estava enrolado num caso: tentava há seis meses resolver meu primeiro sodoku. Foi justamente enquanto rabiscava, que ela apareceu. Aquela velha delegacia já vira muita mulher bonita, pois atendia toda a área dos antigos cassinos, prostíbulos e engenhos de rapadura; mas aquela visão era perfeita. Por contraste, foi como se Galadriel aparecesse de surpresa, num pub cheio de orcs. Ainda por cima ela falava. O senhor é o delegado Pado?

Eu mastigava meu lápis, de pura emoção. Sim, sou eu, falei com lascas de madeira entre os dentes. Em que posso ajudá-la? Enxotei o cabo Có, que ocupava inutilmente uma cadeira, e a ofereci, embevecido. Ela esperou que eu retirasse a mão do assento, já que notara meu plano sórdido, e em seguida sentou-se com a volúpia e a delicadeza de uma galinha poedeira, manjam? Assim acomodada, contou-me o motivo de sua visita. Era rica e desgostosa - mera força de expressão, creiam -, pois desconfiava que o marido grosseirão a traía. Isso eu deduzi sozinho, pois não ouvira uma palavra que dissera: estava vidrado em seu decote, que mais parecia o vale do Loire.

Naquela mesma tarde, iniciei as investigações indo ao encalço de Jorginho Jail, conhecido playboy da zona sul e marido da minha cliente. Reconheci seu carro pela descrição da esposa: um Bentley pintado pelo Romero Britto. Ele estacionou numa rua suspeita e entrou num sobradinho mais suspeito ainda, já que o porteiro era a cara do Bela Lugosi. Foi só mostrar minha credencial ao porteiro que este, assustado, não ofereceu resistência. Na verdade, deixei minha carteira da polícia em outro sobretudo, o que eu mostrei foi minha carteirinha do Clube do Bozo, que guardo desde garoto. Cheguei ao apê onde sabia que Jorginho entrara e fiquei de tocaia.

Não precisei esperar muito. Acidentalmente, a porta cedeu assim que encostei o ouvido, caindo com estardalhaço. Jorginho fugiu pela janela, impedindo que eu tirasse uma bela foto de seu adultério. Assustada, a jovem prostituta - que aliás, era a cara do porteiro -, só conseguiu cobrir-se com a colcha e chorava sem parar. Acalmei a moça, não sem antes dar-lhe uma gorjeta, oferecendo ainda uma bela quantia pela sua colcha de cama. Os pêlos do tornozelo dele grudaram na colcha de chenile, e foi dessa amostra que o DNA pode ser extraído. Comprovei então que Jorginho escapulia regularmente para aquele bordel. O divórcio foi feito em poucas semanas e graças às minhas provas, Jorginho não recebera um tostão da família de minha cliente.

O caso repercutiu bem e ganhei um aumento. Ah, quase esqueci de dizer: estou tendo um caso com minha antiga cliente. Aparentemente, ela ficou impressionada com minhas, hã.. credenciais e estamos juntos desde então. Vera. Vera Pariga. Isso é que é mulher. E o Bentley ficou comigo.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Baby´s room

Já que o Homer Simpson se intitulou Rei da Internet (temporada 8, episódio 12, página 34 do roteiro), também me auto-intitulo Rei dos Desenhos de Quartinhos de Bebês! Essa semana recebi uma encomenda para produzir cinco desenhos que serão impressos e emoldurados no quartinho de um futuro esportista. Daí a temática radical, que envolve asas deltas, polo aquático, futebol, windsurf e skate. Portanto, quem quiser desenhos para o quartinho de seu bebê é só me ligar, ok? E por que se reprimir? Também posso decorar a sala do seu velório com temas divertidos, além de bolar uns rabiscos maneiros para sua suruba! Ligue já!




A contratante mesma sugeriu os temas, e o mote dos desenhos. No caso, o garoto contracenando com bichinhos fofinhos. No futebol ele joga contra um urso e um macaco, no polo aquático com um golfinho e no windsurf com um albatroz. Porém, ela cometeu a temeridade de permitir que eu escolhesse o bicho que contracena com o baby, no desenho do skate. Daí eu escolhi esse simpático... quem descobre o que é?

segunda-feira, agosto 06, 2007

O parque Güell dos pobres

Adoro mosaicos. Meu sonho é ser uma espécie de Gaudí dos infernos, e forrar minha cidade com cacos de cerâmica colorida. Tá rolando a possibilidade de fazer um mosaico com ladrilhos cerâmicos, parecidos com um vidrotil, mas nada confirmado. Bando de lisos! Mas se der certo, porém, há a possibilidade de ficar muito bonito, já que o painel teria 36m² e pelo menos 40 tipos diferentes de cores, fora as combinações óticas. A ver.

Enquanto isso, fiz esse mini-mosaico com recortes de papel, para ilustrar uma agenda que me encomendaram. Sim, minha agenda mulambenta, feita com restos de papel e amarrada com cordões de sacola, chamou a atenção de alguém que a considerou bonita! Será que esse não é o início de uma carreira longa e lucrativa, no ramo do artesanato hippie? Quem sabe, quem sabe....


sexta-feira, agosto 03, 2007

Quem conseguirá achar as sete diferenças entre o desenho de cima e o de baixo? Lembrando que, segundo testes feitos no Maternal da Escola Armínio Fraga de Ensino Fundamental, constatou-se que só 54,77% das cobaias obtiveram êxito. Cautela, portanto!


As Sete Maravilhas do Ceará

Essa é boa. O jornalista Maurição e o desenhista Ivi lançaram o sensacional concurso: eleja as Sete Maravilhas do Ceará. É tanta sugestão marmotosa que os leitores enviaram, que não dá pra comentar tudo aqui. Melhor passar no blog do Maurição e conferir. Aqui, ó:

http://blogdomauricao.zip.net

Como aperitivos, aqui vai o desenho do Ivi que deflagrou o concurso e a foto de uma das indicações, a Praça do Caralho de Asa! Que vença o pior!




Trata-se do monumento localizado na Praça do Contabilista, na Domingos Olímpio com Tristão Gonçalves, que a molecagem cearense já rebatizou de "Praça do Caralho de Asa". Olhando direitinho pra foto, veremos que o canelau alencarino está, mais uma vez, coberto de razão.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Diseño pra umas correções da Conrad, na HQ sobre a Revolta da Chibata. Tá demorando muito pra sair, não? Cartas pra editora, quem sabe se com o clamor das ruas, eles aceleram o passo.



É assim que se fala


Todo mundo sabe que o maior problema do Brasil é o tráfego de drogas. Com as ruas coalhadas de latas-velhas e carros tão velhos que já foram anúncio na Cruzeiro, é impossível esperar que tudo fique apresentável aos turistas. O que nossos amigos americanos vão pensar de nós?

Problemas é o que não faltam. Vejam o caso da febre amarela. Já basta sermos apenas meros importadores de bugigangas da China, é preciso que nossos produtos também sejam impostos às nações do oriente! Toma lá dá cá, é o que eu sempre digo. Da mesma forma, é mister que invistamos em educação fundamental. Não sei quanto a vocês, mas mareia-me o estômago ver gente cuspindo na rua e atirando papel no chão. Será possível que essa gente seja assim tão mal educada que é preciso um esforço governamental para disciplinar esse povo? Como se nossos recursos fossem abundantes como sardas em Débora Bloch!

Recentemente, tivemos dificuldades em nossa malha industrial. Convenhamos senhores, como um país tão grande como o nosso não é capaz de desenvolver uma lycra de boa qualidade? O que dizer então da quase falimentar malha aérea, usada nos collants de nossas ginastas? Não reclamem se as jovens atletas da ginástica rítmica tiverem que competir nuas, tadinhas.

E o que dizer dos gaviões da Fiel, dos leões da TUF e dos Dragões da Independência? Verdadeiras pragas urbanas, onde está nosso controle de zoonoses que não erradica esses animais perigosos? Pelo amor de Deus!

Mas outro problema de grande monta assola nosso país. O Aquecimento Global. Notaram como a programação da rede carioca está lasciva e insinuante? Que pernas torneadas de adolescentes são mostradas em pleno horário vespertino? Que seios pululam em cada novela e bundas - perdoem a palavra! - sacolejam em horário nobre? É preciso que esfriem essa atividade pecaminosa, para o bem de nossos rebentos. Pudicícia, senhores!