sexta-feira, setembro 28, 2007

Interrogaram-no também uns soldados: E nós, que faremos? Disse-lhes: A ninguém queirais extorquir coisa alguma; nem deis denúncia falsa; e contentai-vos com o vosso soldo.
Lucas 3:14




Numa ação truculenta e desastrosa, a Polícia do Ceará fuzilou os ocupantes de uma Hilux preta 2007, confundida, vejam vocês, com uma S-10 vermelha 2000, que participara de um assalto pouco tempo antes. A abordagem, se é que houve alguma, foi desorganizada e irresponsável. O carro foi varado por mais de vinte tiros, antes que os meganhas houvessem por bem, saber em quem atiravam.
Mais detalhes aqui ó:
Meus dois centavos de prosa: eu pediria uma indenização de 1 bilhão de euros. Coisa pra quebrar o Estado. Agora que a Polícia mexeu com as pessoas erradas, ou seja, as vítimas não são nem pretas nem pobres, - e aliás, nem brasileiras são, o que facilita as coisas -, que doa no bolso dos responsáveis a incompetência da Polícia. Sugiro ainda o bloqueio dos bens do governador e das contas do Estado. Acho que nem precisaria dar essa dica. Tenho certeza que pelo menos vinte escritórios de advocacia, aqui no Ceará, na Espanha e na Itália estão salivando.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Outra caricatura que encomendaram. O peixe é um tucunaré, que é chamado de jóia azul.
Ah uns dez desses trabalhinhos todo mês...

A máquina do tempo
Concluí minha máquina do tempo agorinha há pouco. Com o aparato em funcionamento, voltei uma semana no tempo e dei uma ajuda a mim mesmo, pois queria otimizar a construção da engenhoca. Terminamos outra vez a máquina depois de dois dias, apenas. Agora, quer dizer, há cinco dias, a máquina já está ou estava a pleno funcionamento e tornei-me, ou melhor, tornar-me-ei, o primeiro crononauta da história. Essa viagem pioneira ocorreu ou ocorrerá, portanto, antes da primeira viagem que eu mesmo fizera, mas que só seria realizada dali a cinco dias: hoje, no caso. Como se vê, o primeiro problema das viagens no tempo é a concordância verbal.
Achando o presente muito chato, resolvo ir ao futuro para ver se finalmente, já sou rico e poderoso. Estou em meu apartamento quando aciono a máquina. Avanço trinta anos e percebo que o mundo cresceu sem mim. Na perspectiva de todos os seus habitantes, eu desapareci em 2007 - ficando trinta anos sumido - e reapareci em 2037, não envelhecendo sequer um segundo na viagem. Ao voltar ao meu apartamento, que na prática não abandonara, sou cercado por um punhado de advogados, que me cobravam trinta anos de condomínio atrasado.
Consegui despistar os advogados e correndo, ganhei a rua. Gradualmente, tentei me habituar àquele novo mundo. Aí entra em cena o segundo grande problema com as viagens no tempo, a desatualização da moda. Eu vestia as mesmas roupas com as quais viajara em 2007, ou seja, um tênis All Star branco, um jeans cinza e uma camiseta engraçadinha onde se lia: Orkut é coisa de viado. Devido às reviravoltas da moda, todos estavam trajando um revival atualizado da corte de Luís XIV. Evidentemente que os olhares convergiram para mim, o que me deixou vermelho como a bunda de um babuíno.
Avanço então mil anos no futuro e dou de cara com uma paisagem desolada, cheia de ruínas fumegantes e crateras. Parece com a atual BR-116, mas muito mais larga. Fico preocupado com a possibilidade de radiação, pois suponho que tudo tenha sido destruído pela sétima guerra mundial. Eis que olho para o lado e descubro a real causa da devastação. Trata-se de um cartaz comemorativo, onde pude ler: "Governo Mundial das Mulheres, 44 dias sem acid..." o resto estava carbonizado. Acho tudo um tédio e decido voltar para minha época, onde aproveitarei pra trocar de roupa também.
Chego a 2007 no exato instante em que vejo a mim mesmo voltando no tempo, para ajudar aquele primeiro de nós a aprontar a máquina. Como estivesse de bom humor, acompanho meu outro eu ao passado e chego segundos após os outros dois terem aprontado a máquina pela terceira vez. Com o susto que minha súbita aparição causara, a máquina cai no chão e o dispositivo principal que regula as viagens é destruído. Agora, tecnicamente, não há mais nenhuma máquina do tempo, apesar da minha presença abobalhada ali em pé, olhando para os outros dois de mim.
Para evitar paradoxos, um daqueles que sou eu mesmo sugere pegar a máquina que eu carrego nas costas e eliminar dois de nós, para que se evite qualquer confusão no futuro. Corajosamente, fujo porta afora sendo perseguido pelos outros dois, que conseguem me alcançar perto do elevador. Na luta que se segue, eu acerto um soco em mim que estava ao meu lado, tendo sido chutado no saco por acidente por aquele à direita, enquanto eu à esquerda mordia minha própria orelha. Como era de se esperar, a máquina sofreu sérios danos durante a refrega.
A tecitura do Universo inteiro repousava nas decisões que tomaríamos a seguir. Como cada um de nós se recusava a ser morto, teria que haver uma outra solução.Tínhamos que resolver os diversos paradoxos, mas a máquina, danificada, só poderia fazer uma viagem. resolvemos que eu, que causara tudo, deveria voltar alguns minutos no tempo e impedir que eu derrubasse a máquina original com o susto. Assim, ficaríamos com as três máquinas operacionais, que levariam cada um de nós a sua respectica época. Mas a operação deveria ser extremamente cuidadosa, não havia brecha para falhas.
Apareci segundos antes que eu mesmo voltasse para perturbar os outros dois, e pedi silêncio. Aguardamos a minha chegada e assim que apareci - com as mãos em concha para fazer búúúú -, fui dominado pelos outros três e posto a nocaute. Regulei os controles da máquina para que o eu desacordado fosse mandado para 1 quintilhão de anos no futuro, e quebrei a alavanca de retorno. Assim que sumi, deixei os outros dois trabalhando e fui pra casa, não sem antes fazer uma fezinha no Bicho do dia seguinte, já que eu decorara o resultado por acaso. Chegando ao ap, desmontei a máquina do tempo. As conseqüências daquele mau uso podiam ter sido desastrosas demais para imaginar.
Enquanto isso, 1 quintilhão de anos no futuro...
Nessa época, mesmo os átomos e buracos negros já evaporaram. Nenhuma forma de radiação ainda persiste. O que resta é espaço vazio ideal. É como se fosse a era do pré Big Bang. Nisso, aparece do nada uma massa disforme e semi-consciente. Ainda aturdido pela pancada que levara, o ser abjeto olha em volta e nada vê. Não tem tempo sequer de curtir a gravidade zero, pois antes que esboçe algum pensamento inteligente, sua massa explode com força total, e um novo Universo começa a se expandir. Já sobrevivemos com matéria prima pior.

terça-feira, setembro 25, 2007

Decoração de interiores

O ramo mais avacalhado - e rentável - da arquitetura também é o mais divertido. A Decoração de Interiores é a aplicação de botox da arquitetura: alguns consideram frescura, outros, essencial para a harmonia do projeto. Falando com uma amiga que estava de mudança, sugeri, só de sacanagem, que a casa nova deveria ter uma estante de tijolos, daquelas que os hippies usavam pra entocar LPs e maconha. Ela gostou da idéia! Já que havia dado a dica, assumi a responsabilidade de tocar a obra.

Evidente que fiz o projeto graciosamente. Se algum de vocês quiser uma igual eu faço também, mas saibam que terão que arcar com as despesas de transporte. Basicamente, o aluguel de um Antonov pra levar os tijolos, ok?


Comprei os tijolos e de acordo com o projeto, colei as peças em grupos de dois e três. Minhas costas doem de tanto abaixar pra esparramar a cola. Emporcalhei uma bermuda, limpando os dedos sujos na roupa. A casa está cheia de poeira. O aparelho de dvd emperrou, provavelmente devido às partículas em suspensão.


Destruí o piso ao pintar os tijolos diretamente no chão. Isso se resolveria se eu tivesse coberto a sala com um jornal, mas limpeza e organização são para os fracos. A penicilina não teria sido descoberta se o laboratório de Alexander Fleming fosse limpo como uma fábrica de microchips, e Picasso seria muito menos respeitado se seu atelier fosse organizado como o estúdio do Sig Bergamim. No entanto, o cheiro da tinta fresca me deixa tonto. Cogito dormir numa pousada, mas temo que os gases da tinta entrem em combustão e queimem o ap. Passo a noite em claro. As dores nas costas aumentam.


Estou suado e descabelado, como um Jack White dos infernos, gordo e decadente. Subo até o ap dela com os tijolos nos ombros, pois o condomínio não tem ainda um carrinho de compras. Apesar dos percalços, surpreendentemente tudo se encaixa, e nada desmorona! A não ser, é claro, a suspensão do meu carro.


Na Idade Média, era costume amarrar o arquiteto da catedral e deixá-lo embaixo da nave central, enquanto se desfaziam os andaimes e escoras. Se desse tudo certo, o arquiteto ganharia mais e mais prestígio. Se desse algo errado, ele seria enterrado com seus erros. Taí uma boa dica pros nossos médicos e políticos. Vai daí que resolvi testar se a estante aguentaria meu peso. São 102Kg mais 4l de suor. Parece que tudo ficou estável, ufa.


Deu tudo certo, e só gastei 200% além do que havia planejado, fora o desgaste de saúde e os calos nas mãos. Ah, mas compensa tudo, olha como ela ficou contente!


Que tal? Não é uma revolução no design de interiores?

segunda-feira, setembro 24, 2007

Filmes do fim de semana


Adorei gastar minha erudição, fazendo críticas rasteiras dos filmes que vi no fim de semana. Como sei que vocês são tímidos demais para pedir um repeteco, resolvi me adiantar à demanda e repetir a dose. Assim, exercito meus dois prazeres: ver aumentar as visitas ao blog e meter minha colher de pau no angu dos outros. Aqui estão.

Matrix Revolutions
O primeiro Matrix, de 1999, é perfeito e autocontido. Ao final do filme, quando o Neo alça vôo da cabine telefônica, a gente sabe que ele virou um fodão e vai derrotar as máquinas e tal. Bom, mas aí o filme foi um sucesso estrondoso, e a carne é fraca. Como podemos ordenhar essa porca até a exaustão? Simples, faremos uma trilogia confusa e desnecessária, e encheremos as burras de dinheiro. Aplausos, assovios, urras!
Imagine que a Mona Lisa tenha feito tanto sucesso que Leonardo, precisando comprar mais paetês e maquiagem, tenha aceitado fazer mais três versões do quadro. Uma das cópias retrata a bela senhora de Florença em roupagens de noite e a última e esperada versão, mostra a musa do Renascimento em trajes de praia, ou seja, basicamente vestida com uma burca. Ridículo, não? A multiplicidade de obras diluiria o impacto da pintura. No nosso caso, a incapacidade dos produtores de Hollywood em reconhecer uma obra-prima - e deixá-la em paz - é sufocante. Impressionante como ET não ganhou seqüências, não? Que tal esse argumento para um novo filme? ET vai embora, mas, arrependido, volta para morar com Elliot. Como a nave funciona com velocidades relativísticas, ao retornar, horas depois, já se passaram vinte anos na Terra. O outrora garotinho é hoje um traveco do Baixo Gávea. ET estranha mas embarca na onda do rapaz e ora vejam, os clientes gostam mais dele! Vou encomendar meu tuxedo!
Obviamente Matrix III é legalzão, mas é tudo o que posso dizer dele. Entrete, apenas.

Kill Her Ass
Produção obscura com musas questionáveis, apesar das cenas fortes. Pelo menos, o filme entrega tudo que o título promete. Que mais? Muitas cenas ATM - Ass To Mouth - e closes que ninguém deveria ver se a protagonista não está com tudo em cima. Uma bobagem, quase um trash feito em casa.

O Dia Em Que A Terra Parou
Obra-prima de ficção científica, provavelmente o melhor filme do gênero já feito. Talvez perca por pontos para 2001, já que sou fã do HAL9000. O filme é sóbrio e elegante, e os efeitos especiais são espetaculares - note que estamos falando de 1951 - e ainda hoje são honestos e bem feitos. Acabei de me tocar que tenho tanto a falar sobre esse filme que poderia encher vinte laudas. Portanto, vou me limitar a descrever algumas tomadas para que vocês tenham uma idéia da impactualidade da obra.
Bom, os controles da nave de Klaatu e seu robozão de estimação, Gort, são acionados por gestos. O painel de controle, curvo e de acrílico transparente - então um material novo e revolucionário - é perturbadoramente parecido com a mesa de edição do filme Minority Report. Tão parecido que aposto que o diretor de 1941 fez uma homenagem e uma referência ao filme de Robert Wise, o que melhorou meu conceito sobre esse filme bobão do Spielberg.
Quando as notícias sobre um OVNI são difundidas pelas rádios, as pessoas se aglomeram em frente aos receptores, concentradas e preocupadas, em poses igualmente parecidas com as usadas no blockbuster Independence Day. Outra vez, uma referência a um filme que a gente nem pode imaginar o quanto deve ter pirado as cabeças dos jovens nerds dos anos 50.
A elegância e a nobreza do alienígena pacifista Klaatu, sem dúvida, serviram de inspiração para outro ser esquisitão genial: Mr. Spock. Até o tipo físico de ambos, franzinos e esguios, corrobora minha teoria. E se a gente olhar com atenção, a nave de ODEQATP é parecidíssima com a Entreprise emborcada, vejam:


Outro bom filme de ficção, Guerra dos Mundos, apresenta alienígenas malvados. ODEQATP apresenta visitantes bondosos, mas assim como nós, sua tecnologia poderia fugir do controle a destruir a Terra, como quase fez o Gort. E outros dois clássicos, Contatos Imediatos e em ET, nós é que somos os vilões. Estamos chegando lá.

Quem Matou O Carro Elétrico?
Um documentário esclarecedor sobre como as grandes corporações, aliadas ao governo e ao público jeca, soterram uma idéia maravilhosa. Aliás, que idéia que nada! O Carro existiu, foi produzido pela gigante GM no longínquo 1996! Procurem no Google, please: EV1, e chorem de raiva. O carro era eficiente e promissor, mesmo quando seu único pequeno problema, a autonomia das baterias - limitadas a apenas 100Km por dia! - colocava em dúvidas sua performance. Mas esse problema seria resolvido com folga pelas baterias modernas de hoje. Uma pena, uma pena.
Impossível não traçar um paralelo com outro filme, no caso, Tucker: The Man and His Dream, de Francis Ford Coppola. As boas idéias introduzidas no carro pelo empresário Preston Tucker foram ignoradas e depois, sabotadas sistematicamente pelas montadoras americanas e seus sequazes no governo. Depois de falirem o cara e difamarem seu nome, oh! Surpresa! Adotaram as mesmas idéias que ele lançara. Essas idéias estão em voga até hoje, como o cinto de segurança e peças de alumínio para reduzir o peso do carro.
Pessoalmente, acho que o futuro é elétrico. Sem essa de bobagens como híbridos a hidrogênio e etanol. Mas tenho maturidade o suficiente para perceber que nenhuma revolução acontecerá enquanto ainda houver 100 trilhões de dólares em jogo com a indústria do petróleo. Essa é uma das conclusões do filme, por sinal. Ou todo mundo ganha, ou você está fora do negócio.
Esse é o problema com as novas verdades. Há um trecho sensacional dos Irmãos Karamazóvi que descreve, simplesmente, a segunda vinda de Jesus. O trecho chama-se O Grande Inquisidor. Jesus volta à Terra mas vai cair na Sevilha de 1600, no auge da Inquisição. Depois de fazer o que sempre fez, ou seja, curar as pessoas e espalhar a bondade, ele é preso por ordem do Inquisidor da cidade. Na cadeia, o sujeito passa-lhe uma senhora descompostura, dizendo, basicamente, que depois de 2000 anos abandonada à própria sorte, a religião agora pertencia à Igreja Católica, que cresceu sob sua inspiração, mas sem sua presença. Não é seu direito acrescentar nenhuma palavra ao que já havia dito antes, fala o Inquisidor.
Teço esse paralelo com o filme pois a adoção de um carro elétrico provocaria pânico nas indústrias de petróleo e nas montadoras que ficassem para trás, além de fazer ruir os governos apoiados por elas. Nem os faraós continuaram no poder depois de mexer com seus burocratas - os sacerdotes e escribas. Mundo idiota.

A Delicada Sem Controle
A Private e a Vivid são as melhores produtoras pornôs da Europa. A mulher mais feia que já apareceu num filme da Private poderia ser miss Ceará, e agora não sei se isso soou como um elogio ou não. Ok, poderia ser Rainha da Uva de Caxias do Sul , vá lá.
Apesar da estranha tradução do título, que mais parece o nome de uma pornochanchada brasileira, o filme é muito bom. Trata-se de uma coletânea de cenas da atriz Claudia Jamesson, uma beldade de apenas 24 anos que acabou de se aposentar. Ela mesma apresenta as cenas, inclusive a primeira delas, aos 18 aninhos, em que contracena com um tremendo negão - e mostra a que veio.
As performances são sensacionais, mas o clima é cortado nos intervalos, justamente quando a atriz aparece em pequenas entrevistas. Ela assume um ar blasé e indiferente, como se estivesse mais constrangida falando sobre o assunto que atuando. Como ela já estava aposentada quando gravou o caça-níqueis, parece que está a todo custo tentando esquecer o passado, como faz de vez em quando uma conhecida loura aqui do Brasil.
Recomendo o filme, apesar (ou justamente por causa) do ar de culpa que ela assume. Claudia revela que deixou a indústria porque arranjou um namorado. Mulher é mesmo um bicho complicado, que coisa, não se pode dar umazinha sem grilos?

sexta-feira, setembro 21, 2007

Mané Bandeira
Ora, ora, essa história de bandeiras rendeu. Um amigo meu, o misterioso Zarastruta, sugeriu que eu fizesse uma versão da bandeira do Brasil contemplando o logo de uma poderosa mega corporação amoral, cujos tentáculos estrangulam o mundo inteiro. Gostei! Fiz logo foram duas versões, só de mal.




quarta-feira, setembro 19, 2007

Ashes of brazillian flags
Ninguém duvida que a bandeira do Brasil é absurdamente bonita. Além disso, fomos felizes em outro detalhe crucial, a meu ver. A extrema geometrização da bandeira, que faz a alegria dos publicitários, decoradores, desenhistas e assessorias de imprensa. Sim, pois com um retângulo, um losango e um círculo, é possível fazer absolutamente qualquer desenho. Losangos podem ser reinterpretados como triângulos, círculos como elipses, retângulos como quadrados e por aí vai, fazendo a combinação de formas literalmente infinita.
Todo mundo já viu a bandeira do Brasil estilizada das mais diferentes formas: o prato e talheres do Fome Zero, o logo da ABRINQ, a marca da Gurgel, o logotipo da Embrafilme. Além é claro, de inúmeros festivais nacionais disso, simpósio brasileiro daquilo, encontro tupinambá daquele outro, mostra de não-sei-o-quê do Brasil - nos quais o designer sempre dá um jeito de encaixar uma bandeira. Repare. Pobres dos franceses, russos, holandeses, alemães, irlandeses e austríacos com suas bandeiras insossas!
Já que a nossa bandeira virou arroz de festa, fiz nove versões de prováveis logotipos onde o desenho se encaixa bem. Fiz nove mas poderia fazer duzentos, se não tivesse que comer e dormir. Acredite, é divertidíssimo brincar de ver formas na bandeira. Faça a sua também!
SEMPEREBA - Sindicato das Empresas de Pescado Reaproveitado do Brasil.



MOBRAPOU - Movimento Brasileiro para a Poupança.



ENBRAPROCA - Encontro Brasileiro de Produtores de Carros.



MOBRADIP - Movimento Brasil com Diploma.



FELIBRA - Festival Literário do Brasil.



CLUCACAPEBRA - Clube dos Cangaceiros Cabras da Peste do Brasil.



República Federativa Islâmica do Brasil - Nunca se sabe...



SINSAUCEMBRA - Sindicato dos Saudosos pela Censura no Brasil.



MOTUFO BRASIL! - Movimento Tudo de Fora!

segunda-feira, setembro 17, 2007

Uma caricatura que a esposa desse cara encomendou, para o aniversário dele. Espero que o efeito seja positivo: que ele não fique puto nem nada e a noite transcorra entre suaves gargalhadas. Acho que há de gostar, afinal, peguei leve - não coloquei suas verrugas, nem o tapa olho nem a cicartiz na testa em forma de anzol.



SAC do gênio*
Depois de sacanear o milésimo cliente, o gênio desaparece numa nuvem de fumaça, deixando desolado seu último amo. Os pedidos que fizera eram simples, triviais. Primeiro, ele queria trinta mulheres das mais lindas e tesudas. Moleza, ali estavam elas. Animado, ele pede ao gênio um caralho de 40cm para substituir a trouxinha que carrega consigo. O gênio, meio mouco, entende um baralho de 40cm e imediatamente faz aparecer ao seu lado, um enorme aparelho de carteado. Puto com o erro do gênio, ele resolve apelar pro linguajar chulo e diz que não era nada disso, gênio burro, eu queria que meu pau arrastasse no chão! Ai o gênio corta as pernas dele.
Então ficamos assim: o sujeito tem sob sua guarda trinta mulheres faladeiras, que não param de gastar no seu cartão de crédito. Além disso, possui um baralho gigante, que se não fosse a raiva que sentia, até acharia engraçado. Pena que eu não moro em Itu, ia fazer o maior sucesso por lá. Mas o pior foi ter ficado sem as penas. Pensando na vida, ele olha novamente para a lâmpada, possesso de raiva. Quando já ia arremessar a tranqueira no mar - como fizeram seus infelizes antecessores -, ele percebe que no fundo da peça há um número de telefone.
Ainda bem que estão escritos em algarismos arábicos, dei sorte - pensou nosso amigo. São mais de vinte dígitos, que ele tecla cuidadosamente em seu celular, tendo o cuidado de se afastar da algazarra do mulherio. Em instantes, uma voz com forte sotaque turco dá as boas vindas e informa as opções disponíveis. Para reportar a presença de djins e efrites, tecle 1. Para receber uma saudação e uma prece do nosso califa e senhor dos povos, tecle 2. Para informações sobre nosso produtos, como tapetes mágicos e lâmpadas maravilhosas, tecle 3. Para sair, tecle 4.
Ele aperta a tecla 3 e uma musiquinha em estilo árabe começa a tocar, mas podia ser o jingle do Habib´s, não tinha certeza. Logo, a gravação continua. Para reparos em seu tapete, tecle 1. Para afiar sua cimitarra, tecle 2. Para falar com um de nossos atendentes, tecle 3. Para sair, tecle 4. Ele aperta a tecla 3 e espera mais um bocadinho. Finalmente, uma voz parecida com a do Maluf atende.
- Em que posso estar atendendo, senhor?
- Oi, eu queria fazer uma reclamação.
- Pois não, senhor.
- Achei uma lâmpada maravilhosa e...
- Um momento, senhor, qual o número de série da sua lâmpada?
- Não sei, onde ele está?
- Ao lado do número de telefone.
- Ah, sim, aqui está. Está meio enferrujado...
- Só os primeiros quatro dígitos, senhor.
- Ok, 6638.
- Vou estar verificando, um momento.
(musiquinha)
- Confere, senhor, em que posso estar ajudando?
- Como eu ia dizendo, fui muito mal atendido pelo gênio. O desgraçado ainda cortou minhas pernas! Dá pra imaginar isso?
- Senhor, não fazemos devoluções de pedidos.
- Quer dizer que vou ficar assim pra sempre?
- Pra sempre não, qual sua expectativa de vida?
- Olha aqui rapaz! Eu...
- Um momento, senhor.
(musiquinha)
- Senhor, falei com meu gerente e podemos estar fazendo uma exceção no seu caso.
- Manda.
- Há alguém aí com o senhor?
- Trinta supermodelos seminuas.
- Faça o seguinte, por favor. Jogue a lâmpada fora, depois combine com uma das moças que ache a lâmpada. Assim, ela terá mais três pedidos e poderá consertar o que o gênio fez.
- Puxa, não havia pensado nisso, obrigado.
- Mais alguma coisa, senhor?
- Não, obrigado.
- A All Adin agradece sua ligação, tenha um bom dia.
Outra vez animado com a perspectiva de ter tudo resolvido, nosso herói combina o plano com Maddie, a mais bonita das modelos - e também a mais loura.
- Maddie, escuta aqui. Vou jogar essa lâmpada ali do lado, você roça seu bracinho nela e vai aparecer um gênio. Qual a graça, Maddie?
- Hi hi hi. Você falou roça!
- Eu sei, olha, entendeu? Aí quando o gênio aparecer, você pede duas pernas pra mim, ok?
- Tá!
Maddie faz conforme o combinado. O gênio reaparece, imenso, e pergunta com voz de trovão quais seus pedidos. Nervosa, a modelo só consegue olhar do gênio para o sujeitinho ridículo sentado ao seu lado, e de volta pro gênio. Ela parece confusa e nosso heroi a estimula com um gesto, como quem diz, vai, vai. Nisso, o gênio começa a ficar impaciente. Subitamente, ela parece se lembrar do acordo e exclama a plenos pulmões: - Quero as pernas dele de volta!
Milagre! Tanto ela como o gênio fazem tudo certinho. Saltitante, ele sai pela praia comemorando suas pernas novas. Mas o gênio ainda está por ali, e pergunta qual o próximo pedido. A supermodelo dá de ombros e diz, ah, ele gosta tanto das pernas, que tal dar mais duas pra ele? Nosso herói se vê transfromado num estranho quadrúpede, que de tão estupefato, não tem tempo de impedir o resto do diálogo entre a modelo e o gênio.
- Qual seu último pedido, linda criatura?
- Você parece tão solitário nessa lampadazinha. Sai daí e vem comemorar com a gente.
Assim, o gênio consegue sua liberdade e perde seus poderes, mas conquista um inesperado harém com trinta gatinhas. Descontando séculos e séculos de submissão, o gênio - ou Sebastian Lafond, para os íntimos - revela-se um mandão incorrigível. E nem preciso falar da performance sexual do sujeito, mantida reprimida nos últimos mil anos mas que agora é um salve-se quem puder.
E nosso herói? Bom, agora ele serve de cavalinho para os filhos do Sebastian com as modelos, e nas horas vagas, virou moleque de recados do negão. Ele seria um mensageiro mais eficiente, mas passa o tempo todo procurando objetos brilhantes na areia. Dizem que tem mais de mil latinhas, oito lamparinas, duas maçanetas mas lâmpada mágica que é bom...
*Inspirado numa conversa com a amiga Alyne, dia desses.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Quarto do bebê ou baby's room
Quero facilitar pro Google





quarta-feira, setembro 12, 2007

Pouco papo e só sucesso


Estamos na época da florada dos ipês, pelo menos aqui, no topo nordeste do Brasil. Diabo de coisa bonita, não? Estou inspirado, farei um poema!

Belo e nobre ipê amarelo,
símbolo do Brasil, sem disputa.
Deus dê com um forte martelo,
em quem te arrancar - filho da puta!

Estou com raiva porque plantei dois ipês perto de casa, um roxo e um amarelo, mas eles são constantemente vandalizados. Ainda estão vivos, mas o que posso fazer? Não posso montar guarda o dia todo nem mandar sumir no mar quem, flagrado, mexer com minhas plantinhas. Saco.



As fotos foram tiradas hoje, quarta-feira, bem cedo. Repare como o asfalto fica tingido de roxo, por causa das flores.


Reparem também nesse céu escandalosamente azul. Só pode ser sacanagem. Como bom cearense, acho bonito é o céu nublado. Céu azul é coisa de pacosa na riviera. Bah.


Flores! Oh, flores! A musa tocou-me (epa!), farei outro poema!

Maldita raça humana,
que só peida, excreta e erra.
Ainda bem que nada me engana:
tenho a certeza mundana,
que as plantas herdarão a Terra.

segunda-feira, setembro 10, 2007


...---...

Crítica de cinema


Olhaí, esse foi o resultado do meu proveitoso feriadão.

Não sou nenhum Roger Ebert, mas sem dúvida me credencio a dar palpites na obra dos outros. Afinal, já vi milhares de filmes e sei identificar o que presta e o que não vale a pena assistir. Assim, fiz essas críticas-sinopses que poderão orientar, tanto o cinéfilo de meia tijela como o empombado que se acha cineasta, a adentrar no maravilhoso mundo da sala escura. Ei-las!

Vivi.com.anal

Vivi Fernandez é uma espécie de Rita Cadilac que voltou no tempo. Inacreditavelmente gostosa e desinibida, a menina manda ver nas posses, caras e bocas. Também encara - e embunda - a refrega com desenvoltura e gosto. Seus rebolados e empinadinhas fariam a múmia de Lênin arrebentar o sarcófago, e sem usar as mãos. A julgar pelo desempenho formidável com outras meninas, acho que Vivi agradaria também a múmia de Evita. Nota dez pra ela.

No entanto, a menina insiste em contracenar com um sujeito que deve ser seu namorado. Tão à vontade quando George Bush numa biblioteca, o rapaz parece que está fazendo hora numa repartição pública. Nem a visão das pernas da Vivi apontando para o leste e a outra para o oeste anima o sujeito. Acho que ela deveria contracenar com atores de verdade e profissionalizar de vez a carreira, na qual se tornou, em pouco tempo, uma expoente nacional. Só não me candidato à vaga, caso haja, pois meu seguro de vida não cobre morte por inebriante felicidade.

A Garota do Brinco de Pérola

Um dos cheiros que mais gosto, ao lado do aroma de pão quente e de livro novo, é a fragrância de tinta a óleo. Pois esse filme é tão bonito e preciso que parece que fomos convidados a assistir o próprio Vermeer pintando, na intimidade de seu ateliê - ao lado de suas tintas, pincéis e telas. A beleza nos intoxica e nos cerca, como se nós é que estivéssemos sento pintados pelo mestre holandês. Felizmente, ele não me usou como modelo, e sim, a deslumbrante Scarlett Johansson.

O filme todo se desenvolve a partir de um estalo: a semelhança absurda da atriz bocuda com uma modelo anônima, retratada numa das telas mais bonitas (todas são!) do artista de Delft. A partir dessa premissa simples, o diretor dá vida à personagem, da qual nada sabemos na realidade. Tudo isso serve de mote para abordar a vida e cotidiano do pintor, na Holanda do século XVII. Destaque para a iluminação das cenas, que a todo instante faz referência à mesma luz que Vermeer usou em seus quadros.

No filme Anjo Azul e em Final Fantasy, somos convidados a contemplar a beleza das protagonistas através de longos closes. A câmera se demora sobre o rosto perfeito das duas atrizes, como se estivéssemos observando uma tela numa exposição. No caso, a perfeição nórdica de Marlene Dietrich e a beleza digital da cientista Aki. Voltando ao nosso filme, o olhar repousa longos - e insuficientes! - segundos sobre o rosto da atriz, enquanto ela posa para o famoso quadro. Difícil saber por quem o diretor estava mais apaixonado, se pela atriz Scarlett ou pelo pintor Vermeer. Dessa dualidade homo-pictórica ganhamos todos.

Córsega Hot Sex

A produtora de Marc Dorsel nunca terá a qualidade e a beleza das produções da Vivid, a maior do ramo na Europa. As atrizes são meras barangas passáveis e o cenário da ilha é pouco utilizado, já que todas as cenas são indoor. Tenho certeza que vi um buço numa das atrizes, mas pode ser que ela estivesse de cabeça pra baixo. O filme excita, mas não diverte. Seu lugar é na prateleira de um banco de sêmen, com desonra.

Plan 9 From Outer Space

Obra-prima (risos) do diretor Ed Wood, o filme é enternecedor. Impossível não gostar de cada defeito, e olha que são vários. Zangar-se com esse filme é como ralhar com seu filho de oito anos, por ele ter feito um filme tosco usando Playmobils como atores.

Mesmo se o orçamento do filme fosse o dobro de uma produção do James Cameron, nada, absolutamente nada salvaria o roteiro. A história é ridícula e nem mesmo seu filho de oito anos cairia nessa. É de comover o coração o cenário do interior da nave espacial (risos), todo feito com fita crepe e papelão pintado. Os modernos controles da espaçonave são apoiados em banquinhos de madeira (falta de ar) igualzinho aos usados em qualquer reforma de laje no Rio. A continuidade (ataque cardíaco de tanto rir) é estuprada de cena a cena e os diálogos são bobos como numa reunião de lavadeiras (convulsões).

Como se não bastasse, tudo deu errado na produção do filme, inclusive a morte do protagonista, o veterano ator Bela Lugosi. Uma verdadeira declaração de amor à memória de Ed Wood foi feita pelo cineasta Tim Burton, com seu filme de mesmo nome. Lá, é possível embarcar de vez na loucura de ambos os diretores, e ainda contar com belas cenas da então jovem atriz Sarah Jessica Parker. Um filmão.

Desviando o assunto, Tim Burton gostou tanto de seu Ed Wood que ele mesmo fez seu filmão b, o incompreendido Marte Ataca! Recomendo os três.

Perigosa

Aprendam como se faz um bom filme pornô. Mérito total do diretor J Gaspar, uma espécie de J R Duran da produtora Brasileirinhas. Com absoluta dignidade, bons closes e cenas generosas, ele valoriza a beleza madura da musa Regininha Poltergeist. E mais, coisa rara nos pornôs nacionais: não há enrolação. São quatro cenas em que a Regininha contracena com quatro atores diferentes, cada um deles claramente feliz em participar. E ela dá um show. Destaque para a cena onde ela dança nuinha nuinha, por cima do ator, embasbacado com a sorte que teve. Gostei e quero mais.

Minha única crítica: pô, a Regininha ainda é muito bela e tentadora. Nos extras de produção - sim, eu vejo tudo - ela aparece sem maquiagem, conversando com a equipe. Puxa, ela tá tão jovial e descontraída que é inacreditável que a produção tenha carregado na maquiagem, na hora das cenas de sexo. Esse não é um defeito só da Brasileirinhas, a Playboy exagera tanto nas tintas e photoshops que quase não dá pra reconhecer a mulher. No caso de um outro filme com a Regininha, umas cenas externas, só com sal sol e mar fariam muito bem, viu?

Secretária

James Spader outra vez no papel que o consagrou, muito parecido com o fetichista de Crash. Parece que o ator tem o talho certo pra interpretar tipos elegantemente pervertidos, um degrau abaixo dos malucos que Malcolm McDowell costuma fazer. Deve ser por isso que ele está muito bem no papel, ainda que no final a culpa o assole. Malditos protestantes!

E o que dizer da linda, fofa, perfeita e divertida irmãzinha do Donnie Darko? Maggie Gyllenhaal está deslumbrante no papel, um tesão, pra dizer o mínimo. O filme parece um caleidoscópio sado-masô, mas tudo muito soft, mesmo que terrivelmente excitante. Vendo tudo o que a atriz fez, e lembrando o que seu irmão Jake Gyllenhaal aprontou na pele do caubói gay de Brokeback Mountain, fico imaginando se os dois voltassem a atuar juntos, mas dessa vez como um casal pra lá de pervertido, hein? Irmão e irmã na vida real mas no cinema, um casalzinho safado. Fica a dica para os roteiristas, para a alegria dos incestuosos de plantão. De nada, de nada.

A Última Noite de Boris Grushenko

Provavelmente o terceiro filme mais engraçado que já vi, considerando que todos os filmes do Monty Phyton podem ser amarrados num único pacote e que O Jovem Frankesntein, de Mel Brooks ainda é disparado o melhor. Cada diálogo é afiado e as cenas de humor têm o tempo perfeito. O equilíbrio entre os monólogos existenciais do protagonista, as cenas nonsense e o puro pastelão mostram o melhor do diretor Woody Allen. O filme também contribui para o quesito tradução de título mais descabida - no qual nós, brasileiros, somos mestres -, já que original é tão somente Love and Death. Destaque para a linda Diane Keaton, que hoje tem pra lá de 50 anos mas macacos me lambam se ainda não dá uma sopa.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Desculpas, sempre desculpas! O desenho aí embaixo é meu, mas o texto... bem, não me responsabilizo. No quartel, um soldado segue ordens! Ah, vejam aí. Bah.


Constatações óbvias
Não nasci rico, não vou herdar nada da mamãe e nenhuma ricaça me quer. Também não tenho sorte no jogo e trabalhar não adianta. Só me resta roubar, ou seja: entrar pra política. Senador Rufino Neto soa bem, não?
Todo mundo na Terra tem, ou teve, quatro avós. Da mesma forma, cada um também teve oito bisavós. E dezesseis trisavós, trinta e dois tataravós e assim por diante. Fazendo as contas, cada indivíduo vivo hoje teve sextilhões de antepassados há pouco menos de vinte gerações, o que é absurdo. Esse povo todo ocuparia várias vezes a superfície da Terra, inclusive os oceanos. A conclusão lógica é que todos somos irmãos ou primos entre si. Eu quero ser primo da Mel Lisboa!
O ser humano é um bicho burro e inviável, como já disse por aqui diversas vezes. Mas são poucas as chances que a gente tem de provar. Consegui esse flagrante aqui no estacionamento do trabalho, reparem...


...que o pitoniso que fez essa calçada merece um prêmio. Melhor: merece uma condecoração! Ele será promovido ao posto de celenterado, com louvor. Vejam que ele concretou o passeio central colocando respiradouros para as árvores mas, incapaz de pensar a longo prazo - o que seria demais exigir de um recém promovido a celenterado -; o sujeito fez os buracos de acordo com o diâmetro atual de cada árvore. Eu acho que as árvores crescem, não?


O resultado é que as plantas irão morrer ou, numa perspectiva otimista, irão romper o concreto, obrigando que a próxima geração de amebas refaça a obra. Eu mereço.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Pedacinho da cartilha sobre poluição hídrica: quando a doença não vem à galope, ela vem de barco.


Família
Tudo o que sou e tudo o que tenho devo à minha famíla. Evidentemente que esse convívio harmonioso tem seu preço. Um dos segredos do nosso pequeno núcleo familiar é a quantidade limitada de indivíduos. Estipulamos há muito que o número ideal de pessoas tem que ser constante, para que não haja muitos conflitos. Somos dez ao todo, mas com a chegada do meu sobrinho, o número passou a ser de onze almas. Isso poderia por em risco nossa estabilidade. Em comum acordo, resolvemos dar fim no gato.
Outro forte de minha família é o silêncio. Todos falam muito baixo. Desconfio que isso seja uma notável forma de cortesia para com minha irmã, que vive acorrentada no porão. Assim, à mesa do jantar, a gente pode ouvir seus gritos ao longe e fingir, mesmo que por instantes, que ela participa das conversas. Falando na minha irmã, ela acabou de completar 30 anos! Tirando os vinte que passou entrando e saindo de manicômios, sua existência tem sido para nós um suave fardo de chumbo. Mas amor é amor.
E o que dizer de meu pai? Admirável trabalhador, honesto e probo, alcançou certa notoriedade no ramo imobiliário, ao tentar se apossar dos quartos da empregada. Nunca bebeu demais, e seus inocentes pilequinhos eram a alegria dos soldados da Defesa Civil. Durante a fase mais complicada pela qual passamos, sua figura totêmica era o pilar onde amarrávamos nosso burro - que aliás, morreu de fome, com a corda no pescoço.
Duvido que outras famílias tenham os irmãos que eu tenho. Um deles trabalha com construção civil. Seu maior feito foi quase ter escapado do presídio, no túnel que ele mesmo construíra. O outro é economista, e é refrência nacional em malversação de verbas públicas. Ambos tentaram a política, mas foram considerados over-qualificados pelo Comando Vermelho, e não foram aceitos. Hoje dedicam-se a pequeno golpes contra a Santa Casa.
Minha mãe e minha tia sempre foram trabalhadoras autônomas, e de um pequeno empreendimento familiar, sustentaram toda a casa. Se não me engano, o negócio tinha a ver com fruticultura. Eu era muito pequeno, mas lembro papai falando que mamãe estava pondo as manguinhas de fora, referindo-se obviamente ao cultivo de um pomar, ou algo assim. O fato é que dinheiro nunca faltou. Pelo contrário: Mamãe e titia sempre traziam pra casa rublos, dólares, pesos, rupias, marcos e até mesmo ienes. Parecia até que elas viviam metidas com uma pequena ONU, não é gozado?
E quanto a mim? Bem, a modéstia me impede de falar, mas sou respeitado no meio musical da cidade. Trabalho com produção de som e vídeo, geralmente ao ar livre, fazendo pequenas intervenções em praças e logradouros. Recentemente, fiz uma exibição na praça da Lagoinha, à qual tive a honra da receber a excelsa vista da Polícia Federal - que aproveitando a viagem, levou todos os meus DVDs. Pelo menos assinaram o livro de presença com seus cassetetes: agora minhas costas valem uma fortuna! Alguém conhece um bom advogado?

terça-feira, setembro 04, 2007

Aqui estou eu no casamento do Michel. Como pode ser notado pela minha carranca, estou impressionado com a arquitetura da igreja, com a beleza da decoração e como essa religião fajuta, derivada de um seita judaica de carpinteiros e pescadores, absorveu o império romano e sobrevive até hoje. Mistério...



Novo Dicionário
Vem aí mais uma inútil e desnecessária reforma ortográfica! A língua, tal qual uma prostituta que andasse de boca em boca, não pertence a ninguém e a todos ao mesmo tempo. Querer regulá-la à força equivale a redigir um decreto que disciplinasse os ventos.
No entanto, já que a coisa parece ser inevitável, resolvi aumentar o escopo e incluir novos significados a palavras bem velhas. Se colar, encaminharei ao Congresso uma petição para que os números arábicos sejam acusados de colaboração com o terrorismo.
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Coitado
Eufemismo sobre alguém que acabou de sofrer um coito. O mesmo que estuprado. Devido ao menor preconceito social, a palavra pode ser pronunciada numa boa, em público, durante uma festa infantil. Exemplo: "Tio Demóstenes anda tão triste. Coitado dele."
Imagina
Buceta com propriedades magnéticas. Trata-se de uma vagina cuja proprietária atrai muitos pretendentes, como que tivesse um ímã instalado nas bordas dos grandes lábios. Exemplo: " Imagina o que eu não faria com uns quilos a menos..."
Paulatino
Membro viril dos falantes das línguas derivadas do latim, como o dos italianos, espanhóis e portugueses. Modernamente, refere-se aos pendúnculos dos habitantes da América do Sul, notadamente aqueles que têm bigodinho escovado, topete, camisa aberta no peito e uma lambreta. O termo é usado geralmente no gerúndio, que significa, a grosso modo; o processo de convencimento que dura entre a corte e a cópula. Exemplo: "Paulatinamente, o cafajeste conseguiu arrastá-la para o Sexu´s Motel".
Desmembrar
Cirurgia de extração do pênis. Falotomia.
Receios
Um par de mamas refeitas, tornadas novas depois da cirurgia de prótese de silicone. Exemplo: "Seus receios aumentaram, depois que ficou viúva do milionário."
Vagabundagem
Processo mental utilizado pelos onanistas. Primeiramente, imagina-se uma bunda genérica, de contornos vagos, que se prestaria a qualquer mulher. Em seguinda, atrita-se o órgão sexual tendo em mente a respectiva bunda. O mesmo que punheta-russa. Exemplo: "Claudinho passa o dia na vagabundagem!"
Sementadeira
Moderno aparelho de ordenha masculino, geralmente usado para a coleta em bancos de sêmen. O voluntário tem o pênis acoplado à máquina, que faz a extração das amostras via movimentos de sucção. Atualmente, o aparelho está em processo de desativação, por causa das várias mortes relatadas devido ao uso prolongado do equipamento. Estuda-se a volta ao antigo processo manual, sem contra-indicações a não ser o aparecimento de pelos nas mãos.
Volvo
Empresa sueca líder na venda de vaginas em lata. O produto em si trata-se de uma vulva de plástico com forro de veludo, instalada numa lata de Pringles vazia. Ao destampar a lata, o usuário tem à disposição uma vulva receptiva, cujo canal vaginal estende-se ao longo do cilindro. Basta encaixar a entrada da lata na sua respectiva pelvis e movimentar a lata para cima e para baixo. Alguns modelos mais novos vêm com uma válvula para limpeza. No modelos antigos, o acúmulo de material compactado permitia que se usasse a lata como uma forma para velas de sete dias. O barbante não vinha incluso.