sexta-feira, novembro 30, 2007

Pinacoteca



Calma, ainda não é a encomenda do meu retrato. Trata-se da primeira tela que eu comprei, o embrião da minha futura e valiosíssima pinacoteca. Os fatos que deram origem à aquisição foram cabalísticos e fatalísticos. Vou tentar enumerar essa cadeia de eventos sem fazê-los babar no teclado. Ei-los.

Deixei alguns Garatujas na livraria da Oboé, um espaço chique para os autores cearenses e de quebra, também uma galeria. Um rápido parêntese: o grupo financeiro Oboé têm em seu acervo o melhor da pintura do Ceará, de todas as escolas e épocas. A quantidade de Aldemir Martins que eles têm daria para acarpetar todo o estacionamento do meu prédio. Sem falar nos Raimundo Cela, Barrica, Otacílio de Azevedo, Antônio Bandeira e Estrigas. O fino.

Pois bem, semana passada fui à livraria e recebi meu quinhão pela venda de alguns livros. Qual não foi minha surpresa ao perceber na parede a singela figura desse jumentinho. Foi amor à primeira vista. Verifiquei o que tinha a receber e imediatamente, anunciei que desejava levar a tela. Completei o que faltava e no duro, no duro, acabei pagando apenas uma pequena parcela da pintura com dinheiro meu, digamos assim. O curioso é que a grana que eu levava no bolso foi a exata conta para comprar o quadro. Curioso, não?

Eu fiquei apaixonado pelo quadro, repito, porque além da técnica apurada, a tela é um tratado filosófico. Afinal, o que somos nós senão tolos muares pastando, esperando a morte? As interpretações são variadas e metafísicas. Alguém que fosse espoliado no trabalho, como eu, veria no burrinho de carga uma metáfora para a vida e para si próprio.

Comentei com a vendedora que colocaria a tela pendurada no meu túmulo, à guisa de epitáfio pictórico. A coitadinha, que não foi tão longe como eu, disse que dessa forma ninguém iria ver o quadro, fora que a chuva acabaria com ele. Ainda quero crer que ela estava, na verdade, numa jam comigo, mas nem eu sou assim tão complacente. Enfim.

Notem que o jumentinho não está amarrado. É uma falsa liberdade. Ele, assim como nós, está preso a convenções. Ele sabe que ali terá grama e água, mesmo que para tanto, tenha que apanhar todo dia e trabalhar de sol a sol. Conhece alguém nessa situação?

As sombras alongadas prenunciam o fim da tarde - ou o início da manhã. Eternamente preso nessa dicotomia, ele está ao mesmo tempo pronto para o trabalho como curtindo o fim da jornada. Ele parece gozar de boa saúde. O que não é de se estranhar, pois seus donos têm posses. Vejam a casa de taipa: ela ainda conserva o reboco das paredes. No interior do Nordeste, uma casa rebocada é sinal de status, mesmo que o dono da casa tenha se desleixado um pouco e a tinta tenha descascado. À direita, um fardo de lenha, que também pode servir como mourão de cerca. Sem dúvida o jumentinho pertence a uma pequena fazenda ou a um grande sítio - como o que eu gostaria de ter.

A época é de fartura. O jumentinho está gordo, a grama viceja e lá atrás, a vegetação é abundante. É um período de chuvas no sertão, certamente. "Mas se chover dá de tudo, fartura tem de montão".

Por fim, o jumentinho nos encara curioso. Estancado enquanto comia, foi surpreendido pela nossa presença. Desculpe, amigo, não quis interromper seu jantar. Quem sabe, agora que eu não estou vendo, ele está finalmente pastando em paz? Vou voltar rápido e surpreendê-lo mas.... ah, ele me viu novamente e ergueu a cabeça. Ele é mais esperto que eu, sem dúvida.

O pintor dessa pequena obra-prima é o Ricardo Campos. Não o conheço, nem até então, nunca ouvira falar dele. Vi outros quadros seus na galeria e todos tratavam de temas regionais, como jangadas e paisagens. Mas só um incauto veria nessas pinturas mera decoração. Como diria Lucian Freud, tudo é passível de se transformar numa pintura, basta que a paisagem encontre o pintor certo - ou algo assim.

Pra terminar: escrevi pinacoteca e imediatamente, bolei um tema prum novo post chamado Piñacoteca, sobre um sujeito que coleciona piñacolada e... nevermind.

terça-feira, novembro 27, 2007

Diversão sem fim

Ganhei um sensacional rói-rói na promoção das Sete Maravilhas do Ceará, via blog do Maurição. Praqueles que como eu, nunca tinham ouvido falar de rói-rói, fiz um vídeo canhestro sobre o funcionamento do aparelho. O artefato é sofisticado e complexo, mas em menos de duas horas dominei a técnica.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Relicário

01 - Adesivo do candidato professor Milton, colhido nas ruas no pleito de 2004. 02- Placa de xilogravura, que o Márcio Moreira achou no lixo e me deu. Adorei o presente! 03- Primeira prova da capa do Garatujas, bolada pelo Olinto. 04- Meu diploma de arquiteto, protegido pelo double light saber que o Rodney trouxe da Califórnia. 05- Um alce que estranhamente, se parece muito com um viado. O Júnior que trouxe de Toronto. Cada um dá o que tem. 06- Caixa lotada de presentes, que recebi da Vivi, Clarinha e Flá. Adoro essas três! 07- Caneca do Batman que o Edge me deu em 1998. Fantástica! 08- Caneca de peitinho que o Edge também me deu em 1999. Me quebrou muitos galhos... 09- Kombi cheia de doces que ganhei do Júnior, meu irmão. 10- Minha agenda 2007, feita com restos de papel e cadarços. 11- Uma caneta futura, sem as quais não vivo. 12- Minha mochila, que tem ares de alforge.




Frases em forma de frades, digo, fraudes.


Frases que eu, moribundo, diria para o meu biógrafo:

10 - Você pode começar na segunda?
09 - Boas novas, o material novo vai parar de chegar.
08 - Me liga se tiver alguma dúvida.
07 - A arte é concreta, mas a vida é abstrata.
06 - Na verdade, eu sou hetero.
05 - Todo biografado morre duas vezes.
04 - Eu pagava um cara pra desenhar pra mim.
03 - Doei a pele pra encadernar a primeira edição.
02 - Inventa o resto.
01 - Essa porra não vai vender, falta sexo.

Frases que eu, moribundo, diria para a minha esposa:

10 - Entendo seu choro. Afinal, não sou eu que vou ficar viúvo.
09 - Amor, tenho que lhe contar: o Juninho não é seu.
08 - Pensando bem, me vê aí um pouco de manga com leite.
07 - Como sempre, vou esperar por você.
06 - Eu fingi todas as vezes.
05 - Não chore. Se eu pudesse, trocaria de lugar com você.
04 - Ninguém achava que a gente iria se separar.
03 - Pra você não se sentir só, serei empalhado e colocado na sala.
02 - Quem foi que disse: mulheres e crianças primeiro?
01 - Você fica linda de preto.

Frases que eu, moribundo, diria para meu filho:

10 - Agora enfie esse carro no cu!
09 - Não cometa o mesmo erro que eu, tendo filhos.
08 - Juninho, e se eu disser que torrei tua herança com mulher e cachaça?
07 - Quem diria que aos 50 anos, todos os homens da família ficam irremediavelmente brochas?
06 - Me empresta mil reais?
05 - Vou encontrar o feladaputa do teu avô. Algum recado?
04 - Não reclame, eu limpei sua bunda por três anos.
03 - Filho, um dia, tudo isso será seu.
02 - Me vingue, filho querido!
01 - Desculpa qualquer coisa.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Já compraram o livro do Benett ?





Fuck the work!

A cada dia, crescem as barreiras contra a Internet no ambiente de trabalho. No começo, só os sites de sexo eram bloquados. Depois, os de esportes. Em seguida, os de notícias. Agora, até os sites de webmail estão banidos!

A Internet serve para muita coisa, ninguém duvida. No ambiente corporativo, ela tem ainda a função extra de ser uma janela para o mundo. Aí cabe uma conotação e uma denotação. A janela é metafórica, mas também é real, pois nos escritórios vedados e impessoais, não há um ponto de fuga para onde direcionar o olhar e relaxar.

O que me leva ao âmago deste ensaio: como ver pornografia no trabalho?

Sem a possibilidade de distração proporcionada por uma brecha na paisagem, e com todos os sites bloqueados, como tirar alguns segundos para a divagação? Lembram da época do colégio? A turma de meninos levava revistinhas pornográficas e a mais recente Playboy "encartada" num livro de física. Assim, o conteúdo parapedagógico podia circular quase livremente. Metade do atrativo do sexo é a perversão e o medo de ser flagrado, claro.

Tenho uma técnica que na maioria das vezes funciona. Basta acessar algum site de busca de imagens e teclar "vulva", "vagina", "pussy", "ass", "butt", "bunda" e congêneris, que pode funcionar. Digo pode porque o tiro em geral sai pela culatra. A busca pode derivar para um site médico, em que a foto da vagina que você queria ver não é necessariamente, a da ninfetinha escanhoada, e sim a da avó dela, e olhe, não há nada de sexy numa herpes genital em close.



Veja que nesse exemplo acima, a busca foi catastrófica. Desculpem se estraguei seu jantar, mas o termo "vulva" é técnico demais. Não é problema do Google, vejam bem - continuem o bom trabalho, Larry e Sergey! Vamos tentar algo mais prosaico, mais popular, mais carinhoso: "buceta". Observem:



É, não melhorou muito. Mas agora você sabe que o coronel Amadeu Buceta foi um valoroso oficial do exército português, isso não é divertido? Tentemos novamente, dessa vez usando o site da Corbis.



Olhaí, melhorou um pouco. Dessa vez coloquei o termo "butt" e veio uma leva de coisa interessante, mas ainda com aquele quê de clínica médica. Mas lembre-se, esse recurso é um mero quebra-galho, nada como procurar sua tão amada pornografia no conforto de sua LAN House preferida.

Caso queira prospectar em seu próprio veio, tente ainda o site da Gettyimages. Obviamente, as meninas leitoras podem fazer sua busca com os termos que lhes apetecem, os quais me excluo de comentar.

No mais, divirta-se em sua baia de fórmica e cuidado com o som de passos atrás de você! E uma coisa é certa: os acessos a este blog devem aumentar um pouquinho, devido aos termos chulos aqui impressos. Uai, sexo vende.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Flagrante de finesse e boa educação num beco da Taíba, Ceará, em 2002.


Like a fly on a wall


Não sei se já notou, mas as moscas somem à noite. Pode reparar. Durante anos fiquei encucado com essa questão, sem desenvolver uma teoria satisfatória que expicasse o fenômeno. Dizer que elas saem pra jantar fora é uma meia verdade, mas eu buscava um explicação mais elegante. Mudar para um restaurante mais chique também não vale. Deixemos as baladas noturnas das moscas de lado, ok?

Por que, afinal, as moscas somem à noite? Simples: pra se protegerem. Às vezes minha inteligência é tão grande que arrasta no chão quando eu caminho. O que acontece é que a única defesa da mosca é a sua visão. Muito mais ágil e preciso que o nosso, o olho da mosca vê o mundo como um interminável filme em câmera lenta.

O nosso cinema, para uma mosca, seria chato de doer. Um filme é exibido a 24 quadros por segundo. Como não conseguimos processar as imagens a essa velocidade, o que vemos é uma imagem contínua que parece estar em movimento. Já para a mosca, o filme apareceria quadro a quadro, frame a frame, um de cada vez...

Primeiro surgiria a imagem do ator com a mão no coldre. Depois, pegando o revólver. Em seguida, ele sacaria a arma e no quadro seguinte, dispararia, e assim por diante. Até que longos vinte e quatro quadros à frente, a bala sairia do cano da arma e atingiria o bandido. Daria tempo até de ir ao banheiro das moscas e voltar.

Do ponto de vista de uma mosca, a aproximação de uma chinela acontece tão devagar que ela tem tempo de fugir calmamente. Observe que a mosca não é, necessariamente, veloz. Seu trunfo é a capacidade quase mágica de "antever" um ataque. O único problema do seu arsenal de defesa é que ele só funciona sob luz forte. Ahá!

Fiz um experimento que consiste em atacar uma mosca com uma revista Veja, sob luz estroboscópica. A lâmpada piscava numa freqüência muito baixa, de tal forma que eu era protegido por "zonas de escuridão", vamos chamar assim. O efeito foi que para a mosca, eu adquiri uma supervelocidade, pois o inseto era incapaz de me vez quando a lâmpada estava na posição off.

Ok, eu nunca fiz esse experimento, mas tome o resultado como verdadeiro. Pôxa, quase todos os argumentos do Einstein sobre a Relatividade foram sob a premissa de experimentos mentais, pois seria deveras complicado acelerar um elevador à velocidade da luz. Me dê um crédito, certo?

Voltando ao vale das moscas. Onde eu estava? Ah sim, a luz forte. Uma mosca não pode contar com sua audição - mosca tem audição? - nem com sua força. Ela depende da visão apurada para se safar. Sem luz, elas se recolhem, é simples assim.

No entando, minha teoria tem falhas. Para onde vão as moscas, afinal? Respondi à pergunta do por quê das moscas sumirem, mas não para onde elas vão à noite.

Vão distribuir mosquitinhos!!

Certo, certo, a piada foi inteligente, flyers, e tal, mas eu estou tentando entabular um papo sério aqui, porra!

Demorei vinte anos para chegar a essa conclusão sobre o sumiço das moscas. Espero agora levar menos tempo para responder à pergunta seguinte. Espero ainda, que a comissão do Nobel também seja paciente. alguém tá a fim de financiar minha pesquisa?


-------P.S.-------

Durante quatro meses, ou mais, eu fui um excluído digital. Meu computer pifara de vez e durante esse tempo, ou mais, as postagens do blog ficaram a cargo e força do Olinto. Eu escrevia os posts num papel de embrulhar pão, ia à casa dele de Circular, depois ele digitava tudo e mandava pro mundo. Agora arranjei uma máquina maneira e voltarei eu mesmo à enfadonha tarefa.

Obrigado, jovem Gaudí, pela ajuda! Agradeço pelos galhos destroçados! Saiba que se precisar, retribuirei na mesma moeda: com bilhões de afeganis recém cunhados!

Por que eu demorei tanto a voltar a comprar um computer? Ah, sabem como é, não tinha na cor que eu queria. Fúcsia turquesa é difícil de achar, sabiam?

sexta-feira, novembro 16, 2007


Num beco escuro explode a violência...

















terça-feira, novembro 13, 2007


Meu futuro amor

Decidi que hoje mesmo eu iria me apaixonar. Pode ser que ela, a minha futura amada, surja enquanto espero o ônibus, ou durante o almoço, ou quem sabe, quando estou na fila do cinema. O momento específico do dia eu não posso precisar, mas estarei preparado.

Para tanto, comprei um cipoal de presentes. Até que ela se toque que eu sou seu verdadeiro amor, nada como suborná-la com vários quereres. Assim, minha primeira providência foi passar na Mesbla e comprar um buquê de tulipas. Quando ela aparecer, eu já terei em mãos o melhor e o mais básico dos arsenais de conquista.

Passei na loja da BRA e comprei passagens pra dois, pagando tudo com meu cheque do Bancesa. Pena que no balcão da PanAm a fila era muito grande, pois estava a fim de ir ao Ceilão e só eles têm uma rota direta. Comprei bombons na Pernambucanas, para combinar com o buquê, e mais adiante, vi na concessionária da Ford um Corcel II pra vender. Não tenho essa grana toda, mas fiz uma opção pelo carro e fiquei de passar lá no sábado. Quem sabe, com meu futuro amor?

Liguei e fiz reservas no DS Club. Como a noite prometia, também reservei uma suíte no Tropicu´s Motel, pois não quero perder tempo e meu futuro amor será afoita como eu. Quase que me esqueço: é melhor que eu esteja apresentável para meu futuro amor. Comprei uma calça UsTop e uma camisa da O.P., sem deixar de ficar perfumado e cheiroso com a exclusiva fragrância de Denim. Ou seria melhor comprar também um Rastro? na dúvida, fiquei com os dois!

Comprei para ela uma revista Cruzeiro, pois minha amada será antenada com as novidades. Portanto, nada de Manchete, pois fofocas e futilidades são para as leitorinhas da Sabrina. (Na surdina, levei pra mim uma Status, que eu não sou besta). Meu futuro amor não deve fumar, mas caso ela insista, já está na minha capanga uma carteira de Minister.

A essa altura, olho no meu Casio G-Shock e já eram seis da tarde, e nada do meu amor aparecer. Tudo bem, ela viria com a noite, é até mais excitante. Passei num boteco perto de casa e pedi uma Malt90 geladinha e em seguida, um guaraná Cacique. Na Telefunken do bar estava passando um jogo da União Soviética versus Alemanha Oriental, ou seja, um jogo de compadres. Observei em volta, ansioso. Meu futuro amor não tardaria a chegar.

O dono do bar me enxotou lá pelas onze da noite, e fui cambaleando pela avenida Estados Unidos. De repente, vejo uma barraquinha de doces a compro um chiclete Ploc para disfarçar o bafo. Não quero que meu futuro amor tenha engulhos de mim. Entro no meu Dodge Polara e logo logo estou em casa, apesar de que durante o trajeto, eu olhasse insistentemente em todas as esquinas: meu futuro amor precisaria de uma carona?

Ligo a tv e vasculho minha coleção de fitas. Sei que ela está lá em algum lugar, outro dia mesmo eu a deixara entre os filmes do Yahoo Serious e do Paul Hogan. Ah, aqui está! Sabia que ela, sempre ela, não me decepcionaria. Abro a capa e coloco, delicadamente, o filme no meu novo videocassete: Savannah, você é que é meu verdadeiro amor!


sexta-feira, novembro 09, 2007

É muita intimidade com o santo!


Acima, um supermercado aqui da capital. Curioso como na publicidade - na má publicidade - se recorrem a clichês batidíssimos, como essa trinca do Bom, Bonito e Barato. No caso do Zezão, discordo das três assertivas, mas enfim... As gôndolas cheias e os caixas abarrotados, com gente despejando notas de real, soterram meus argumentos. Logo eu fico criticando, que sou tão esperto que tenho que me virar pra pagar o carnê do banco Volks.

Mas a respeito dos santos. Queria viver o suficiente para presenciar a sagração do futuro papa Pedro II. Obviamente, ninguém terá cojones para adotar um nome canônico como esse, pois o primeiro papa foi o único a ser amigão, chapa mesmo ( sendo alvo de piadinhas e cortadas, inclusive ), d´Ele, o hômi. Um eventual sucessor teria que pelo menos, atestar ter recebido um "passa lá" de Jesus sobre as bodas de Canaã. O que não será o caso.

Sabiam que tem um santo com meu nome? Dia 3 de março é o dia de São Hemetério. mesmo com o Google à disposição, não achei uma hagiografia decente sobre esse santo de nome esquisito. Mas posso deduzir por si só que:

São Hemetério foi um monge que viveu no sul da Espanha, lá pelo século VII. Era moleque de recados de um senhor mouro da região, e de vez em quando, traficava escravas núbias em troca de uma casquinha. Era mal visto pela comunidade cristã por causa de seus hábitos esquivos e pela amizade com a corja sarracena. Por causa disso, ganhou o apelido de Hajamé, que pegou como sarna em viralata.

Morreu martirizado quando numa noite, caiu de um penhasco e se estatelou nas pedras. A catinga de cachaça vinda do hálito do santo foi atribuída a um milagre divino, pois segundo a mãe do religioso, nem beber ele bebia. Todo mundo riu engasgado mas deixou pra lá, e sua morte apazigou os desafetos e os disse-me-disses. Hoje é um santo bem popular, pelos menos nas tabernas e inferninhos de Ibiza.

segunda-feira, novembro 05, 2007

The Old Fashioned Way Stories

Essa história do salto de paraquedas rendeu. A revista daqui do trabalho encomendou um texto sobre a experiência, então, perguntei se podia ilustrar e tal. Já que disseram sim, resolvi fazer essa micro HQ, basicamente requentando o assunto da semana passada. Nenhum assunto é velho demais se a platéia é nova.

Como a revista tem circulação restrita - mesmo que atinja todas as agências do BNB -, publico aqui procês darem uma olhada.


quinta-feira, novembro 01, 2007

Capa da Agenda do Portador de Eficiência 2008, de Daniel Cordeiro. Darei um doce virtual pra quem descobrir de onde são essas duas bandeiras.




H Adventures

Bloco novo no blog: H Adventures! Como o nome sugere, tratarei aqui das minhas parcas aventuras, pelo menos aquelas que possuem registro fotográfico. Naturalmente, isso exclui as surubas, os rituais de magia negra e as negociatas com dinheiro público, pois em todas elas tive que deixar a câmera na portaria. Mas o resto vale!

Hoje, vou falar do meu primeiro - e único - salto de paraquedas.

Corria o ano de 1999. Eu estava quieto em casa quando o Luna me liga, dizendo que ele e o Humberto iriam saltar e perguntava se eu não queria ir também. Topei na hora, mas não disse nada em casa. Na época, eu morava com a mamãe e ela teria um aborto hemorrágico se eu contasse o que iria fazer no próximo domingo.

Fomos ao aeroclube, fizemos o curso e na semana seguinte, o grande dia! Iríamos saltar!



Eu e a Ana, que também saltou naquele dia, fazendo nosso testamento coletivo. No flagrante, ela pergunta ao advogado se uma dívida a receber é renda. Reparem na minha cara de entusiasmo com o papo.



Fazendo os preparativos e checando o equipamento. Meu Deus! Eu não tinha barriga! A propósito, as fotos foram tiradas com uma Mavica a vapor, tão antiga que gravava as fotos num disquete. Alguém aqui ainda usa disquete?



Ensaiando os procedimentos. Notem as faixas pretas colocadas no suporte da asa do teco-teco. Durante o vôo, a gente sai do avião e se pendura nesse suporte, com as mãos em cada marcação. Dado o sinal, soltamos as mãos e inicia-se uma desesperada queda livre. O objetivo dessa pose é garantir que a gente caia com estabilidade, e não rolando como um saco de pepel. Caso contrário, poderíamos enroscar no cordame do paraquedas e presto! Um humano a menos.



O mesmo semblante do Ayrton Senna, horas antes de correr em Ímola. Levei um logo do Batman e colei no capacete. O instrutor adorou a marmota. Pedi pra saltar de capa. Ele disse, não exagera. Glup.



E la nave va!

O avião comportava três alunos, mais o instrutor, o piloto e um pároco. Depois de atingir 1.500m de altitude, recebi sinal verde para deixar a cabine e fiquei pendurado no tal suporte da asa. Apartir daí, a situação era irreversível: o vai ou racha. Não dava pra voltar pra cabine, por causa do vento. E se houvesse um acidente, tipo o paraquedas abrir de repente, poderia inclusive derrubar a aeronave ( pilotos adoram chamar avião de aeronave, dá mais respeito, acho ).

Então saltei conectado a uma fita de 60m de extensão, cuja função é acionar o paraquedas. Como era nosso primeiro salto, e ninguém estava disposto a sair com um sujeito fungando no cangote, todos usaram a fita. Acionar o paraquedas por si só requer experiência de pelo menos quatro saltos solo, o que não era o nosso caso. Assim, tive poucos instantes de queda livre e gravidade zero.



Depois que o paraquedas infla, e após uma rápida checagem, agora é o momento de curtir e relaxar. O paraquedas é surpreendentemente estável e dirigível, ou seja, dá pra fazer algumas manobras, mesmo por iniciantes. A sensação é estar sentado numa rede, com os pés pra fora, mas tendo o chão a 1Km dos armadores. Curiosamente, não conseguia ouvir o tráfego de carros abaixo, mas distinguia claramente latidos de cachorro. Fora isso, só o som do vento e o frio da altitude.



Acabou, que pena. Do salto até o chão, foram apenas oito minutos. Muito pouco, muito pouco. Pousei sem problemas e não caí de bunda, que era meu maior medo.



A ema pousou, Huston.



A foto oficial!

Daquela turma, o Luna saltou outra vez e logo em seguida, fez um curso de mergulho. É isso aí, das altitudes às profundidades. O Humberto se mandou pra Flórida e lá, parece, fez ainda muitos saltos. Eu não tô a fim de saltar mais, já tive sorte uma vez. Mas se o orçamento permitir, adoraria fazer um vôo suborbital na nave da Virgin. Quem sabe, quem sabe...