segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Desenho para a cartilha da FUNCEME sobre mudanças climáticas. Desenho bobo mas eficiente.




CONCURSO 2008

A Revista piauí está promovendo uma nova versão do concurso Encaixe, sucesso do primeiro ano da revistona alvinegra. Dessa vez, os 10 ganhadores do ano passado têm que compor uma obra a 20 mãos, começando por uma frase fornecida pela revista. O melhor conto de cada mês servirá de alicerce para o segundo conto publicado, e assim por diante. A idéia é que ao final da promoção, a gente possa ter produzido uma noveleta mais ou menos coerente em 10 partes.

Não necessariamente, cada um de nós tem uma chance de publicar. Assim seria moleza, é só esperar que o rodízio caia em um de nós e mandar qualquer textabundo pra publicação. A regra determina que o ganhador de um mês não poderá participar da segunda rodada, mas pode concorrer novamente no terceiro mês. Teoricamente, a obra de 10 partes pode ter cinco delas feitas por um mesmo autor. Ou então, alguns de nós sequer terão o conto publicado. Vai ser uma boa partida. E tem grana na jogada, viu?

Bom, já saiu o primeiro conto, na revista desse mês. Trata-se do capítulo do cearense Ciço Léo, que puxou do fundo do baú um conto divertidíssimo. Agora teremos que continuar a trilha na mata no mesmo ponto em que ele parou. A trilha que levar ao melhor destino terá seu mapa publicado em março. As outras picadas que levarem a becos sem saída, cataratas e desfiladeiros serão abandonadas e a selva as engolirá.

Mandei minha historinha mas não foi dessa vez, veremos no mês que vem. Enquanto isso, taqui a minha versão para o que seria o primeiro capítulo. A frase fornecida pela revista aparece em negrito. Que tal?


Alamedas


Antônio levantou-se, abriu a janela, e viu Maria lá embaixo, à espera. Sorriu, pois achara que ela não vinha mais. Desceu as escadas animado, ainda a tempo de vê-la brincando com a segunda pedrinha, que não precisou ser atirada. Abraços, beijos e um afetuoso: Como vai? Maria estava encantadora. Dessa vez, vestia uma folgada jardineira azul, sobre uma camiseta branca com um sol desenhado. Um contraste absoluto com Antônio, a barba por fazer e roupas de casa, amarrotadas pela noite em claro. Ela passou a mão em seu rosto e disse que tinha uma surpresa. Ela sempre tinha uma surpresa.

Andaram pela cidade. As calçadas de cada residência tinham um desenho diferente, como um longo mar de tapetes feitos de ladrilhos. Naquela placa escrita à mão, o s ao contrário dava charmosos ares de russo ao que era, simplesmente, mau português. Um gradil, de tão antigo, foi engolido pelo broto - agora uma árvore - que ele devia proteger. Tampinhas e velhas moedas coladas no asfalto, como castanhas fincadas num bolo. Pardais descansando nos fios telefônicos, que naquele instante, pareciam com notas numa partitura em 3D. Tudo isso Maria reparava, enquanto saltitava à sua frente. Impressionado, ele se virava e sorria com o canto da boca. De vez em quando, ela pegava o braço dele e apontava: Veja, não é lindo? O mundo a surpreendia.

Antônio comprou pão e leite no caminho de volta para casa. O sol ainda não estava tão alto. As árvores lançavam sombras pela rua quieta, projetando discos de luz que dançavam sincronizados com o vento. Ele comentou o que observara com Maria e ela sorriu, orgulhosa com seu esforço. Chegaram ao sobradinho de Antônio e como sempre, se despediram no portão do muro baixo. Mais uma vez, ele perguntara: Não quer subir? Você sabe que não posso, mas eu volto - disse Maria, inclinando leve a cabeça. Enquanto Antônio deixou as compras no chão e virou-se para abrir a porta, Maria desaparecera. Ele olhou em volta, satisfeito, e respirou o ar da manhã. Num suspiro, disse baixinho: Você é a minha musa inspiradora, menina. Deu uma última olhada na grande cidade que amanhecia e entrou em casa.

Antônio tomou um banho e fez seu café. Revigorado, retorna à bancada cheia de papéis amassados e rascunhos. Limpa a bagunça da noite anterior e aponta o lápis, arriscando de vez em quando um olhar pela janela. Senta-se novamente na cadeira confortável, estrala os dedos e recomeça a escrever. Agora sim, ele sabia que rumo dar a seu conto.

2 Comments:

Anonymous Leonardo Ribeiro (Ciço Léo) said...

Faltou vc dizer que 20% dos concorrentes trabalham na mesma empresa!!! Torço por vc para continuar a história, meu caro!! Abs

7:42 AM  
Blogger Hemeterio said...

Ciço, brigado pela força. Vamos ver, vamos ver. E eu, que sempre me assuatava com a música da velha debaixo da cama? Tenho que superar certos traumas:-)

2:18 PM  

Postar um comentário

<< Home