terça-feira, fevereiro 19, 2008

O Tutu Han Solo e seu co-piloto, Bolinha Chewbacca. Uma dupla de responsa!



A bolha estourada

O grande problema das metrópoles é a solidão. Bobagem. O problema de verdade com a cidade-grande é o número enorme de pessoas querendo se enturmar. É quase impossível curtir momentos de paz e introspecção sem que um desconhecido venha puxar assunto. E a coisa não fica só no pseudo bate-papo inocente: ainda somos importunados por pedintes e vendedores. Estes últimos, verdadeira praga urbana, também atacam por telefone, nos horários mais inconvenientes. Chorei de emoção ao assistir aquele filme do Will Smith em que ele está sozinho em Nova York, finalmente, livre da raça humana. Tola ilusão, só mesmo no cinema.

Enumerei algumas situações em que estamos vulneráveis ao ataque dos chatos. Por chato entenda uma pessoa entediante, e não os ácaros escrotais, por favor. A lista tem o duplo objetivo de reconhecer o campo de batalha e se possível, sugerir técnicas que nos permitam ignorar ou anular o ser perturbante. Aquí estão, que a sorte nunca o abandone.

Fila de banco – Local por excelência de proliferação dos chatos. Em geral, temos que conviver com estranhos por pelo menos duas horas, em pé, sem nada para fazer. Indefesos perante tão covarde ataque, os chatos aproveitam a deixa que só há um caixa para atender oitocentas pessoas e começa a conversa mole: - Que absurdo, só tem um caixa para atender a gente! Como se pode notar, o chato sabe contar e fazer relações entre volumes. Não teria dificuldades, portanto, para passar no vestibular da Creche da Tia Léia.

O objetivo do chato é liderar uma pequena revolução. Ele tentará recrutar simpatizantes – você! – para a sua causa. Se você responder, ele se sentirá encorajado e vai aumentar ainda mais o volume da voz. Talvez até inicie um bate-palmas. Você, como seu lugar-tenente, receberá todos os olhares. Terá muita sorte se a velhinha da frente também não adotá-lo como seu netinho. Mas não se preocupe que a coisa ainda vai piorar. O chato agora o considera seu melhor amigo e vai lhe dar dicas para gastar menos dinheiro com as contas. Pagando em dia e pela Internet, ele dirá. Pois é, pelo menos você não estaria ali ouvindo isso.

O que fazer? Suicídio não é opção, nem assassinato. Você tem compromissos para dali a poucas horas e prestar depoimentos na delegacia do bairro tomaria muito tempo. Minha sugestão: ignore. Ignore até mesmo se o chato lhe cutucar com os dedos – TODO chato fala cutucando. Se você não responder, o chato desiste e vai perturbar outro. Ou então, ande por aí com um fake I-pod. Basta colocar os fones brancos pendurados na orelha e ficar na sua. Outra dica possível é ler e desenhar na fila. E a melhor dica, é claro, é pagar suas contas em dia e pela Internet – já mencionei isso? Ir a um banco só mesmo para receber a Mega-Sena.

Andando na rua – Continue em movimento. Parado, você se torna alvo de chatos e encrenqueiros. Se possível, evite contato visual. Caso contrário, os chatos vão fisgá-lo com o olhar e caminhar reto em sua direção. Logo, irão entabular uma conversa-fiada sobre sua família faminta e congêneres. Antes de lhe pedir dinheiro, ele encherá seu saco com uma longa história, pedindo mil desculpas por estar lhe chateando. A melhor saída é tirar uma moeda do bolso, e entregá-la sem dizer nada. Poupará seu tempo e o do chato. Ou então, diga: -Que coincidência! Eu ia lhe pedir a mesma coisa! E invente uma história triste sobre toda sua família estar em coma, e lhe peça dinheiro antes! Resultado garantido. No entanto, a melhor dica ao sair na rua é usar óculos escuros tão opacos quanto os do Ray Charles.

Aquí também cabe a triste situação em que você se torna o chato. Acontece quando é absolutamente necessário que você peça uma informação a alguém. No Brasil a coisa funciona assim: você pede uma informação a um pacato transeunte, mas quem vai lhe responder é o cara do outro lado da rua, que estava ouvindo a conversa. Logo, estará estabelecido um diálogo nutrido a altos berros, tendo a clínica de aborto que você procurava como tema. Rapidamente, mais e mais pessoas estarão envolvidas, fazendo sua cara ficar vermelha como a bunda de um babuíno. Fuja discretamente, ninguém vai notar sua debandada. Não há dica para essa situação constrangedora. Apenas cuide para que a humilhação seja breve.

Estádio de futebol – Tal qual um bloco de carnaval, onde acontece de tudo, a melhor dica se você não quer ser perturbado é: o que diabos você foi fazer num estádio de futebol? Ou como vi escrito num estandarte de bloco em Olinda: Se Não Agüenta, Por Que Veio?

Eu costumo encarar o estádio como uma oportunidade antropológica de conviver com neanderthais. Pense nisso: que outra forma de interação permite estudar a raça humana em seu estado mais basal? Obviamente, descarto estar no meio das situações de pânico, onde cada um quer é salvar a própria pele – nada mais básico! Mas num estádio, em relativa segurança, as pessoas peidam e arrotam sem cerimônia, soltar urros e gritos ao verem uma fêmea passar, comem como diabos da Tasmânia e parecem não se incomodar com o cheiro de suor e testosterona vindo do vizinho. A única coisa que eu ainda não vi foi um cheirando a bunda do outro, mas não duvido que ocorra.

E mais: desconhecidos se abraçam como amigos de infância, soltam palavrões ao lado de criancinhas – SNAPQV? – mijam em qualquer lugar, vociferam a morte dos outros e por aí vai. Ou você embarca na onda ou fica na sua, sorrindo entre divertido e pasmo que por um puro capricho da natureza, compartilhe o genoma com aqueles macacos. Mas creia, é bem divertido. Impossível, portanto, passa por um estádio sem contatos de terceiro grau com humanos. Se você se sente solitário e quer algo mais, vá ao estádio e demore-se um pouco mais na revista: pode ser que pinte um clima entre você e o policial bonitão.

Sinal de trânsito – Nos países pobres, um sinal de trânsito é a oportunidade ideal para se armar um mercado instantâneo. Durante os poucos minutos de sinal fechado, dúzias de ambulantes oferecem seus produtos e ladainhas. Rio até romper as pregas do olho quando vejo os comerciais de carros na tv. O carro e o motorista são retratados como se um estivesse fundido com o outro, feito um centauro automotivo feito de aço, vidro, borracha e carne humana. A interação é mágica, a estrada é tranqüila e o som ambiente soa como o clarinete dos anjos. Mas na prática, não há um momento de paz. Quem acha que ao volante é o momento perfeito para se pensar na vida e relaxar, deixando a mente vagar, não pode deixar de ficar possesso com a interferência de pedintes, vendedores de morango, mocinhas com panfletos e é claro, simpáticos assaltantes numa moto.

Porém, se o seu caso for puxar assunto e se enturmar amistosamente no trânsito, experimente um teste: ande com a porta do carro ligeiramente aberta, sem estar totalmente travada. Não vai passar sete segundos sem que alguém em outro carro buzine para dizer que sua porta está aberta. E viva! Você fez mais um amiguinho.

8 Comments:

Blogger Tarso Bessa said...

HEhehe... Ri bastante.

Sabe, no mundo Árabe tem muito chato, desses que não gostam de cartoon de maomé, não os ácaros.

Quando um chato se aproxima na fila de banco Árabe, um sujeito abre o seu casacão, mostra as dinamites e estoura.

7:52 PM  
Blogger Hemeterio said...

Tarso, nós tamos fudidos. o islã tá na idade média deles. Pelo calendario, eles estao em 1400etanto da hégira. Ja os cristaos ( erc!) estao descambando pruma nova onda de obscurantismo.

"Vamos tomar o poder antes que algum aventureiro o faça"!

8:11 AM  
Blogger Marx said...

Hemet..comentar o seu blog nos torna chatos??? Fiquei com essa dúvida pairando no ar!!!
Espero piamente que não!
Mas aproveitando e sendo um pouco chato...hehehehe...tenho que lembrar de um típico chato que é aquele cara, amigo seu, que quer porque quer, que você compre Herbalife dele, ou que vá pra uma reunião dos herbalifeanos de plantão na sua cidade...ninguém merece!

11:39 AM  
Blogger Hemeterio said...

Haron, relax, a presença e os comentários de vocês depois do meu post são um cigarrinho depois do coito, uma rapadurinha depois do café, um arco-íris depois da chuva, uma rede depois do almoço. Voltem sempre, viu?

1:56 PM  
Blogger Edge said...

H por falar nisso, tem um negócio que eu te proponho. produtos de uma empresa multinacional que dá lucros inimaginaveis pra gente, eu mesmo conheco um cara que conhece um vizinho de um "vendedor diamante" da empresa. chama-se AmWay, ja ouviu falar? podemos fazer uma reuniao na sua casa.
lembre-se: nao é piramide como os mal informados falam, é sim "multinivel".

ah, e levo também um amigo meu testemunha de jeova pra conversarmos depois
:-)

4:39 AM  
Blogger Hemeterio said...

Edge, taí, esqueci deles! De fato, se o sujeito está solitário e quer alguém pra conversar, digamos, às 8 da manhã do domingo, DESPERTAI!

12:26 PM  
Anonymous Galuíza said...

H! E os chatos do msn? Aqueles que te importunam mesmo quando você coloca ocupado e até mesmo ausente?
E os que se metem na sua conversa na rua? Dão palpite e se duvidar ainda discutem sobre uma conversa que nem deles era? Que fazer com eles?
heheh. Massa teu blog!

12:00 PM  
Blogger Hemeterio said...

Galuíza, esse chatos são como cachorrinhos assustados, pedindo atenção e carinho. Retribua com carne envenenada e se o preço do baratox estover caro, coloque vidro triturado.

Oh, que tristes tempos esses, quando ninguém pode curtir o isolamento de seu claustro!

Brigado pela visita, viu? Volte sempre menina!

12:23 PM  

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