quarta-feira, abril 02, 2008

Outra página das HQs institucionais pro banco. Haja chapa branca!



Ginastas gregos

Como assim, ele morreu? Surpreso, o rei Herald II ficou visivelmente decepcionado com a notícia. Acontece que seu maior inimigo, capturado há poucos dias, veio a falecer devido às inúmeras torturas. O objetivo do rei era se divertir à custa do pobre infeliz por algumas semanas, até que recomeçasse a temporada das Justas. Agora, sem nada para fazer, o rei convocara o Conselho para tomar satisfações.

E foi um festival de acusações. Sobrou até para o bobo-da-corte, que foi demitido e mandado de volta para sua aldeia natal - como estivesse um tanto obeso, enviaram o bobo em duas carruagens: uma seguiu na quinta-feira e a outra, no domingo. Depois de muita discussão, recaiu sobre os ombros de Sigmund, o encarregado dos calabouços do castelo, a incumbência de averiguar o que havia dado de errado.

Sigmund debruçou-se sobre a papirada das masmorras e descobriu que de fato, uma quantidade enorme de presos morria antes de completarem as confissões. Isso era ruim para os negócios, pois muita informação valiosa se perdia. Além disso, a polícia real se sentia desprestigiada, já que era consenso na época que o preso deveria durar pelo menos, tanto tempo quanto o que se gastara em sua captura.

Sem falar no desgaste da aparelhagem do poço de torturas. Sigmund notara que o reino importara dos francos duas guilhotinas a mais que no breve reinado de Herald I, o tolerante. No manual do fabricante da guilhotina, a garantia era de 1.000 elevações sem que se perdesse o fio. Quanto ao gasto de chicotes, pregos e fiapos de bambu nem era bom falar. Sigmund decidiu fazer uma reengenharia no calabouço.

Foi assim que Og, o chefe dos carcereiros, recebeu o pergaminho com as novas normas. Og convocou seus ajudantes para uma reunião e repassou os dados. Apesar do pergaminho permanecer de cabeça para baixo durante metade do encontro, testemunhas disseram que a reunião fora de fato, proveitosa. Dava para sentir no ar o entusiamo da equipe. Até foi permitido aos presos opinar – isto é, para aqueles que ainda conservavam a língua intacta.

Og elaborou um calendário de torturas. Durante a semana, os presos revezavam o uso dos equipamentos, de forma que nenhum deles repetisse a série. A grande revolução veio com a contratação de ginastas gregos, que administravam aulas de relaxamento entre as sessões de espancamento. O ganho em produtividade foi excelente. Muitos presos que entregavam os pontos logo no primeiro dia permaneciam meses a fio à disposição dos interrogatórios. Agora, a sevícia tornou-se uma forma de arte delicada, como atrofiar bonsais.

O resultado da reforma se refletiu no sorriso do rei Hearld II. Só depois de exaurir todo o entretenimento que um preso poderia fornecer, é que o rei permitia o seu enventramento - não sem antes armar o palco na principal praça da cidade. O reino passou a atrair os melhores mestres no assunto, que vinham de toda a Europa, Ásia e Oriente Médio para competir por uma vaga nos calabouços – agora a masmorra real tinha um plano de carreira e salários. Isso é que é progresso!

2 Comments:

Blogger El hombre maíz said...

Fala aí, grande Hemetério! recebi sua carta com o Hemetimes, cara. Putz, tu é sinistro! To pensando em contratar você e o carinha do Refluxo Gástrico (um blog legal, depois procura) e montar um grupo de humor, íamos barrar o Casseta e Planeta.

valeu, vou ver se na próxima visita eu dou uma nova passada pelo Ceará, terra de lembranças boas, como aquela loira gostosa que saía com a gente.

Abração

5:58 PM  
Blogger Hemeterio said...

Cara, não há um só dia em que eu não pense em dominar o mundo. Mas o C&P tem uma vantagem: eles escrevem e atuam também - como Monty Phyton, que me perdoem a heresia.

A gente tem que marcar uns ensaios pra ver se a gente manja de pantonima. Mas sem viadagem, apesar de estarmos no teatro...

5:57 PM  

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