segunda-feira, abril 28, 2008

Párias que somos. Desenho pro livro do Alexandre Aires.



Conclusões a que cheguei

I

É constrangedor fazer parte da raça humana. Vocês poluem e depredam o planeta, arremessam as próprias crias de janelas de apartamentos e inundam a web com apologia criacionista. Não quero fazer parte da raça humana, mas como negar que de fato, tenho orelha de gente, mãos de gente e rabo de gente? Simples. Assim como as pessoas vestiriam um escafandro para explorar as regiões abissais, eu tomo a forma de um reles humano para poder conviver com sua espécie aqui embaixo. Quando eu cumprir minha pena, reassumirei minha forma original, um ormux de Júpiter e darei adeus a esse disfarce idiota.

II

Todo o entretenimento humano é feito por outros humanos (literatura, cinema, teatro, futebol, execuções públicas, sexo). O eterno reciclar das mesmas atitudes e coisas, século por século, me faz pensar que no fundo a gente vive num aquário: uma idéia expelida por alguém vai necessariamente ser engolida por outra e assim indefinidamente, já que não tem quem troque a água. Daí, o único passatempo verdadeiramente original e imune da interferência humana é o pôr-do-sol. Tenho 37 anos e seguramente, nunca vi dois entardeceres iguais. Isso é mais do que eu poderia pedir, não?

III

Este corpo é um retalho feito de células velhas. A gravidade teima em nos colocar no nosso devido lugar e um simples torcicolo faz lembrar que viver dói. Além disso, há a fome, a peste e a guerra - e as várias angústias, aflições e tormentos. Na verdade, o verdadeiro prazer não é um orgasmo de vinte minutos: o verdadeiro prazer é simplesmente, a ausência da dor.

IIII

Cada suicida é um filantropo, que libera espaço pros outros viverem. Como há gente demais no mundo, chegará a hora em que suicídios em massa tomarão conta das encostas e abismos de todo o planeta, e os humanos em queda livre serão como lemingues, se atirando dos penhascos em direção ao mar. É por essas e outras que eu só ando com minha bóia de isopor.

IIIII

A humanidade, graças a Deus, será extinta por algum imbecil que tropeçará num cabo de força. Só espero que a próxima espécie a dominar o planeta, as joaninhas, nunca desenvolvam uma tecnologia. As ferramentas só fizeram a humanidade sofrer. Seria muito irônico se numa guerra mundial entre joaninhas e mosquitos da dengue, um dos lados desenvolvesse uma arma de destruição em massa baseada em... inseticida.

4 Comments:

Blogger Marco said...

Qualquer comentário pessimista quanto à raça humana perde o brilho ante a história cabeluda que nos vem da Áustria.

1:03 PM  
Blogger Edge said...

ainda bem que o brasil é o país do futuro! :)

6:29 PM  
Blogger Marx said...

Hemet...mesmo assim ainda tem gente que se diverte apesar das adversidades!
Estava lendo ontem os casos bizarros que acontecem nesse mundão e achei esse fantástico - http://noticias.terra.com.br/popular/interna/0,,OI2855362-EI1141,00.html

Só queria saber se ele foi preso pelo fato da bebedeira ou por não estar com a carteira :)

P.S. Esse orgasmo de 20 min é usando algum método tântrico???

5:23 AM  
Blogger Hemeterio said...

Marco, "Nada do que é humano me é estranho".

Edge, o Brasil é o país do faturo, como diz o Millôr.

Marx, ele gostou daquele filme do Pacino, Perfume De Mulher, e resolveu testar. Nunca tive um orgasmo de 20min. Os meus duram dois segundos, depois desligo o computador e vou dormir.

6:04 AM  

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