quinta-feira, agosto 28, 2008

Convite pro aníver do JP, cujo tema da festa, adivinhem, é uma fazendinha.


O futuro... adeus, pertences!

Todos os anos, minha patota organiza um bolão do Oscar. Entramos com uma cota em dinheiro e aquele que acertar mais categorias, leva o rateio completo. Veja que não é um concurso sobre cinefilia, já que a gente não vota necessariamente no que gosta, mas no que vai ganhar. Tentamos adivinhar o pensamento dos velhotes da Academia, pois ninguém enviou pra gente uma fichinha oficial para votar. Portanto, há uma diferença fundamental entre gostar de um filme qualquer e saber que o outro vai ganhar.
Entendido?
Pois bem, torço pro Obama, mas o McCain vai ganhar. O mundo ganharia com a vitória do jovem senador. Seriam oito anos de prosperidade, pois sem dúvida, ele seria reeleito. Mas a eleição do Obama só seria realidade se as pessoas agissem sob a presunção da coisa certa. Funciona assim: eu sei que é errado se empanturrar de fast-food, mas mesmo assim, continuo fazendo. Por que essa súbita clarividência da verdade não é suficiente para que se mude de atitude? Os soldados sabem que matar e morrer é uma merda, bastaria que nenhum dos lados apertassem gatilhos nenhum, mas....a realidade é mais complicada. A coisa certa é eleger Obama. Mas os americanos não irão dar esse passo definitivo na história. Pelo menos não esse ano.
O próprio fato do mundo querer que o Obama seja eleito, pode ser um fator para que o eleitor americano e seus delegados votem contra. Uma atitude típica do jardim da infância, mas o que é a América, senão a pátria onde os bebês tomaram a creche?
Fato consumado, a coisa vai piorar.
John McCain está velho e tecnicamente morto. Tal qual o nosso Tancredo Neves, ele é mantido vivo à base de extratos egípcios, usados na conservação das múmias. Tão logo ele tome posse, ou no máximo, dois anos depois, os extratos perdem a validade e o presidente McCain vira pó instantâneamente, como os vilões nazistas dos filmes de Indiana Jones.
Aí, o que era ruim se tornará catastrófico: a vice assume. Nada contra as mulheres, mas tudo contra a retrógrada e caipiríssima vice. Sarah Pallin, a futura presidente, tem a visão do estadista comparável a de Ronaldo Caiado. A governadora do Alaska tem valores arraigados e tão anacrônicos que fariam a TFP parecer a trupe modernista de 1922. Ou seja: tamos fudidos!
Curiosamente, o enredo dessa eleição caminha a largas passadas de ganso para a série de tv Comandante-em-Chefe, estrelado pela Geena Davis. Na ficção, o candidato a presidente é um velhote sem carisma que escolhe uma vice mulher, bem mais nova e desconhecida do povão. Mas ele morre e a vice assume, tendo contra si mil intrigas, motivadas pela inveja e o descontentamento das cobras de Washington. Ficção? Sei. Pra mim foi premonição.
Pois era só isso. Boa sorte à presidente Pallin, que ela descubra uma sabedoria que nem sequer sabia possuir, e que o cenário mundial nos ajude a todos. Quicá, o mundo não seja um local muito mais agitado e perigoso em 2011.