quarta-feira, janeiro 30, 2008

Desenho para a nova cartilha da Funceme, sobre o aquecimento global e mudanças climáticas.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Quase que me phodo, com ph maiúsculo.

Eis o aspecto de uma batata e um tupperware depois de 10 minutos num microondas. Eu só iria sair pra almoçar dali a algumas horas, e como estava com fome, procurei algo na geladeira para preparar rapidamente. Como de praxe, a geladeira estava num vácuo quase tão perfeito que seria o orgulho de Lord Kelvin. A úncia coisa comestível era uma batata de tamanho médio, que sobrara do almoço anterior.



Coloquei o tubérculo no forno e disparei 10 minutos de potência alta. Fui pro cumputer esperar e esqueci do tempo. Só fui lembrar da porra da batata quando o cheiro inconfundível de carbono queimando me alertou. Corri para a cozinha e pude surpreender a batata em chamas, rodopiando solitária no pratinho do microondas. Desliguei a tomada e joguei alguns copos d´água no forno, na esperança de conter o princípio de princípio de incêncio.

No fim deu tudo certo, e consegui limpar tudo. Só não comprem um forno de microondas de segunda mão de mim, ok? Aviso porque vocês são chapas. Tirei uma foto da presepada para o museu do Prêmio Darwin, que talvez me conceda uma medalha de melhor tentativa involuntária de dar cabo da própria vida - e a de todos no prédio. Peace.

quinta-feira, janeiro 24, 2008




Estou ficando velho:
dez indícios que provam minhas suspeitas.


10- Eu repondo ao boa noite do William Bonner e da Fátima Bernardes. Ah, sei lá, me parece falta de educação não desejar uma boa noite ao casal também. Além disso, como não tem ninguém em casa, de vez em quando falo alguma coisa só pra ouvir o som de voz humana. Mas é tão esquisito falar sozinho que rapidamente me calo, e vou pro computer que é melhor.


09- Saio pra beber todo sábado pela manhã. Jovem sai à noite pra caçar. Jovem bebe pra zoar na madrugada. Beber de manhã é coisa de velhote, que não agüenta ficar em casa ao lado da esposa chata, lendo jornal e reclamando do Lula.


08- Uso sandálias com meias. Sandálias de velcro, o que é pior.


07- Não compro roupas novas há três anos, e pareço não me importar. Basicamente, tenho 15 mudas de roupas, e apenas duas calças. O suficiente para passar 15 dias sem maiores vexames - até que a dona Zéti venha na sexta e limpe tudo de novo.


06- Quando a gente fala que fulando mandou um e-mail, é comum que se tamborilem os dedos no ar, como se estivessem teclando num computador invisível, não? Pois bem, quando me refiro a vídeo games, finjo manejar um joystick imagínário - daqueles do Atari, parecido com um manche, manja? Isso denuncia minha idade provecta, sem dúvida. Na verdade, o que se constata é que estou apenas por fora do ramo, já que a indústria não usa joysticks há décadas. O novo paradigma é o game pad do PlayStation - que se joga como se segura um sanduíche, mas com os polegares pra cima. Coroa desatualizado! E é porque ainda não falei do Wii!

05- Cortei a Coca-Cola. Chuinf!

04- Tenho vasos com plantas e mudas na varandinha do ap. Mas ainda não tenho um gato, pela hóstia. Menos, né?

03- Apesar de estar relativamente por dentro das novas bandas, como Franz Ferdinand, The White Stripes e The Killers, quando lembro de alguma "banda nova" o que vêm à cabeça ainda é Oasis e Blur, que já têm ambos uns bons 15 anos. E quem falar mal do U2 leva uma bifa.

02- Eu leio a Veja! Ok, ok, eu mereço, podem mandar cartas de desagravo. Mas é por causa do Millôr, viu?

01- uma mulher de 30 pra mim ainda é gatinha. Aliás, falando nisso, não vou fazer nada sexta à noite. Me liga, baby, talvez tenhamos mais coisas em comum que o mesmo geriatra.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Agora o Coringa tirou um sorriso do meu rosto.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Retrato feito com pontinhos. Tenho que ser meio japonês nessas horas.




A teoria do bolo de amor

O Arthur acabou de fazer 1 aninho. Ele é o primeiro filho do meu irmão, o que lhe confere o status de ser também: o primeiro sobrinho, neto e bisneto da família toda. É muita responsabilidade. Ao ser o centro das atenções, o Tutu recebe carinho e incentivo de todos nós, o que é natural, mas e a contrapartida? Como ele administra o amor que eventualmente sente por nós?

Supondo que o amor dele seja um bolo, o Tutu deve oferecer 90% dele para a mãe. O pai, coitado, se contenta com 5% e nós, o resto - leia-se o mundo todo, inclusive a África e a pediatra dele -; tem que mendigar e dar-se por satisfeito em disputar a tapa as migalhas. Acontece que não é bem assim que a coisa funciona. Na verdade, a quantidade de amor do Tutu é infinita. O mesmo acontece conosco. Ao gostar de alguém, a gente não remaneja o carinho disponível, tirando de um para dar pro outro, como uma rede de adutoras que distribuísse a água dos açudes. O que acontece é que para cada pessoa, o Tutu oferece a sua versão do bolo.

A mãe dele deve receber um bolo gigantesco, daqueles que uma stripper poderia sair de dentro. O pai recebe seu quinhão na forma de um super bolo de casamento, decorado com as cores do Fortaleza. A partir daí, os outros bolos assumem formas variadas, desde um singelo bolo de padaria até uma torta de várias camadas de chocolate, daquelas que a gente acha em casas de chá chiques.

Modestamente, acho que o bolo destinado a mim se parece com uma massa disforme de recheio e creme, cuja forma improvisada foi a tijelinha do cachorro. Para não dizer que o bolo é feio, o Tutu deve ter confeitado com alguns MMs que caíram do chão e tinham que ser aproveitados de alguma forma. Como ele sabe que eu não ligo, achou que ficariam bem. Eu gostei, se foi o Tutu que fez eu quero.

Evidentemente, o tempo deve fazer com que nossos bolos se sofistiquem. Espero ser promovido, e que da próxima vez, o Tutu pelo menos lave a tijelinha do cachorro antes de usá-la.

Feliz Aniversário, Arthur!

terça-feira, janeiro 15, 2008

Outro desenho pra EDISCA. Maria da Penha nele!



Livre pensar é só pensar
Como dirá o Millôr


Eu tenho muito tempo livre: dirijo pra todo canto e pego muito ônibus. Mas é um erro achar que esse tempo, necessariamente, é usado para algo produtivo, como bolar uma noveleta. Na maioria das vezes, o cérebro fica preso num loop que envolve uma canção grudenta, pode reparar. E no restante do tempo, a visão é distraída por uma saia apertada, um decote bandeiroso ou um fusca estacionado na calçada, tão imundo que alguém escreveu "quem dera minha esposa fosse tão suja" no parabrisa.

Assim, de onde vêm as idéias? Sou partidário da assertiva que outorga apenas 10% do mérito de uma bela sacada à inspiração. O trabalho duro é que seria o responsável pelos 95% seguintes, e uma boa educação, sobretudo matemática, entraria com os 5% restantes. Este texto é um bom exemplo. Eu tinha uma vaga noção do que escrever. Na verdade, apenas a imagem de mim mesmo num busão, pensando na vida, estava formada. O resto teria que ser preenchido ao correr da pena, como os sulcos do arado numa campina.

Outro bom exemplo para descobrir de onde saem as sacadinhas é a criação de cartuns. Agora mesmo estou fazendo uma série deles, o que me obriga a pensar, repetidamente, sobre um só tema. Digamos que esse tema seja a criação de minhocas. A partir do mote, começo a pensar sobre algo potencialmente engraçado. Vejamos se a gente consegue bolar um cartum agora mesmo. Hum... minhocas. Digamos que uma minhoca gigante estivesse procurando humanos como iscas de pesca. Viu? Fraquinho, mas se eu precisasse entregar o desenho pro jornal daqui a uma hora, meu dia estaria salvo.

Se eu não me impusesse um tema e um prazo, essa idéia das minhocas nunca existira. Uma Idéia não nasce por geração espontânea. Se não evocada, trabalhada a fórceps e buril, ela estaria agora no Limbo Das Boas Intenções Que Nunca Vingaram - que é onde estão, inclusive, todos os pirralhos nascidos da solidão de Adão. Ou algo assim, me perdi do tema.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Trechindo de um desenho para o NUTEC, o Núcleo de Tecnologia da UFC. UFC vem a ser Universidade Federal do Ceará, e Ceará, pra quem não sabe, significa: Cuidado, Este Ano Raimundo Avoa. Não tenho a mínima idéia do que significa, meu avô que contava isso e eu morria de medo.




Cabedal de conhecimento

Pois é, como eu ia dizendo, tive uma cíclope mês passado mas agora tá tudo bem. Cíclope? Não seria uma síncope? Não, não, uma síncope é quando uma coisa acontece ao mesmo tempo que outra, daí a gente diz que está tudo sinconizado, percebe? Ah, bom, ok, e então? Bom, então tive que ir a uma clínica, e falei com a atendente que possivelmente estava sofrendo de hipertesão. O estranho é que a mulher ficou ofendida, ora, a gente escolhe doença? Depois de muita conversa, eu já com a mão no pleito, fui colocado numa marca no corredor. Mas você não disse que não foi nada de mais? É, mas com saúde não se trinca.

E teu pai, voltou da viagem? Não, o velho ainda tá nas Barrancas. Onde é isso, Mato-Grosso? Não, Caribe. Ah, sei, perto das Lentilhas! Isso, por aí. Por que você não foi? Tenho compromissos inaudíveis, sou um sujeito ocupado, você sabe. E nas férias? Quem sabe? Até lá o patrão vai dar um tônus pra gente, se der eu vou. É verdade que teu filho passou no Vestibular? Não, passou no Vestibuaqui mesmo. Ainda bem, viajar pra quê, se a gente tem tudo aqui? Pois não é? E qual foi o curso? Economia Doméstica. Ele vai aprender a comprar móveis mais baratos? Não, isso é Arquitetura.

Vem cá, tu já ouviu falar de cachorro com patente? Não nunca, onde tu viu isso? Bom, minha mulher vive me chamando de cachorro sargento, deve ser um cachorrão valente, hein? Sei não, mas seu tu gosta, não vou me meter. Pior é a minha, que me chama de Príapo. Príapo? Não é aquele general grego da vitória de Príapo? Não, esse foi o Napoleão. Napoleão Bonamigo, técnico do Botafogo. Ah, sim, claro, essa minha cachalote me prega cada peça. Falando nisso, tem ido ao estádio? Não, desde que começaram a falar sobre a aprovação da penalidade de morte eu nunca fui. Já pensou, matarem o pobre zagueiro por causa de uma faltinha à toa? Realmente, é algo que não dá pra conceber, é inconsecutível. Taí, tirou as palavras da minha boca.


sexta-feira, janeiro 11, 2008

Outro desenho para a EDISCA.

Quem estiver ao ar livre hoje e se o tempo permitir, que tal dar uma olhada na lua? Ela está na fase crescente, bem parecida com a que aparece no desenho. E onde ela vai estar? É só olhar na direção do pôr-do-sol, e achar a foice islâmica.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Desenho feito para a EDISCA, uma escola de dança que mantém um interessante trabalho social em Fortaleza.

sábado, janeiro 05, 2008

Acrilic on canvas

Retrato do meu amigo Olinto Gadelha, feito agora em janeiro. Tô gostando desse estilo de pincelada, meio Picasso, meio Paul Klee, meio Chuck Close. Como se vê, minhas influências somadas chegam a 150% da inspiração. Obviamente algum desses salafrários mente.

A tela mede 50x70cm, e só usei cinco tubos de cores: amarelo, azul, vermelho, preto e branco. Todas as cores que aparecem na pintura ou foram feitas misturando as tintas ou por fusão óptica.

Sabe qual foi minha grande inovação para a história da pintura? Agora tô assinando as telas com marcador permanente de CD, que funciona maravilhosamente bem sobre a tinta acrílica seca. Nunca consegui assinar direito com um pincel, sei lá, não ficava parecido. De nada, de nada.





ECT e etc...


Os funcionários dos Correios são discretos e profissionais. Uma vez, mandei uma cartinha pro Papai Noel. Eu já era um marmanjo, é que o lançamento do meu livro de desenhos era próximo do natal e resolvi fazer uma brincadeira, mandando um convite também para o bom velhinho.

Escrevi assim: para o Papai Noel, Lapônia, Finlândia. Cheguei à agência dos Correios e a funcionária só fez olhar pra carta e perguntar pro colega ao lado qual a tarifa pra Europa. Paguei uns quatro reais e a carta foi aceita. Numa boa.

Mas outro dia aconteceu o seguinte, coincidentemente, perto do natal também.

Fui enviar um cartão de natal e resolvi comprar uns selos. Não sou filatelista, mas gosto do aspecto gráfico dos selos e tenho sempre alguns de prontidão, caso precise mandar uma carta ou algo assim. Perguntei ao funcionário quais as estampas que ele tinha disponíveis, pois queria levar alguns selos diferentes.

Ele me mostrou uma cartela cheia de selos com motivos natalinos. Daria pra ser menos óbvio? Eu falei que não, obrigado, não queria nada de natal. Daí aconteceu o seguinte diálogo, uma pérola de enxerimento:

- O senhor não gosta do natal?
- É que minha religião não permite.
- E qual é a sua religião?
- A minha religião não permite que eu diga qual é a minha religião.
- Ah.

É bom estar de volta!!