
A esfera de tungstênio
Não tenho acesso ao Google de onde estou escrevendo essas mal troçadas linhas. Assim, não tenho como conferir a fonte da citação, então tomem por verdade ou procurem por si mesmos. Bom, mas eu ia falar de Ló. Deus, em sua costumeira sanha destrutiva, queria arrasar a cidade onde vivia Ló porque lá só havia putas e flamenguistas.
Ló, com a paciência de Jó, argumentou com Deus que se, digamos, vá lá, numa possibilidade rasteira, existissem cem pessoas de bem na cidade, Ele a pouparia? Deus ponderou e disse que sim, de fato, se houvesse cem pessoas que seguissem a Minha Lei Eu pouparia a cidade. Ló, contente por estar ganhando uma barganha com um judeu, continuou.
TP, digamos que não fossem cem, mas dez sujeitos bacanas na cidade. Você a pouparia? Sim, respondeu Deus, dez justos aplacariam a minha ira. E se fosse apenas um cara? Bom, então por causa dessa única alma boa, todos estariam salvos. E Deus não destruiu a cidade, mas já que ali perto estavam Sodoma e Gomorra…
Esse preâmbulo é só para dizer que existem invenções bacanas, úteis e divertidas que livrariam a cara da humanidade, se a gente tivesse que ser julgado apenas pelo motor a Diesel, pela bomba H ou pela cruz.
A caneta BIC, por exemplo.
Considero a revolução das canetas descartáveis mais importante que a invenção dos tipos móveis. De fato, a possibilidade de escrever em todo lugar, sem complicação ou sujeira, na palma da mão ou na moleskine, empurrou as fronteiras dos vestígios humanos na Terra.
Dos rabiscos das cavernas e risquinhos em placas de argila mole, chegamos às pichações de porta de banheiro, assinaturas no gesso, notas zero no boletim, garatujas nos tênis All-Star, cadernos de contas dos traficantes, desejos de boa sorte em notas de um real, caligrafias suaves dos diários de mocinhas e finalmente, como numa obra-prima de confirmação do quanto a BIC chegou às massas; a caderneta de fiado do boteco!
Só faltava chegar às galerias. Pois chegou. Esse cara empurrou o patamar dos rabiscos com BIC ao status de obras de arte. Eu, que antes de usar um lápis já usava BIC, fiquei emocionado no quanto a canetinha de cristal pode mostrar seu valor, nas mãos certas.

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