Párias que somos. Desenho pro livro do Alexandre Aires.

Conclusões a que cheguei
I
É constrangedor fazer parte da raça humana. Vocês poluem e depredam o planeta, arremessam as próprias crias de janelas de apartamentos e inundam a web com apologia criacionista. Não quero fazer parte da raça humana, mas como negar que de fato, tenho orelha de gente, mãos de gente e rabo de gente? Simples. Assim como as pessoas vestiriam um escafandro para explorar as regiões abissais, eu tomo a forma de um reles humano para poder conviver com sua espécie aqui embaixo. Quando eu cumprir minha pena, reassumirei minha forma original, um ormux de Júpiter e darei adeus a esse disfarce idiota.
II
Todo o entretenimento humano é feito por outros humanos (literatura, cinema, teatro, futebol, execuções públicas, sexo). O eterno reciclar das mesmas atitudes e coisas, século por século, me faz pensar que no fundo a gente vive num aquário: uma idéia expelida por alguém vai necessariamente ser engolida por outra e assim indefinidamente, já que não tem quem troque a água. Daí, o único passatempo verdadeiramente original e imune da interferência humana é o pôr-do-sol. Tenho 37 anos e seguramente, nunca vi dois entardeceres iguais. Isso é mais do que eu poderia pedir, não?
III
Este corpo é um retalho feito de células velhas. A gravidade teima em nos colocar no nosso devido lugar e um simples torcicolo faz lembrar que viver dói. Além disso, há a fome, a peste e a guerra - e as várias angústias, aflições e tormentos. Na verdade, o verdadeiro prazer não é um orgasmo de vinte minutos: o verdadeiro prazer é simplesmente, a ausência da dor.
IIII
Cada suicida é um filantropo, que libera espaço pros outros viverem. Como há gente demais no mundo, chegará a hora em que suicídios em massa tomarão conta das encostas e abismos de todo o planeta, e os humanos em queda livre serão como lemingues, se atirando dos penhascos em direção ao mar. É por essas e outras que eu só ando com minha bóia de isopor.
IIIII
A humanidade, graças a Deus, será extinta por algum imbecil que tropeçará num cabo de força. Só espero que a próxima espécie a dominar o planeta, as joaninhas, nunca desenvolvam uma tecnologia. As ferramentas só fizeram a humanidade sofrer. Seria muito irônico se numa guerra mundial entre joaninhas e mosquitos da dengue, um dos lados desenvolvesse uma arma de destruição em massa baseada em... inseticida.

Conclusões a que cheguei
I
É constrangedor fazer parte da raça humana. Vocês poluem e depredam o planeta, arremessam as próprias crias de janelas de apartamentos e inundam a web com apologia criacionista. Não quero fazer parte da raça humana, mas como negar que de fato, tenho orelha de gente, mãos de gente e rabo de gente? Simples. Assim como as pessoas vestiriam um escafandro para explorar as regiões abissais, eu tomo a forma de um reles humano para poder conviver com sua espécie aqui embaixo. Quando eu cumprir minha pena, reassumirei minha forma original, um ormux de Júpiter e darei adeus a esse disfarce idiota.
II
Todo o entretenimento humano é feito por outros humanos (literatura, cinema, teatro, futebol, execuções públicas, sexo). O eterno reciclar das mesmas atitudes e coisas, século por século, me faz pensar que no fundo a gente vive num aquário: uma idéia expelida por alguém vai necessariamente ser engolida por outra e assim indefinidamente, já que não tem quem troque a água. Daí, o único passatempo verdadeiramente original e imune da interferência humana é o pôr-do-sol. Tenho 37 anos e seguramente, nunca vi dois entardeceres iguais. Isso é mais do que eu poderia pedir, não?
III
Este corpo é um retalho feito de células velhas. A gravidade teima em nos colocar no nosso devido lugar e um simples torcicolo faz lembrar que viver dói. Além disso, há a fome, a peste e a guerra - e as várias angústias, aflições e tormentos. Na verdade, o verdadeiro prazer não é um orgasmo de vinte minutos: o verdadeiro prazer é simplesmente, a ausência da dor.
IIII
Cada suicida é um filantropo, que libera espaço pros outros viverem. Como há gente demais no mundo, chegará a hora em que suicídios em massa tomarão conta das encostas e abismos de todo o planeta, e os humanos em queda livre serão como lemingues, se atirando dos penhascos em direção ao mar. É por essas e outras que eu só ando com minha bóia de isopor.
IIIII
A humanidade, graças a Deus, será extinta por algum imbecil que tropeçará num cabo de força. Só espero que a próxima espécie a dominar o planeta, as joaninhas, nunca desenvolvam uma tecnologia. As ferramentas só fizeram a humanidade sofrer. Seria muito irônico se numa guerra mundial entre joaninhas e mosquitos da dengue, um dos lados desenvolvesse uma arma de destruição em massa baseada em... inseticida.












