segunda-feira, junho 29, 2009

O doido da rua

Vocês devem se lembrar dessa passagem do filme Mary Poppins. Em frente à casa da babá que mascava cogumelos no chá da tarde, havia a mansão de um veterano de guerra que tinha em seu telhado, uma réplica de um convés de navio. Ele instalara mastros, balaustradas, timão e... um canhão. O velho maluco disparava o canhão de hora em hora, como um Big Ben flatulento.

Eu queria ser esse velho doido. Eu sempre quis ter sabe o quê? Uma buzina para nevoeiros! Algo discreto assim:

Trombeta

Ninguém ia entender nada. Eu poderia colocar a trombeta no topo do meu prédio e controlá-la remotamente. Tarde da noite, anunciaria aos meus vizinhos e aos municípios próximos que sua reverendíssima estaria indo se recolher - tipo às três da manhã, não importa. Ao acordar, outro estardalhante soar da buzina. Minha atitude errática causaria aflições e ansiedades. Pelo menos duas vezes por dia, sem aviso, a tuba do inferno poderia se fazer ouvir estrondosa, assustando a todos e gerando um coro de gritinhos agudos e estalidos de pratos quebrando. Presumo que nem sequer o Apocalipse seria anunciado de forma tão pouco discreta. As pessoas mesmo ficariam aliviadas com a chegada do Apocalipse, pois as trombetas dos anjos só tocariam uma vez, e nunca mais.

ARQUITETURAIS

O fim de semana foi bem legal. Passeios arquitetônicos megaculturais, bebedeiras pandêmicas e orgias com putas caras. Ok, um desses três é mentira, deixarei o suspense no ar. Mas vejam essas duas fotos:


Laje nervurada! Por que escondê-las? Quando for feito o acabamento final, esse sensacional padrão em colméia será ocultado pelo forro de gesso. Mas com os diabos! Não dá pra incorporar no projeto a beleza da forma pura arquitetetural, junto com uma disposição mais inteligente - e econômica - dos eletrodutos e cabeamentos?


Vocês não detestam legendas óbvias? Certos portais de notícias escreveriam o seguinte: Lua aparece sobre prédio na região da Aldeota. Pois é. Meu texto seria melhor, olha só: Tribunal superfaturado custou o mesmo que sete Projetos Apollo, que levou o homem à Lua. Foto-denúncia é isso aí.

quinta-feira, junho 25, 2009

Liquidificador

Bate-papo com a Karine Alexandrino, para seu programa Liquidificador da TV União. O convite veio também para outros três desenhistas cearenses, e foi muito divertido participar. De quebra, um jabazinho: fiz meu comercial sobre o Chibata!, lógico.

O programa foi ao ar quarta feira, dia 24 de junho de 2009.

Aqui a primeira parte...



...e a segunda.

quarta-feira, junho 24, 2009

Pornografia panfletária



Pensei putaria, porém, perdeu-se porta para publicidade. Patavivas! Peguei potranca pujante, peitos pálidos, pés pequenos, pernas perfeitas! Pau pelo período! Porra, puta passou parada perigosa! Perdi parte prepúcio! Pensei perder potência... Passei por pontes, pilastras, plantações, pantanais. Pan prevaleceu. Papei piranha por ponto, precisamente! Parti pra portentosa Paulinha, preciosa pelega perto Pelotas. Pegação! Partiu-se pau, pense puta pesada! Pontos, parafusos, pregos: pau pronto! Puxa! Por pouco! Peguei piroga Pará, passei por Pernambuco, perdi peso Paraíba, pernoitei Paraná. Passando Paranaguá, piroca pede puta. Procurei puteiro por perto. Pencas pervertidas! Paguei peguete pequenininha, pomba pelas pampas! Pintou polícia! Puta ppubescente, pensei pouco! Putz! Peguei pena paralela, pentear pantera picadeiro. Passou-se. Poderia passar pacífico, porém, pica pouco prudente. Procurei portanto, priquito por prestação. Parei perto praça, percebi putinha parada. Passei-lhe pomba! Palhaçada! Pensei pupila, peguei pacosa! Peraí! Perobão puto, pegou próprio pau preto, passou-me pinceladas! Prostei-me! Procurei paramédicos para pontuarem pregas pobre poupança. Perversões? Parei. Passei pra punheta!

sexta-feira, junho 19, 2009

Cor de rosa e carvão

Outros exemplos de desenhos de ímpeto, como chamo. As pessoas que ousam encarar o Shrek, em geral, saem da minha mesa com um desenhinho relativamente caprichado. Quanto mais bonita a requerente, melhor sai o mimo. Abajo, um DVD para o aniversário da Luiza, feito por uma amiga dela. E mais abajo, um ônibus que ajuda a compor uma história de amor, eternizada num álbum maneiro feito à mão.


quinta-feira, junho 18, 2009

Mirandão não perdoa!

HQ pra revista do BN. O roteiro foi do Cícero Leonardo de Carvalho Ribeiro, autoalcunhado de Ciço Léo. Locais de Fortaleza, reconheceram as referências veladas?




Véio rabugento II

O artigo anterior fez sucesso. Só de comentários, foram dois. Aparentemente, há espaço e público para minhas queixas e lamúrias mal humoradas. Não me surpreendo: depois da delação dos parentes e de brechar a vizinha, meu esporte favorito é dar palpite e reclamar. Prossigamos, pois.

VI
Detesto a musiquinha do plantão de notícias da Globo. Não que isso seja um fato novo, pois é notório que muita gente tem fobia dos acordes - invariavelmente, eles sempre prenunciam que uma grande merda aconteceu. Deveria haver um plantão inverso, ou seja, uma vinheta que anunciasse que uma coisa divertida ocorreu. Como a morte de vários suplentes de senador ou uma Passeata pela Paz em Ipanema, dizimada a rajadas de metralhadoras. Mas esse não era o assunto. O que eu queria dizer é que a droga da musiquinha da Globo me lembra o Globo da Lei, do desenho animado dos Globetrotters, e eu adorava o Globo da Lei. Obviamente ninguém aqui tem a menor idéia do que seja o Globo da Lei, por que eu perco meu tempo?

VII
E essa mania de alianças de casamento cada vez mais taludas? Quanto mais grossa e pesada, maior o amor, é isso? É esse o código? Que tal então fabricarem duas alianças tão grandes que possam ser usadas como algemas? Ficaria muito mais bonito com uma corrente de rebocador entre elas, e o simbolismo seria perfeito.

VIII
Odeio gente que buzina fazendo aquela musiquinha de desenho animado, tipo: Tam tara ram tam, tam tam! Manjam? Por que tanta obviedade, por que tanto lugar-comum? O idiota que faz isso está condenado ao mesmo círculo do Inferno onde estão os amebóides que usam do trocadilho: "É pavê ou pra comer?". E por que, ó São Darwin, o gene do suicídio não é dominante?

IX
Ninguém é obrigado a saber inglês. Eu também não sei, mas ainda me resta certo senso do ridículo. Eu adoraria pegar uns sete ou oito pseudo anglófonos e soltá-los no meio do Vale da Morte, em plena pradaria americana, só pra eles verem o que é bom pra tosse. Você conhece o tipo. É gente que diz assim: "O designer desse cartaz tá muito feio!" (E é da sua conta a disfunção estética da cara do rapaz?) ou: "Foi daqui que pediram essa Long Net?" (Ah se a Internet fosse mais longa, com um alcance até Júpiter, talvez). Mais uma vez: por que vocês não se jogam num moedor industrial de carne?

X
E esse papa Ratzinger? Tão progressista e liberal que já está mandando desenferrujar as Damas-de-Ferro estocadas nos porões da Santa Sé - nunca se sabe quando voltarão a encarcerar hereges como eu. O Vaticano deveria deixar de frescuras e se declarar logo como um Império do Mal. O papa ficaria um luxo de capuz preto na cabeça e um sabre de luz vermelho pendurado na cintura.

quarta-feira, junho 17, 2009

Válvulas e véios ranzinzas

Desde o colégio o povo pede que eu desenhe capas de trabalhos, agendas, bilhetinhos. Sempre gostei de fazer. Para minha surpresa e gáudio, ainda hoje recebo esses convites, que executo graciosamente. Isso é um bom sinal: não meto medo nas pessoas - apesar da minha carranca - e ainda conservo uma certa jovialidade no trato profissional, que nem o capitalismo medieval a que os ilustradores são submetidos no Brasil conseguiu apagar. Por enquanto.

Essa capa foi feita aqui no cárcere, para uma amiga do calabouço ao lado. Que tal?



Véio rabugento


I
Taí uma coisa que me enfurece: "A temperatura na serra era de 5°, mas a sensação térmica era de -10°". No Brasil não há inverno de verdade, só um vai-e-vem de frentes frias. Os caras hipervalorizam uma reles friagem, dando-lhe ares de nevasca. Parece com o cara cujo pau só tem 10cm, mas como ele come uma mulher pequenininha, a sensação peniana é a mesma de ter um mastro de 27cm.

II
Esses hedonistas fulltime de Salvador vestem-se de abadás. Bobagem. O nome daquilo sempre foi mortalha. Inventaram um termo sei lá, bantu pra valorizar a peça, como se a coisa não passasse de um andrajo, mulambo ou saco cuja única função é deixar as genitálias acessíveis.

III
Devo admitir: o Brasil melhorou. Com a informática, TCUs da vida e imprensa livre, é cada vez mais difícil - e complexo - roubar. Tanto que as tramóias de José Sarney parecem coisas de velho ultrapassado e sem imaginação, como contratar parentes por debaixo dos panos. Será que ele achou que oh, como sou esperto, ninguém pensou nisso antes, ninguém vai notar!? Esse expediente poderia ter sido usado por Café Filho e asseclas - e mesmo na época, já soaria muito a século XIX.

IV
Não gosto do número quatro. Adiante.

V
Sou do tempo em que jogos de computador se chamavam videogames, e usava-se um joystick para brincar. Agora os consoles, como eles chamam, se parecem com uma tábua cheia de botões, ótimas para ocasionarem lesões nos polegares. Deixaram o elegante visual de manche do Atari para adotarem essa verdadeira arma-branca que é o controle do PSP. O que virá agora, um dispositivo crivado de acelerômetros, que vai obrigar o velho aqui a rebolar em frente à TV? Francamente!

segunda-feira, junho 15, 2009

Spaceship H

Vi no Sebão um livro sobre design de espaçonaves. Acho que era uma publicação dos anos de 1970. Esse é o tipo de exercício de futurologia fadado ao ridículo. Basta lembrar daqueles artigos na revista Life, por exemplo, onde os engenheiros dos anos de 1950 imaginavam como seriam os carros no longínquo ano de 2000: patéticos. E de fato, as soluções de naves espaciais eram bem bobas, quase risíveis. Acho que vou voltar lá e pegar o livro. Mas digresso.

Pois bem. No cinema, a melhor solução para uma espaçonave realista veio da nave Discovery, de 2001, uma Odissséia no Espaço. Ao contrário de George Lucas, que bolava suas naves aerodinamicamente, a nave de 2001 era um ser do espaço. Sob influência de um campo de gravidade como o da Terra, ela se partiria em duas, incapaz de sustentar seu próprio peso e momento angular. Sempre gostei de desenhar minhas próprias espaçonaves. Obviamente, influenciado pelas mais distintas fontes. Vejam o caso dessa aqui:



Lembra um pouco a Enterprise. Só que sem os exageros sem sentido, como aquela coluna de sustentação do disco - pera lá, o que é aquilo? O meu disco é fixo num eixo, e esse eixo gera uma rotação para que seja criada gravidade artificial, pela força centrífuga. Nisso eu imitei a solução da nave Discovery, sempre ela, que tinha um "tambor" giratório para a mesma função. Acompanhem os números:

(1) O disco central gira para simular uma gravidade confortável. Claro que quanto mais longe do eixo de rotação, maior a sensação de compressão. O segredo é achar um meio termo. Digamos que uma gravidade um pouco maior que a da Lua já seria adequada para a tripulação. O suficiente apenas para que possibilitasse o caminhar seguro e a fluidez de líquidos, além de evitar a atrofia de músculos e ossos. Na borda externa do disco poderia haver uma floresta com pomares e hortas. E no penúltimo andar, um enorme corredor desimpedido, que simularia uma reta infinita (como o planeta-anel de Halo), um espaço tão alto e generoso como um hangar. Psicologicamente, seria bom ter um lugar pra correr e dar uns gritos, já que a nave ficaria anos e anos no espaço, a cada missão. Dimensões: pelo menos 200m de diâmetro. Capacidade: uns 1.000 cientistas, cada um com sua cabine individual, tão grande quanto um pequeno apartamento na Terra.

2) A ponte da nave, sem a gravidade artificial. Esse seria o habitat por excelência dos astronautas profissionais, os sujeitos que irão pilotar a nave. Mais ou menos como a torre de comando de um porta-aviões.

3) Estruturas de comunicação.

4) Reatores de fusão. Os grandes coletores poderiam capturar rochas e poeira no espaço, e convertê-los em energia pura. Motores possantes o suficiente para explorar o sistema solar. E um pouco além.

5) O pulo do gato, na minha humilde opinião. Essas estruturas contêm dois poderosos magnetos, que gerariam um enorme campo magnético que envolveria a nave - como o núcleo de ferro líquido da Terra faz, ao girar. O proprio disco (1) da nave movimentaria os magnetos, como a roda da bicicleta aciona o rotor que faz a lenterna acender. A nave teria assim dois polos magnéticos, que protegeriam a nave da radiação do espaço profundo. De nada, de nada.

6) Popa da nave, com sistemas de fuga, para emergências.

7) Comparativo das dimensões da nave, ao lado de aviões de grande porte (mais ou menos, 70m).

8) A bandeira da Terra.

Veja que nesse caso a nave não se projeta num futuro distante, ela poderia ser construída - no espaço - com a tecnologia disponível hoje. A única exceção seriam os reatores de fusão, ainda pré-pré-experimentais. Custo do projeto? Ah, o PIB da Terra, eu acho. Começem a economizar.

domingo, junho 14, 2009



Que linda peça! Uma empresa de administração de condomínio conecta a originalíssima idéia de cuidar do seu imóvel com proteção ao ninho, e coloca tudo num bem cuidado outdoor. Perfeito.

Mas olhando com calma, alguma coisa destoa. Vocês não estão achando esses três ovos grandes demais não? Meu diploma em ornitologia autoriza que eu declare que um passarinho gesta os ovos todos ao mesmo tempo. Assim, esses ovões taludos teriam que estar dentro do simpático passarinho. Convenhamos que se essa pobre avezinha pudesse carregar três ovos gigantes seria uma proeza tão grande quanto um Antonov carregar em sua barriga um Porta-Aviões.

O que eu deduzo é que na montagem photoshópica, eles mesclaram a foto de um ninho real implantado com ovos de galinha (claramente ovos de galinha caipira) com outra de arquivo de um passarinho. Por que eles não usaram ovos de codorna pintados, ou simplesmente, não reduziram os ovos de galinha no computador segue um mistério. Ah se houvesse um Keyboard Cat pra fotos!

sexta-feira, junho 12, 2009

Ode à BIC seca



Toda caneta
Azul ou preta
Enquanto pinta
Perde a tinta
Mas não a cor

Mesmo morta
Ainda cisma
Ainda produz
Vira um prisma
E decompõe a luz

A caneta seca
O artista definha
Um ofício cruel
Pois todo o sangue
O dele e o dela
Estão no papel

quarta-feira, junho 10, 2009

007EFF



Imagem impressionante. O flagrante registra uma orgia selvagem entre sete smurfs machos. Pode-se notar à esquerda uma camisa da Seleção Francesa de futebol, jogada displicentemente. À direita, o único bacante parcialmente vestido, justamente com uma outra camisa de time, só que dessa vez da Itália. Usando um zoom poderoso, o editor pode ainda localizar um jato da JetBlue passando tranquilo e meia dúzia de Viagras, caídos ao acaso pelo chão. Ao centro, atrás de um jarro de miosótis, o disco Blue da Joni Mitchell - estranha trilha sonora para ato tão infame. Tudo isso emoldurado pelo céu cobalto do Caribe e por uma parte da bandeira da Comunidade Européia, quase escondida por uma revoada de borboletas Maculinea alcon. Como se não bastasse, o fotógrafo, um brechador assumido e torcedor do Avaí, ainda ouvia Kind of Blue do Miles Davis em seu iPod cerúleo. Foto pra prêmio.

segunda-feira, junho 08, 2009

Cheire Coca e Cola



Fim de semana da pesada, como podem notar. Func! Realce, realce, quanto mais parafina melhor....

sexta-feira, junho 05, 2009

Aquela menina só fia o dia inteiro

Pego no site do Terra:



Pois é, mas eu tô vendo dois Coppolas na foto, e ambos cineastas. Detesto ensinar o trabalho dos outros. Ou melhor, não detesto não, acho é bom.

terça-feira, junho 02, 2009

Ecoe, Umberto



O formato de disquete de computador já desapareceu. Não durou trinta anos. Se tenho de deixar uma mensagem à posteridade, farei em forma de livro, e não em suporte eletrônico.

Umberto Eco, 77 anos, intelectual italiano. Autor entre outros livros, de O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault.